Ouviram essa versão pra “Kids” feita só com aplicativos para iPhone? Ficou jóia.
Um meme essencialmente brasileiro e uma nova forma de comunicação
Geral veio me cumprimentar pela série “TENSO” que coloquei no 4:20 desta semana. Obrigado, mas os parabéns não vão pra mim – no máximo os aceito por ter reunido, num mesmo lugar, uma produção que está completamente alheia tanto dos olhos da mídia digital quanto da tal blogosfera brasileira. A lógica você já entendeu: é pegar uma foto qualquer e ir aproximando, aproximando, aproximando, até revelar, num canto escondido, a expressão de alguém que esteja com uma cara séria e compenetrada, até que aparece a palavra “TENSO” colocada por sobre o último quadro da foto.
Depois de encontrar aleatoriamente o primeiro tenso, fui achando outros aqui e ali até que mandei o termo no Google Images e fui apresentado não apenas às bizarrices que postei essa semana como variações infames, que encerram a foto com palavras como “DENSO”, “SENSO”, “INCENSO” ou “IMENSO”. E quem faz isso?
Quem faz as fotos com FAIL escrito por cima dela? Quem faz os lolcats? Qualquer um, ué. E assim nasceu um meme de fotorresposta essencialmente brasileiro. As imagens aparecem em fóruns de jogos, blogs de anônimos que estão cagando pra monetização ou status nerd e álbuns de fotos do Orkut.
Essas novas manifestações de comunicação unem texto e imagem para sintetizar uma idéia ou traduzir uma expressão com o mínimo de palavras. Quem nasceu online já usa esse tipo de conversa sem pensar demais – seja respondendo mensagens no MSN com emoticons, usando tinyurls pra enganar incautos ou fazendo campeonatos de criação amadora em nichos online. Quem nasceu antes do computador e tornou-se digital com o tempo, percebe esse tipo imagem como uma brincadeira, uma galhofa – mas talvez estejamos vendo o início de um novo alfabeto, de uma escrita paralela, de um subtexto que une foto e palavras que muitas vezes resumem argumentações gigantes ou intrincadas explicações.
Gostou? Comece a fazer seus “TENSO” – e me mande que se eu achar legal, eu publico. Mas não essa semana – porque o próximo 4:20 já anuncia o tema da semana que vem (e se você acha que eu tou falando muito de Watchmen, se prepara…).
Updeite-se e fale do que te aflige: O povo do VT (a aba “Vale Tudo” do fórum de games do UOL) está reivindicando a autoria dos “TENSO”. Não sabia que todos tinham vindo do mesmo lugar, mas, como todo meme que se preze, ele já saiu de controle – tanto que encontrei essas imagens por aí – apenas uma delas saiu diretamente do tal fórum, pelo que eu lembre. Mas, enfim, a César o que é de César – e eis os créditos pro povo. Foi bom falar disso porque me lembrou de falar sobre fama e anonimato em tempos digitais…
A piada é velha, mas ainda vale – ainda mais quando a própria Microsoft cogita o futuro dos computadores nos próximos dez anos…
Sendo que boa parte do que aparece aí em cima vai estar no mercado em menos de cinco anos, fácil.
Mais um tutorial, bem óbvio, mas como tem gente que finge que não vê…
Dica do Gustavo.
Do Lulalol.
Essa semana estréia Watchmen e aproveitei o gancho do filme para falarmos de narrativa transmídia…
***
Quando uma história é apenas o começo…
Com a cultura digital, surge uma nova modalidade de ficção: a ‘narrativa transmídia’
A carinha sorridente amarela respingada com uma gota de sangue é só o ponto de partida. A partir dela, descortina-se não só um universo de super-heróis decadentes e de superpoderes usados como armas militares, como uma série de pequenas histórias paralelas que acontecem independente umas das outras e em formatos diferentes. Juntas, todas essas narrativas contam uma história complexa e multifacetada, que dificilmente teria o mesmo impacto caso contada de forma linear.
Watchmen, a clássica série em quadrinhos cuja aguardada adaptação finalmente chega aos cinemas na próxima sexta-feira, é um dos muitos exemplos de um novo tipo de ficção – a narrativa transmídia. Nem tudo na história original de Alan Moore e Dave Gibbons era contado em forma de quadrinhos – cada episódio terminava com páginas que poderiam trazer um capítulo de um livro fictício, o prontuário médico de um dos personagens, recortes de páginas de jornal.
Mas com a internet e a digitalização das mídias, essa narrativa que acontece em diferentes plataformas aos poucos vem deixando nichos e tomando conta do mercado de entretenimento. Sites, celulares, redes sociais, games, aplicativos e blogs – peças-chave da cultura digital – são hoje responsáveis por expandir universos criados em livros, filmes, histórias em quadrinhos e programas de TV. Mas eles vão além de simplesmente levar uma grife de entretenimento para outras plataformas. Interligando-se com o produto principal, eles criam tramas paralelas e ações fora da internet que expandem ainda mais a história central. Assim, cria-se um novo vínculo com o antigo leitor/espectador/ouvinte, agora convidado a participar da narrativa.
Mas isso não pressupõe produção de conteúdo ou aquela interatividade em que pode-se mudar o rumo da trama principal. O elemento participativo da narrativa transmídia reside no fato de que a história original pode ser ampliada à medida em que a experiência da mesma possa ser provada em diferentes meios – e isso não quer dizer que esses enredos paralelos tenham que se encontrar num ponto final. “A convergência ocorre dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações com outros”, explica o teórico Henry Jenkins, criador do termo “narrativa transmídia” em seu livro Cultura da Convergência, lançado no Brasil. Nessa edição, nos aprofundamos no tema, a começar pela própria campanha de lançamento do filme Watchmen – transmídia por natureza.
***
E a matéria continua:
– Como atrair quem não conhece a HQ?
– Watchmen original
– Narrativa transmídia vai além da mera campanha
– J.J.Abrams conecta tudo que faz
– Indústria inclui fã como produtor de conteúdo
– Exemplos de narrativas transmídia
– ARGs em 2009



