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Curadoria

Apesar do título lúdico beirando o juvenil, o espetáculo Planeta Antiguinho, que Luli Mello e Leo Bergamini apresentaram nesta segunda-feira no Centro da Terra, apontava para um horizonte nada diminutivo, entre canções cheias de melancolia e reverência à tradição da canção brasileira. Tocando músicas próprias em quase toda a apresentação, os dois permaneceram sozinhos quase o tempo todo no palco, entrelaçando suas vozes – o tom grave de Luli envolve perfeitamente o timbre tenor de Leo – ao onipresente e delicado violão do vocalista, que por vezes era acompanhado do violão da cantora. Entre as canções, os dois recitaram textos que reforçavam o clima desiludido e existencialista da noite, que ainda contavam com as projeções vintage de Rosa Albergaria, que ajudou a deixar a noite ainda mais intimista e solta no tempo. Os dois ainda saíram de frente dos microfones por duas vezes para cantar sem amplificação na beira do palco e só saíram do repertório próprio quando arriscaram – lindamente – apenas a emocionante “Olhos nos Olhos”, de Chico Buarque. Só no final da noite que os dois tiveram companhias, primeiro com Miguel Marques assumindo o piano para acompanhar os dois violões e depois, quando Miguel assumiu a flauta, receberem o percussionista Rafael Sarmento e fecharem a bela apresentação com um frevo triste assinado por Leo. Foi tudo bem bonito, selando uma parceria que ainda vai render bastante…

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Quase no final de setembro, trazemos uma estreia para o palco do Centro da Terra, quando a dupla de cantores e violonistas Luli Mello e Leo Bergamini desfilam suas canções num espetáculo intimista que vêm preparando em apresentações menores, misturando canções e palavras. Integrantes da banda Boia, os dois estudam música na Unicamp e o convívio no bairro de Barão Geraldo os aproximou para criar este Planeta Antiguinho, em que mostram suas próprias canções, inspiradas na MPB dos anos 70 mas também na tradição da canção brasileira que remonta há mais de um século. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão esgotados.

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Linda a apresentação que Lea Taragona fez nesta terça-feira no Centro da Terra, quando trouxe o novo repertório de seu projeto solo Dibuk ancorado por uma banda azeitadíssima formada por Elke Lamers no baixo, Vitor Wutzki tocando violoncelo e Guilherme Paz na bateria. No espetáculo Uivo, ela pode reger seu pequeno e forte conjunto a partir de seu violão minimalista e sua bela voz, puxando melodias que podiam ser mínimas e delicadas ou intensas e expansivas, contando com o silêncio tácito do público cúmplice, que deixava canções escorrerem de uma para outra sem a interrupção das palmas, mantendo o clima reverente e apreensivo por toda a apresentação, que ainda contou com o belo desenho de luz – por vezes noturno, outras solar – de Cyntia Monteiro.

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Dibuk: Uivo

Satisfação receber nesta terça-feira, o projeto Dibuk, idealizado pela cantora, compositora e artista sonora Lea Taragona, que exercita canções que deverão estar em seu terceiro disco. Como ela mesma explica, o espetáculo Uivo traz canções de ninar ruínas, cantigas de roda e folk livre minimalista em que ela entrelaça voz, violão, eletrônica e palavra. Influenciada por Svitlana Nianio, Öldrich Janota, Walter Franco e Brannten Schnüre ela apresenta-se ao lado de Elke Lamers (baixo), Vitor Wutzki (violoncelo) e Guilherme Paz (bateria). O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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João Barisbe terminou em grande estilo sua temporada Turismo Inventado no Centro da Terra, quando trouxe músicos que participaram de outras apresentações reunidos em uma mesma pequena orquestra para visitar as canções que apresentou nestas quatro segundas-feiras. O clima desta última noite, que teve lotação esgotada, foi ainda mais suntuosa que os outros concertos e além de reunir Thais Ribeiro, Guizado, Helena Cruz, Filipe Nader, Biel Basile, Beto Angerosa, Gabriel Milliet, Pedro Abujamra e Loreta Colucci, encerrou a leva de shows com sua épica “Cometa Javali’, que funcionou como música-tema da temporada, com a última vocalista elevando ainda mais o volume e o nível de tudo, para deleite do público. Obrigado João, foi maravilhoso!

