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Escrevi a orelha para o roteiro romanceado de Goonies, que acaba de ser lançado por aqui pela Darkside. O livro foi escrito por James Kahn a partir do roteiro de Chris Columbus ainda nos anos 80 – época em que Kahn havia se especializado em adaptar os novos filmes para adolescentes (O Retorno de Jedi, Indiana Jones e o Templo da Perdição, Poltergeist) para o formato livro. A tradução do livro foi feita pela comadre Cecilia Giannetti e o texto que escrevi segue abaixo:

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“Freedom of ’76”, afinal ninguém é de ferro…

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Minha coluna desta semana no Link relaciona a renúncia do papa à recente discussão sobre o vazio cultural brasileiro deste século.

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A nova cultura brasileira é produzida na internet
O novo Tom Jobim não vai sair do trio elétrico

Eu havia acabado de reabastecer meu copo de caju amigo quando me conectei à internet. Era segunda de carnaval e estava longe da rede, num canto do litoral paulista em que o celular só pega na praia. Estava pronto para fotografar uma rara manhã de sol deste verão quando a notícia chegou, nem lembro se por Twitter, Facebook, e-mail ou Instagram.

Em poucos minutos, todos estes ambientes falavam do mesmo assunto: o papa tinha renunciado. Comentei com a minha mulher e sua primeira pergunta foi a mesma que tive: “E pode?”. Li algumas manchetes para ela, conversamos preguiçosamente sobre o tema e voltamos a lagartear sob o sol.

Só quando voltei do feriado me deparei com a avalanche de piadas, paródias, remixes, mashups, montagens, memes e todo tipo de gracinha que a internet nos premia diariamente. Segundo o site Know Your Meme, melhor catálogo dessas manifestações, a primeira piada visual sobre a renúncia do papa foi uma foto de Bento XVI acompanhada da legenda: “Escolhido por Deus. Desiste”.

Mas em pouco tempo as piadas saíam do âmbito religioso, político e sexual (afinal é inevitável associar a notícia aos casos pedofilia envolvendo integrantes da igreja), até chegar ao puro nonsense típico deste humor da internet.

Entre as brincadeiras, estavam os inevitáveis mashups de outros memes. O cartaz de Keep Calm & Carry On virou Keep Calm & Resign. O “Hope” – esperança, em inglês – com a cara de Barack Obama foi substituído por “Pope” – papa – ou “Flop” – fracasso, – com a cara de Joseph Ratzinger.

Outra piada aproveitava a semelhança física do papa com o Imperador da trilogia original de Guerra nas Estrelas para rir de uma “coincidência” entre a renúncia e o anúncio sobre os três novos filmes da grife de George Lucas. Já o usuário do Twitter Six Form Poet escreveu: “o papa dificilmente é a primeira pessoa a perder o interesse em seu trabalho depois que entrou no Twitter”.

Como milhões todos os dias, me inteiro das novidades da sucessão papal entre posts no Facebook, imagens que amigos me mandam por e-mail ou links no YouTube, ao mesmo tempo em que rio das piadas. São uma válvula de escape para a enxurrada de notícias a que somos submetidos diariamente e que logo deixam de ser novidade.

No começo essas apropriações humorísticas eram tímidas e aconteciam aos poucos. Mas, à medida se multiplicam, começam a se cruzar, a se autorreferir, a brincar umas com as outras. Quase todo mundo que está online percebeu que piadas e brincadeiras com notícias e modinhas foram se sobrepondo depois que Facebook e Twitter se firmaram como as principais forças sociais na internet.

A novidade é que isso não é simplesmente um monte de piadinha trocada por alguns conhecidos que, graças à internet, ganharam projeção global. É a produção cultural atual. Na semana passada, uma série de artigos, matérias e entrevistas questionou uma dita parca produção cultural brasileira, que no século 21 estaria rodando em parafuso. Os exemplos citados quase sempre esbarravam na música – artistas como Michel Teló e Gusttavo Lima.

Nem quero entrar no mérito da qualidade ou do bom gosto (réguas beeeem subjetivas), mas é sério que estão esperando encontrar o novo Tom Jobim em um trio elétrico? Ou que o novo Glauber Rocha saia de um best-seller bancado pela Petrobrás?

As cabeças que questionam a ausência do novo sofrem da síndrome de nostalgia ilustrada por Woody Allen na sua fábula Meia-Noite em Paris. Elas se irritam quando ligam o rádio, mas não buscam artistas novos e muitas vezes não sabem nem baixar MP3. E caçam novidades em livros, discos, filmes e peças de teatro quando é provável que elas não venham empacotadas nestes formatos.

O exemplo das piadas produzidas após a renúncia do papa é apenas um. Toda semana tem outros tantos. E o Brasil é uma potência nesse sentido. Só não vê quem não quer.

