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MacMcCaughan

Mais uma faixa do disco novo de Mac McCaughan, líder do Superchunk que lança seu primeiro disco solo neste sábado, no Balaclava Fest. A faixa “Wet Leaves” tem a participação da Annie Hayden, que era da banda Spent, nos anos 90.

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Falei sobre a renovação das séries Três é Demais e Demolidor no Netflix, que se tornou mais valioso do que a ABC e a Viacom neste início de 2015, em meu blog no UOL http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/22/netflix-ja-vale-mais-do-que-as-maiores-emissoras-de-tv-aberta-e-fechada-dos-eua/

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Duas especulações que haviam sido cogitadas aqui neste blog foram confirmadas esta semana: além da confirmação da nova temporada do seriado Três é Demais, também foi anunciada a segunda temporada da série Demolidor. Os endossos têm a mesma fonte: o serviço de vídeo sob demanda Netflix, que irá produzir e exibir as duas novas temporadas, e chegam ao mesmo tempo em que a marca exibe seus músculos financeiros.

As ações do serviço dispararam no recém-fechado quadrimestre e a marca conseguiu crescer 14,7% nos últimos meses, segundo um relatório divulgado pelo site Deadline. Assim, o preço de mercado do Netflix sobe para US$ 32,9 bilhões, tornando o serviço mais valioso que o canal aberto mais caro dos Estados Unidos (a CBS, que avaliada em US$ 30,6 bilhões) e que a principal produtora de TV por assinatura do país (a Viacom, dona da MTV e do Nickelodeon, avaliada em US$ 28,8 bilhões).

O valor de mercado atingido pelo Netflix, óbvio, não diz respeito apenas às suas produções, que incluem hits como House of Cards e Orange is the New Black e as continuações de seriados que foram cancelados na TV a cabo, como The Killing e Arrested Development. O serviço cresce por oferecer um formato de consumo de conteúdo mais próprio da era digital do que o que é oferecido pelas TVs aberta e por assinatura.

As pessoas lentamente percebem que não precisam estar na frente da televisão num horário pré-estabelecido para assistir ao que querem. O formato sob demanda – que o espectador diz quando quer assistir o quê – ainda tem uma série de problemas para serem resolvidos (quem nunca perdeu vários minutos procurando o que assistir?), mas é irreversível. A TV tradicional só vai ter o monopólio da atenção em eventos ao vivo, sejam esportes ou notícias. E por enquanto.

A esperteza do Netflix, no entanto, está no fato de surfar essa boa onda financeira produzindo conteúdo. Podiam investir no serviço em si, em melhorias na interface, na navegação, em curadorias de filmes e em qualidade de transmissão. Preferem fidelizar seu público aproveitando os dados de audiência que conseguem levantar com mais precisão do que qualquer canal (afinal o espectador só assiste o que quer) e produzem seriados de acordo com o gosto que detectam a partir dos números de suas próprias exibições.

É um comportamento bem diferente de serviços similares em outras mídias. Ainda não ouvimos falar do Spotify bancando discos de artistas, por exemplo, embora a própria Amazon já tenha detectado essa tendência e começado ela mesma a produzir seus próprios seriados. E a colher frutos disso, como foi o caso da série Transparent, que ganhou dois Globos de Ouro (melhor série de comédia e melhor ator de série de comédia) no início deste ano.

E isso é só o começo de uma mudança ainda mais drástica que seguiremos acompanhando nos próximos anos…

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O líder do Superchunk e dono da gravadora Merge Mac McCaughan vem ao Brasil pela quarta vez lançar o primeiro disco que lança com seu próprio nome. O disco Non-Believers também está sendo lançado pelo selo brasileiro Balaclava Records, que organiza seu primeiro festival no Centro Cultural São Paulo com direito a shows dos norte-americanos Shivas, dos brasileiros Shed e Soundscapes, além do show de Mac, que acontece no sábado. Conversei com ele por telefone há alguns dias e a íntegra do papo saiu no site da Ilustrada.

‘Papa’ do indie e líder do Superchunk, Mac McCaughan lança disco em SP

Um dos papas da cultura indie norte-americana apresenta-se em São Paulo no próximo sábado (25). Mac McCaughan, 47, atravessou os anos 1990 como a voz e uma das guitarras do Superchunk, uma das bandas mais autossuficientes do underground. E, ao lançar seus próprios discos, consolidou a reputação de sua gravadora, a Merge, no século atual.

