E na minha coluna da edição de segunda do Link escrevi sobre a minha rendição ao Instagram.
Um oásis de quietude dentro do oba-oba das redes sociais
Comecei ‘lurker’ e logo passei a fotografar o céu
Me rendi ao Instagram.
Não havia aderido ao aplicativo de fotos pelo simples fato que não tenho iPhone e o aparelho era o único que permitia o uso do aplicativo. Até o mês passado. A versão para o sistema operacional móvel do Google chegou e instalei o programinha no meu telefone para ver como ele funcionava.
A princípio, me comportei apenas como um lurker (no jargão digital, lurker é aquele que só observa e não participa – boa parte dos usuários do Twitter, por exemplo, são lurkers, o que quer dizer que nunca twittaram, se limitando a ler o conteúdo dos outros). Muitos no Instagram também se comportam dessa mesma forma, sem publicar nenhuma foto e, portanto, sem seguidores.
De cara, percebi uma mudança drástica em comparação com outras redes sociais. Por não prezar por textos, os usuários do Instagram se comunicam por fotos. Mas há uma diferença crucial entre a publicação de fotos no Instagram e, por exemplo, no Facebook. Ao permitir apenas fotos – e não vídeos, textos, links e todo tipo de conteúdo que pode ser compartilhado e curtido no Feice –, o Instagram tem um ar zen, que mistura a contemplação com a paciência, o silêncio com a luz.
Por isso ele é bem diferente do oba-oba típico do Facebook. Sim, as pessoas postam fotos de comida, dos próprios animais, de paisagens, dos amigos, mas os ângulos são diferentes e a abordagem, díspar. Quando você sai para jantar com amigos e posta fotos no Facebook, a imagem é quase sempre da mesa cheia, todos sorridentes, olhando para a câmera. No Instagram, o foco vai apenas para o prato. As fotos de festas são difusas, quase impressionistas, ao contrário da eterna coluna social das fotos de festas no Facebook, em que é possível taguear todos os amigos que foram ao evento. Enquanto no Facebook e no Twitter há uma urgência em mostrar o que está acontecendo naquele exato momento, no Instagram, a impressão que temos é que o tempo parou. Para sempre. E sempre num momento lúdico, tranquilo, satisfeito – nada eufórico, corrido ou megalomaníaco como em outras redes sociais.
Por isso, antes de começar a tirar fotos e postá-las no Instagram, me limitava a ver os recortes visuais para a vida de amigos e conhecidos. Empurrando a barra de rolagem para baixo com o polegar, entrava em um oásis de tranquilidade e calma sempre que lembrava de visitá-lo. Como é uma rede que se movimenta basicamente pelo celular, os comentários são poucos e breves, quase sempre no tom contemplativo das fotos. Não há discussões ferrenhas, confrontos de opiniões nem listas intermináveis de bate-bocas entre pessoas que mal se conhecem. Pelo mesmo motivo, não é preciso ficar checando a rede o tempo todo. Tira-se alguns momentos do dia para visitar esta clareira pacífica na selva de informações que a internet se transformou.
Depois de um tempo, comecei a publicar fotos. E entre trechos de livros, rótulos de discos de vinil, imagens tiradas da TV ou de cantos específicos de lugares onde estou, comecei a tirar fotos do céu. Deve ser um dos três principais clichês do Instagram (os outros dois são fotos de comida e de bichos), mas deixei a arrogância de lado e comecei a tirar fotos do céu.
Foi quando percebi uma mudança na minha rotina. Não dirijo, vivo de táxi para cima e para baixo e quase sempre alterno o olhar entre algo dentro do carro (quase sempre o celular, maldito Angry Birds!) ou para a rua, sem atenção. Mas foi só começar a fotografar o céu que me peguei algumas vezes olhando para cima enquanto o taxista me levava rumo ao meu destino.
E semana passada o Facebook anunciou a primeira novidade relacionada ao Instagram após comprá-lo por um bilhão de dólares, ao revelar um aplicativo que permite que se tire fotos com os filtros vintage da outra rede social. Mas o Facebook Camera é mais poluição informativa para uma rede social em polvorosa. A graça do Instagram está em ser um canto de quietude e introspecção longe do desfile de egos e opiniões deformadas que infestam a internet.
A foto que ilustra o post saiu deste disco
Via Dangerous Minds.
Sabe essa brincadeira que o Google fez com seu logo na quarta-feira passada, pra homenagear o pai do sintetizador, Robert Moog? (Se não sabe, clica aqui) Pois olha o que esse lóki fez…
Sim, é isso mesmo:
Todo o Kid A tocado como se ele tivesse sido composto para a trilha sonora de um game dos anos 80:
E você para e pensa que o Kid A é mais hermético, portanto, mais fácil para ser adaptado para esse formato. Mas eis que o mesmo Quinton Sung que fez o primeiro também repetiu o feito com Ok Computer…
…agora é esperar pelo menos pelo In Rainbows, pra fechar a trilogia das obras-primas do grupo inglês.
