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Como foram os três shows do Cure que assisti em Nova York, em 2011

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Em 2011, pude presenciar três shows da banda de Robert Smith na última vez em que eles tocaram seus três primeiros discos na íntegra. As apresentações aconteceram no suntuoso Beacon Theatre, em Nova York, e como deverão ser as apresentações do grupo na nova turnê sul-americana, os shows tiveram mais de três horas, cada. Na sexta-feira foram 46 músicas, no sábado e no domingo, 48 em cada dia. Os shows saíram da sequência dos três primeiros discos da banda e a formação do grupo ia mudando a cada novo disco: nas músicas de Three Imaginary Boys, de 1979, estavam no palco apenas Bob Smith, Simon Gallup e Jason Cooper; nas de Seventeen Seconds, de 1980, este trio era acompanhado de Roger O’Donnell nos teclados; e quando começaram Faith, de 1981, Lol Tolhurst junta-se ao quarteto tocando teclados e instrumentos de percussão.

A primeira parte dos shows era composta pelos três discos tocados na íntegra. A segunda parte – um extenso bis dividido em três partes – era composto pelos lados B da banda na época destes três discos e, em seguida, literalmente por toda a coletânea Standing on a Beach, de 1986, fora as músicas que extras de cada show (o sábado teve “Do the Hansa” tocada pela primeira vez desde 1979 e o domingo teve “Close to Me”). Mais de dez horas de Cure num único fim de semana memorável, que registrei nos vídeos que posto abaixo e sirvo de aperitivo para o show de amanhã em São Paulo. O primeiro show eu filmei inteiro, o segundo quase todo e, do último, só gravei as três últimas músicas.

Mas o melhor é comparar os setlists daqueles shows e ver o proposto para o Brasil e descobrir que 70% do que vão tocar aqui eu não assisti ao vivo. E preparem-se: mesmo gordo e com o cabelo seco, Robert Smith segue com voz intacta e como um dos maiores guitarristas vivos – e sempre conversando, simpático, com seus fãs.

 

O Cure e a música digital

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Em entrevista ao Calbuque nO Globo, Bob Smith lembrou do papel pioneiro de sua banda ao divulgar as próprias músicas online e aproveitou para criticar a falta de privacidade dos tempos digitais:

“Lançamos “Five swing life”, em 1997, exclusivamente na internet, e sabemos da importância dessa conexão. Nunca pensamos em processar nossos fãs por baixarem nossas músicas. Mas ao mesmo tempo, não fico contando minha rotina por aí. Não acho que seja interessante saberem o que comi pela manhã ou como estou vestido em casa. Sou de uma turma, talvez antiga, que ainda preza muito a privacidade. Pertenço ao público quando estou em cima de um palco e quando estou dando entrevistas, como essa. Fora isso, tenho uma vida bem simples, que gosto de manter fora dos holofotes.”

O resto da entrevista segue nO Globo – e o Calbuque ainda deixou uns extras de fora… A foto que ilustra o post é do Bragatto, no show de ontem do Rio, que resenhado pelo próprio.

Dançando ao som do Velvet Underground nos anos 50

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Alguém no Dangerous Minds encontrou no YouTube uma cena de um programa de TV dos anos 50 daqueles em que vários adolescentes dançam sem parar – só que sem som. E resolveu colocar toda aquela juventude para dançar Velvet Underground, Buzzcocks, Outkast e Cure, entre outras pérolas de décadas seguintes. O resultado – e a lista das músicas usadas – segue abaixo.

 

Cure no Brasil em abril

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Só falta a confirmação oficial, mas tudo indica que o Cure fechou sua passagem pela América do Sul com direito a dois shows no Brasil em abril. Assim, as datas da banda de Robert Smith (que promete shows com mais de três horas) pelo nosso continente ficam assim:

4 – Rio de Janeiro, HSBC Arena
6 – São Paulo, Morumbi
9 – Assunção, Jockey Club
12 – Buenos Aires, River Plate
14 – Santiago, Estádio Nacional
17 – Lima, Estádio Nacional
19 – Bogotá, Parque Simon Bolivar

Teoricamente os ingressos começam a ser vendidos já no mês que vem. Alguém anima acompamhar a banda em turnê?