A Merge entrou nos anos 2000 colhendo os frutos plantados na década anterior e atingiu o topo das vendas ao emplacar o grupo Arcade Fire como um dos principais nomes do música pop – e não apenas indie – atual.

A gravadora ainda conta com outros nomes de peso, como Spoon, Caribou e She & Him, além de queridinhos da crítica como M. Ward, Lambchop, Neutral Milk Hotel e Camera Obscura. Sem falar dos veteranos do rock alternativo, como Lou Barlow, Stephin Merrit, Dinosaur Jr. e Robert Pollard.

É nesta última categoria que McCaughan entra para o elenco da própria gravadora, ao lançar o primeiro álbum com seu próprio nome, depois do último disco do Superchunk, “I Hate Music” (2013) e de seu projeto solo, Portastatic.

“Non Believers” acaba de sair nos EUA e será lançado primeiro no Brasil no Balaclava Fest, que acontece neste final de semana (25 e 26) no Centro Cultural São Paulo.

Em entrevista por telefone à “Ilustrada”, Mac falou da quarta vinda ao Brasil – a primeira sem o Superchunk – e da evolução da cena indie no Brasil, além de falar sobre a sonoridade de seu primeiro disco solo e a busca por autenticidade fora da internet. Leia, abaixo, os principais trechos da conversa.

O Superchunk veio ao Brasil pela primeira vez em 1998, quando pouquíssimas bandas indies de fora daqui se arriscavam a fazer turnês no país – algo que se tornou corriqueiro nos últimos 15 anos. Você consegue perceber essa evolução?
É bem interessante notar isso, na verdade. Fomos ao Brasil pela primeira vez graças aos esforços do Jefferson [Santos] e Marcos [Boffa] da Motor Music, que ficava em Belo Horizonte. Eles haviam levado o Fugazi para aí e o Ian [McKaye], falou que a gente precisava ir também, mas devíamos saber que era como excursionar com uma banda punk nos Estados Unidos em 1978. Ele disse que não havia lugares específicos para tocar. Às vezes eram casas de shows de rock, mas às vezes eram restaurantes, cafés, bares, o que fosse. E ele disse que isso era incrível, e é claro que queríamos ir.
Nos sentimos com muita sorte por termos tocado aí da primeira vez, acho que foi em 1998. Voltamos logo em 2000, e depois em 2011. Sempre nos divertimos aí. Estou feliz por ir a São Paulo nesta semana, mas gostaria de voltar e tocar em alguns dos lugares que tocamos há muito tempo, em cidades pequenas, que não são tão pequenas e sim grandes, mas de que eu nunca tinha ouvido falar.
Acho que agora é bem mais comum ter bandas excursionando por aí em todo tipo de festival. Muitas bandas da Merge já tocaram aí desde que nós tocamos no Brasil pela primeira vez. E agora acho que as coisas estão bem mais, digamos, profissionais.
Mas o que nos deixou mais impressionados desde a primeira vez foi o entusiasmo das pessoas em nossos shows. Não tínhamos nenhuma expectativa em relação a saberem nossas músicas, mas as pessoas sabiam todas as letras, basicamente por causa da internet, e isso foi muito cedo em relação ao acesso mundial das pessoas à rede. Foi ótimo.

Você já havia pensado em como a internet poderia mudar a relação entre músicos e fãs?
Acho que uma das primeiras vezes que pensamos nisso foi após o primeiro show que fizemos em São Paulo. Ficamos impressionados porque era tão difícil comprar nossos discos aí e mesmo assim as pessoas sabiam todas as letras. O lado ruim disso é que você pode saber todas as músicas sem nunca ter comprado um disco [risos], o que torna difícil ter uma banda. O mesmo aconteceu há alguns anos, quando voltamos depois que gravamos o disco “Majesty Shredding”.

