Minha coluna desta semana no Link foi sobre a segunda temporada de Black Mirror, que foi anunciada na semana passada.

Se a tecnologia é um vício, quais são os efeitos colaterais?
‘Black Mirror’, série critica efeitos da tecnologia na sociedade
Uma voz monótona repete frases sem emoção: “Viva mais. Conecte-se mais. Viaje mais. Compartilhe mais. Procure mais”. Pessoas sorriem em situações cotidianas com seus tablets ou celulares. A iluminação é perfeita, a fotografia é de publicidade. Todos são lindos.
De relance, um outdoor eletrônico transforma empolgação em ameaça – “O futuro que você merece” – e seguem os imperativos: “Consuma mais. Pense mais. Experimente mais. Lembre mais. Veja mais. Compartilhe mais. Aprenda mais. Faça mais. Lute mais. Faça mais. Conecte-se mais”. As imagens mudam, os sorrisos tornam-se falsos e celulares filmam cenas violentas – confrontos, espacamentos – vistas por uma criança debaixo de seu cobertor.
“Deixe de ser você”, diz a voz robótica antes de surgir uma avenida tomada por pedestres que filmam, sem reação e com seus celulares, uma enorme nuvem de poeira que vem em sua direção. É inevitável a associação com a mórbida nuvem que tomou as ruas de Nova York depois da queda do WTC.
“O futuro está quebrado.” É o trailer da nova temporada de Black Mirror (espelho preto), do jornalista inglês Charlie Brooker, anunciada semana passada. Eu já havia comentado sobre a série em uma Impressão Digital no fim de 2012, mas apenas comentei a força de seu título, mais do que seu tema.
Black Mirror não é um seriado, mas três pequenos filmes exibidos pela Canal 4 da BBC inglesa. Seu autor, Charlie Brooker, é um notável crítico de mídia conhecido por sua abordagem nada sutil e pela franqueza agressiva que usa para expor suas opiniões, uma espécie de Michael Moore menos bonachão. É um inglês cínico cujo sotaque é tão pesado quanto a forma como ele trata os temas que escolhe. Ele explora como burrice, vaidade, ganância e banalidade derretem nossa civilização ao tratar inteligência como excentricidade e aparência como lastro de confiança.
O que une os três primeiros episódios de Black Mirror, exibidos no fim de 2011, é um dos principais alvos das críticas de Brooker – a tecnologia. Sua abordagem é simples: a tecnologia é a droga mais consumida do mundo hoje e estamos todos viciados nela. Todo o ecossistema criado pela internet e novos aparelhos não apenas nos permite consumir conteúdo em qualquer lugar como também faz que nossas vidas possam ser transformadas em conteúdo para ser consumido. A partir desta constatação, Brooker quer descobrir quais são os efeitos colaterais desse vício.
Em três episódios, três choques: no primeiro (Hino Nacional) o primeiro-ministro inglês vê-se chantageado para fazer sexo com um porco em cadeia nacional. No segundo (15 Milhões de Méritos), um operário de uma fábrica do futuro – que parece uma academia de ginástica – tenta ajudar uma desconhecida a comprar sua vaga em um programa de reality show. No terceiro (Toda a História de Você) uma tecnologia permite que você grave e reveja as próprias lembranças e isso pode ser catastrófico para as nossas relações.
Black Mirror ainda é inédita no Brasil e o canal BBC HD, recém-lançado no País, poderia nos presentear com sua exibição (como já fez com a excelente série Sherlock, adaptada pelo bamba Steven Moffat), antes de os três episódios da próxima temporada – que começam a ser filmados no mês que vem e ainda não têm data de exibição – irem ao ar no Reino Unido.
Do pouco que se sabe dos próximos episódios, num deles o namorado de uma viciada em redes sociais consegue voltar a ter contato com ela depois de sua morte graças à internet; no outro, um personagem de programa infantil concorre a um cargo político e começa a soar menos estúpido que seus concorrentes; e no último, uma mulher acorda numa casa em que não conhece para descobrir que as pessoas se tornaram voyeurs sem motivo, filmando os outros o tempo todo e não fazem mais nada.
Não parece tããããão diferente da nossa própria realidade…

Só falta a confirmação oficial, mas tudo indica que o Cure fechou sua passagem pela América do Sul com direito a dois shows no Brasil em abril. Assim, as datas da banda de Robert Smith (que promete shows com mais de três horas) pelo nosso continente ficam assim:
4 – Rio de Janeiro, HSBC Arena
6 – São Paulo, Morumbi
9 – Assunção, Jockey Club
12 – Buenos Aires, River Plate
14 – Santiago, Estádio Nacional
17 – Lima, Estádio Nacional
19 – Bogotá, Parque Simon Bolivar
Teoricamente os ingressos começam a ser vendidos já no mês que vem. Alguém anima acompamhar a banda em turnê?

Sem lançar disco desde 2009, o Flaming Lips anunciou que seu próximo álbum se chamará The Terror – um disco “sombrio e perturbador” segundo o líder da banda, Wayne Coyne – e será lançado no início de abril. Antes disso, o grupo lança uma nova faixa, que não entrará no novo lançamento, chamada “The Sun Blows Up Today”, uma brincadeira bubblegum que em vez de psicodélica torna-se apenas repetitiva. Reflexo do que vem acontecendo com o grupo há uns cinco anos, pelo menos.
Vi no Pitchfork e o vídeo na Rolling Stone.

