
Adriano e Marina já começam a gravar músicas novas do Madrid e aos poucos vão tornando-as públicas. A primeira é essa “The One”, que liberaram para o Trabalho Sujo, e segue o tom caprichado do primeiro disco. “Gravamos seis músicas, vamos lançar como um EP, vamos soltar uma a uma e quando faltar a última soltamos o EP”, me explicou o Adriano, que ainda contou que a bateria da faixa ficou por conta de Nana Rizinni e a guitarra, por André Henrique. Coisa fina.

Paulo Freire não pode ver o que estamos vendo hoje, mas as anteviu:
“Eu morreria feliz se eu visse o Brasil cheio, em seu tempo histórico, de marchas. Marcha dos que não tem escolas, marcha dos reprovados, marcha dos que querem amar e não podem, marcha dos que se recusam a uma obediência servil, marcha dos que se rebelam, marcha dos que querem ser e estão proibidos de ser… (…) As marchas são andarilhagens históricas pelo mundo; e os Sem Terras constituem pra mim hoje uma das expressões mais fortes da vida política e da vida cívica desse país. Por isso mesmo é que se fala contra eles, e até gente que se pensou progressista. Que fala contra os Sem Terras como se eles fossem uns desabusados, como se fossem uns destruidores da ordem. Não, pelo contrário, o que eles estão é, mais uma vez, provando certas afirmações teóricas de analistas políticos de que é preciso mesmo brigar para que se obtenha um mínimo de transformação. O meu desejo e o meu sonho, como eu disse antes, é que outras marchas se instalem neste país, por exemplo a marcha pela decência, a marcha pela superação da sem-vergonhice que se democratizou terrivelmente neste país. Quer dizer…, eu acho que essas marchas nos afirmam como gente, como sociedade querendo democratizar-se.”
Dica da Jeanne (valeu!).

A Vice americana também fez uma boa matéria sobre o que está acontecendo em São Paulo. Abaixo, um vídeo feito por eles:

“Everything’s gonna be alright…”
A foto é da Vice.

Tudo a ver com o que estamos vivendo.
Dica do Marcelo, valeu! A íntegra da crônica segue abaixo, ele linkou do Recanto das Letras.

Quando a Cat Power apareceu no palco do festival Bonaroo neste fim de semana, saudando Istambul e São Paulo em sua camiseta, deixamos de estar apenas nas notícias para frequentar o imaginário coletivo. A foto é do Pitchfork e a dica foi do Felipe (valeu!).

Uma trilha sonora pra esses dias, que contou com uma pequena ajuda de muita gente.
Jesse Jackson – “I Am Somebody”
Gil Scott-Heron – “The Revolution Will Not Be Televised”
Nina Simone – “Revolution”
Metá Metá – “São Jorge”
Curtis Mayfield – “Power to the People”
Sam Cooke – “A Change is Gonna Come”
Wilson das Neves – “O Dia em que o Morro Descer e Não for Carnaval”
Bob Dylan – “Masters of War”
National – “Fake Empire”
T-Rex – “Children of the Revolution”
Richard Hawley – “Tonight The Streets Are Ours”
Buffalo Springfield – “For What It’s Worth”
Gal Costa – “Divino Maravilhoso”
Beatles – “Tomorrow Never Knows”
Sonic Youth – “Teen Age Riot”
Beastie Boys – “Fight For Your Right to Party”
Paralamas do Sucesso – “Selvagem”
Titãs – “Desordem”
Rage Against The Machine – “Killing in the Name”
Kendrick Lamar – “Bitch Don’t Kill My Vibe”
Primal Scream – “Come Together”
Massive Attack – “Safe from Harm”
Sly & the Family Stone – “There’s a Riot Goin’ On”
Rolling Stones – “Gimme Shelter”
Gilberto Gil – “Marginália 2”
Siba e a Fuloresta – “Pisando em Praça de Guerra”
Tatá Aeroplano – “Tudo Parado na City”
Ronnie Von – “Anarquia”
Martha & The Vandellas – “Dancing in the Streets”
Black Alien – “From Hell Pro Céu”
Ana Tijoux – “Shock”
Major Lazer + Amber Coffman- “Get Free”
Black Lips – “Bad Kids”
Gorillaz – “Dirty Harry”
Clash – “Guns of Brixton”
Bob Marley & the Wailers – “Exodus”