Por que lançar um disco com seu próprio nome quando você já tem o Superchunk e lançava discos como Portastatic?
Acho que a resposta fácil é que quis tornar as coisas mais simples. Quando comecei a gravar com o nome de Portastatic, o Superchunk estava fazendo seu próprio som. Mas eu queria poder gravar outro tipo de som, em casa, um som mais calmo, fazer coisas diferentes que não eram definidas como sendo de uma banda de rock.
E assim o Portastatic me serviu com o bom propósito de ser uma existência paralela ao Superchunk nos anos 1990 e 2000. E quando o Superchunk parou em 2002, o Portastatic tornou-se uma banda de rock. Mas ainda era um bom lugar para experimentar músicas e sons diferentes.
E, nos últimos anos, quando o Superchunk voltou à ativa, gravando discos e fazendo shows, comecei a fazer apresentações solo com meu próprio nome, porque cheguei num ponto em que posso tocar músicas do Superchunk e do Portastatic, todas misturadas no mesmo setlist.
Acho que sem ter essa regra que adotava, que separava o que era para o Superchunk e o que era para o Portastatic, cheguei a um ponto mais divertido e mais simples para mim se eu as tocasse solo. E se eu estava fazendo shows com meu próprio nome, deveria gravar discos com meu próprio nome também, em vez de continuar com essa coisa à parte do Portastatic.
Resisti a essa ideia por muito tempo, acho que ter um nome de banda é mais cool [risos], mas cheguei num ponto em que eu tenho de aceitar que é o meu nome. Mesmo que ninguém vai aprender a soletrá-lo ou pronunciá-lo corretamente, é o nome que eu tenho.

Quando você começou a gravar o disco?
Comecei a trabalhar nele no ano passado, provavelmente na primavera [do hemisfério norte, entre março e junho], bem no começo. Fui terminá-lo no outono. Gravei e mixei todo o disco em casa, além de tocar tudo exceto em uma música, “Our Way Free”, em que eu não consegui fazer a bateria soar como eu queria que ela soasse.
Tentei diferentes baterias eletrônicas, tentei eu mesmo tocar bateria, mas não estava me sentindo satisfeito e quase tirei essa faixa do disco. Porém, mandei a música para o Michael Benjamin Lerner, da banda Telekinesis, que também grava pela Merg. Perguntei se ele podia ser o baterista naquela música. Ele me mandou de volta um mix em que basicamente havia acertado de primeira. Ele meio que salvou essa música. A Annie Hayden, que era do Spent, e Jenn Wasner, do Why Oak, cantam em uma música.
Mas no fundo era só eu mesmo, o que é um dos motivos para levar tanto tempo em um disco solo, em que você pode trabalhar em seu próprio ritmo. É uma das coisas legais disso. Eu tinha bem mais músicas do que as que acabaram no álbum, mas quando eu entendi qual era o mundo sonoro que eu estava fazendo, tirei as faixas que não se encaixavam nele. Ao fazer discos eu ainda quero ter um sentimento unificado – não que todas as músicas tenham que soar iguais, mas elas têm de funcionar juntas.

Li que você havia gravado o disco falando de uma sentimento nostálgico em relação a uma determinada época na música…
Não é propriamente nostalgia, mas poder explorar um tipo de música que descobrimos a uma certa idade e que ainda tem algum tipo de ressonância ou ainda criam uma emoção a que você ainda se apega. A maioria das coisas que você ouvia quando tinha 14, 15 anos e que ficam por toda a sua vida.

Já ouvi falar que o gosto musical das pessoas amadurece aos 23 anos.
Acho que isso tem uma certa verdade, porque quando eu tinha 23 anos era 1990, mas eu estava ouvindo muitos discos de 1985 em vez dos de 1990 [risos]. Mas acho que o disco explora esse período de tempo do início dos anos 80, quando houve muita transição na música e as pessoas começaram a sair do punk rock para outro lugar, mas eles não sabiam para onde e por isso experimentavam sons e instrumentos diferentes, a que não tinham acesso antes.
Quando eu estou gravando um disco e pego um instrumento que não sei tocar – ou mesmo uma guitarra ou teclado que nunca havia usado –, quase sempre isso funciona como um ótimo ponto de partida para compor uma música . E sinto a mesma coisa em relação a esse período, essa época em que as pessoas tinham essa nova tecnologia, mas não sabiam como dominá-la. E assim muita música interessante foi criada. Era nessa época em que eu pensava quando gravei o disco.

