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Guilherme Held: Abriu o Fuzz

Imensa satisfação em receber o guitar hero Guilherme Held às segundas de abril no Centro da Terra, quando ele promove uma celebração ao seu instrumento em encontros com velhos compadres e camaradas na temporada que batizou de Abriu o Fuzz. A cada segunda ele recebe um amigo e camarada de instrumento, começando nesta primeira segunda do mês com Fernando Catatau. Nas seguintes, ele recebe Lúcio Maia (dia 13), Kiko Dinucci (dia 20) e Edgard Scandurra (dia 27). As apresentações começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à no site do Centro da Terra.

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Um papo com o Catatau sobre o novo Cidadão Instigado

Bati um papo com o Fernando Catatau para o Toca UOL sobre como uma série de gravações feitas sem propósito durante a pandemia se transformaram no novo disco do Cidadão Instigado, lançado nesta quarta-feira.

Assista abaixo:  

O Cidadão Instigado está de volta!

Bem que essa movimentação do Cidadão Instigado nas redes sociais estava indicando e agora, nesta terça-feira, Fernando Catatau anuncia mais um disco de seu grupo batizado apenas com o nome da banda. Cidadão Instigado, o disco, chega ao público no dia 25 deste mês e mexe no cerne original da banda, expandido-o não só para além do rock como para além de sua formaçao clássica. O primeiro indício é a curta “Consciência”, lançada neste mesmo dia, em que o líder da banda pega-se no meio da dúvida logo na entrada da canção: “E eu não sei como é que eu vim de tão longe e agora estou aqui”. O novo disco conta com vários novos colaboradores, inclusive na formação do grupo que tocará o disco ao vivo, que reúne os já veteranos de banda Dustan Gallas (no baixo, synths e vocais) e Clayton Martin (vocais) com os novatos Rubi Assunção (vozes e baixo synth) e Samuel Fraga (bateria e bateria eletrônica), além de participações que entram em diferentes shows, variando inclusive a cada cidade. Bem que 2026 tava prometendo…

Ouça “Consciência” abaixo:  

Cine Yma


(Foto: Gabriela Schmidt/Divulgação)

Yma finalmente coloca seu próximo disco no horizonte ao lançar o primeiro single de seu tão aguardado segundo álbum. Criada a partir de um brainstorm sobre uma lista de filmes tão diferentes quanto Eraserhead, Terra em Transe, Lamb, A Professora de Piano, Dentes Caninos, Cheiro do Ralo, In the Mood for Love, Todo Mundo Quase Morto, Estranhos no Paraíso e Febre do Rato, 2001 tem seu título tirado não do clássico de Stanley Kubrick, mas da saudosa rede paulistana de videolocadoras especializada em cinema de arte. O recorte de uma colagem de títulos que hoje estariam no Mubi sobre uma base bossa nova spacey começa a descortinar o novo ambiente sonoro imaginado pela cantora paulistana, que vem acompanhada de um elenco de instrumentistas que a elevam a um novo patamar: Fernando Catatau (guitarra), João Barisbe (clarinete e sax), Marcelo Cabral (baixo) e Pedro Lacerda (bateria), além de seu companheiro (e produtor da faixa), Fernando Rischbieter, tocando violões, guitarra, synths, mellotron, programações e fazendo vocais. É um pequeno e bonito vislumbre num novo universo que, se tudo caminhar como anda, nos será revelado ainda este ano.

Ouça abaixo:  

