Que mixtape maravilhosa essa A Home Away from Home, selecionada pelo jornalista e DJ Allen Thayer para o sensacional blog norte-americano Aquarium Drunkard. O subtítulo da seleta, Brazilian Covers of International Pop & Rock Hits, entrega seu intuito: pinçar clássicos do pop internacional que foram regravados por artistas brasileiros. Allen não se restringe a uma época específica e mistura as versões de Caetano, Elis Regina, Rita Lee, Bossa Rio, Bola Sete e Edu Lobo pra músicas dos Beatles, passando por várias versões de Sérgio Mendes, Gal cantando Dylan, Gil revisitando Blind Faith, Nara Leão cantando Cat Stevens, Seu Jorge cantando David Bowie e pérolas como Erlon Chaves visitando Quincy Jones, Agnaldo Timóteo cantando Procol Harum, Carmindo Trio tocando Elton John, Manito tocando Blood Sweat & Tears e muito mais. No blog, ele comenta, em inglês, a escolha de cada uma das músicas. E como ele anuncia que é o volume 1, fico à espera do próximo. Dicaça da Ju, valeu <3
Studio Rio Presents with Bill Withers – “Lovely Day”
Sivuca – “Ain’t No Sunshine”
Walter Wanderley – “Just the Two of Us”
MPM Propaganda (com Erlon Chaves) – “Tatuzinho e Leite Glória”
Erlon Chaves – “I Say A Little Prayer”
Elizeth Cardoso – “Primavera (We Could Be Flying)”
Sergio Mendes & Brasil ’66 – “Scarborough Fair”
Zimbo Trio – “Bridge Over Troubled Waters”
Nara Leão – “Pai e Filho (Father & Son)”
Agnaldo Timóteo – “Esse Amor Que Eu Não Queria (A Whiter Shade of Pale)”
Seu Jorge – “Rebel Rebel”
Gimmicks – “It’s Too Late”
Gal Costa – “Negro Amor (It’s All Over Now, Baby Blue)”
Leno e Lilian – “Dias Iguais (Day After Day)”
Salinas – “Atlantis”
Caetano Veloso – “Medley: Nega Maluca/Billie Jean/Eleanor Rigby”
Bola Sete – “Polythene Pam/She Came In Through The Bathroom Window”
Elis Regina – “Golden Slumbers”
Bossa Rio – “Blackbird”
Sergio Mendes & Brasil ’65 – “All My Loving”
Caetano Veloso – “For No One”
Rita Lee – “And I Love Him”
Sergio Mendes & Brasil ’66 – “With a Little Help From My Friends” (1968)
Edu Lobo – “Hey Jude”
Sergio Mendes & Brasil ’66 – “Chelsea Morning”
Astrud Gilberto – “Beginnings”
Sergio Mendes & Brasil ’66 – “For What It’s Worth”
Manito – “You’ve Made Me So Very Happy”
The Gentlemen – “Não Sei Quem Sou (Baby, I’m – A Want You)”
Carmindo Trio – “Goodbye Yellow Brick Road”
Gilberto Gil – Can’t Find My Way Home
Letrux – “Vai Brotar”
Bruno Schiavo – “Havaianas Déja Vu”
Billie Elliot – “No Time to Die”
Talking Heads – “Life During Wartime”
Gal Costa – “Cultura e Civilização”
Walter Franco – “Partir do Alto / Animal Sentimental”
Pavement – “Gold Soundz”
Lulina – “Cantor Pop dos Sonhos”
Ana Frango Elétrico – “Torturadores”
Spoon – “Rhthm & Soul”
Jupiter Apple – “Exactly”
Ultramagnetic MCs – “Ease Back”
Kaytranada + Kali Uchis – “10%”
Isaac Hayes – “I’ll Never Fall In Love Again”
Pulp – “Dishes”
Massive Attack – “Dissolved Girl”
Continuando o resgates das minhas colunas da Caros Amigos para o Trabalho Sujo, segue o texto que escrevi para a edição de dezembro do ano passado sobre o festival brasiliense Satélite 061, que reuniu Elza Soares e Gal Costa debaixo da mítica torre de TV da capital do país.