Um tipo de som que não tinha rótulo antes dos anos 1990, que depois começou a ser referido como “alternativo” ou “indie”.
É engraçado, quando eu estava no segundo grau, se referiam a bandas como R.E.M. como sendo “college rock”, porque as rádios college [universitárias] eram os lugares em que era possível ouvir essas bandas. Depois, isso virou “rock alternativo” ou outra coisa do tipo. Mas eu não me importava que nomes teriam, porque nessa época eu vinha ouvindo bandas que ainda gosto, como o The Who, os Rolling Stones, o AC/DC.
Eram essas bandas que eu ouvia quando tinha 12 anos. E quando você começa a ouvir punk rock ou new wave, tudo soava totalmente radical e novo que você não precisava de um nome especial para isso. Era apenas tudo diferente, sabe? Para nós, talvez por morar em uma cidade pequena [o Superchunk é de Chapell Hill, na Carolina do Norte], nunca nos prendemos a um rótulo ou outro.
Gostávamos de tudo: das bandas hardcore, R.E.M., Smiths, New Order. Gostávamos de tudo porque era tudo bem diferente do que tínhamos acesso antes

Mas me referia ao fato de que, antes destes rótulos, os fãs dessas bandas se reconheciam por identidade estética. As pessoas ficavam amigas porque gostavam dos mesmos discos que pouca gente escutava
Sim, era muito importante para a gente, especialmente por viver em um lugar que não era Nova York. Você não podia ir lá ver qualquer banda ou comprar qualquer disco, você tinha que ir lá e descobrir as coisas no boca a boca, como você está falando, por meio de uma comunidade que gostava das mesmas bandas.

Você acha que essa sensação de comunidade que existia antes na música acabou?
Acho que em algum nível isso ainda existe, mas você tem que trabalhar ainda mais pesado para descobrir. Porque tudo está disponível o tempo todo on-line. Então, para descobrir coisas no meio disso tudo, você precisa encontrar pessoas comprometidas com a música, que mantêm um certo entusiasmo por alguma banda. Não acho que tenha desaparecido, acho que só é mais difícil de encontrá-las. De alguma forma isso pode ser expressado on-line, no Tumblr ou no blog de alguém. E tudo bem, mas quando essa comunicação acontece pessoalmente é mais eficaz.

E como você trabalha com isso, sendo dono de uma gravadora?
Temos que usar todas as ferramentas, o que inclui a internet, para encontrar as pessoas que achamos que irão gostar do disco e poderão trazer o máximo de pessoas para aquele trabalho.
Mas gerar esse entusiasmo e essa conexão ainda é algo muito pessoal. Há duas bandas da Merge que acabaram de lançar discos – Waxahatchee e Moutain Goats – e elas são exemplos de artistas que, quando você vai vê-los, percebe que as pessoas que estão os assistindo não ouviram falar da banda num site e foram ver o show.
São fãs, muito leais, muito envolvidos. Ouviram muito os discos, estudaram as letras e tudo mais. Acho que isso é uma emoção importante de manter entre as pessoas engajadas e apoiando artistas e bandas de que gostam.

Para terminar, como é o formato do show aqui em São Paulo? Pode pedir para tocar Superchunk?
O show é basicamente eu sozinho, só que estarei tocando guitarra. Então será um show solo elétrico e eu vou tocar músicas do disco novo e do Superchunk. Provavelmente esta semana vou perguntar para as pessoas no Twitter se elas têm pedidos e vou tentar tocar o que elas querem ouvir. Toco muitas coisas, tanto músicas novas quanto velhas.

BALACLAVA FESTIVAL
Quando sáb. (25) e dom. (28).; Mac McCaughan se apresenta no sábado
Onde Centro Cultural São Paulo – r. Vergueiro, 1.000, Paraíso, São Paulo, tel. (11) 3397-4002
Quanto de R$ 10 (meia) a R$ 20

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A última vez que vi a dupla Thiago Klein e Eduardo Praça, que também atende como o Quarto Negro, eles ainda estavam lançando seu primeiro disco, Desconocidos, gravado em Barcelona, quando fui curador do Prata da Casa do Sesc Pompéia, e bebiam do indie classudo mais próximo do costa leste americana e da Europa. Quase três anos depois daquele show, o grupo está prestes a lançar seu novo álbum, este gravado em Portland, na costa oeste dos EUA, sob os auspícios da banda Helio Sequence e já libera a primeira faixa, chamada apenas de “Ela”, aqui pro Trabalho Sujo. E se ela der o tom do novo disco, batizado de Amor Violento, poderemos esperar uma sonoridade levemente mais eletrônica e dançante que a do primeiro, embora sem fugir do tipo de som que já faziam.

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Pode chorar: Charles Bradley toca em São Paulo nos dias 23 e 24 de maio, na choperia do Sesc Pompéia. Haja soul!