Se alguém quiser traduzir o discurso abaixo, é só postar nos comentários que eu publico aqui. O YCK traduziu (valeu!), segue abaixo do texto original:
“This is a beautiful day.
It is a new day.
it is a day of black awareness, it is a day of black people taking care of black people’s business.
Today, we are together, we are unified and all in accord.
Because together we got power and we can make decisions.Today on this program you will hear gospel, And rhythm and blues, and jazz.
All those are just labels.
We know that music is music.
All of our people have got a soul, our experience determines the texture, the tastes and the sounds of our soul.
We may say that we are in the slums but the slums are not in us.
We may be in prison, but the prison is not in us.
In Watts, we have shifted from, burn-baby-burn to learn-baby-learn.
We have shifted from having a seizure about what the man got, to seizing what we need.
We have shifted from bed bugs and knob picks to community control and politics.
That is why we are gathered today to celebrate our homecoming and our own sense of somebody-ness.
That is why I challenge you now, to stand together, raise your fist, together, and engage in our National Black Litany.
Do it with courage and determination.I am somebody.
I am somebody
I am somebody.
I may be poor.
I am somebody.
I may be on welfare.
But I am somebody.
I may be unskilled.
But I am somebody.
I am somebody.
I am Black, beautiful, proud.
I must be respected.
I must be protected.
What time is it?
Nation time
When we stand, together, what time is it?
Nation time
When we say no more “yessa’ boss,” what time is it?
Nation time.
What time is it?
Nation time
What time is it?
Nation time”
E em português:
“Esse é um dia maravilhoso
é um dia novo
é o dia da consciência negra, é o dia dos negros cuidarem do que é dos negros
hoje, estamos juntos, estamos unidos e todos de acordo
porque juntos nós temos o poder e nós podemos tomar decisões
Hoje, neste programa, você vai ouvir gospel, e R&B, e blues, e jazz
Estes são apenas rótulos
Nós sabemos que música é música
Todos do nosso povo tem uma alma, nossas experiências determinam a textura, os gostos e os sons da nossa alma
Nós podemos dizer que estamos na favela, mas a favela não está em nós
Nós podemos dizer que estamos na prisão, mas a prisão não está em nós
Em Watts, nós mudamos de queime- baby- queime para aprenda-baby-aprenda¹
Nós mudamos de querer o que o homem tem, para querer o que precisamos
Nós mudamos de piolhos e michas para controle e políticas comunitárias
E é por isso que hoje estamos reunidos para celebrar nossa volta ao lar e à nossa noção de ser alguém
E é por isso que eu os desafio agora, a levantarem juntos, erguendo o punho fechado, e se comprometer com nossa oração² nacional e negra
Façamos com coragem e determinação.Eu sou alguém
Eu sou alguém
Eu sou alguém
Eu posso ser pobre
Eu sou alguém
Eu posso receber da previdência social
Mas eu sou alguém
Eu posso ser inexperiente
Mas eu sou alguém
Eu sou alguém
Eu sou negro, bonito e orgulhoso
Eu devo ser respeitado
Eu devo ser protegido
É tempo de que?
Tempo da Nação
Quando nos levantamos, juntos, é tempo de quê?
Tempo da Nação
Quando dizemos não mais “sim, sinhô”, é tempo de quê?
Tempo da Nação
É tempo de quê?
Tempo da Nação
É tempo de quê?
Tempo da Nação
¹ N.T. referência às revoltas em Watts, bairro negro de Los Angeles, de 11 a 17 de agosto de 1965, de caráter racial-político que tiveram quase mil prédios danificados ou destruídos.
² N.T. no original é litania, ou ladainha, mas como pode ser algo pejorativo para alguns, como algo maçante, preferi trocar por oração.
E, abaixo, o filme de onde saiu essa cena, o documentário de 1973 sobre o festival Wattstax (dirigido pelo mesmo Mel Stuart que realizou o primeiro filme da Fantástica Fábrica de Chocolates em 1971). O evento original foi realizado em agosto de 1972 em Los Angeles pela gravadora Stax, em comemoração ao aniversário dos tumultos que aconteceram em 1965 na região de Watts:

O YouPix transformou algumas cenas dos vídeos registrados na longa noite de 13 de junho de 2013 em gifs animados que dão o clima de como estavam as coisas entre o centro e a Paulista. Lá no post original tem mais, inclusive com links pros vídeos de onde essas imagens saíram.

A Meli Mello Press, uma gráfica no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, está imprimindo de graça cartazes em A3 para quem quiser levar no protesto dessa segunda-feira.


Boa iniciativa.