
Sem filmar desde 2004, John Waters preparou uma gracinha pro começo do ano que vem que promete: a Marianne Boesky Gallery em Nova York abrirá uma mostra sobre o trabalho do diretor que trará nada menos que uma versão infantil para o clássico trash Pink Flamingos. Considerado “o filme mais nojento de todos os tempos” (na época, hoje tranquilamente já foi ultrapassado, consciente e inconscientemente), o filme é a jóia na coroa de baixarias do travesti Divine e a nova versão será uma leitura de uma versão limpa do roteiro – sem as referências sexuais e escatológicas do texto -, o que a galeria garante que “deixa mais pervertido que o original”. Inevitavelmente veremos este vídeo online – mas que 2015 promete, isso promete!

Um dos nomes mais fodas do R&B dos EUA se associou à grife literária mais brega deste século, mas há uma espécie de cavalo de Tróia quando o Weeknd foi chamado para fazer a trilha sonora da versão para o cinema de 50 Tons de Cinza. Agora é saber se ele conseguirá abrir a cabeça do público da trilogia soft porn pra outro tipo de música além de baladas da Celine Dion e roquinhos do Maroon 5.

Uma das melhores músicas de 2014, a dramática “Chandelier” da Sia, ganhou uma versão de fim de ano regravada pelo norueguês Sondre Lerche, que começa meio estranha mas atinge o ápice no irresistível refrão.

Diferente do show de Emicida em homenagem a Cartola, a noite do projeto 74 Rotações que teve O Terno recriando o clássico Lóki? de Arnaldo Baptista foi mais reverente do que inventiva, mas tanto a banda quanto o disco requeriam aquele tipo de apreciação.
Para começar, Lóki? não é só um apanhado de canções românticas, é um disco-sentimento em que Arnaldo Baptista jorrava toda seu coração em música. É fácil imaginar que as canções que hoje consideramos clássicas são partes de um fluxo de consciência emocional contínuo, como pode ser observado a partir das jam sessions registradas no primeiro disco dos Mutantes sem Rita Lee, O A e o Z, que só foi lançado nos anos 90. O que Arnaldo Baptista cantasse enquanto tocava seus teclados – piano ou elétrico – naquela época fazia parte de uma enorme canção em sua cabeça – canção esta que se desracionalizou completamente quando sentiu o baque de perder Rita Lee e compôs/gravou Lóki? O disco é um misto de Astral Weeks com Madcap Laughs e uma pitada do mítico Smile, um disco confessional, extremamente pessoal e gravado nos limites da emoção. Por isso qualquer tentativa de recriá-lo corre o risco de soar falso ou sem sentimentos.
Daí a importância d’O Terno optar pela reverência, tocando as músicas quase literalmente como no disco, incluindo aí a ordem das faixas. A outra barreira frente ao show do sábado passado é que Lóki? é um disco composto e tocado ao piano, enquanto o trio paulistano não conta com o teclado em sua formação. Por isso quando as cortinas se abriram e o guitarrista Tim Bernardes estava sentado frente a dois teclados a responsabilidade do grupo pareceu ter aumentado a dificuldade: será que Tim era tão desenvolto no piano quanto na guitarra? E apesar da resposta negativa isso não foi propriamente um problema. Primeiro porque ele manteve-se firme na base das canções, sem tentar nenhum malabarismo instrumental que talvez não pudesse alcançar – este era espertamente dividido com o baixista Guilherme d’Almeida, que percorria linhas melódicas de tirar o fôlego (tocadas originalmente por Liminha, talvez o melhor discípulo de Arnaldo no baixo). No meio, o baterista Victor Chaves ajudava a acertar o clima das canções, por vezes como um Keith Moon (ou Dinho Leme, como seria mais apropriado) endiabrado, por outras clássico e discreto como Charlie Watts ou Ringo Starr.
Mas Tim não ficou só nos teclados nem a banda ficou só no fac-símile. Um dos momentos mais interessantes do show foi quando “Honk Tonk” (escrita e tocada originalmente apenas no piano) virou um rock pesado instrumental tocado pelo power trio ensandecido que é O Terno – emendando abruptamente na quase faixa-título (reforçando o fato de que a banda é da era do CD e atropelou a clássica virada do lado A pro lado B). Quando ia para a guitarra, Tim emulava a guitarra tropicalista Sérgio Dias e Lanny Gordin com a alavanca do instrumento e notas estridentes, numa evidente saudação aos mestres. Até na letra ele arriscou uma brincadeira, quando, em “Será Que Eu Vou Virar Bolor?”, trocou Alice Cooper por Arctic Monkeys, adaptando perfeitamente o sentimento de não-pertencimento de Arnaldo nos anos 70 para essa década de 10 (aliás, cabe um parêntese pra falar como Lóki?, como registro sentimental, ainda segue atual mesmo quando não se fala apenas em sentimento – explicitado especificamente em “Navegar de Novo” – que pensei que Tim fosse trocar “o modelo do meu carro que eu comprei só há seis meses já está fora de moda” por “o modelo do iPhone… etc.”).
O show, curtíssimo, mostrou que O Terno está pronto para viagens ainda mais loucas e encerrou com duas músicas de outros discos: “Beijo Exagerado” do último disco dos Mutantes com Rita Lee e “O Cinza” do disco que lançou esse ano. O desafio de recriar a atmosfera dentro da cabeça e do coração de um dos mestres do rock brasileiro foi cumprido à risca, com alguma (natural) tensão, mas sem deixar a bola cair. Foi quase como se o trio tivesse feito a prova do vestibular da psicodelia brasileira na frente das poucas centenas de pagantes do Sesc Santana – e visto a aprovação sair em seguida. E por mais que acertassem em diversos pontos, tiraram nota 10 no conjunto do disco, do correr da obra, na redação do show. Afinal, Psicodelia é Ciências Humanas.
Abaixo, os vídeos que fiz de todo o show, assista e deleite-se:
Ainda não é uma imagem oficial, é só uma imagem de fã – mas foi twittada pelo diretor do filme (Scott Derrickson) com a seguinte legenda: “Strange but not a stranger”, tirada de “Burning Down the House” dos Talking Heads.

