“Nova York: ótimo; Elvis: gordo; Ringo: amigo; Yoko: amor; George: perdido; piratas: bom; Elton: legal; Paul: Extraordinário; Bowie: magro; M.B.E.*: merda; John: ótimo.” Com poucas palavras John Lennon resume uma entrevista proposta por um fã, por escrito, em 1976. Veja abaixo:

A entrevista foi leiloada e vendida por 14 mil dólares.
* M.B.E. foi a medalha que os Beatles receberam da Coroa Britânica em 1966.

Queria ver um com crianças brasileiras (e artistas brasileiros também).

Mais uma do Raphael Bertazi!

Agora sim!

Na minha coluna no Link desta semana falei sobre o tal Google Glass – agora apenas Glass – que saiu da fase 1 na semana passada.

Os novos óculos do Google e um futuro sem usar as mãos
Glass responde a instruções de voz
Quando, no meio de 2012, Sergey Brin apareceu usando um estranho par de óculos com uma pequena telinha transparente no lugar de uma das lentes, a surpresa foi geral. Mostrado em uma convenção cujo público era formado por desenvolvedores, o Google Glass causou uma pequena comoção entre os presentes e, principalmente, um estranhamento geral da maioria das pessoas que não é do mundo da tecnologia. Essa reação se dividia entre ceticismo e a sensação de estar vendo algo mais próximo da ficção científica.
Afinal, são óculos que permitem adicionar uma camada digital ao mundo analógico. É uma extensão drástica do conceito de realidade aumentada, aquela que, através da câmera de seu celular, identifica o que está ao redor para acrescentar informações àquilo que se vê. Olhe para uma rua e a realidade aumentada identifica o que há em cada prédio.
O Google Glass iria além, porque não apenas reuniria informações do que se vê, mas também funciona como câmera, dispositivo de acesso à internet e canal de comunicação. Acionado apenas pela voz, ele faria a maioria das coisas que seu celular pode fazer hoje, mas sem que seja preciso manuseá-lo.
Eis que semana passada os óculos voltaram a aparecer. Agora se chamam apenas Glass e no site google.com/glass seu funcionamento é detalhado com ênfase nas atividades cotidianas. A empresa já mira no público final e não mais nos desenvolvedores. E reuniu diferentes atividades em vídeo para mostrar como seria fácil utilizá-los. Basta falar “Ok, Glass” e o aparelho está pronto para obedecer a diferentes comandos: “Filme isto”, “tire uma foto e mande para esses amigos” ou “mostre o melhor caminho para chegar num determinado lugar”.
Parece que o Google está pronto para partir para uma etapa ainda mais distante. Mas o Glass é apenas o ponto final de convergência de uma série de recursos que a empresa vem mudando em sua organização interna. O Google Plus aos poucos interligou os diferentes serviços da empresa, que aproveitou para unificar suas ramificações e deixar tudo com uma cara mais parecida e conversando melhor entre si.
Isso inclui mudanças de interface no YouTube, no Gmail, no Google Docs (que virou Drive), no Google Calendar, no Android Market (que virou Google Play), no Google Maps, entre outros serviços, inclusive em suas buscas. E também a aproximação entre os ambientes digitais no desktop, celular e tablet. Tudo isso converge para o Google Now, um assistente pessoal que interliga todo o ecossistema digital da empresa. Só faltava fazer as pessoas não terem de colocar as mãos num teclado, os dedos numa tela, encher bolsos e bolsas com máquinas que, por mais finas e leves, ainda pesam.
É aí que está o Glass: um aparelho que funciona como um celular ativado por voz mas que não precisa ser carregado nem funciona como uma tela que nos distrai da realidade ao redor. Não que o Google vá abandonar celulares, computadores e desktop de uma hora para outra – vide o recém apresentado Chromebook Pixel, um laptop que será lançado em abril. Se a transição dos desktops e laptops para tablets e celulares ainda está em andamento, a mudança que nos leva até os óculos do Google deve durar ainda um bom tempo.
E não pense que isso é exclusividade do Google. Na semana passada, segundo o site Mashable, a Apple teria registrado a patente de um relógio de pulso que pode funcionar como um iPhone – já o chamam de iWatch.
O futuro sem computador está em andamento, graças à era da internet móvel e dos smartphones. O Google nos convida para um futuro em que nem precisamos utilizar as mãos para interagir com novos aparelhos. E, como já escrevi em outra coluna, não custa lembrar que o projeto original do Google Glass era uma lente de contato. O que quer dizer que o futuro desses aparelhos também pode ser o início da era em que homem e máquina começam a se fundir de fato.

E a última noite da Mostra Prata da Casa teve duas novas autoridades do hip hop de São Paulo: o trio Elo da Corrente, que chamou crianças para dividir o palco com eles, e o avassalador Rodrigo Ogi, que fez todo mundo cantar os refrões de suas crônicas, veja nos vídeos abaixo. Os shows foram demais e quem foi a qualquer dia da Mostra sabe como ela foi legal. Semanaça!
Aperte o mute e escolhe uma trilha sonora que ache mais conveniente…

Música como assunto na capa da Galileu é mais uma das mudanças que estamos engrenando na publicação. Entre as outras novidades do mês, vale ressaltar a parceria com o evento Fronteiras do Pensamento, a estreia do boletim do título na rádio CBN (no primeiro domingo de março, dentro do Revista CBN), o lançamento das colunas de toda a redação e um novo funcionamento das redes sociais. A revista de capa amarela que chega às bancas neste fim de semana, além do tema música livre em uma matéria escrita pelo Ronaldo, traz o Dossiê sobre o cenário das startups brasileiras, a força da indústria do álcool frente aos governos do mundo todo, guloseimas criadas em laboratório, um salmão transgênico, a geração de filhos únicos na China, como muda o museu com o século 21 e um ranking de celebridades brasileiras medido por aparições publicitárias na TV. Abaixo, a carta ao leitor que abre a revista, em que conto um pouco dos bastidores do fechamento desta edição.

