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Jazz funk na sua cara!

Que bordoada esse show que a Bufo Borealis fez ao lado de Edgard Scandurra. O guitar hero paulistano por excelência já havia participado das gravações do primeiro disco do combo de free jazz fundado a partir de uma cozinha de formação punk: o baixista do Ratos de Porão Juninho Sangiorgio e o baterista Rodrigo Saldanha fundaram o grupo a partir de experimentos musicais inspirados pela fase elétrica de Miles Davis. Com Tadeu Dias na guitarra, Paulo Kishimito na percussão e teclados, Vicente Tassara nos teclados e Anderson Quevedo no sax, o grupo enfileirava músicas de seus dois discos criando um parede sonora que entrou pelos poros de todos que lotaram o Centro da Terra nesta terça-feira. O acréscimo de Scandurra à formação trouxe um sniper para este batalhão enfurecido, que acertava com precisão para onde quer que apontasse sua guitarra. O final do show com versões para “In a Silent Way” de Miles Davis e “20th Century Schizoid Man” do King Crimson foi só o golpe baixo final que acabou por acachapar as expectativas de todos os presentes. Alguém anotou a placa do caminhão?

Assista aqui.  

Bufo Borealis + Edgard Scandurra: Escuridão

Maior satisfação receber o grupo instrumental Bufo Borealis baixa pela primeira vez no palco do Centro da Terra, que faz sua apresentação Escuridão com um convidado que já é da casa – o guitarrista Edgard Scandurra, que injeta uma dose de rock (e progressivo ainda por cima!) no caldeirão jazz funk do grupo paulistano. E o resultado é explosivo! Os ingressos estavam quase no fim, mas ainda dá pra comprá-los neste link e o espetáculo começa pontualmente às oito da noite. Vamo?

Centro da Terra: Março de 2023

Com o número de segundas-feiras de fevereiro reduzido pelo carnaval, deixamos para começar as temporadas no Centro da Terra em março. E para começar o ano em grande estilo, temos a presença da mestra Ná Ozzetti, que nos brinda com a primeira temporada de 2023, Três Duos e Um Trio, em que convida comparsas para passear por diferentes recantos da música brasileira. Na primeira segunda ela forma o trio do título com Fernando Sagawa (sax, clarinete e flauta) e Franco Galvão (violão), quando visitam as Dominguinhos, com arranjos próprios. Na segunda noite, o primeiro duo acontece ao lado do baixista Marcelo Cabral, quando Ná passeia pelo repertório dela e de outros autores contemporâneos. No dia 20, é a vez de formar um duo apenas com os sopros de Fernando Sagawa, quando passeiam por diferentes fases e autores da música brasileira e o último duo vem formado com o violonista Franco Galvão, em homenagem ao compositor paulista Vadico, trazendo também outros sambas do passado. Na primeira terça-feira do mês quem chega ao Centro da Terra é o quarteto carioca Oruã, liderado pelo herói independente do Rio de Janeiro Lê Almeida, que traz seu “free jazz de pobre, kraut de vagabundo, sem neurose” pela primeira vez ao palco do teatro, apresentando o espetáculo Passe. Na outra terça, dia 14, é a vez do grupo de jazz funk Bufo Borealis encontrar-se pela primeira vez com o guitarrista Edgard Scandurra, na apresentação que batizaram de Escuridão. E no fim do mês, as duas últimas terças ficam a cargo de Mestre Nico, que todos nós conhecemos por acompanhar Siba na percussão e vocal, que começa a mostrar seu trabalho solo na minitemporada De Andada no Tempo. Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos para todas as apresentações já estão à venda neste link.

Um papo com Edgard Scandurra

O Sesc Catanduva me chamou para entrevistar o grande Edgard Scandurra dentro de uma programação que eles fizeram para honmenagear guitarristas locais. O papo aconteceu nesta quarta-feira e falamos tanto da formação de Edgard como instrumentista, os primeiros anos do Ira! e como ele foi expandindo seu repertório para além do rock, fazendo discos solo e tocando com artistas iniciantes e consagrados, além de contar as novidades que inventou durante a quarentena, como seu programa de rádio Scandurrices, seu disco solo que foi lançado em cassete e as novidades que já começou a pensar para 2021.

Assista aqui.  

Bom Saber #027: Edgard Scandurra

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Mais que um mestre em seu instrumento e um dos principais nomes da música de sua geração, Edgard Scandurra sempre esteve inquieto em busca do novo. Mesmo quando a única coisa que fazia era o Ira! ele já experimentava fronteiras de sua expressão artística, questionando inclusive o rock que o trouxe para os holofotes da fama. Ele já passou por diferentes projetos e formações musicais, sempre se desafiando para além do que poderia lhe acomodar, sempre em busca de novos nomes com quem pudesse colaborar. No período mais longo de sua vida profissional longe dos palcos, ele consegue dar uma sobrevida à sua carreira ao vivo em lives esporádicas, mas também conseguiu tempo para inventar um programa de rádio e gravar um disco totalmente em casa, tocando mais violão e teclado que guitarra. Convidado desta semana do Bom Saber, ele passa por diferentes épocas de sua vida, sempre olhando para frente.

Andy Gill, por Edgard Scandurra

Foto: @edgardscan

Foto: @edgardscan

Quando soube da morte de Andy Gill, Edgard Scandurra não escondeu a influência guitarrista do Gang of Four em sua forma de tocar seu instrumento e despediu-se do inglês chamando-o de “irmão mais velho do pós-punk”. Aproveitei a deixa e pedi para ele escrever sobre a importância de Gill para ele mesmo e para a cena paulistana dos anos 80 e ele lembrou que seu nome foi inclusive sonhado para produzir um disco do Ira!. Imagina…

Até o fim do anos 80 existia um espaço-tempo cultural de cinco anos entre os acontecimentos artísticos do primeiro mundo e o que acontecia no Brasil. Foi nesse gap que conheci o som da banda Gang of Four, na casa de um amigo de um amigo, repleto de discos de Frank Zappa e Miles Davis. Há sons que você precisa vivenciar pra compreender.

