Trabalho Sujo - Home

Entrevista

vitoraraujo

Recém-saído de sua temporada no Centro da Terra – Mercúrio, quando começou a transitar entre nomes da música experimental brasileira, Vítor Araújo leva seu disco Levaguiã para o palco do Sesc Pompéia nesta sexta-feira (mais informações aqui), traçando paralelos entre o álbum e o processo que atravessou durante a temporada. Pedi para ele explicar as transformações que vem passando e como elas se refletem no show desta noite:

“Já estou a 2 anos na campanha do Levaguiã, e é o primeiro trabalho onde me apresento com banda. Primeiro houve o trabalho de adaptar e recriar os arranjos que originalmente foram escritor pra orquestra de formação sinfônica, que foi árduo porém interessante. E justamente por eu vir na música erudita mas dialogar – principalmente nesse show – com o meio mais pop-alternativo, acabou que o show circulou por vários tipos de espaço diferentes. Desde festival – como o Rec-Beat e o Coma -, até teatros como o Santa Isabel, e salas de concerto como o Ibirapuera. E agora, passados esses dois anos e rodado por esses diferentes lugares onde o show acaba se comportando de maneiras muito diferentes, decidi trazer pro show alguns elementos novos.”

“Aqui, torna-se muito importante a experiência de residência artística que foi construída no Mercúrio, onde pude fazer, ao vivo, experimentos de formação instrumental, de relação entre eletrônico e orgânico e, principalmente, de redundância sonora – tendo redundância aqui uma boa conotação. Trouxe de lá a vontade de ampliar a banda gerando um jogo de redundâncias instrumentais. Por isso: duas baterias, duas guitarras, dois percussionistas. “

“E, além disso, vamos poder retomar uma coisa que foi feita no início do lançamento do Levaguiã: em vez de uma audição do disco, como geralmente é feito pelos artistas em vias de lançar um novo trabalho, eu, Raul e Bruno Giorgi fizemos uma performance numa galeria de arte aqui de São Paulo onde Bruno remixava ao vivo o disco, que estava tendo a primeira audição pelos convidados. E ele mixava quadrifônicamente, em vez do padrão estéreo de L/R. Enquanto isso, Raul também remixava num projetor as peças gráficas que ele fez pro disco, construindo uma narrativa de animação ali na hora. No show do Pompéia vamos retomar essa idéia da quadrifonia, o show vai ser mixado na hora por Bruno em 4.1, dando uma ‘visão’ mais 360graus do show.”

“Isso tudo parece entrar num contexto pessoal meu onde sinto que me aproximo cada vez mais da música experimental e do ambiente de hibridismo entre o acústico e o eletrônico. Não sei ainda onde isso vai dar, mas acho que o Mercúrio e as alterações que ele gerou agora no show do Levaguiã apontam pra isso…”

inutero

“Há tempos não estava vendo muito sentido em prosseguir no rolê da música”, desabafa Rodrigo Lemos, um dos fundadores da Banda Mais Bonita da Cidade que passou a lançar seus trabalhos com o nome solo Lemonskine e o grupo Naked Girls and Aeroplanes. “Rolou depressão mesmo após o meu último lançamento. Ainda sem saber como proceder, fui cavoucar o que tinha acontecido comigo ao longo dos anos, tipo terapia mesmo! Passei por um monte de coisa desde o meio da década passada e as coisas vão mudando. O panorama atual não é meu lugar de fala.”

Foi pensando nisso que optou por o que ele chama de “regressão” ao seu primeiro contato com o rock, o trio Nirvana. “Eu devia ter em torno de 12 anos; já havia mudado do Rio de Janeiro para Curitiba e lembro de ter comprado meu primeiro disco com dinheiro economizado de “mesadas” nessa época, o acústico da MTV americana, que aqui no Brasil chegou quase junto com a notícia da morte do Kurt”, lembra. “Foi um período em que eu vivi isso muito intensamente. Como adolescente, não conseguia exatamente compreender o sentido daquilo tudo, mas encontrava ecos internos já apontando pro interesse em música, em formar uma banda… Aí, me aprofundando no Nirvana, naturalmente cheguei ao In Utero e não larguei mais. Foi, com absoluta certeza, o disco que mais ouvi durante a juventude.”

rodrigolemos

Ao se deparar com o início de sua educação musical e o momento de sair de cena para dar voz a outras vozes (“por hora, prefiro participar do momento como produtor musical, e me coloco numa posição de empatia e apoio às novas vozes que realmente importarem, ainda mais no contexto do Brasil”, completa), Lemos capitaneou uma versão cheia de soul justamente para o disco-epitáfio de Kurt Cobain – lançado meses antes do suicídio de seu autor, Kurt Cobain. “A princípio, não houve um grande planejamento em torno do In Utero especificamente, mas sempre tive curiosidade com essas versões que buscam outro sentido na obra original”, continua Lemos. “Aí fui arranjando as versões em casa e em estúdio, dando os pontos de partida e convocando pessoas que eu admiro e que, já sabia, teriam alguma identificação com essa obra.”

“Inevitavelmente, tenho como referência projetos como Easy-Star All Stars, por exemplo – que já lançou releituras dub e reggae para Michael Jackson, Radiohead, Pink Floyd… Recentemente, tocando em casa, achei que estivesse compondo uma progressão de acordes bem funkeada, quando comecei a cantar uma melodia que, minutos depois percebi, era igual à de ‘Heart-Shaped Box’. Foi quando veio o clique”, lembra da origem soul do projeto.

O resultado é um disco bonito, com momentos inspirados e contrapontos interessantes, que às vezes desliza para o clichê, mas sempre mantém uma linha de raciocínio que nunca desanda, no máximo se repete. Heart-Shaped Tracks – A soulful tribute to Nirvana’s In Utero, primeiro lançamento do selo de Lemos Mezcla Viva Records reúne nomes como Blubell, Francisco El Hombre, Tuyo, Michele Mara, Letrux e os projetos autorais do idealizador num tributo essencialmente coeso e bem executado.

“A vida colocou um monte de fãs de Nirvana em volta de mim”, brinca. “Eu não pedi, mas quando vi já sabia quem poderia me ajudar a tornar isso realidade. Acho que o fato de ser um remake cantado majoritariamente por vozes femininas foi a maior surpresa. E ir encontrando a universalidade das letras do álbum, sobretudo. Pisei em ovos, por exemplo, pra convidar a Michele Mara para interpretar a versão de ‘Rape Me’. Por outro lado, fiquei muito à vontade com ela enquanto gravávamos!”

“Cada encontro foi muito especial à sua maneira, até os encontros à distância, como foi o caso da Leticia Novaes, do Letrux, que tem toda uma relação pessoal com Nirvana também, e encontrou tempo em meio à sua correria para transbordar em ‘All Apologies'”, continua.Um destaque que observo com carinho, foi o debut da Isabela Cafefortesemaçúcar. Ela participa em ‘Tourette’s’, que é uma música bem menos popular no álbum original mas, aqui, foi uma surpresa entre a equipe que a conhecia pessoalmente sem nunca ter ouvido sua voz cantante.”

É o primeiro projeto do selo, que Rodrigo imagina como ponto de partida para o envolvimento de seu trabalho com algumas das pessoas que participaram do projeto, mas por enquanto seu foco é mostrar o disco fora do Brasil. “Esse foi um projeto piloto pra sacar qual a substância disso em vendas digitais – que é só o que estou licenciado para fazer. Sacar se as pessoas estão interessadas nesse tipo de lançamento. Mas a idéia é que o selo possa lançar um remake por semestre, então o próximo já vai entrar no forno”, diz, sem contar quais nomes tem especulado.

HeartShapedTracks

Raissa Fayet + Bananeira Brass Band – “Serve the Servants”
Yuri Lemos + Igor Amatuzzi – “Scentless Apprentice”
Lemoskine – “Heart-Shaped Box”
Michele Mara – “Rape Me”
Francisco El Hombre + Bananeira Brass Band – “Frances Farmer Will Have Her Revenge On Seattle”
Jan & Machete Bomb – “Dumb”
The Shorts – “Very Ape”
Blubell + Dopler Beatz – “Milk It”
Tuyo + Bananeira Brass Band – “Pennyroyal Tea”
Naked Girls and Aeroplanes + Bananeira Brass Band – “Radio Friendly Unit Shifter”
Isa Caféfortesemaçúcar – “Tourette’s”
Letrux + Bananeira Brass Band – “All Apologies”

eatnmptd-fundacao

“É o começo de algo sólido. Nosso primeiro disco de fato. A idéia de Fundação vem desse conceito de erguer algo a partir de uma estrutura firme”, explica a banda paulistana E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante sobre o título de seu novo disco, Fundação, em entrevista por email. Formado por Lucas Theodoro (guitarra, synth e programações), Luccas Villela (baixo e guitarra), Luden Viana (guitarra e synth), e Rafael Jonke (bateria e MPD), o EATNMPTD está prestes a lançar seu novo álbum, no próximo dia 14, e antecipa tanto a capa (acima) quanto um curta sobre as gravações do disco (abaixo) em primeira mão para o Trabalho Sujo.

“Não seguimos um conceito, as ideias foram propostas e construídas de forma natural durante nossos ensaios. São músicas em que todos exploramos mais os ritmos e novas sonoridades, até trocando de instrumentos, saindo de uma zona de conforto do que se espera de um quarteto de baixo, guitarras e bateria”, explicam coletivamente, sem dizer quem responde qual pergunta. O grupo existe há cinco anos e já lançou alguns EPs, mas desde o início de 2016 não lançou mais nada, adiando o lançamento de seu primeiro álbum por mais de dois anos. “Na maior parte desse tempo entre um lançamento e outro nós tivemos um grande período em que mais fizemos shows, rodamos por festivais e novas cidades no Brasil. E quando achamos que havia chegado a hora, nos concentramos em produzir novas músicas, experimentar e fazer algo novo. Ao mesmo tempo que o disco tem uma sonoridade diferente, é uma mudança natural considerando todo esse processo e tempo que tivemos acumulando e absorvendo novas inspirações.”

Lucas Theodoro, Luden Viana,  Rafael Jonke e  Luccas Villela (foto: Larissa Zaidan)

Lucas Theodoro, Luden Viana, Rafael Jonke e Luccas Villela (foto: Larissa Zaidan)

A espera valeu à pena. Fugindo do guarda-chuva genérico chamado pós-rock, a banda vai para além da sonoridade épica, esparsas e barulhenta que a fez ganhar fama no circuito independente brasileiro. “Só tivemos vontade de entregar uma nova proposta sonora. O pós-rock de uma certa forma ainda está la, é perceptível, mas quisemos sair da fórmula mais notória do estilo, formar algo que fale por nós, pela nossa vivência musical, e consequentemente isso veio naturalmente nas composições”, explicam. O resultado pode ser conferido nas duas músicas que o grupo já lançou, “Daiane” e “Como Aquilo Que Não Se Repete”.

“Fundação se deu por conta de um processo muito específico e novo para nós. Pela primeira vez tivemos a oportunidade de ensaiar mais regularmente em um espaço nosso. Ter todos nossos equipamentos sempre montados em uma mesma sala e não ter restrição de horário foi um privilégio muito grande e afetou diretamente esse processo. Foram seis meses criando em um ambiente que nos deixou mais livres para experimentar estruturas de música, testar novas formas de compor e incorporar momentos espontâneos que acabaram por virar músicas inteiras. No final das contas, esse processo todo influenciou o resultado final muito mais do que referências musicais pontuais”, continuam. O disco foi gravado em duas fases, a primeira num estúdio em Araraquara e o restante na casa do guitarrista Lucas Theodoro. A produção ficou a cargo de Gabriel Arbex. “A escolha desses lugares foi para preservar uma relação mais íntima com o processo. O Sunrise (em Araraquara) tem uma estrutura de casa mesmo. Nós dormimos lá todos os dias, cozinhamos, fizemos churrasco… É um processo bem imersivo estar em outra cidade. Em São Paulo no tempo em que ficamos no Theodoro também teve um clima diferente de poder parar pra fazer um café, sentar no quintal pra conversar, etc. Enfim, o processo foi todo um pouco mais leve e pessoal/humano nesse sentido.”

Além de novas sonoridades, os quatro testaram novos instrumentos. “Quase todos gravamos synth e o disco tem baterias eletrônicas, sequencer, congas, músicas com várias guitarras…”, prosseguem. “A participação mesmo foi a de Vini Rodrigues, de apenas 20 anos, que gravou saxofone em uma das faixas. O Arbex não chegou a tocar nenhum instrumento no disco, mas adicionou muitas camadas na hora da mixagem que abriram bastante o ambiente sonoro do disco.”

Há inclusive uma faixa com vocais (“Se a resposta gera dúvida, então não é a solução”, que também contém vocais do produtor e de Fernando Dotta, capo da gravadora do grupo, a Balaclava), mas seguem firmes como uma banda instrumental, o que está longe de ser uma questão para a banda. “Desde o começo sempre nos adaptamos muito bem nos ambientes pelos quais passamos, inclusive, sempre estivemos muito mais em meio a bandas não-instrumentais, o que foi positivo para o nosso desenvolvimento por não estarmos completamente atrelados a apenas um nicho. Hoje, cinco anos após o início da banda, seguimos com a mesma mentalidade, que é a que não segrega, e sim ajuda a somar na cena em que estamos inseridos. Além de tudo, é importante ter noção que temos muito privilégio por sermos uma banda que está localizada em São Paulo.”

rodrigobrandao

Rodrigo Brandão está mudando de pele de novo. Depois de reconhecido como VJ do saudoso Yo! MTV Raps e ter conseguido se transformar no MC Gorila Urbano à frente do também saudoso Mamelo Soundsystem, ele agora assume o próprio nome ao lançar seu primeiro disco solo, expandindo as fronteiras de seu canto falado para além do hip hop. É um processo que ele vem maturando há uma década a partir de uma série de colaborações que tem feito com alguns broders do Hurtmold e outros nomes de peso como Del The Funky Homosapien, Mike Ladd, Prince Paul, Lúcio Maia, Naná Vasconcelos, entre outros, em projetos como Ekundayo, Zulumbi, 3rd World Vision e Brookzill.

rodrigobrandao-outrosbarato

No entanto, o recém-lançado Outros Barato, produzido por Thiago França, é o primeiro disco que assina com seu próprio nome – e que mostra que partiu para o spoken word como uma continuação de seu trabalho como MC de hip hop. No novo disco, ele juntou bambas como Guizado, Rodrigo Carneiro, Richard Ribeiro, Tulipa Ruiz, Victor Vieira-Branco, Marcelo Cabral, Thomas Rohrer, Pupillo, Juçara Marçal e os suspeitos de sempre do Hutmold (Maurício Takara, Marcos Gerez, Rogério Martins e Guilherme Granado) para três sessões de descarrego verbal e instrumental. Conversei com ele sobre este seu disco de estreia, lançado quase décadas depois de sua estreia no mundo fonográfico.

Como surgiu a idéia de Outros Barato?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-brandao-2018-como-surgiu-a-ideia-de-outros-barato

Como você começou a se envolver com o canto falado?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-brandao-2018-como-voce-comecou-a-se-envolver-com-o-canto-falado

Fale sobre as sessões que deram origem ao disco.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-brandao-2018-fale-sobre-as-sessoes-que-deram-origem-ao-disco

O quanto o disco foi improvisado?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-brandao-2018-o-quanto-o-disco-foi-improvisado

Como surgiu o título do disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-brandao-2018-como-surgiu-o-titulo-do-disco

Você definia os temas que ia falar a partir dos convidados?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-brandao-2018-voce-definia-os-temas-que-ia-falar-a-partir-dos-convidados

Como serão os shows deste disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-brandao-2018-como-serao-os-shows-deste-disco

Como você vê a cena de spoken word no Brasil?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-brandao-2018-como-voce-ve-a-cena-de-spoken-word-no-brasil

Teve alguém que você quis registrar que não conseguiu?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-brandao-2018-teve-alguem-que-voce-quis-registrar-que-nao-conseguiu

O que mais você anda fazendo desde que o Mamelo acabou?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-brandao-2018-o-que-mais-voce-anda-fazendo-desde-que-o-mamelo-acabou

tassia-reis-centro-da-terra

Tássia Reis é MC mas começou dançando e canta muito – e começa a explorar novas possibilidades de sua musicalidade na temporada que assume nas terças-feiras de setembro no Centro da Terra. Chamada de Estive Pensando, ela aproveita a série de quatro shows para mergulhar em uma transição de carreira que vai muito além da preparação de um próximo disco. Estabelecida como rapper tanto em carreira solo quanto no grupo Rimas e Melodias, ela quer reinventar sua apresentação para além dos limites que já conhece de espetáculo – e com isso, se reinventar. Conversei com ela sobre o que ela esteve pensando para esta nova fase de sua carreira.

O que significa esta temporada em sua carreira?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tassia-reis-o-que-significa-esta-temporada-em-sua-carreira

Como você pensou na formação que vai trazer para o palco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tassia-reis-como-voce-pensou-na-formacao-que-vai-trazer-para-o-palco

Os shows vão mudar de um dia para o outro?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tassia-reis-os-shows-vao-mudar-de-um-dia-para-o-outro

Sobre o que você “esteve pensando”? Como chegou neste título?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tassia-reis-sobre-o-que-voce-esteve-pensando-como-chegou-neste-titulo

É um show de rap?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tassia-reis-e-um-show-de-rap

Fazer um show pensado para um teatro é uma novidade em sua carreira?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tassia-reis-fazer-um-show-pensado-para-um-teatro-e-uma-novidade-em-sua-carreira

Consegue sintetizar o que você quer com esta temporada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tassia-reis-consegue-sintetizar-o-que-voce-quer-com-esta-temporada

tataaeroplano-2018

Tatá Aeroplano acabou de se mudar do bairro de Santa Cecília para a Vila Romana e a mudança de paisagem está completamente refletida em seu novo disco, o recém-lançado Alma de Gato, que traz o cantor e compositor paulista longe do fervo do centro, onde morava desde que se mudou para São Paulo, e mais entre as árvores e sob a luz do sol que bate na zona oeste paulistana – o disco é batizado a partir do nome de um pássaro. É seu quarto disco solo e o quinto que grava ao lado da banda formada por Bruno Buarque, Júnior Boca e Dustan Gallas (o outro disco foi o que dividiu com Bárbara Eugenia no ano passado). A química entre os músicos é perfeita, mas o que mais impressiona no disco é perceber como Tatá está cada vez mais à vontade em sua própria sonoridade, longe do humor corrosivo dos grupos que o consagraram no início da carreira (o Jumbo Eletro e o Cérebro Eletrônico). A cada novo disco ele ergue um pequeno monumento à vida comunitária numa cidade gigantesca como São Paulo, percorrendo suas avenidas e multidões com o espírito andarilho de garoto do interior que ele sempre foi. Conversei com ele sobre o novo álbum e sobre a carreira que construiu até aqui, além de pedir para que ele, mais uma vez, dissecasse o disco faixa a faixa (que, como todos seus discos, está para download em seu site).

Vida de Gato é reflexo de sua mudança entre dois bairros de São Paulo. Fale sobre a inspiração do disco.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tata-aeroplano-2018-vida-de-gato-e-reflexo-de-sua-mudanca-entre-dois-bairros-de-sao-paulo

É um disco mais bucólico?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tata-aeroplano-2018-e-um-disco-mais-bucolico

Essa sua mudança de bairro tem a ver com a gentrificação de São Paulo? Como você vê essas mudanças?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tata-aeroplano-2018-essa-sua-mudanca-de-bairro-tem-a-ver-com-a-gentrificacao-de-sao-paulo

É o quinto disco que você grava com a mesma banda. Fale sobre o processo de criação, composição e gravação com eles.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tata-aeroplano-2018-e-o-quinto-disco-que-voce-grava-com-a-mesma-banda

É seu quarto disco solo, lançado totalmente às próprias custas. Você acha que esse é um modelo de negócios viável para outros artistas?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tata-aeroplano-2018-e-seu-quarto-disco-solo-lancado-as-proprias-custas-e-um-modelo-viavel

Você assistiu à transformação da cena independente brasileira com a chegada da internet. O que mudou e o que ainda falta mudar?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tata-aeroplano-2018-voce-assistiu-a-transformacao-da-cena-brasileira-o-que-ainda-falta-mudar

Como esta autonomia de carreira permite que você crie mais livremente? Fale sobre a relação entre ser independente e o processo de criação.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tata-aeroplano-2018-como-esta-autonomia-de-carreira-permite-que-voce-crie-mais-livremente

Quais os próximos projetos?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tata-aeroplano-2018-quais-os-proximos-projetos

almadegato

Alma de Gato – Faixa a faixa

mombojo-2018

Com dois de seus integrantes morando em São Paulo, dois no Recife e um no sul da Bahia, o grupo Mombojó inevitavelmente entrou num estágio de hibernação. Foi o período em que lançaram a colaboração com a vocalista do Stereolab Laetitia Sadier e que o vocalista Felipe S. lançou seu primeiro disco solo, mas também foi o tempo para arquitetarem uma volta que os tornasse viáveis como integrantes de uma banda mesmo com as distâncias geográficas no meio. Pioneiro no uso da internet para publicar seu trabalho, o grupo agora vem usando a rede para encurtar estas conexões e anuncia o sexto disco da banda, MMBJ12, que será lançado uma canção por vez até completar doze faixas no ano que vem. O primeiro single é a faixa “Ontem Quis”, que antecipa uma pequena turnê que o grupo faz entre setembro e outubro, passando pelo Rio de Janeiro (dia 11), Belo Horizonte (dia 12), São Paulo (dia 20) e Recife (dia 5).

Bati um papo com o Felipe sobre esta nova fase do grupo, que aproveitou para fazer um balanço destes anos no Mombojó.

Como aconteceu esta volta do Mombojó? Há quanto tempo vocês estavam parados?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-como-aconteceu-esta-volta-do-mombojo-ha-quanto-tempo-voces-estavam-parados

Como vocês farão nesta nova fase, ainda mais morando em estados diferentes?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-como-voces-fazer-nesta-nova-fase-ainda-mais-morando-em-estados-diferentes

O ciclo com Laetitia Sadier foi concluído?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-o-ciclo-com-laetitia-sadier-foi-concluido

O quanto o sucesso do Del Rey atrapalhou a boa fase do Mombojó?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-o-quanto-o-sucesso-do-del-rey-atrapalhou-a-boa-fase-do-mombojo

Vocês são digitais desde que surgiram. Ainda faz sentido prensar um disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-voces-sao-digitais-desde-que-surgiram-ainda-faz-sentido-prensar-um-disco

Você continua fazendo seu trabalho solo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-voce-continua-com-seu-trabalho-solo

Como você vê as mudanças no mercado independente desde que vocês começaram?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-como-voce-ve-as-mudancas-no-mercado-independente-desde-que-comecaram

E os shows?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mombojo-2018-ha-previsao-de-shows

mombojo2018

metameta-centrodaterra

As segundas de setembro no Centro da Terra ficam na mão do grupo Metá Metá, que volta à sua formação inicial – o trio composto por Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Thiago França – para começar a pensar no quarto álbum. O grupo lançou o ótimo MM3 há dois anos e não parou quieto, tanto fazendo shows pelo Brasil ou turnês pelo exterior, quanto tocando trabalhos paralelos que seus três integrantes agitam paralelamente. Agora é hora de parar e, na frente do público, começar a rascunhar o que pode se tornar o próximo disco na temporada Ojo Aje, concebida para a sessão Segundamente desde seu título (“segunda-feira”, em iorubá). Há algumas intenções pré-determinadas, mas tudo pode acontecer no decorrer deste intenso setembro de 2018 que começa a se descortinar em frente aos nossos olhos. Conversei com os três sobre esta nova temporada e o que podemos esperar deste novo momento do grupo.

O que você fez após o lançamento do disco MM3?
Juçara:
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-o-que-voce-fez-apos-o-lancamento-do-disco-mm3
Kiko:
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-o-que-voce-fez-apos-o-lancamento-do-disco-mm3-1
Thiago:
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-o-que-voce-fez-apos-o-lancamento-do-disco-mm3-2

Como vocês começaram a pensar que era a hora de fazer um quarto disco da banda?
Thiago:
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-como-voces-comecaram-a-pensar-que-era-a-hora-de-fazer-um-quarto-disco-da-banda
Juçara:
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-como-voces-comecaram-a-pensar-que-era-a-hora-de-fazer-um-quarto-disco-da-banda-1
Kiko:
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-como-voces-comecaram-a-pensar-que-era-a-hora-de-fazer-um-quarto-disco-da-banda-2

A temporada é só vocês três. Qual a importância de se trabalhar a três?
Kiko:
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-a-temporada-e-so-voces-tres-qual-a-importancia-de-se-trabalhar-a-tres

A temporada pretende reproduzir a dinâmica entre vocês três? É um ensaio aberto?
Thiago:
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-a-temporada-pretende-reproduzir-a-dinamica-entre-voces-tres-e-um-ensaio-aberto

Como é fazer o Metá Metá voltar a ser um trio, depois da consolidação do formato banda?
Juçara:
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-como-e-fazer-o-meta-meta-voltar-a-ser-um-trio-depois-da-consolidacao-do-formato-banda

A temporada deve refletir as tensões políticas pelas quais o país vem passado?
Kiko:
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-a-temporada-deve-refletir-as-tensoes-politicas-pelas-quais-o-pais-vem-passado

Qual a diferença entre realizar este tipo de experimento diante do público e não em uma sala de ensaio?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-qual-a-diferenca-entre-realizar-isto-diante-do-publico-e-nao-em-uma-sala-de-ensaio

O que o público pode esperar desta temporada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-o-que-o-publico-pode-esperar-da-temporada

Você vai tocar só violão ou vai usar guitarra nos shows da temporada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-voce-vai-tocar-so-violao-ou-vai-usar-guitarra-nos-shows-da-temporada

Que instrumentos você vai tocar nesta temporada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/meta-meta-que-instrumentos-voce-vai-tocar-nesta-temporada

gluetrip2018

“Morar numa cidade como João Pessoa traz muitas reflexões em frente ao mar e a cidade de uma certa maneira é minha maior inspiração”, me explica o paraibano Lucas Moura, voz e guitarra do Glue Trip, quando o pergunto sobre inspirações sobre o novo disco, Sea at Night. “Quando eu estava à procura de um nome para o disco saí com meus amigos para uma festa e terminamos a noite tomando um banho de mar, assistindo a lua. Foi uma noite incrível e eu comecei a perceber um padrão: as melhores noites terminavam no mar. Depois disso decidi chamar o disco de Sea at Night, acredito que essas experiências me levaram para perto do disco e do que eu queria levar para a minha música”, conclui, antes de falar que estava ouvindo muito Daft Punk, Solange, Gilberto Gil, Bill Withers, Unknown Mortal Orchestra e o disco Lá Vem a Morte do Boogarins.

Todos encontram eco nesta nova sonoridade noturna do antigo duo que agora é um quinteto, que deixou o violão solar em segundo plano para dar espaço para teclados de sonoridade oitentista, como pode ser percebido nas duas músicas que o grupo já liberou: “Time Lapses” e “Between Jupiter and Mars” – esta última lançada em primeira mão no Trabalho Sujo.

“O disco possui músicas que foram criadas no violão e tem músicas que eu trabalhei na frente do computador, brincando com beats e linhas de sintetizador”, continua Lucas. “Pra mim a composição com o violão é mais natural e eu queria me desafiar como produtor, tentar criar músicas eletrônicas que não carregassem os clichês que vemos hoje em dia no eletrônico. Nesse sentido o disco é dividido ao meio, metade das composições são voltadas para essa estética anos 80 e não foram criadas no violão, e a outra metade carrega o DNA do primeiro disco, com algumas mudanças, mas ainda assim com a essência da Glue Trip. Muitas músicas que ficaram de fora do disco foram criadas no violão, mas eu não possuo uma metodologia para criar. Gosto de estar a vontade e deixar as coisas fluírem.”

“Eu encarei esse disco como uma continuação. Enquanto o primeiro disco vai ao encontro com violão, beira-mar e dias de sol, o novo disco chega junto da noite, sintetizadores e experimentalismo. A ideia inicial era fazer a trilha sonora para uma noite, criar algo que se aproximasse de um público que está afim de sair e se divertir, a continuação desse belo dia de sol na praia. Essa estética anos 80 foi o que mais se aproximou para mim. As músicas também foram surgindo num período muito conturbado, onde me questionei bastante sobre a sonoridade que eu queria que a Glue Trip seguisse e nesse sentido comecei a usar mais sintetizadores e menos o violão”, ele prossegue. Esta sonoridade também é percebida na capa do disco, que a banda também antecipa primeiro no Trabalho Sujo.

seaatnight

“A capa é fantástica. Foi criada por Bruno Borges, que é um artista natural de Campo de Goycatazes, que mora em Nova York e também é o autor da capa do nosso primeiro álbum. Eu queria dar essa ideia de continuidade ao segundo disco, por isso decidi convidar Bruno novamente para fazer a capa. Eu passei as músicas para ele escutar, algumas referências e conversamos bastante sobre a ideia da noite presente no disco. Um belo dia eu abro meu e-mail e BAM tomo a capa na cara. Ele acertou em cheio. Eu gostei muito. Ela representa essa ideia e tem tudo a ver com as noitadas que terminaram com banhos de mar noturnos pelas praias do Bessa.”

Lucas continua falando sobre as transformações da banda desde o início, que a levaram ao novo álbum. “Muita coisa mudou desde o lançamento do primeiro disco da Glue Trip em 2015. A banda foi se moldando, deixou de ser um duo, para ter cinco músicos no palco, além de eu estar na produção e composição das músicas. O show também foi se transformando, antes nós tínhamos um pensamento de não focar tanto no ao vivo e pensar mais na produção das músicas, o que nos distanciava um pouco do público, mas de 2016 pra cá fomos mudando essa mentalidade, tocando mais e tentando fazer um show mais enérgico. Isso estabeleceu uma conexão massa com o público e uma resposta direta a nossa música em todos os lugares que fomos. Com as novas composições sentimos na necessidade de trazer um tecladista para a banda. Hoje somos cinco músicos no palco: Gabriel Araújo, no baixo e voz, CH Malves na bateria, Felipe Lins, na guitarra, Rodolfo Salgueiro no sintetizador e voz, e eu, na guitarra e voz. Para a turnê do novo disco começamos a montar um novo show que vai representar essa caminhada presente nos 2 discos: do dia para a noite.”

Pergunto sobre a demora para lançar um novo disco, já que o primeiro é de 2015. “A ideia de fazer um disco novo esteve na minha mente desde 2016, quando comecei a produção do Sea at Night. As músicas do disco novo foram surgindo em lapsos de tempo, comecei a compor num período de transição bem louco na minha vida. Larguei meu trabalho para me dedicar 100% a banda e ao disco e durante esse tempo voltamos aos palcos e lançamos um EP ao vivo. Isso interferiu um pouco no processo de produção do disco, mas esse tempo de amadurecimento foi necessário para mim e para as músicas. Eu precisava viver essa transição toda de emprego, relacionamento, luas etc, para chegar no resultado que eu queria para o disco novo. O fato de fazer tudo de maneira independente: produção, mixagem, composição; também atrasou um pouco a ideia de lançar material novo se tornando um desafio.”

Ele aproveita para comentar as transformações na cena independente: “O público ficou mais próximo do artista e isso mudou a forma como as bandas se comunicam e se organizam. Antes não tínhamos noção de quem era o nosso público e por onde ele estava. Com a ascensão de algumas plataformas, como o Spotify, conseguimos conversar com produtores e organizar uma turnê só com os dados de ouvintes que a plataforma nos entrega. O fã também virou protagonista nessa história, ele quer fazer parte do projeto, seja comprando uma camiseta ou até mesmo subindo no palco para cantar uma música junto da banda. Acredito que deveria existir uma união maior por parte de financiadores com a cena independente.”

A banda também prepara-se para mostrar o disco no exterior, onde sempre tiveram boa repercussão. “Surgiram alguns contatos para lança-lo através de selos internacionais, mas ainda não podemos falar em nada concreto fora do Brasil”, continua Lucas. “Como passamos muito tempo sem lançar nada, minha maior necessidade é tirar esse disco de mim e lança-lo ao mundo de maneira independente. Nós temos um grande público fora do Brasil, sempre que postamos algo nas nossas redes surgem comentários pedindo para tocar em diversos locais do mundo, do México ao Japão. Temos muita vontade de levar o nosso som para fora do Brasil e ver como as pessoas reagem ao show. Mas o comentário mais comum é: ‘como assim Glue Trip é brasileira? Ainda mais de João Pessoa’.”

Aproveito para perguntar sobre a eterna questão sobre cantar em inglês. “O inglês veio naturalmente nas primeiras composições do projeto, mas hoje em dia eu me vejo muito nesse dilema”, explica o guitarrista e vocalista. “Sempre que me perguntam isso eu fico com uma pulga atrás de orelha, porque eu amo música brasileira e gosto de compor em português também. Não tenho esse apego ao inglês, mas å estética do projeto eu tenho. Quando eu estava produzindo esse disco novo surgiram algumas músicas em português que decidi guardar para o futuro. Não existe essa regra de que precisamos cantar em inglês, acredito que um dia ainda vão sair músicas da Glue Trip em português, mas isso é papo para o futuro.”

Mangue 8-bit

moogbeat

“O Moogbeat começou como um desafio musical, de recriar em um único sintetizador monofônico de toda aquela mágica sonora da Nação”, me explica Carlos Trilha, por email, sobre o recém-lançado Moogbeat – Nação Zumbi para Minimoog, em que o ex-colaborador da Legião Urbana, Carlos Trilha, reinventa clássicos da banda pernambucano no formato analógico retrô que parece voltar no tempo dos primeiros videogames. “Foi um estudo, uma forma de entender a sonoridade e de se apropriar de alguma maneira daquela força, um presente pra eles, queria impressioná-los”, continua o músico, conhecido pela parceria nos dois únicos discos solo de Renato Russo.

“No começo não tinha a intenção de fazer um álbum, pois não sabia como soaria, mas quando a primeira música ficou pronta e mostrei pro Pupillo, que me chamou de louco por conta da quantidade de detalhes que sintetizei no Moog, que e sugeriu que eu fizesse um álbum inteiro, é que percebi a riqueza sonora e artística do que estava nascendo”, continua Trilha, referindo-se à versão que fez para “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada”. Depois partiu para “Prato de Flores” e aos poucos foi mostrando para o grupo. “A banda curtiu de cara a ideia do álbum e cada música nova que eu fazia era um festival de comentários e mensagens que foram me dando muita satisfação durante o processo. Quando eles sabiam que eu havia começado alguma música nova, ficavam cheios de curiosidade e me cobravam que terminasse logo para eles ouvirem.”

O projeto começou como uma brincadeira mas já começa a render frutos além do disco – e Trilha já está fazendo shows deste novo formato. “Muitas ideias surgiram, não sabia se montaria uma orquestra de Moogs ou se simplesmente colocaria tudo em uma MPC e deixaria algumas linhas para tocar ao vivo”, lembra. “Até que cheguei na forma do Concerto para Sintetizadores, onde toco clássicos da Synthesizer Music, composições próprias e músicas do Moogbeat. Nestes, os sons gerados originalmente no Moog foram substituídos por outros doze sintetizadores clássicos que ficam no meu ‘cockpit’ de máquinas sonoras.” Trilha não descarta fazer projetos do tipo com outros artistas, mas por enquanto quer focar neste novo formato ao vivo, o Concerto para Sintetizadores, que terá parte de seu repertório extraído do Moogbeat.