Robert Smith acústico

O Cure ia começar seu já tradicional (e aguardado no Brasil) show de quase três horas em um festival em Bilbao, na Espanha, quando o equipamento do tecladista Roger O’Donnell deu pau. E quando a parte técnica estava sendo resolvida, nosso amigo Bob Smith pegou um violão, foi ao microfone e disse “enquanto consertam, vou tocar algo pra vocês” antes de começar a tocar “Three Imaginary Boys”, “Fire In Cairo” e “Boys Don’t Cry” em versões acústicas. Olha só:

De chorar. Depois rolou o show inteiro, normalmente, e o setlist ficou assim:

“Three Imaginary Boys”
“Fire In Cairo”
“Boys Don’t Cry”
“Open”
“High”
“The End of the World”
“Lovesong”
“Sleep When I’m Dead”
“Push”
“In Between Days”
“Just Like Heaven”
“From the Edge of the Deep Green Sea”
“Want”
“Pictures of You”
“Lullaby”
“The Caterpillar”
“The Walk”
“Play For Today”
“A Forest”
“Primary”
“Bananafishbones”
“Shake Dog Shake”
“The Hungry Ghost”
“Wrong Number”
“One Hundred Years”
“End”
“The Same Deep Water As You”
“Dressing Up”
“The Lovecats”
“The Blood”
“Just One Kiss”
“Let’s Go To Bed”
“Friday I’m in Love”
“Doing the Unstuck”
“Close To Me”
“Why Can’t I Be You?”
“Boys Don’t Cry”

Assisti ao Cure ao vivo em Nova York, no ano passado, num dos melhores fins de semana da minha vida, e fiz um monte de vídeos, dá uma sacada. Quem vai trazer pro Brasil?

O meu Planeta Terra 2012

Um exercício de especulação

A essa altura do ano passado, o festival Planeta Terra não só já havia anunciado parte de seu elenco, como os ingressos haviam sido esgotados. Até agora, o máximo de especulação que eu ouvi falar foi que talvez o Hot Chip viria. Por isso, acho que está na hora de começar a cogitar o que pode vir por aí no maior festival de indie rock do Brasil.

Porque o Terra está numa encruzilhada. Depois do sucesso dos Strokes no ano passado (que fizeram os ingressos do festival esgotar em menos de um dia), há uma expectativa de que isso possa se repetir este ano. Não que o fenômeno dos Strokes seja único; há artistas que poderiam repetir o bom desempenho de bilheteria sem que o festival necessariamente caia no mainstream, mesmo porque o mainstream de hoje em dia tem um pezinho no indie. Nomes como Arcade Fire, Killers, Wilco, Arctic Monkeys ou Adele (no limite) poderiam fazer os ingressos se esgotarem bem mais rápido que nas edições anteriores à dos Strokes (que tiveram descontos de lotes e ficaram meses à venda).

O problema é que não é simples assim. A curadoria de um evento deste porte esbarra em obstáculos como agenda, cachê e disponibilidade dos artistas, além de compatibilidade com o gosto dos patrocinadores. E aí pode ser que o festival derrape: ao tentar garantir um nome de peso próximo ao dos Strokes, pode optar por deixar de ser um evento indie e ir para o escalão acima, onde o SWU e o Rock in Rio se engalfinham em torno de bandas que tocam no rádio e artistas cuja carreira terminou há mais de vinte anos, embora não tenham percebido ou consigam sobreviver com clássicos. Ou seja: um festival puramente comercial. O que seria uma pena, afinal o grande trunfo do Terra é justamente manter-se indie, trazendo artistas que nem tem disco lançado no Brasil na hora em que eles estão começando a acontecer no exterior.

E como sonhar não custa nada, faço aqui a lista do que seria um Planeta Terra perfeito para mim. Claro que apenas metade de um dos palcos que cogitei já deixaria o festival emocionante, mas resolvi partir pra utopia mesmo, misturando meu gosto musical com a vontade de ver (ou rever) determinados artistas ao vivo.

Assim, o palco indie começaria como…


…Bonifrate…


…depois teríamos o Silva…


…o Teen Daze faria aquele showzinho pré-por do sol…


…o Chromatics tocaria durante o por do sol…


…o Suede entraria pelas 20h…


…seguido do Pulp…


…e terminando com o Xx, antes da meia-noite.

Enquanto o palco principal ficaria com…


…Rosie & Me…


…Cícero…


…o Metronomy ao cair da tarde…


…o Girls no por do sol…


…Hot Chip à noitinha…


…seguido do Spiritualized…


…passando pelo Wilco…


..e culminando com Cure.

Tá bom, não? E você, o que sugere?