Ao mesmo tempo que dá pra ter uma idéia do jeito que o personagem será conduzido ainda acena para o espaço sideral, fazendo conexão com a atual fase “cósmica” da Marvel.

Sem cantar desde 2011, quando sua banda R.E.M. pendurou oficialmente as chuteiras, Michael Stipe finalmente deu indícios de que, sim, podemos voltar a ouvir sua voz em ação. “Eu amo minha voz e acho que ela ainda… Acho que ela está ficando melhor à medida em que fico mais velho”, confessou o cantor e compositor confessou ao programa This Morning, da emissora norte-americana CBS, em que compareceu para dar uma entrevista sobre a caixa de DVDs que seu antigo grupo está lançando (chamada REMTV, só com apresentações e entrevistas do grupo para a MTV). Veja a entrevista abaixo:

E esse achado do Stereogum? Nada menos que a Björk, com 11 anos, em vídeo, lendo um conto de natal na TV islandesa. Tudo bem que ela lê na própria língua natal e não dá pra entender nada, mas mesmo assim é um vídeo que vale a pena ser visto – aqui, ó.

Querendo mostrar mais a cena de dance music de sua cidade natal, Melbourne, na Austrália, o grupo Cut Copy fez um set reunindo vários nomes desta nova safra – além de um documentário curta-metragem para mostrar a cara dos artistas que reuniu. Saca só:
Knightlife – “Don’t Stop”
Andras & Oscar – “Music Is My Life”
Michael Ozone – “Oxygen”
Statue – “Statue Theme”
Turkish Prison – “Overboard”
Ara Koufax – “Brenda”
Myles Mac – “Suburban Odyssey”
Fantastic Man – “Robotic Temptation”
NO ZU – “Raw Vis Vision”
Coober Pedy University Band – “Kookaburra”
A+O – “Take Me”
Nile Delta – “Aether”
Tornado Wallace – “Circadia”
Speed Painters – “Total Person”
Len Leise – “Call of Kati Thanda”
Bell Towers – “After Party at Jackson’s House”
World’s End Press – “Feel City (Outskirts Dub)”
Roland Tings – “Swimmer”
Sleep D – “Austral Aura”
E o documentário segue abaixo:

Entrevistei o Guilherme Fontes para as Páginas Negras da Trip no mesmo dia em que ele voltou ao noticiário – não de cultura -, quando o Tribunal de Contas da União definiu que ele deveria devolver R$ 71 milhões aos cofres públicos. O dinheiro seria relativo aos gastos com o filme Chatô – O Rei do Brasil, um dos maiores épicos da história do cinema brasileiro mesmo sem ainda ter sido lançado. Segundo Guilherme, produtor e diretor do filme, suas contas estão corretas e o filme, finalmente, está pronto para ser lançado, quase 20 anos depois de ter sido idealizado. O inferno do ator/diretor, ele explica, é culpa de uma campanha pessoal contra ele – e dá mais detalhes na edição de fim de ano da revista. Confere lá.

Os hackers que invadiram os emails da Sony provocaram um dos principais incidentes de 2014, mesmo que quase no calar do ano. Mas entre uma enorme quantidade de podres e alfinetadas trocados entre executivos e agentes, um email enviado no dia 4 de janeiro deste ano de uma das principais executivas da Sony, Amy Pascal, para Elizabeth Cantillon, ex-vice-presidente da Columbia Pictures, cogitava a possibilidade de ninguém menos que Idris Elba – de The Wire, Luthor e Pacific Rim – viver o papel do grande agente internacional britânico. A idéia original era que ele já assumisse o papel no próximo filme da série, Spectre, mas nesta produção James Bond ainda deve ser vivido por Daniel Craig. Mas a idéia já está no ar – resta saber se topam bancar um 007 negro como atração do 25º filme da série.