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E dá-lhe “Inside Out”! Semana passada Bon Iver lançou uma versão para a excelente faixa do Spoon e o podcast Song Exploder liberou uma versão demo da mesma faixa, que havia sido dissecada meses antes (além de eu ter aproveitado a deixa para desenterrar um mashup feito com a base da música do ano passado). Agora o Spoon anuncia que “Inside Out” ganhará seu próprio EP digital de remixes e entre novos tratamentos feitos por pelo Dan Boeckner do Operators, Tycho e pelo produtor Brian Reitzell está esse remix feito pelo baterista dos Strokes Fabrizio Moretti, que usa o clássico vídeo “Powers of Ten” do casal Charles e Ray Eames como amparo visual. Ficou massa – e bem anos 80.

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Ao apresentar-se no Sesc Pompeia neste fim de semana, o mestre Guilherme Arantes aproveitou para celebrar uma de suas bandas favoritas – embora muitos não saibam – e mandou esta versão para “The Boy with Thorn in His Side”, dos Smiths, ao piano.

A foto saiu do Instagram dele.

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Lindeza esse disco novo do Unknown Mortal Orchestra – mas ressalto aqui esse hit pra dançar entre os amigos, “Can’t Keep Checking My Phone” fala sobre nossos anseios na aurora de um século inteiro, mas está mais preocupada em chacoalhar esqueletos – e corações.

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E a dupla nova-iorquina The Knocks pegou a mansa “All That” que marca a volta de Carly Rae Jepsen e passou um trato house que deu outra cara pra música.

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Reuni as informações que já saíram sobre o próximo filme do Guerra nas Estrelas lá no meu blog do UOL: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/21/tudo-que-ja-sabemos-sobre-o-novo-episodio-vii-de-guerra-nas-estrelas/

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Desde a súbita aparição do segundo teaser do Episódio VII de Guerra nas Estrelas na quinta-feira passada à confirmação do roteiro, título e data de lançamento de um novo filme da saga que não está na nova trilogia, no domingo, aprendemos uma série de novidades sobre o que esperar dos próximos capítulos da saga idealizada por George Lucas. A convenção Star Wars Celebration, que aconteceu durante o fim de semana na cidade de Anaheim, na Califórnia, trouxe uma série de novidades sobre o futuro dos filmes.

Sabemos que, como a trilogia original, a nova também deve basear-se em um trio de personagens: o ex-Stormtrooper Finn (vivido pelo inglês John Boyega), a catadora de lixo Rey (vivida pela inglesa Daisy Ridley) e o piloto Poe Dameron (vivido pelo norte-americano Oscar Isaac). Reunindo as poucas imagens e informações que foram reveladas sobre o início do filme, o Episódio VII deve começar em um novo planeta chamado Jakku (“vodu é pra jacu”, já nos dizia o Picapau). Deserto como Tatooine, o novo cenário é onde estão os dois enormes cruzadores abatidos revelados no teaser mais recente. Sim, são dois: o que vemos no início do trailer caiu com casco para baixo, enquanto o segundo, que aparece mais ao final, se você reparar está virado com o casco para cima.

Uma cena do novo teaser também mostra um TIE fighter, o caça do Império, atirando contra Stormtroopers, os guardas do mesmo Império. Tudo indica que essa cena está bem no início do filme e pode estar ligada ao fato de que quem pilota o caça TIE é Finn, que apareceu vestido como Stormtrooper, desorientado no deserto no primeiro teaser, lançado ainda no ano passado. Alguma coisa aconteceu com Finn que ele optou por desertar a guarda imperial, roubando um caça e fugindo para longe do Império. De alguma forma seu caça cai no novo planeta e ele encontra-se com Rey, que parece viver coletando sucata das naves imperiais caídas em seu planeta.

Há uma forte especulação que Rey seja não apenas a verdadeira protagonista da nova série, como também a descendente dos Skywalker, que carrega a Força em sua genética. Talvez como Luke Skywalker no Episódio IV, ela não saiba nada sobre sua nobre descendência e tenha passado o início da vida se virando por conta própria. O novo Episódo mostraria como ela descobre que pode ser uma Jedi, ao mesmo tempo que poderia iniciar um romance com Finn… ou Poe.