Foda-se o jogo, esse comercial é bom demais:
Minha coluna na edição do Link desta semana foi sobre o cofundador brasileiro do Facebook.
A contribuição histórica de Eduardo Saverin ao Facebook
Brasileiro revoltou norte-americanos ao renunciar à sua cidadania
Já é bem conhecida a saga de como um brasileiro foi passado para trás por um dos maiores nomes da história da internet e perdeu a oportunidade de entrar para a história. Na semana em que o Facebook finalmente se tornou uma empresa pública, abrindo capital na bolsa de valores Nasdaq, o site Business Insider revelou detalhes sobre como Mark Zuckerberg decidiu que Eduardo Saverin não faria mais parte da empresa que fundaram juntos.
A história é o ponto central do filme A Rede Social, de 2010, que mostra como dois alunos de Harvard, a partir de um fora que Zuckerberg tomou de uma garota, começaram um serviço online que, a princípio era fechado apenas para estudantes da universidade, mas que aos poucos se tornou um dos sites mais acessados da história da internet. Só que, em dado momento, os dois divergem sobre como gerir a rede social e Zuckerberg decide tirar da empresa o primeiro diretor financeiro. O golpe foi tão duro que Saverin foi banido da história da própria rede até que o filme tornasse sua história pública – e, através dos tribunais, conseguisse reaver 4% das ações da rede (quase nada, em comparação aos 30% que teve antes de ser defenestrado por Mark).
Nos e-mails que foram divulgados pelo Business Insider, Zuckerberg não é nada lisonjeiro ao se referir ao ex-sócio: “Ele se ferrou…”, escreveu. “Ele deveria ter criado a empresa, obter financiamento e bolar um modelo de negócio. Ele falhou nas três. Agora que eu não vou voltar para Harvard não preciso me preocupar em ser espancado por capangas brasileiros.”
Mas o tom das conversas de bastidores no início da rede social não foi a única vez que Saverin apareceu no noticiário dos últimos dias. No dia 11, a agência de notícias Bloomberg anunciou que o brasileiro renunciou à cidadania norte-americana para morar de vez em Cingapura. Foi o suficiente para gerar especulações em relação ao motivo da decisão: Saverin estava deixando os EUA para fugir de impostos.
A especulação irritou os norte-americanos, que o acusaram de sair do país com dinheiro ganho lá. O jornalista Farhad Manjoo chegou até a dizer que Saverin era um mal agradecido, em um longo artigo em que explicava por que Saverin havia sido salvo pelos EUA, ao lembrar que sua família mudou-se de São Paulo para os EUA pois havia descoberto que o nome de Eduardo, com 13 anos à época, estava numa lista de possíveis sequestráveis no Brasil.
Mas Manjoo foi além e disse que Saverin era “ingrato e indecente”, pois além de seu país ter acolhido o brasileiro, ainda foi graças aos EUA que Eduardo Saverin conheceu Zuckerberg. E que se não fossem os Estados Unidos, que inventaram a internet, ele não seria nada. A confusão ao redor do brasileiro foi tanta que até mesmo senadores norte-americanos colocaram em pauta a possibilidade de bani-lo para sempre do país.
Um exagero do tamanho das proporções que o Facebook têm hoje.
Mesmo porque, traidor (dos EUA) ou traído (por Zuckerberg), Saverin tem um mérito único: foi a primeira pessoa a perceber que o site que seu colega de faculdade estava criando poderia ser lucrativo. E desembolsou parcos US$ 15 mil para comprar os primeiros servidores do hoje gigante digital.
Pode-se fazer uma série de especulações sobre este momento, principalmente em cima do fato de Zuckerberg poder ter criado o Facebook com outro investidor. Mas a própria criação do site é marcada por confusões. O filme de David Fincher também conta como Mark poderia ter copiado os códigos de programação de um site semelhante que estava sendo criado na mesma época, em Harvard, pelos gêmeos Winklevoss. Do mesmo jeito, um primeiro investidor na ideia de Zuckerberg poderia roubá-la dele.
Não foi o que aconteceu. Saverin investiu no Facebook e a história depois disso todos conhecemos. E o mérito de ter sido o primeiro a perceber a possibilidade da rede social crescer e dar dinheiro é de Eduardo. Seja ele cidadão norte-americano, brasileiro ou de Cingapura.










