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Curadoria

Vocês querem festa? Então toma! Nessa quinta-feira inauguro mais um puxadinho da minha zona de influência como parte das comemorações dos cinco anos de vida do sensacional Picles, que acabou de ser reformado e apresenta sua nova cara ao público nesta semana de aniversário. Inferninho Trabalho Sujo é uma festa quinzenal em que faço todo mundo dançar logo depois de uma das atrações da noite, o show de uma banda, essa espécie em extinção. E começo com um grupo exemplar desta nova safra, os queridos Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo que acompanho desde antes do primeiro single. Às vésperas de lançar seu segundo álbum, o grupo faz um dos últimos shows de seu disco de estreia e sintoniza a frequência dessa minha nova onda, de fazer o lugar queimar de tanta música. E quem chamei pra ferver a pista é a comadre Francesca Ribeiro, a Fran, que repete a divisão de MP3 que fizemos naquele baile de carnaval no Cortina. O Picles fica na Cardeal, 1838, e quem chegar até às 21h não paga pra entrar (quem chegar depois, paga R$ 25). Bora?

Encerrando a minitemporada Notas e Sílabas nesta terça-feira no Centro da Terra, o trio Atønito recebeu Luiza Lian para uma celebração ecumênica de música e poesia. Como explicou o saxofonista Cuca Ferreira no meio da apresentação, a relação de Luiza com o trio vem desde antes da pandemia, quando ela participou do segundo disco do grupo, Aqui, mas nunca pode cantar a faixa que dividiu com os três num palco – até essa semana. Além de passear pelo próprio repertório e por músicas do Azul Moderno de Luiza (como “Sou Yabá”. “Pomba Gira do Luar” e a faixa-título do disco de 2018), o grupo tocou pela primeira vez a suíte “Sentido”, num improviso em que o sax de Cuca, o baixo de Ro Fonseca, a bateria de Priscila Brigante e a voz de Luiza num amálgama sonoro intenso, uma febre de jazz de culminou a apresentação.

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Só um semitom

Na segunda noite da temporada Mil Fitas que Sue e Desirée Amarantes estão fazendo às segundas-feiras no Centro da Terra, a violinista e produtora Desi tomou conta do palco ao recriar no Centro da Terra o clima de sua garagem estúdio, onde toca com o casal vizinho Carabobina – Raphael Vaz nos synths e vocais e Alejandra Luciani nos synths, efeitos e guitarra-, convidando a violoncelista Fer Koppe para uma hora de imersão em camadas de dream pop com sensações camerísticas. E no espírito de experimentação da temporada, Desi não só tem matado saudade dos palcos com suas próprias músicas, de onde estava distante há tempos, quanto arriscou-se a cantar, puxando um transe a partir de um metamantra: “Parece o Thom Yorke, mas é só um semitom”, cantou repetidas vezes ao piano antes de entrar na parte final da apresentação deste início de semana. A contribuição de Sue desta vez não foi musical e a produtora projetou imagens sobre os quatro músicos no palco, amarrando ainda mais o clima psicodélico e onírico da apresentação.

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Nesta quarta-feira acontece a última exibição de um filme no Centro da Terra antes da realização da edição deste ano do festival de documentários In Edit (cês viram que saiu a programação completa? Depois comento aqui), com quem firmamos esta parceria no início do ano. E para fechar esta fase, o filme escolhido foi Manguebit, de Jura Capela, que conta a história de um dos movimentos mais importantes da música brasileira nos últimos 50 anos, que não apenas lançou a geração de artistas como Chico Science & Nação Zumbi, Otto, Mundo Livre S/A, Mestre Ambrósio e Karina Buhr, como influenciou cenas locais de todo o país a valorizar a sua própria cidade. Com entrevistas com todo mundo que esteve envolvido com o movimento e cenas de arquivo maravilhosas, o documentário é uma introdução perfeita àquela transformação cultural e o melhor documento sobre aquele período já feito. O filme começa a ser exibido a partir das 20h, os ingressos podem ser comprados neste link e o trailer pode ser visto abaixo: Continue

Depois do pesadelo

A primeira apresentação da minitemporada que o Atønito está fazendo no Centro da Terra não apenas brincou com comunicação na música instrumental (como é a premissa dos dois shows, batizados Notas e Sílabas), como também apontou para os novos rumos do trio formado por Cuca Ferreira, Ro Fonseca e agora Priscila Brigante. Como explicou o saxofonista no meio do show desta terça-feira, o grupo foi fundado em 2016, quando começamos a entrar no pesadelo que assolou nossos últimos anos e sua motivação artística era uma resposta à carga pesada desses dias, o que deu a tônica da primeira metade do show, impecável. A segunda metade parte de uma nova fase do grupo, que passa a compor sem o clima trágico dos anos passados e para isso convidou o guitarrista Lucio Maia para juntar-se ao grupo e inspirá-lo para novos horizontes. E na semana que vem quem conduz a segunda parte do show é Luiza Lian.

