Minha coluna no Caderno 2 desse domingo fala sobre o fato da DC ter dado um boot em sua cronologia – pra sobreviver na era digital. Será?
Dilema digital
Quadrinhos no século eletrônico
A encruzilhada digital é implacável. Indústrias estabelecidas no século 20 graças à cultura de massas penam, no novo século, para se adaptar a uma realidade que celebra a cultura do nicho. Mais que isso, numa cultura digital, em que tudo pode ser copiado e reproduzido sem que o autor tenha controle da distribuição, fica cada vez mais complicado gerir um negócio que lide com a produção de conteúdo feita para milhões de pessoas.
A indústria do disco sentiu isso na pele ao servir de boi de piranha digital quando assumiu o papel de primeiro antagonista da web e processou quem baixava MP3 sem pagar. Hollywood sente dolorosamente essa mudança, quando o download de filmes via torrent a obrigou a apostar em superproduções e em novas tecnologias, como as salas Imax e 3D. Emissoras de TV do mundo inteiro veem suas programações escoarem para fora da grade rumo ao YouTube.
Música, cinema e TV estão sempre nas notícias quando se fala nesse assunto, mas uma indústria que é a cara do século 20 e está quase sempre à margem dessa discussão vem penando para retomar sua importância na era digital: os quadrinhos.
E quando se fala em indústria dos quadrinhos, dois nomes se destacam: Marvel e DC, editoras que criaram o conceito de super-herói moderno. A primeira tem se mexido drasticamente para continuar relevante nos dias de hoje, principalmente longe das revistas. Seu principal feito foi se transformar em estúdio de cinema para levar seus personagens para um público que não lê páginas em papel. A Marvel também pulou no iPad na primeira hora, criando um dos aplicativos mais festejados logo que o tablet apareceu. Mas a conta ainda não fechou – e a Marvel continua em busca de alternativas para fazer suas histórias em quadrinhos sobreviverem no século 21.
Sua principal rival, a DC, começou a se mexer de verdade na semana passada, quando anunciou que iria zerar sua linha de super-heróis e recomeçar a contagem de suas revistas, todas com um novo número 1. Não é a primeira vez que a editora que inventou o Super-Homem e o Batman tenta isso. Nos anos 80, conseguiu reiniciar seu universo com a saga Crise nas Infinitas Terras, em que permitiu que seus heróis pudessem fazer sentido no fim do século passado.
O novo reinício mira no digital. Além dos novos números 1, a editora deverá publicar, digitalmente, as mesmas histórias exatamente no dia em que elas chegam às bancas. O preço deverá ser mais barato que o das versões impressas, pois a editora quer que seu novo público volte para o papel uma vez que sentir o gosto dos novos títulos online.
Mas isso pode dar bem errado, já que, assim, eles podem matar um de seus principais redutos, que são as lojas de quadrinho – como a música online fez com as tradicionais lojas de disco. A estratégia trará novos leitores se der certo. Mas se der errado, pode afugentar até os velhos. Ninguém disse que seria fácil.
Acompanhe:
I’m a modern man,
A man for the millennium,
Digital and smoke free.
A diversified multicultural postmodern deconstructionist,
Politically anatomically and ecologically incorrect.
I’ve been uplinked and downloaded.
I’ve been inputted and outsourced.
I know the upside of downsizing.
I know the downside of upgrading.
I’m a high tech lowlife.
A cutting edge state-of-the-art bicoastal multitasker,
And I can give you a gigabyte in a nanosecond.
I’m new wave but I’m old school,
And my inner child is outward bound.
I’m a hot wired heat seeking warm hearted cool customer,
Voice activated and biodegradable.
I interface from a database,
And my database is in cyberspace,
So I’m interactive,
I’m hyperactive,
And from time-to-time,
I’m radioactive.
Behind the eight ball,
Ahead of the curve,
Riding the wave,
Dodging a bullet,
Pushing the envelope.
I’m on point,
On task,
On message,
And off drugs.