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Saiu há um tempo, esqueci de postar aqui, o mashup que o Dan Deacon fez do hit do Psy com Grimes (e uma pitada de Beach House) para figurar em seu EP Wish Book. Aparentemente soa infame, mas o resultado funciona melhor do que o esperado.

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O francês Fred Thiphagne, que mora em São Paulo e toma conta da ótima loja online Goma Gringa, também é dono do excelente blog Les Mains Noires, de onde despacha mixtapes de tempos em tempos. É o caso desta Dirty Brazilian Jazz, que mistura discos dos anos 40, 50 e início dos 60 sob esse rótulo estranho de “jazz sujo” para tratar de uma compilação de xotes, pontos, sambas, marchas e baiões que encanta pelo conjunto doce e ingênuo de gravações, que reúne nomes que são bem conhecidos até de quem não é de colecionar disco, como Altamiro Carrilho, Luiz Gonzaga, Inezita Barroso e Ataulfo Alves. E como bom garimpeiro de músicas, o gringo ainda compartilha duas fontes digitais de sua exploração musical: o acervo do Instituto Moreira Salles e o site do Instituto Memória Musical Brasileira.

Les Mains Noires – Dirty Brazilian Jazz (MP3)

A ordem das faixas segue abaixo:

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E já que o assunto Bowie voltou à baila, já viram os outtakes da capa de Ziggy Stardust? O excelente site Retronaut publicou uma compilação delas e, aí embaixo, separei outras tantas. Vale também passar pelo ThingLink, que publicou uma série de referências em hyperlink na capa do disco. Aproveitei e separei outros dois posts antigos sobre o ídolo: outra série de outtakes, desta vez da capa de “Heroes“, e a obra-prima Dave, que a dupla belga Soulwax lançou no final do ano passado.

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Tony Sheridan

Se você não conhece a obra musical ou mesmo nunca tinha ouvido falar no nome de Tony Sheridan, que morreu neste sábado, na Alemanha, aos 72 anos, não se culpe. Ele é um dos inúmeros personagens das milhares notas de rodapé na carreira dos Beatles. Roqueiro inglês no final dos anos 50 – quando isso era um espécime raro, ainda mais na Inglaterra -, Tony foi conseguir consolidar uma carreira quando mudou-se para a Alemanha, tocando rock nos puteiros de Hamburgo com a banda que conseguia reunir. Conhecido pela falta de profissionalismo (chegava tarde, bêbado, sem a guitarra, faltava…), no entanto, ele conseguiu uma certa fama naquela vida noturna a ponto de uma gravadora investir em sua carreira num disco. E quando precisou de músicos para tocar como sua banda, chamou a banda de uns certos adolescentes de Liverpool que estavam também fazendo sucesso naquela zona alemã. Mas como o nome dos Beatles lembrava a palavra “pidels” (o plural para “pau”, em alemão), Sheridan os apresentou como Beat Brothers. Juntos, gravaram quatro músicas: “My Bonnie”, “The Saints”, “Ain’t She Sweet” (com vocal do John Lennon) e “Cry for a Shadow” (esta última instrumental e de autoria dos Beatles). Só as duas primeiras foram lançadas em um compacto que é o primeiro registro gravado da história dos Beatles. Eis o grande trunfo histórico do homem que morreu neste sábado: ele estava na primeira sessão dos Beatles em estúdio que foi lançada comercialmente. Não é o caso de sair acendendo vela, vestindo luto nem baixando torrent com discografia. Ouça as músicas abaixo:

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E por falar em Bowie, ele anunciou neste sábado, 16, via Facebook, que “The Stars Are Out Tonight”, outra faixa de seu inesperado disco novo, deve ver a luz do dia no próximo dia 26, terça-feira da semana que vem. A relação das músicas de The Next Day, o novo disco, segue abaixo:

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cafetacvba

É sério – e já está com ingressos à venda prum show no… Teatro Bradesco, dia 5 de março. Sim, aquele dentro do Shopping Bourbon, do lado do Sesc Pompéia. Nem sou fã da banda nem nada, mas aposto que vai ser um bom show – a começar por ser em um teatro, coisa rara quando o assunto é show de música pop estrangeira no Brasil. Tomara que a moda pegue.

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“Mirrors” saiu na semana passada e é menos estilosa e menos inspirada que a primeira música do disco The 20/20 Project que já havia aparecido antes, “Suit and Tie“.

A faixa conversa mais com o pop aguado que projetou o próprio Justin em seu grupo teen de origem, o N Sync, do que com a aura de soul classudo que ele vem caçando – às vezes na marra, como dá pra sacar pela produção do clipe de “Suit and Tie”, que transborda Motown. Veja abaixo:

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