E essa primeira audição foi uma das sensações musicais mais loucas que tive. Eu era um jovem guitarrista, com 19 pra 20 anos, e a guitarra errante e a pegada anti-heróica e absolutamente imprevisível de Andy Gill mudou o que já vinha se transformando em mim desde o punk, no que dizia respeito ao virtuosismo guitarristico. A escola que vinha do blues, nomes como Jimi Hendrix, Jimmy Page, Jeff Beck e tantos outros, era substituída por notas trepidantes, harmônicos dissonantes, algo parecido com o partir de uma guitarra ao chão. O ruído do captador, o riscar das cordas em contato com o pedestal de microfone – uma ruptura que me pegou em cheio.

Desde então, eu – que nunca escondi o nome de meus ídolos – abracei a causa sonora, política e estética da turma dos quatro, que tirou seu nome da Camarilha dos Quatro que foi responsável pela revolução cultural comunista na China, entre 66 a 76.

O primeiro álbum, Entertainment!, nãoacertou em cheio não só a mim! Foi audível a influência da banda e de seu guitarrista na cena new wave paulistana e brasileira naquele início dos anos 80. Inclusive no teor político: da anarquia do movimento punk a uma concepção mais crítica e marxista, o pensamento daquele pós-punk parecia mais refinado, uma sútil troca de Ramones por Erik Satie, da guitarra rock and roll, por um minimalismo cerebral e ao mesmo tempo visceral representado pelo Gang of Four e seu genial guitarrista. Sua guitarra influenciou Paul Weller a partir do disco Sound Affects, de 1980.

Tive o prazer em assisti-lo por três vezes, em distintas formações nos shows do Gang of Four no Brasil e na última vez, no Sesc Pompeia, tive uma triste sensação de que assistia ao show de Andy Gill e não mais à banda (Andy era o único remanescente da fundação original) – e toda aquela cena revolucionária não mais se repetiria. Agora com morte recente, pude me aprofundar em seus discos solo e nos discos que produziu, como discos dos Stranglers (Written in Red, de 1997), do Killing Joke e o primeiro dos Red Hot Chili Peppers. E pensar que o Thomas (Pappon, do Fellini) chegou a sugerir que ele produzisse um disco do Ira!…

Na minha opinião, o segredo maior e o grande desafio mod é superar o original e Andy conseguia superar a si mesmo. Descanse em paz, querido irmão mais velho da cena pós-punk de todo o mundo.

Smack no Centro Cultural São Paulo

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A lendária banda Smack, fundada do falecido guitarrista Pamps ressurge no palco da Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo nesta quinta-feira, com a formação original quase completa, com Edgard Scandurra (do Ira!) na guitarra, Sandra Coutinho (das Mercenárias) no baixo e Thomas Pappon (do Fellini) na bateria, com Fábio Golfetti (do Violeta de Outono) como convidado especial. O show começa às 21h (mais informações aqui).

Edgard Scandurra: Operário do Rock

Um dos grandes nomes da música popular contemporânea, o músico e compositor Edgard Scandurra é mais conhecido como a força cerebral e emotiva do Ira!, mas tem uma carreira solo paralela que ergue-se tão importante, embora não tão popular, quanto o trabalho de sua banda original. Um dos principais nomes da música paulistana desde os anos 80, Edgard Scandurra trilhou uma carreira solo ímpar, com projetos paralelos, tributos e discos solo que flertam com o rock clássico, o punk, a música eletrônica, o pós-punk, o noise e a canção francesa. Convidei-o para dissecar sua musicalidade solo na programação do Segundamente do mês de maio e ele dividiu suas quatro segundas em quatro shows diferentes: na primeira segunda, dia 7, ele recria seu primeiro disco solo, Amigos Invisíveis, de 1989; na segunda, dia 14, ele volta para o início dos anos 80, quando fez parte das bandas Mercenárias e Smack; na terceira segunda-feira, dia 21, ele visita suas canções de formação apenas no piano e guitarra (indo de Aphrodite’s Child a Eric Carmen) no espetáculo Lembranças Afetivas; e ele finalmente encerra seu mês no Centro da Terra mostrando sua faceta eletrônica ao tocar com os filhos no projeto Benzina aka Scandurra. Conversei com ele sobre estas quatro apresentações, que ele batizou de Operário do Rock (mais informações aqui).

Quando foi que você se viu como um operário do rock?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-quando-foi-que-voce-se-viu-como-um-operario-do-rock

Como Operário do Rock virou o o mote da temporada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-como-operario-do-rock-virou-o-o-mote-da-temporada

Fale sobre a primeira noite, Amigos Invisíveis.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-fale-sobre-a-primeira-noite-amigos-invisiveis

A segunda noite é Smack e Mercenárias.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-a-segunda-noite-e-smack-e-mercenarias

E a terceira noite? É a primeira vez que você usa esse formato?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-e-a-terceira-noite-e-a-primeira-vez-que-voce-usa-esse-formato

A última noite é do Benzina aka Scandurra. Como ele funcionará ao vivo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-a-ultima-noite-e-do-benzina-aka-scandurra-como-sera-ao-vivo

Quais projetos ficaram de fora dessa temporada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-quais-projetos-ficaram-de-fora-dessa-temporada

Você acredita que a temporada funcionará como uma terapia?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-voce-acredita-que-a-temporada-funcionara-como-uma-terapia