Alguma coisa está acontecendo

Mais um Inferninho Trabalho Sujo na Porta e comecei a vislumbrar outra transformação da festa a partir do que aconteceu nessa sexta-feira. Reuni dois artistas distintos com propostas diferentes mas que juntos trouxeram uma atmosfera diferente da que venho construindo neste último ano e meio abrindo espaço para artistas iniciantes, criando uma atmosfera mais introspectiva e plácida do que o ritmo intenso e abrasivo característico dos outros inferninhos. Assim, apesar de tecnicamente lidar com duas atrações que davam seus primeiros passos, o clima da noite não era propriamente jovem. Sim, Fernando Catatau e Isa Stevani estão aí há um tempo com seus trabalhos pessoais, mas a junção do trabalho dois, no espetáculo batizado de Outra Dimensão, é novíssimo e estava na terceira apresentação. E Francisca Barreto, apesar de ter acabado de entrar em seus vinte anos, já rodou o planeta tocando com Demian Rice e está desenvolvendo uma maturidade artística própria que vai além do que sua quantidade de shows autorais – aquele era apenas seu segundo, mas não parecia. Tocando mais uma vez com Bianca Godoi e Victor Kroner, ela convidou Valentim Frateschi para o lugar da viola de Thales Hashiguti, que não pode tocar nessa sexta, abrindo uma nova dimensão para além de seu primeiro show, realizado no Centro da Terra há algumas semanas. Com a banda toda de pé, ela criou uma correia para seu próprio violoncelo tocando ela mesma de pé e apresentou-se com mais confiança e dinâmica que na outra ocasião, dando preferência ao próprio repertório – tocando músicas lindas que ainda não têm nome – e deixando as versões para momentos pontuais do show, quando tocou “Habana” de seu professor de cello Yaniel Matos (que deverá ser seu primeiro single, produzido por Kroner), a maravilhosa versão para “Teardrop” do Massive Attack (quando deixa sua voz resplandecer como deve ser) e “Ponta de Areia” de Milton Nascimento (esta última só em seu instrumento e a pedidos do público). Uma apresentação mais concisa, sem participações especiais e mais direto ao ponto que a primeira, mostrando com ela aos poucos vai tomando conta do próprio voo.

Depois foi a vez de Fernando Catatau e Isa Stevani mostrar mais uma vez seu espetáculo Outra Dimensão, que realizam juntos: enquanto Isa projeta imagens tridimensionais que vão se desintegrando e reestruturando em movimento, Fernando faz sua guitarra rugir provocando reações nas imagens exibidas por Isa. E assim o público da Porta, onde foi realizada mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo, ia aos poucos entrando em paisagens silenciosas que hora pareciam estar numa gruta, num planeta inóspito, no espaço sideral ou numa floresta, imagens abstratas que ganhavam novas camadas com os movimentos propostos pelo som das duas guitarras tocadas por Catatau, que também cantarolou no final da apresentação, causando momentos de reflexão, meditação e transe entre o ruído e o silêncio, reforçando a sensação que o Inferninho na Porta abre uma outra categoria de festa. Uma que, quando discotequei, não pedia apenas música para dançar, mas abria espaços para misturar The Cure com Boards of Canada com instrumentais do BaianaSystem, Big Star e Tulipa Ruiz. Alguma coisa está acontecendo…

Assista abaixo:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Fernando Catatau + Isa Stevani e Francisca Barreto

Mais Inferninho Trabalho Sujo essa semana? Outra vez na Porta? Sim, numa programação relâmpago reuni duas apresentações novíssimas para celebrar a parceria com esta que é uma das melhores novas casas de show de São Paulo. A noite começa com a segunda apresentação autoral de Francisca Barreto, que desta vez juntou-se a Bianca Godoi e Victor Kroner para mergulhar em canções lindíssimas com sua voz e violoncelo formidáveis. Depois é a vez de Fernando Catatau e Isa Stevani apresentarem a composição audiovisual Outra Dimensão, performance em que imagens digitais geradas em 3D reagem de forma generativa ao som de guitarras e samplers em tempo real. E além das duas apresentações, também discoteco antes, entre e depois dos shows. A Porta fica na rua Horácio Lane, 95, entre os bairros de Pinheiros e Vila Madalena, em frente ao cemitério, e abre a partir das 19h. Os ingressos já estão à venda neste link – e comprando antes sai mais barato.