A música nova dos Strokes foi recebida com estranhamento na sexta-feira, especialmente no Brasil: enquanto os fãs da banda lamentaram a sonoridade oitentista (bem mais próxima do disco solo de Julian Casablancas do que qualquer outro disco dos Strokes), os fãs de tecnobrega saudaram a nova sonoridade do grupo – até mesmo seus principais protagonistas (Gaby Amarantos e a Gang do Eletro) comemoraram o parentesco sonoro em suas contas do Twitter:

E logo vem a internet, implacável, e lança suas paródias, como esse “clipe oficial” inspirado no mashup que o Tiago Lyra fez do Trenzinho Carreta Furacão com “Lisztomania”, do Phoenix:
E o DJ Jak empilhou as referências mais citadas (“Xirley” de Gaby Amarantos, “Take on Me” do A-ha e a própria “Lisztomania”) num mesmo remix esquizofrênico.
A citação a “Take on Me” vem do fato do riff da nova dos Strokes ter certo parentesco com o maior hit pop da história da Noruega – e é inevitável lembrar do remix do mítico DJ Cremoso – criação anônima recifense inventada para satirizar o tecnobrega – para a canção do A-ha:
Esta citação é a chave para essa conexão Strokes com o tecnobrega, pois as duas partes tiveram a base de sua sonoridade fundada durante uns anos 80 sintetizados. Repare nesse clássico do Jean-Michel Jarre de 1981 e veja se não tem a ver tanto com a música nova dos Strokes, o solo de Casablancas e a batida do tecnobrega):
Mas alguém apontou a semelhança da melodia de “One Way Trigger” com essa música do Maná (?!):
O pior é que tem a ver… E a música nova dos Strokes pode ser baixada no site deles.

E em seu novo clipe, o Tame Impala nos leva da sala de aula para uma viagem psicodélica sobre o amor consumado – que pode ser considerado pornô dependendo de onde você estiver assistindo, por isso tome cuidado.

E Inside Llewyn Davis, o novo filme dos Coen que se passa na cena folk de Nova York do início dos anos 60 e acompanha a rotina de um jovem ídolo, já tem trailer…

Em março deste ano completo vinte anos fora de Brasília. Mudei para Campinas em março de 1993, quando comecei a estudar Ciências Sociais na Unicamp e, aos poucos, vi-me puxado pelo vórtex do jornalismo. Nove anos depois, mudei-me para São Paulo pois parecia inevitável – Campinas havia ficado pequena demais, Brasília não era uma opção de futuro próximo e a megalópole me confrontava como um desafio. Vim morar em uma cidade que não gostava como muitos da minha geração e tenho plena convicção de que o êxodo de pessoas de outras cidades para São Paulo fez que a cidade começasse a melhorar em muitos aspectos neste século 21. São Paulo era uma cidade carrancuda, egoísta e cinza, mas esses defeitos foram desanuviando com o tempo. Pessoas ainda são espancadas na rua por suas opções sexuais, ainda existem taxistas malufistas, o trânsito é dos piores do mundo, a especulação imobiliária é fora da realidade e o crime organizado paira sobre todos como uma sombra maldita, mas a cidade aprendeu a gostar de si mesma, a abrir-se ao outro, a convidar os outros a desfrutá-la. Hoje posso dizer tranquilamente que gosto de São Paulo, sem remorso. Quero morar em outros lugares do mundo, claro, mas esta é uma cidade em que me sinto bem. Não custa, portanto, celebrá-la em seu aniversário.

Vocês devem ter visto a matéria em que o produtor Jack Endino comentava que achava ruim que as bandas brasileiras compusessem e gravassem em inglês, não? Uma bobagem (cada um grava como quer do jeito que quer), mas um cidadão teve a paciência e pachorra de reunir num tumblr os melhores momentos do inglês macarrônico que comentaristas brasileiros foram fazer no perfil do Facebook do produtor, que só é alguém na vida porque um dia produziu o primeiro disco de uma banda chamda Nirvana. Veja outros exemplos abaixo:

Resolvi comemorar o aniversário de São Paulo chamando dois cariocas pra fazer a Noite Trabalho Sujo chacoalhar: Bruno Correia – também conhecido com o Cavalo Correia – pertencia ao coletivo carioca Hang the DJ e volta às pistas com toda seu dandimalandrismo típico. Já Tiago, o homem que transformou o Trenzinho Carreta Furacão em hit da internet graças a um mashup com uma música do Phoenix, é bissexto nos CDJs, mas irá nos brindar com seu bom gosto de baixo calão. E eu medio essa conversa de malucos numa daquelas noites que prometem pegar fogo – afinal, também é dia de comemorar a sexta vez consecutiva em que o Trabalho Sujo é eleito o melhor blog do Brasil! Para quem ainda não sabe como é o esquema da festa, tá tudo detalhado na página do evento no Facebook ou no site do Alberta – e dá pra mandar nomes pra lista de desconto para o email noitestrabalhosujo@gmail.com até às 20h. E como hoje é feriado, o Alberta só abre às 22h. Nos vemos lá!

Isso é sério? DJ Cremoso e tecnobrega influenciando os Strokes? Cuma?
E por falar em Strokes, tem uma promoção de vinil deles em um dos melhores segredos (e melhores idéias nos últimos tempos) da indústria fonográfica, o Popmarket. Os quatro discos deles em vinil tão saindo por pouco mais de cem dólares, sem frete, pro mundo todo. Vai lá.