
Tony começou, Augusto tocou no meio e Rafa terminou a participação cabulosa do Clube Canibal na Noite Trabalho Sujo – a galera se jogou, como dá pra ver nas fotos da Bárbara, abaixo. E nessa sexta tem a Susan comigo nos CDJs, vamoê?

Não, bicho… Não, isso não tá certo… Não pode… Como é que pode uma porra dessas?

E esse zine em que o Chuck Berry, ainda nos anos 70, comentava sobre o que ele achava das bandas punk na época em que elas apareceram pela primeira vez?

Veio daqui. Camilo que me mostrou.

O aniversário é no fim do mês, mas a comemoração vai ser nesse sábado. Preparem-se.
Este é o último mês da minha curadoria no Prata da Casa – e pra começar vamos de jazz, com o saxofonista Raphael Ferreira. Os shows no Prata acontecem sempre às 21h e os ingressos – gratuitos – começam a ser distribuídos uma hora antes. Quem vai? Abaixo o texto que escrevi para o projeto.

A classificação musical, por mais que sirva para guiar ouvintes pelos territórios sonoros que serão desbravados antes da audição, muitas vezes restringe os limites de atuação do artista. Para este, no entanto, rótulos e gêneros musicais são meras etiquetas que tentam grudar ao som e que podem ou não ter sua funcionalidade didática, mas não o restringe das novas possibilidades. É um terreno habitado pela música instrumental brasileira, que cada vez mais extrapola as fronteiras de gênero para além das influências do choro, da bossa nova ou da MPB, rumo à sonoridade universal do jazz, que engloba todos os ritmos e harmonias. É o caso do trabalho do saxofonista Raphael Ferreira, com formação em música na Unicamp e na USP, que, ao lado de Sidiel Vieira (baixo acústico), Fábio Leal (guitarra), Sérgio Machado (bateria) e Felipe Silveira (piano), alça longas incursões instrumentais que partem do jazz contemporâneo para mirar em novos horizontes – da música popular à música erudita dos séculos 19 e 20 – , bebendo inclusive nas águas brasileiras, ao ungir sua musicalidade livre nos ritmos do afoxé, do samba e do baião. Em seu primeiro disco, Ultramar, ele mostra porque a música instrumental brasileira sequer precisaria ter estes dois últimos adjetivos.

Desde que Bruno e a rapeize do Queremos começou a mudar a cara da programação cultural do Rio de Janeiro que eu pego no pé dele: “Quero ver em São Paulo…”, sempre espezinhava, esperando que a vinda do projeto para cá pudesse também pudesse ajudar a mexer com a metrópole da ponta de cá da Dutra (principalmente no que diz respeito ao preço das atrações). Começaram a se espalhar pelo resto do Brasil (primeiro um Cícero em Porto Alegre, depois um Silva em BH) até que ele avisou que havia chegado a hora – Queremos chegaria em Sâo Paulo trazendo três atrações da segunda edição do festival do Chico Dub, o Novas Freqüências, para a cidade: Actress, Pole e Hype Williams (o próprio Chico comenta a importância de cada um deles em seu blog). Achei o passo um tanto ousado, mas se formos pensar em Brasil, São Paulo talvez seja a única cidade que poderia ter um esquema de refinanciamento de shows para artistas literalmente desconhecidos do grande público – pois fazem parte da vanguarda da música do século 21.

Eis que chegamos ao último dia para fechar as cotas de financiamento nessa terça-feira – e ainda tem cota sobrando pra confirmar o evento. Decidimos, eu e o Bruno, segurarmos nós mesmos algumas dessas cotas pra ver se a galera se empolga em colaborar com o projeto. E aí, anima? Se animar, clica no site do Queremos que o passo a passo tá todo lá. É só pagar agora que, vendidas todas as cotas, você recebe a grana depois e vê o show de graça!

Foi só falar no mestre dos magos que ele apareceu com força total. Nesta segunda-feira ele lança seu primeiro single, com a faixa “The Decline of English Murder”, com rendas revertidas para o pessoal do Occupy Wall Street – não custa lembrar que o 5 de novembro (além de aniversário do Fred) também é a data-chave do V de Vingança, obra de Moore celebrada tanto pelos Occupy quanto pelos Anonymous. O Guardian fez um vídeo com a música, usando cenas do grupo em ação – e o Bleeding Cool providenciou as letras, ambos abaixo:
É sério – a prova ainda teve Hendrix e Blitz.

Até o Arnaldo twittou.


E na minha coluna dessa edição do Link, peguei o gancho da idade do XXYYXX pra comentar, na transversal, um assunto que o Bruno havia falado na coluna dele no Globo.

A geração pós-digital quer apenas fazer – e está fazendo
Nada está pronto; tudo está sendo feito
Marcel Everett completou 17 anos no mês passado. Morador da cidade de Orlando, na Flórida, ele produz música desde 2010, mas ainda em seu quarto. Influenciado por rappers como Ja Rule e R. Kelly, ele aos poucos foi lapidando bases e beats, desacelerando as batidas por minuto, trabalhando texturas e ambiências. No fim do ano passado assumiu um pseudônimo cifrado – XXYYXX – e uma imagem para representá-lo (o olho na pirâmide tão conhecido dos teóricos da conspiração).
Suas músicas logo começaram a correr a internet, principalmente via YouTube, até que em abril deste ano o diretor Jeff Vash, de 22 anos, do Texas, resolveu fazer um vídeo para ilustrar o clima etéreo e sem gravidade das camadas sonoras produzidas por XXYYXX. O vídeo mostra belas mulheres soltando fumaça em câmera lenta após tragar cigarros, primeiro de rosto descoberto, depois usando máscaras de bicho e aos poucos ajudou a disseminar online a música do adolescente, até que, desde o início do semestre, sua popularidade começou a crescer mais rápido do que o normal. Logo estava sendo convidado para fazer apresentações ao vivo, discotecar, dar entrevistas, muitas vezes confundindo o entrevistador. Numa delas, à revista norte-americana Vice, disse ser o cabeça da sociedade secreta Illuminati.
Uma brincadeira. Afinal, Everett tem só 17 anos e, se não fosse a internet, talvez ainda estivesse no seu quarto destrinchando camadas de som, picotando trechos de músicas alheias, acelerando vocais e desacelerando batidas. Em pouco tempo, deixaria a brincadeira de lado ou a tornaria apenas um hobby, para logo pensar em um trabalho “de verdade”, como um de seus pais deve dizer.
Já vimos esse filme durante toda a década passada. Adolescentes que, se não fosse a web, ficariam trancados no quarto, fazendo música, escrevendo, editando vídeos, tirando fotos. Alguns deles hoje têm mais de 20 anos e transformaram seu hobby em sustento. Mais do que isso: estão vivendo plenamente de suas criações, uma situação que causa inveja a muitos de gerações anteriores.
Afinal, quantos hobbys deixaram de virar carreira pois era hora de entrar em uma universidade? Quantos sonhos não foram deixados para trás pois era preciso ter uma profissão? Quantas invenções não foram abandonadas depois que muitos adultos disseram que isso era perda de tempo?
Quem tem o referencial analógico entra em parafuso ao colidir com essa geração, criando “crises” que só fazem sentido para quem viveu no século passado. Perguntam-se sobre o fim do popstar, preocupam-se em relação à falência da indústria, lamentam o fim de profissões com séculos de existência.
Mas para quem nasceu na última década do século passado estes questionamentos são secundários. Esse problema é geracional e já passamos por situações parecidas antes disso. A geração dos meus pais, por exemplo, nascida após a Segunda Guerra Mundial não consegue enxergar uma pessoa que muda de emprego várias vezes como bem sucedida. Para eles, o sucesso profissional estava associado à entrega pessoal e devotada à uma única empresa. Hoje, pode perguntar para qualquer profissional da área de Recursos Humanos, uma pessoa que passa mais de uma década num mesmo emprego é alguém sem iniciativa, passivo, estagnado.
O mesmo acontece em relação à geração pós-digital. Eles não estão preocupados com o futuro próximo porque sabem que ele está constantemente em movimento. Apegar-se a uma única profissão ou habilidade pode ser aprisionador – ou, pior, determinar a própria obsolescência. Estes novos adolescentes querem simplesmente fazer. Não querem esperar que alguém diga o que eles devem fazer. E as ferramentas digitais lhes dão liberdade plena para isso.
Se o XXYYXX vai ser um popstar ou sumir em pastas de MP3 pelo mundo, não importa. O que importa é que ele está fazendo o que quer hoje. E, continuando assim, fará o que quiser pelo resto da vida. A realidade pós-digital nos lembra que a vida é um eterno aprendizado. Nada está pronto. Tudo está sendo feito.