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E na paralela vou reunindo notícias e acontecimentos que rolaram nas últimas semanas do primeiro semestre para deixá-las registradas aqui no site. Mesmo descontectando as coisas não param de chegar…

Vi essa propaganda duas vezes no cinema, na gringa. Incrível o efeito de “My Life” num comercial de jogo de tiro, me lembrou o Batalha de Los Angeles, que vi num dos vôos da viagem e é bonzão, quem mais viu?

Mas esse cara conseguiu:

4:20

Minha coluna no Caderno 2 de ontem foi sobre o novo livro de Simon Reynolds.

Cultura reciclada
O pop vai comer a si mesmo?

A história da cultura pop também é a história de uma cultura que se inventa e reinventa a partir de si mesma. Sempre foi assim. Escolha o início desta cultura que lhe convier (não há consenso sobre qual é o começo específico desse tipo de abordagem da cultura) e os conceitos de criação e recriação se misturam constantemente.

Exemplos? Arthur Conan Doyle foi tachado de simplificar os contos de Edgar Allan Poe e transformá-los em uma fórmula ao criar Sherlock Holmes, no final do século retrasado. Matou o personagem em um livro e deixou seus leitores de luto – a ponto de surgir uma campanha pela volta do personagem na forma de bandanas pretas amarradas aos braços.

Outro: quando os EUA entraram em crise após o crash da bolsa de 1929, uma das formas de manter a população entretida foi o incentivo do consumo de itens ou serviços que custavam muito pouco. Foi preciso que toda uma indústria fosse inventada a partir de amostras de manifestações culturais já existentes. Foi assim que o teatro foi mastigado para virar o cinema como o conhecemos hoje; que a música popular tornou-se o principal gênero musical do novíssimo mercado fonográfico (que começou apostando na música erudita); que a literatura pulp, as revistas e os quadrinhos floresceram nas bancas de jornais.

Mais um: quando começaram, os Beatles eram apenas fãs de música norte-americana e não faziam distinção entre soul music, rhythm’n’blues ou country. Consumiam tudo como cultura americana e misturaram todos esses gêneros naquilo a que hoje chamamos de rock. Os próprios Beatles são protagonistas de outro momento tido como marco zero desta cultura, quando conheceram Bob Dylan pessoalmente e a admiração mútua mudou suas carreiras: os Beatles começaram a ficar mais sérios e intelectualizados enquanto Dylan abandonou as canções de protesto e empunhou uma guitarra elétrica.

São inúmeros exemplos que corroboram a tese do novo livro do renomado escritor e ensaísta inglês Simon Reynolds, Retromania: Pop Culture’s Addiction to Its Own Past (sem previsão de lançamento no Brasil). Mas seu foco não é a história da cultura pop, e sim seu passado recente. Ele concentra-se na onipresença da web e na era de consumo desenfreado que vivemos, em que assistimos a filmes sendo refeitos, músicas sendo remixadas, discografias relançadas em caixas suntuosas, artistas tocando discos antigos na íntegra ao vivo e o YouTube se tornando um enorme arquivo com tudo do século passado. E o livro instiga uma reflexão: será que vai chegar uma hora em que a cultura não terá nada novo – e apenas se repetirá? Acho exagero, mas é uma boa pergunta.

Vi no Update or Die.

“É preciso que os produtores de conteúdo vejam nessa economia do ‘grátis’ uma oportunidade para lucrar indiretamente, saindo da lógica de custo de acesso. O acesso deve ser disponiblizado pelo produtor, senão alguém vai fazê-lo. Somos uma geração que está entrando no mercado e precisa ter uma estratégia para ser notada no meio da multidão. É preciso que as pessoas utilizem o potencial da web para nadar a favor da corrente, enxergando outras formas de receita”

Júlio Secchin, diretor do curta Copyright Cops, em entrevista à Tati, no Link dessa semana.

“Isso não é nem um jogo, mas só uma coleção de imagens horrorosas”