Entregues à emoção

Uma sexta-feira com um coração imenso: assim foi a edição de outubro do Inferninho Trabalho Sujo no Picles. A noite começou com a usina de força que é a banda Tietê. Ancorada no reggae, o novíssimo septeto paulistano tempera sua mistura de ritmos com funk, soul, grooves latinos e música brasileira e a energia que transborda no palco inevitavelmente contagia o público. Atiçados pelo carisma inacreditável da vocalista e saxofonista Dodô, os integrantes da banda trocam de instrumentos enquanto passeiam por diferentes vibes, sempre carregando a expectativa do público junto, seja nos momentos mais introspectivos ou na fritação completa. E eles estão só começando: acabaram de gravar o segundo disco (no estúdio Abbey Road, em Londres, olha só) e o repertório da noite ficou por conta destas músicas ainda inéditas, que deverão vir a público apenas em 2025.

A banda deixou o o caminho pronto para a estonteante Soledad enfeitiçar o público com o repertório de seu novo trabalho, chamado de Desterros, que misturas suas composições às da geração clássica do cancioneiro cearense, como Fagner, Fausto Nilo, Ednardo (revisto em uma versão apaixonante para “Beira Mar”), Rodger Rogério, entre outros. Seu terreiro é encantado com a ajuda de bruxos da música, com Davi Serrano e Allen Alencar revezando-se entre o baixo e a guitarra, Xavier e Clayton Martins trocando lugares entre a bateria e a percussão (acústica e eletrônica), enquanto Paola Lappicy serpenteava pelos teclados e sintetizadores. E entre estes hinos, ela ainda contou com as participações de Julia Valiengo (com quem dividiu “Santo ou Demônio”, de Fagner) e de Fernando Catatau, que ainda puxou duas músicas próprias, “Completamente Apaixonado” de seu primeiro disco solo e a clássica “Homem Velho” do grupo Cidadão Instigado. No centro de tudo, a voz e a o corpo de Sol, completamente entregues à emoção e à música, hipnotizava o público, que embarcava naquela viagem intensa de sentimentos e sons. Quando eu e a Bamboloki assumimos o som depois de seu show – e fomos de dance music a rock clássico, passando por clássicos da disco music, do funk e aquela mistura de summer eletrohits com o disco novo da Charli. E depois eu contei pra Bam o que o público que não estava na pista tinha mais… Que noite!

Assista abaixo:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Tietê e Soledad

Tá sentindo falta do Inferninho Trabalho Sujo? Pois cá estamos nessa sexta-feira mais uma vez no Picles, quando recebo pela primeira vez a promissora banda Tietê e a maga cearense Soledad num show que ainda contará com participações de Fernando Catatau e Júlia Valiengo. Depois dos shows, meia-noite em diante, esquento a pista ao lado da minha fiel escudeira ícone do desvario Bamboloki e já decidimos de antemão que vamos pesar pra eletrônica, ela quer Justice e eu quero Charli. O Picles fica no número 1838 da rua Cardeal Arcoverde, no coração de Pinheiros, e quem chegar antes das 21h paga mais barato. Vamos?

O mapa de um não-território

Densa e hipnótica. Assim foi a apresentação que Fernando Catatau e Isadora Stevani fizeram neste primeiro dia de outubro no Centro da Terra, quando reuniram suas ferramentas para criar uma instalação em movimento chamada Outra Dimensão. A descrição do que acontecia no palco – em que o guitarrista desdobrava seu instrumento com auxílio de sintetizadores e pedais para ter sua sonoridade traduzida em movimento pelas imagens em movimento reativas da artista visual – parece simples mas criava um espaço imaginário único, em que coordenadas cartesianas fluidas buscavam firmar alguma referência no que chegava em forma de som, conduzindo o público a um transe que por vezes era idílico e onírico e em outras era pesado e incômodo, sem nunca perder sua natureza abstrata, mesmo quando a guitarra soava apenas como uma guitarra. Um encontro artístico a dois ao mesmo tempo introspectivo e expansivo, este mapa de um não-território me pareceu apenas o primeiro passo numa parceria que pode abrir ainda mais fronteiras a cada nova apresentação. Por isso, que venham outras!

Assista abaixo: