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Entregues à performance

, por Alexandre Matias

Dois dos principais hypes das cenas musicais paulistana e carioca se encontraram nesta quinta-feira na Casa Natura Musical, quando o Vera Fischer Era Clubber dividiu a noite com o Nigéria Futebol Clube. O trio de Itaquaquecetuba abriu os trabalhos em seu modo freestyle e em vez de trazer o rastro pós-punk de seu disco de estreia ou os devaneios jazzísticos de seu próximo álbum, preferiu transformar sua apresentação em instalação performática usando a música mais como fio condutor do que fim em si mesma. Assim abriram a noite para vários compadres e camaradas, que se espalharam do palco para o público durante um longo improviso instrumental que resvalava tanto no lado mais rock e punk do grupo quanto em seus devaneios psicodélicos, mas sem distinguir uma canção da outra ou um gênero do outro. Quem nunca tinha visto a banda não deve ter entendido nada (e esse parecia ser o propósito), mas seu público embarcou na viagem e em vários momentos abriram rodas de dança no meio do público.

Depois do caos do Nigéria foi a vez do quarteto carioca Vera Fischer Era Clubber despedir-se de seu primeiro disco – chamado apenas Veras I -, que, confesso, não me bateu. Mas é muito comum, especialmente em discos de estreia, que o resultado fonográfico não alcance o impacto do show e esta foi minha principal motivação para ir a esta apresentação. E valeu demais. Ao vivo, os Veras têm muito mais impacto sonoro do que em disco, sem contar o carisma irrefreável de sua frontwoman Crystal Duarte, metralhadora verborrágica que, mesmo à distância, parece enfiar o dedo na cara de cada presente, de tanta intensidade. Ao seu lado, a baixista Malu é um colosso pós-punk e carrega o volume do grupo como uma Peter Hook em transe, com baixos cavalares, sempre acompanhada das texturas oitentistas dos teclados e synths de Vick Luz e dos beats insanos de Pek0, trazendo a coesão de uma banda de rock para um projeto eletrônico que, à primeira audição, parece brincadeira, mas que no palco torna-se uma terapia catártica para toda uma geração – e por mais que Crystal seja o epicentro deste magnetismo, ela vem sobre os ombros instrumentais de suas três colegas de banda. Às vésperas do lançamento do segundo disco, chamado, curto e grosso, de Veras II (à la Led Zeppelin), o conjunto tem tudo para surfar uma onda ainda maior que a do primeiro lançamento. Tomara que tenham conseguido capturar este impacto ao vivo neste segundo volume.

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