Duas estrelas sob a Torre Festival brasiliense Satélite 061 superou os problemas de produção com dois shows históricos de Elza Soares e Gal Costa
“Vida dura de quem trabalha acreditando na arte independente e que faz na raça mesmo”, ri Marta Carvalho, presidenta da Ossos do Ofício, associação multicultural que realiza o festival Satélite 061, a cuja quinta edição pude comparecer no final do mês de setembro, em Brasília. Ela ri quando peço para que ela conte a história de que ouvi falar, sobre como ela conseguiu pagar os artistas que se apresentaram em seu festival dois anos antes. “No ano de 2014, o festival contava somente com um pequeno patrocínio da Petrobras e para que acontecesse eu tinha que utilizar verba da Secretaria de Cultura para estruturas e cachês artísticos”, conta.
“Logo após o festival, o governo contingenciou as verbas para cultura inclusive vetando os pagamentos de eventos já executados. Sem opção, me uni a vários artistas do movimento cultural do Distrito Federal e fi zemos um plano radical: entramos na Secretaria de Fazenda do DF e nos acorrentamos. Só sairíamos de lá após termos as datas concretas da liberação dos recursos. Foi difícil, mas necessário para que pudéssemos honrar com os nossos compromissos.”
O festival também passou por maus bocados na edição deste ano, quando uma improvável tempestade no início da primavera – época em que não chove em Brasília –, danificou o equipamento no primeiro dia, atrasando a programação. “Com o atraso, tivemos que cancelar o show do BaianaSystem, mas que já marcamos nova data para acontecer. Será dia 18 de novembro, no Museu da República, dentro da programação do Festival Favela Sounds, que eu contribuo com a direção artística”, explica Marta. A queda do BaianaSystem da programação foi um baque num elenco maravilhoso.
O festival, que reunia várias bandas da cidade, entre grupos de rap, bandas de rock e sambistas, tinha escalado uma seleção de artistas que fazia a ponte entre a tradicional música brasileira e a atual música independente moderna, fazendo um contraponto ao outro grande festival da cidade, o Porão do Rock, por não se basear no rock como gênero-base. Assim, tínhamos o veterano Di Melo ao lado do novato Fióti, o irmão de Emicida, que agora lança sua carreira como soulman (com direito a participação do irmão como percussionista e vocalista de apoio ele só foi rimar em “África Nossa”, versão para o hino da diva caboverdiana Cesária Évora). O rock dos Autoramas – que agora é um quarteto – e o rap / R&B de Drik Barbosa. O free jazz elétrico do trumpetista Guizado e a MPB teatral de As Bahias e a Cozinha Mineira.
O raggatech samba-reggae do BaianaSystem seria a liga perfeita para misturar estes diferentes gêneros ancestrais e modernos, principalmente pelo fato do grupo estar lançando um dos melhores discos deste ano, o elétrico Duas Cidades. Mas as duas maiores estrelas do festival foram dois monstros sagrados de nossa música popular, duas divas de histórias díspares que vivem momentos semelhantes nesta segunda década do século 21.
“Elza Soares e Gal Costa têm biografias distintas, mas nunca tiveram seus títulos colocados em xeque, estrelas de dois Rios de Janeiros e de dois Brasis de épocas diferentes, encarnações de mulheres fortes relativas a recortes específicos de nossas culturas”
Elza Soares e Gal Costa têm biografias distintas, mas nunca tiveram seus títulos colocados em xeque, estrelas de dois Rios de Janeiros e de dois Brasis de épocas diferentes, encarnações de mulheres fortes relativas a recortes específicos de nossas culturas. As duas tiveram um ótimo 2015 quando, cercadas de novos músicos, fizeram álbuns ousados para suas carreiras: Elza Soares cercou-se da nova vanguarda paulistana (Rômulo Froes, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos, Celso Sim, José Miguel Wisnik, Thiago França, Douglas Germano, os metais do Bixiga 70 – todos sob a batuta do percussionista Guilherme Kastrup) para lançar o poderoso Mulher do Fim do Mundo, talvez o disco brasileiro mais importante desta década.