I got no need for coke and speed,
I got no urge to binge and purge.
I’m in the moment,
On the edge,
Over the top,
But under the radar.
A high concept,
Low profile,
Medium range ballistic missionary.
A street-wise smart bomb.
A top gun bottom feeder.
I wear power ties,
I tell power lies,
I take power naps,
I run victory laps.
I’m a totally ongoing bigfoot slam dunk rainmaker with a proactive outreach.
A raging workaholic.
A working ragaholic.
Out of rehab,
And in denial.
I got a personal trainer,
A personal shopper,
A personal assistant,
And a personal agenda.
You can’t shut me up,
You can’t dumb me down.
‘Cause I’m tireless,
And I’m wireless.
I’m an alpha male on beta blockers.
I’m a non-believer and an over-achiever.
Laid back but fashion forward.
Up front,
Down home,
Low rent,
High maintenance.
Super size,
Long lasting,
High definition,
Fast acting,
Oven ready,
And built to last.
I’m a hands on,
Foot loose,
Knee jerk,
Head case.
Prematurely post traumatic,
And I have a love child who sends me hate mail.
But I’m feeling,
I’m caring,
I’m healing,
I’m sharing.
A supportive bonding nurturing primary care giver.
My output is down,
But my income is up.
I take a short position on the long bond,
And my revenue stream has its own cash flow.
I read junk mail,
I eat junk food,
I buy junk bonds,
I watch trash sports.
I’m gender specific,
Capital intensive,
User friendly,
And lactose intolerant.
I like rough sex.
I like rough sex.
I like tough love.
I use the f word in my email,
And the software on my hard drive is hard core, no soft porn.
I bought a microwave at a mini mall.
I bought a mini van in a mega store.
I eat fast food in the slow lane.
I’m toll free,
Bite sized,
Ready to wear,
And I come in all sizes.
A fully equipped,
Factory authorized,
Hospital tested,
Clinically proven,
Scientifically formulated medical miracle.
I’ve been pre-washed,
Pre-cooked,
Pre-heated,
Pre-screened,
Pre-approved,
Pre-packaged,
Post-dated,
Freeze-dried,
Double-wrapped,
Vacuum-packed,
And I have an unlimited broadband capacity.
I’m a rude dude,
But I’m the real deal.
Lean and mean.
Cocked, locked and ready to rock.
Rough tough and hard to bluff.
I take it slow.
I go with the flow.
I ride with the tide.
I got glide in my stride.
Drivin’ and movin’,
Sailin’ and spinnin’,
Jivin’ and groovin’,
Wailin’ and winnin’.
I don’t snooze,
So I don’t lose.
I keep the pedal to the metal,
And the rubber on the road.
I party hearty,
And lunch time is crunch time.
I’m hanging in,
There ain’t no doubt.
And I’m hanging tough,
Over and out.
Nota 10. Via Open Culture.
Sério, vocês não têm idéia do que eram os anos 80.
Flashback do Camilo.
Falando nisso, todo mundo deveria conhecer o melhor site de infografia da internet – que seu próprio criador, o jornalista inglês David McCandless, nem chama de infográfico e sim de dataviz (visualização de dados). A Diana o entrevistou para uma edição do Link de semanas atrás:
É por essa razão que ele faz questão de mencionar todas as suas fontes em seu blog, o InformationIsBeautiful.net, e abrir espaço para comentários e discussões. Para David, a audiência é parte importante do processo e o ajuda a refinar os seus gráficos. Segundo ele, quando a pesquisa tem bases sólidas, proposta e significado, a imagem tem apelo para todo tipo de pessoa. “Acho que um dos melhores efeitos colaterais da visualização é apresentar novas realidades para pessoas que originalmente não se interessariam por determinados assuntos. Pessoas que não teriam saco de acompanhar meses de notícias para entender aquilo que está sendo lindamente contado através de uma imagem”, argumenta. Até hoje, ele não teve de fazer inimigos para ter acesso às informações que precisou, mas admite que a abertura e a transparência política estão longe de ser uma realidade quando se trata de números. “É uma linda bandeira para governos democráticos. ‘Nossos dados estão todos disponíveis, façam suas pesquisas online’, mas será que a história é essa mesmo? Quais são os dados que o governo nos permitem ver? Quem decide o que pode ser visto?”, pergunta.