NA CASA DA TULIPA: O diretor de arte Fábio Dias aproveitou a sessão que a fotógrafa Camila Fontana fez com a cantora para tirar a foto acima
Antes do Carnaval, reunimos toda a equipe GALILEU para uma foto. Ao lado da fotógrafa Camila Fontana, o diretor de arte Fábio Dias fazia as vezes de diretor de cena, reposicionando um, ajeitando a roupa de outro, pedindo para alguém levantar ou abaixar o rosto. Era a foto que ilustra as novidades desta edição. Mas para Fábio e Camila era só o finzinho do trabalho para nossa capa do mês.
Durante uma semana, eles foram aos quartéis-generais dos principais personagens de uma matéria que, embora seja protagonizada por artistas, fala de tecnologia e economia — e não apenas de cultura. Visitaram alguns dos nomes mais importantes desta nova cartografia musical brasileira, que vem reinventando o diálogo entre ídolo e fã, mercado e consumidores, gravadoras e ouvintes. E, no percurso, Fábio começou a pegar o espírito da pauta. Não só para saber como ficariam as fotos na matéria, mas para imaginar o conjunto das páginas e, inevitavelmente, a imagem da capa.
Eu havia pensado em pôr os artistas na própria capa — havia inclusive cogitado a possibilidade de juntarmos todos para tentarmos uma homenagem ao quadro Operários, de Tarsila do Amaral, pelo fato de esta ser uma geração que põe a mão na massa. Testamos algumas opções, mas o repórter Ronaldo Evangelista, autor da matéria, me mandou o recém-lançado clipe da banda mineira Graveola e o Lixo Polifônico, que recria o quadro de 1933 como um Sgt. Pepper’s, o clássico disco dos Beatles, à brasileira.
Partimos para uma nova opção e começamos a pensar em um objeto para ilustrar o tema — um rádio, um disco, um instrumento… E ao chegarmos ao fone de ouvido, Fábio veio com um trocadilho visual, usando o arco do assessório como a haste curva de um cadeado, mostrando que a música agora está livre — de suportes, de um modelo único, de formatos preestabelecidos. A princípio a imagem era um ícone, essencialmente gráfico, que acabou evoluindo para a ilustração de Marcus Penna, o Japs, que está nesta capa.
Corta para o sétimo andar do prédio da editora, onde nos reunimos para a foto da equipe, e vendo Fábio dirigir a fotografia, posto uma foto desta cena online. Seus amigos aos poucos comentam a imagem, usando frases típicas do gaúcho: “Tchê, sei não…”, “Não sei se gosto…”, “Que tu acha?”. Frases que traduzem sua já clássica inquietação em relação à qualidade visual da revista — que vai da ilustração às fotos e ao design das páginas —, rumo à tal mudança em câmera lenta que estamos empreendendo neste 2013. Ela está por toda a revista, mas detalhamos algumas delas mais pontualmente em nosso Ecossistema (págs. 10 e 11). Vamos lá!
Alexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br
Hoje é dia de Oscar e o designer prodígio Olly Moss recebeu um frila da própria Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para reunir todos os 85 filmes que ganharam o principal prêmio em um mesmo cartaz. Olha o resultado abaixo, que fera.

Se você clicar na imagem, dá pra ver o pôster ampliado. E se você não lembra quais são os tais 85 filmes, veja no vídeo abaixo:

Hoje é o último dia da Mostra Prata da Casa do Sesc Pompéia reunindo as melhores apresentações do projeto do Sesc Pompéia no ano passado, quando fui o curador do evento. A última noite reúne dois jovens mestres do novo hip hop paulistano: Ogi e Elo da Corrente representam a partir das 19h (mais cedo porque é domingo, afinal), com ingressos a R$ 8,00. Abaixo, o texto que escrevi sobre os dois artistas de hoje para o catálogo da mostra:
A maturidade do rap paulistano
Os shows de hip hop do Prata da Casa em 2012 foram marcados por duas características: a superlotação e as participações especiais. Como é sintomático do rap paulistano, nenhuma apresentação teve menos do que a metade da lotação da casa e as duas principais noites de rap durante o ano no Sesc Pompéia contaram com a presença massiva do público. Ogi foi o primeiro a apresentar-se na edição 2012 do projeto, em fevereiro, mostrando seu festejado CD Crônicas da Cidade Cinza, lançado no fim do ano anterior, e chamou os comparsas Henrick Fuentes, James Ventura e Rodrigo Brandão para ajudar a descrever as diferentes facetas dos coadjuvantes, protagonistas e figurantes da cidade de São Paulo, tema de seu novo disco. Já o trio Elo da Corrente, formado pelos MCs Caio, Pitzan e pelo DJ PG, recebeu o mano Doncezão para ajudá-los a rimar sobre bases e versos criados a partir de pesquisas musicais na história da música popular brasileira, no início de junho do ano passado, numa noite que, mesmo com forte chuva, não foi o suficiente para impedir que o público viesse em peso. Em ambas as noites, longas conversas e bases precisas tornavam o diálogo entre o palco e a platéia quase uníssono e a função dos artistas estava mais para dominar o delírio rítmico imposto à casa do que propriamente liderar ou chamar atenção. Público, DJs e MCs em plena sintonia, as duas apresentações mostraram que o rap paulistano não só já chegou à sua maturidade como só atingiu este nível graças ao amadurecimento também de seu público.