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Quem toma conta das próximas terças-feiras no Centro da Terra é o trio instrumental Atønito, formado pelo saxofonista e pelo baixista Ro Fonseca e que agora conta com a baterista Priscila Brigante como convidada. Os três brincam, em duas terças-feiras, com os limites da música sem voz e sua capacidade de comunicação na minitemporada Notas e Sílabas, em que a cada apresentação convidam um artista diferente para desbravar este questionamento: na primeira terça-feira, dia 6, o convidado é o guitarrista Lúcio Maia e na semana que vem, no dia 13, quem sobe ao palco com o trio é a cantora Luiza Lian. As apresentações começam pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Bem bonita a primeira apresentação que Desirée Marantes e Sue fizeram na abertura de sua temporada no Centro da Terra. As duas tocaram temas de suas respectivas autorias revezando-se entre os instrumentos que dominam – Desi disparando efeitos, tocando violino, synths eletrônicos e piano; Sue entre os beats e a guitarra elétrica – e abrindo espaço para as intervenções de suas convidadas de hoje: Dharma Jhaz trocando diferentes instrumentos de sopro (flautas e sax), além de rimar, e Carol Costa com suas texturas visuais projetadas enquanto elas construíam, sempre juntas, paisagens musicais que nos envolviam em uma sensação, ao mesmo tempo acolhedora e incômoda (com as estátuas de gesso que espalharam pelo teatro), com temas se entrelaçando quase sempre em longas incursões instrumentais.

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Que beleza poder juntar dois talentos que acompanho há um tempo para desenvolver uma temporada autoral conjunta. As produtoras e multiinstrumentistas Sue e Desirée Marantes começam sua temporada Mil Fitas nesta segunda-feira no Centro da Terra, sempre reunindo artistas para criar paisagens sonoras a partir de diferentes abordagens. Nesta primeira segunda, dia 5, as duas mostram suas composições solo ao lado das também multiartistas Dharma Jhaz e Carol Costa. Na próxima, dia 12, elas recriam a garagem da Desirée, que também é um estúdio, com as participações dos vizinhos Carabobina (o casal Alejandra Luciani e Rafael Vaz) e de Fer Koppe, quando Sue assume as projeções da noite. Na terceira segunda mês, elas reúnem a Mudas de Marte Improvise Orquestra trabalhando o conceito de improviso conduzido com uma galera da pesada Ricardo Pereira, Romulo Alexis, Bernardo Pacheco, Natasha Xavier, Guilherme Peluci, Kiko Dinucci, Paola Ribeiro, Sarine, Gylez, entre outros a confirmar. A temporada termina dia 26, quando as duas tocam ao lado da banda Ema Stoned, da produtora e musicista Saskia e o do guitarrista dos Boogarins Dinho Almeida. As apresentações começam pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados por este link.

Encerrando a programação do Centro da Terra em maio, nesta quarta-feira exibiremos mais um filme graças à parceria com o festival de documentários In Edit, cuja 15ª edição acontece no mês que vem. E o objeto deste longa de 2013 é o artista que o batiza: o filme de Marco Abujamra disseca a importância deste símbolo do século 20 no Brasil – autor, dramaturgo, compositor e ator, ele vive na cabeça de milhões de brasileiros graças às canções que compôs – sem que muitos nem sequer saibam quem é seu autor. O filme reúne depoimentos de velhos compadres e comadres como Lima Duarte, Beth Mendes, Nelson Sargento, Gracyndo Jr., Tony Ramos e Maria Beltrão, além de versões de poemas do autor musicadas por Lenine e Arnaldo Antunes. O filme começa a ser exibido a partir das 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Debutante

Casa lotada para assistir à primeira apresentação solo de Manuela Pereira, que misturou dramas da adolescência com o fato de ter participado de um reality show com canções que pintavam à medida em que as cenas surgiam. Epifanias Noturnas – O Show é, na prática, uma peça musical em que a atriz destila seus medos e inseguranças usando canções como veículo, com uma trilha sonora hábil para entretê-la no palco – ao mesmo tempo em que ela conecta-se com o público através da música. Tomara que entre logo em cartaz.

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