A entrevista completa está aqui.
Via Fuck Yeah Dementia.
Como falar de um fenômeno online duas semanas depois de ele aparecer? Jornalismo básico: procure analisá-lo em novos contextos. Foi isso que fizemos no Link dessa semana: escrevi um texto tentando entender o fenômeno e a Tati fez um infográfico que explica como a Banda receberia direitos autorais do Ecad a partir de seus milhões de views no YouTube. Ei-los:
Ver a banda passar
Você já viu esse fenômeno algumas vezes. Mas desta vez foi bem mais rápido. E no Brasil
Você já viu esse filme – ou melhor, esse clipe. Alguém grava um vídeo de uma música, sem muita pretensão e, por algum motivo inesperado, começa a ser visto diversas vezes por milhares de pessoas e, em pouquíssimo tempo, vira uma modinha, e depois uma febre, e depois um fenômeno. Foi assim com o Cansei de Ser Sexy, com a Lily Allen, com Mallu Magalhães e com Rebecca Black. Uma história que, para quem vive na internet, não parecia mais ser surpresa.
Até que aparece alguém com um gravador descendo uma escada, cantarolando uma música que é só um refrão e encontra-se com um músico, mais outro músico até que chega a uma sala cheia de gente feliz e sorridente repetindo o mesmo trecho, num mantra coletivo, por seis minutos de vídeo no YouTube.
A Banda Mais Bonita da Cidade começou a aparecer na semana retrasada e em pouquíssimo tempo – menos de uma semana – já atingia o seu primeiro milhão de views no site de vídeos. Ninguém entendeu nada. Quem é essa banda? De onde ela vem? É armação? É viral de alguma marca? É uma comunidade hippie? É um exercício de cinema?
Não era nada disso. Com três anos de existência, a banda de Curitiba não é uma trupe de teatro com dezenas de integrantes, mas apenas seis amigos que reuniram outros tantos para filmar um clipe que, como afirmariam logo após acusações online, foi inspirado na versão que o site francês La Blogothèque fez para a música “Nantes”, da banda americana Beirut.
“Oração”, o clipe em questão, até o fechamento desta edição, na sexta passada, já havia atingido três milhões de views no site – e se desdobrado de forma viral tanto na briga de novos fãs contra novos desafetos quanto em remixes, mashups, paródias e todo o tipo de gracinhas típicas a um fenômeno desta categoria.
Em comum com os outros artistas citados no início do texto – e talvez um dos motivos do sucesso do clipe da Banda Mais Bonita da Cidade – há o fato de que eles não parecem ser “artistas”, no sentido mercadológico. Não há direção de arte, plano de marketing, modelo de negócios, efeitos especiais nem superproduções, o que torna a identificação com o público mais instantânea – e menos artificial.
A diferença é a velocidade. O que aconteceu durante meses com o Cansei de Ser Sexy e Mallu Magalhães, está atropelando os dias dos curitibanos. Resta saber se daqui a um mês lembraremos deles. O Ecad certamente sim. Afinal, o escritório de arrecadação de direitos autorais tem um belo problema diante de si: quanto eles devem aos curitibanos por esse tanto de view no YouTube.
Personal Nerd: Quanto eu ganho?
Foi a capa do Link desta semana e vale ler sobre o levante popular na Espanha contra tudo, que começou em Madri e se espalhou para outras cidades. Mas o acampamento em Barcelona não terminou bem ontem…
De quem será que o Kibe kibou essa?
Tem até o vídeo pra quem não conseguiu ouvir a música enquanto descia página abaixo.
Demais.