Gal fez seu Estratosférica um oposto solar, diurno e carioca do disco paulista de Elza, reunindo composições de Céu, Mallu Magalhães, Marcelo Camelo, Lirinha, Alberto Continentino, Antônio Cícero, Arnaldo Antunes e Caetano Veloso, sob a produção de Kassin e Moreno Veloso. Elza trouxe seu espetáculo pleno, inclusive o cenário de Anna Turra que a coloca central, num trono, cantando a íntegra de seu disco intenso, além de músicas clássicas de seu repertório, como “A Carne” e “Malandro”. Gal foi intimista e, em vez da apresentação de seu novo disco, preferiu desfi lar seu rosário de clássicos ao lado do músico Guilherme Monteiro, no espetáculo Espelho D’Água. É uma sequência de clássicos sem par na música brasileira – “Baby”, “Vaca Profana”, “Tigresa”, “Negro Amor”, “Coração Vagabundo”, “Passarinho”, “Folhetim”, “Sua Estupidez”, “Meu Nome é Gal”, “Dom de Iludir”, “Tuareg” – todas entre a guitarra e o violão e voz intacta da cantora, que completava 71 anos (“54”, brincou) naquele mesmo 26 de setembro.
O público, entregue à sua majestade, não acreditava no que assistia e cantou parabéns para a baiana no palco mais de uma vez. Satisfeita com o resultado da quinta edição do festival, que mesmo com o tropeço do sábado conseguiu reunir 50 mil pessoas aos pés da monumental Torre de TV de Brasília, um dos cartões postais da cidade, a organizadora Marta nem acredita o quanto já conseguiu neste tempo, mas esquiva-se da modéstia. “Esse ano eu fui bem além e vi que é possível ir cada vez mais”, comemora, cravando a sexta edição do festival para o ano que vem, sonhando com dois grandes nomes: o rapper ganês Blitz The Ambassador e o cantor Ney Matogrosso. “Afi nal sonhar não me custa nada”, conclui, rindo.
Solange – “Fera Radical”
Lincoln Olivetti & Robson Jorge – “Eva”
Gal Costa – “Meu Bem, Meu Mal”
Gilberto Gil – “Palco”
Tim Maia – “Acenda o Farol”
Márcia Maria – “Amigo Branco”
Sandra Sá – “Pela Cidade”
Ronaldo Resedá – “Kitch Zona Sul”
Elba Ramalho – “Banho de Cheiro”
Gal Costa – “Festa no Interior”
Painel de Controle – “Black Coco”
Anne Duá – “Indecente”
Marina Lima – “Corações a Mil”
Marcos Valle – “Estrelar”
Erasmo Carlos + Tim Maia – “Além do Horizonte”
Jorge Ben – “Georgia e Jorge”
Rita Lee – “Lança Perfume”
Sam Cooke – “Wonderful World”
O Terno – “Quando Estamos Todos Dormindo”
Thurston Moore – “The Best Day”
Mombojó + Céu – “Diz o Leão”
De Leve – “Melô da Amônia”
Gal Costa – “Vapor Barato”
Talking Heads – “Heaven”
Mercúrias – “Desse Jeito”
Iggy Azalea + Charli XCX – “Fancy”
Saint Pepsi – “Fiona Coyne”
Caribou – “Dive”
The Pool – “Jamaica Running (Poolside Edit)”
Jungle – “Platoon”
Phoenix – “Bankrupt! (Gesaffelstein Remix)”
Marina Lima – “Gata Todo Dia”
Haim – “My Song 5”
Sia – “Soon We’ll Be Found”
O mineiro Pedro Paiva, do coletivo Vinil é Arte, selecionou pérolas obscuras de um Caetano Veloso pós-tropicalista, entre o experimentalismo vanguarda e a influência do rock psicodélico, numa mixtape em que quase todas as faixas foram produzidas por Rogério Duprat e que conta com a participações de nomes como Gal, Mutantes, Wilson das Neves, os Brazões e Lanny Gordin. Delírio.