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De volta ao cinema

Muito bom ver Luíza Villa crescer entre as duas apresentações que fizemos no Belas Artes dentro da sessão Trabalho Sujo Apresenta. Quando ela estreou seu tributo a Joni Mitchell na sala do cinema da Consolação, em novembro de 2023, ela fazia sua estreia solo ao mesmo tempo em que sua homenageada completava 80 anos e eu ressuscitava essa sessão (que antes da pandemia acontecia na Unibes Cultural) em versão audiovisual. Por isso, ao retornar ao cinema com dois anos de desenvolvimento de sua carreira autoral, que pode, a partir de sua homenagem à Joni, ganhar corpo e desenvolvimento, teve um gosto especial. Ainda mais quando a apresentação reunia muitos pontos de sua curta carreira. Ao ser acompanhada por dois integrantes de sua banda Orfeu Menino (Pedro Abujamra nos teclados e Tommy Coelho na bateria), ela seguiu fiel à Marcella Vasconcellos, baixista com quem fez todos seus seus shows solo (ou “sous sholos”, como ela zoa) desde que ela deixou de apresentar-se apenas com o violão e trouxe a convidada Lalá Santos para brilhar com seu clarinete em quase a metade da noite, além de contar com os visuais da amiga Olívia Albergaría, que fez os vídeos do primeiro show da Joni. O show foi quase todo autoral à exceção de sua versão acústica para “Both Sides Now”, música que batiza o show tributo e que, por questões técnicas (a bateria do violão elétrico arriou minutos antes do show começar), preferiu tocá–la sem eletricidade, nem amplificação no instrumento nem microfone em sua voz, mostrando, na prática, o quanto ela cresceu neste anos. Vambora Villa!

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Chamei a Luíza Villa para participar de mais uma sessão Trabalho Sujo Apresenta no Cine Belas Artes, dia 18 de setembro, a partir das 20h30, desta vez tocando suas próprias canções. Villa foi a artista que inaugurou a série de shows que faço no cinema desde 2023, mas com o show que fizemos juntos em homenagem a Joni Mitchell. Dessta vez, ela vem mostrar seu próprio repertório misturando MPB, jazz brasileiro, música pop e folk music, acompanhada do tecladista Pedro Abujamra, do baterista Tommy Coelho, da baixista Marcella Vasconcelos e da clarinetista Laura Santos, além de mostrar músicas de Milton Nascimento, Joni Mitchell e Jorge Drexler. Os ingressos já estão à venda.

Munido apenas de sua guitarra e alguns synths, Fabio Golfetti nos conduziu às suas viagens sonoras – que expandem e retraem – nesta terça-feira no Centro da Terra, quando apresentou seu espetáculo solo Música Planante pela primeira vez – e sozinho no palco, diferente do que tem pensado para seguir em frente, quando tocará as mesmas músicas que mostrou com a banda que gravou seu único disco solo, lançado em 2022, chamado Songs and Visions. Além das canções deste disco, também passeou por composições solo que remontam aos anos 90 (quando ainda apresentava-se como Invisible Opera, mesmo tocando sozinho), sua onipresente versão para “Tomorrow Never Knows” dos Beatles e músicas dos grupos em que hoje toca, como o Gong e seu Violeta de Outono, de quem tocou “Declínio de Maio” somente com voz e guitarra, para emendar com a clássica instrumental “Telstar”, surf music britânica que o pioneiro eletrônico Joe Meek compôs para festejar o lançamento do primeiro satélite britânico ao espaço (que batizou a canção), no início dos anos 60. Uma viagem…

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Um prazer receber nesta terça-feira no palco do Centro da Terra, um dos principais nomes do rock progressivo brasileiro, o guitarrista Fabio Golfetti. Mais conhecido por seu trabalho no grupo psicodélico paulistano Violeta de Outono ou como atual guitarrista do grupo inglês Gong, ele há anos cria e toca obras sozinho com seu instrumento, indo para além do formato canção, explorando texturas atmosféricas num espetáculo intimista que apresenta pela primeira vez com o título de Música Planante. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Terceira segunda-feira da temporada que João Barisbe está fazendo este mês no Centro da Terra e desta vez seu Turismo Inventado nos conduziu às mesmas canções que apresentou nas duas outras noites – quando foi acompanhado primeiro de sopros e depois por cordas – desta vez puxando o naipe de percussão. E assim, acompanhado de Charles Tixier na bateria, Beto Angerosa nas percussões, Pedro Abujamra no piano e Arthur Decloedt no contrabaixo acústico, João, com seu sax, guiou uma noite de ritmo e pé no chão que quase sempre partia do jazz funk para novos lugares musicais que explorava à entrada ou solo de cada músico no palco. Além destes, João pode contar com dois vocalistas – que também tocaram guitarra em suas participações -, que, mais que conduzir canções, soltaram palavras e textos que, musicados, tornavam-se canções, mas que habitavam mais a prosa poética do que letras de música. Primeiro veio Pedro Pastoriz, conjecturando sobre conexões feitas entre pessoas na terra e no céu (literalmente, a partir de aviões), seguido mais tarde por Sophia Chablau, cuja poesia cantada nos levava a cidades reinventadas em suas rotinas, até finalmente concluir a terceira noite destas apresentações com a épica “Cometa Javali”, que veio pela segunda vez com letra e, como as outras incursões vocais da apresentação, nos induzia à literalidade das descrições para mais uma vez nos soltar no abismo de imaginação e possibilidade, amarrando tudo para a próxima segunda-feira, última noite da temporada, quando o maestro reúne os naipes que trouxe nas primeiras noites em sua própria pequena orquestra. Vai ser imperdível.

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