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Poe Dameron é o piloto que grita a bordo de uma nave no novo teaser. Oscar Isaac, protagonista do filme mais recente dos irmãos Coen (Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum), vive o que parece ser o equivalente de Han Solo nos próximos três filmes. Dameron foi apresentado na convenção do fim de semana descrito por seu próprio ator como sendo “o melhor piloto da galáxia”, o que poderia indicar que o “estamos em casa” dito por Han Solo (Harrison Ford) no final do teaser esteja mais relacionado ao fim de sua aposentadoria do que a chegada em algum planeta (como seu próprio planeta-natal, Corellia) ou à Falcão Milênio. Repare que quando Han Solo e Chewbacca aparecem, eles estão de armas em mãos, prontos para atirar, mesmo que Han sorria como se nada estivesse ocorrendo (típico dele, aliás). Algo aconteceu e o nosso querido Han felizmente saiu de sua reclusão como um velho caubói e possivelmente vai se incomodar ao saber quem alguém lhe tirou o título de melhor piloto por aquelas bandas.

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Luke Skywalker (Mark Hammill) também parece ter sumido de cena, o que explicaria o fato de sua mão biônica, colocada no lugar da que foi decepada no clássico duelo em que Darth Vader revelou ser seu pai, estar sem a pele artificial exibida em todo o Episódio VI.

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A celebração ao final do Retorno de Jedi também não significou o fim do Império. A queda de Darth Vader e do Imperador Palpatine foram uma importante vitória, mas não derrubou a força política que dominava as galáxias. Agora rebatizado de Primeira Ordem, o novo Império apresenta uma nova insígnia e novo desenho tanto para suas naves quanto para os Stormtroppers. A Aliança Rebelde também mudou de nome e agora chama-se Resistência, embora não haja a menor notícia sobre o que poderia ter causado as duas mudanças de nomenclatura.

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O vilão do sabre de luz em cruz que apareceu no primeiro teaser é mostrado de frente neste teaser mais recente. Kylo Ren a princípio foi especulado como sendo um mero caçador de recompensas (o que explicaria o capacete de Darth Vader mostrado no teaser mais recente), mas quando o novo vilão olha para a câmera, ele ergue sua mão como se pudesse usar a Força. Talvez ele não seja apenas um mercenário e sim um sobrevivente da dinastia Sith.

O sabre de luz que vemos trocando de mãos no teaser mais recente é o mesmo que despencou junto com a mão de Luke na melhor cena do Episódio V e poderia ser um dos motivos da aventura ser retomada naquele momento específico. Aparentemente são duas mulheres que trocam a arma: uma delas seria a Princesa Leia (Carrie Fischer) e a outra poderia ser Ren, se não fosse o fato de que nenhuma das duas parece estar usando o traje de Ren nas cenas que já foram exibidas, o que indicaria a participação de uma terceira personagem feminina.

O novo filme ocorre cerca de 30 anos após os acontecimentos de Retorno de Jedi e é meticuloso ao basear-se em detalhes específicos da trilogia favorita dos fãs para que eles sobrevivam e façam sentido nos novos filmes.

Além do Episódio VII, que estreia em todo o mundo no próximo mês de dezembro, a saga ainda terá um novo filme, parte de uma nova série de aventuras chamada Star Wars Anthology. No primeiro destes filmes, Rogue One, que estreará no primeiro semestre do ano que vem, acompanharemos a Aliança Rebelde se infiltrando na Estrela da Morte para roubar os segredos militares da principal arma do Império, em acontecimentos que ocorreriam antes do Episódio IV, que nos apresenta a Luke Skywalker. Mas este seria apenas o primeiro filme de uma série que poderia mostrar vários outros personagens da série clássica em contextos passados ou futuros: a adolescência de Han Solo, o treinamento de Yoda, o destino de Bobba Fett, batalhas específicas das Guerras Clônicas, etc.

Star Wars Celebration também nos apresentou ao Grupo de História, da Lucasfilm, uma divisão criada inteiramente para manter a coesão entre os diferentes aspectos de toda a saga, criando coesão entre filmes, games, livros, quadrinhos, séries de TV (é…) e desenhos animados. A partir disso não é difícil imaginar que além dos quatro filmes já anunciados (os próximos três Episódios e o primeiro Anthology), o time montado por George Lucas já está cogitando um assalto aos cinemas em longo prazo, que pode incluir novos formatos e títulos, como Marvel, DC e tantos outros produtores de conteúdo vêm fazendo – expandindo seu universo para que ele faça sentido em todas as plataformas possíveis.

Aquela história de transmídia que eu vinha falando…