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Curadoria

Nem vou entrar em detalhes sobre o calor da pishteenha que eu e Fran aquecemos nessa madrugada porque quem tá frequentando o Inferninho Trabalho Sujo tá vendo que nosso trabalho é sério e não deixa ninguém parado, mas é preciso deixar registrado a explosão de energia que foi o primeiro show da banda mineira Varanda em São Paulo. Habitando aquele lugar impreciso entre o rock clássico e a MPB, o quarteto está pronto e em ponto de bala para conquistar palcos Brasil afora, com o trio instrumental formado pelo baixista Augusto Vargas, o baterista Bernardo Merhy e o guitarrista Mario Lorenzi entrelaçado o suficiente para permitir que sua vocalista, a apaixonante Amélia do Carmo, conquiste o público sem parecer que está se esforçando pra fazer isso. E além de dar aquele tchauzinho para o Sidney Magal (numa versão intensa para “Meu Sangue Ferve por Você”)) o grupo encerrou a apresentação convidando Laura Lavieri para juntar-se a eles nos vocais do primeiro single, a contagiante “Gostei”. Terminaram sem fazer bis e fazendo todo mundo se perguntar quando é o próximo.

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Mais uma festa no Picles e desta vez o Inferninho Trabalho Sujo recebe a presença da banda mineira Varanda, em sua primeira apresentação em São Paulo – e quem for vai lembrar-se deste momento, acredite. Mais festa minha com banda tocando ao vivo no sobrado-resistência no coração daquele bairro canteiro de obras que vai se tornar um novo Itaim – e quem chegar até às 21h não paga pra entrar. Depois do Varanda, mais uma vez eu e a querida Francesca Ribeiro derretemos quadris e corações com hits pra ninguém ficar parado – e você sabe que ninguém fica! O Picles fica na Cardeal, 1838, e – de novo – quem chegar até às 21h não paga pra entrar (quem chegar depois, paga R$ 25). Simbora!

Bem bonita a apresentação que Rodrigo Coelho fez nesta terça-feira no Centro da Terra, ao conduzir, entre sintetizadores e um piano, sua peça Six Sines, tocada pela primeira vez ao vivo. Trabalhando entre camadas horizontais de texturas e ciclos sintéticos que se sobrepunham, o compositor foi conduzindo o público por uma paisagem ao mesmo tempo solitária – como ele mesmo no palco – e intensa, devido à quantidade de informações que reunia enquanto disparava os samples que havia preparado. Ele ainda aproveitou a parte final do concerto, quando não contava mais com as projeções feitas por Fernando Velázquez e Leticia RMS para mostrar algumas novas peças que vem trabalhando.

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Cøelho: Six Sines

Satisfação receber mais uma vez Rodrigo Coelho no palco do Centro da Terra nesta terça-feira, quando apresenta um trabalho com nova identidade – Cøelho – sozinho no palco. É a primeira vez que apresenta o espetáculo audiovisual Six Sines, que compôs sem usar instrumentos musicais, apenas sobrepondo filtros binários simples que ganhavam complexidades a partir destas superposições. Ele apresenta esta peça com sintetizadores modulares e piano, além de ter os gráficos feitos pelos artistas Fernando Velázquez e Leticia RMS ilustrando essa apresentação ao vivo. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Só as duas

Maria Beraldo começou bem sua temporada Manguezal no Centro da Terra ao apostar num encontro que estava mais à vontade – ao receber a comadre Mariá Portugal, com quem toca no Quartabê e já fizeram tantas coisas juntas, ela sabia que estaria mais tranquila mesmo que para correr riscos. E atravessou quase uma hora de espetáculo alternando entre clarone, clarinete e guitarra elétrica sentada de frente à amiga, em sua bateria, trabalhando diferentes instrumentos de percussão – e vocais. As duas engalfinharam suas vozes entre gritos e sussurros que passearam entre suas próprias canções (como quando misturaram “Petróleo” de Portugal com “Tenso” de Beraldo) e algumas alheias, como “Vaca Profana” eternizada por Gal Costa e uma conveniente e radicalmente desconstruída “Como Nossos Pais”, de Belchior. Uma noite de tirar o fòlego.

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Prazer enorme receber Maria Beraldo para sua temporada no Centro da Terra, que toma conta do palco do teatro do Sumaré a partir desta segunda-feira até o final de julho. Em Manguezal ela recebe chapas e comparsas em fusões de diferentes ecossistemas – daí o título da temporada, esta vegetação que funciona como palco para o encontro de águas, floras e faunas, que ela se refere como berçário do mar. A cada nova segunda ela recebe diferentes convidados para aproveitar o momento de transição entre seu disco de estreia e o próximo álbum, que vem burilando há tempos. Ela começa convidando a irmã Mariá Portugal para uma noite de improviso nessa primeira apresentação, dia 10, e na semana seguinte recebe a maravilhosa Josyara para um tributo a Cássia Eller, no dia 17. Depois, dia 24, ela envereda pelo pagode ao lado do compadre Rodrigo Campos e encerra a temporada no dia 31, reunindo os chapas Marcelo Cabral e Lello Bezerra para mostrar algumas canções inéditas. As apresentações acontecem sempre às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

Muito à vontade

Tila parecia nervosa mas no início da apresentação que fez nesta terça-feira no Centro da Terra, mas era só a apreensão natural de chegar no palco. Logo na segunda música de seu espetáculo Estelar ela já estava bem mais à vontade e foi ficando cada vez mais tranquila, deslizando sua voz macia entre músicas próprias e algumas alheias pinçadas a dedo, evidenciando a natureza feminina de sua apresentação: uma de Sílvia Machete (“Toda Bêbada Canta”), outra de Anelis Assumpção (“Eu Gosto Assim”), uma de Letícia Novaes nos tempos do Letuce (“Potência”) e ma música que Rita Lee compôs para Gal (“Me Recuso”), além de três do Péricles Cavalcanti (duas eternizadas por Gal, “O Céu e o Som” e “Quem Nasceu?”, e uma por Caetano, “Blues”). Acompanhada do trio Julio Lino, Yara Oliveira e Rafael Acerbi (este último também na direção musical da apresentação), ela ainda contou com a presença da diva Izzy Gordon, que ainda cantou uma música inédita de seu próximo disco. Começou bem.

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Tila: Estelar

No início de sua carreira autoral, a cantora paulista Tila teve este processo interrompido no início do período pandêmico e aos poucos volta a retomar este trabalho. Estelar é um espetáculo concebido a partir de seus três primeiros singles (um deles produzido por Gustavo Ruiz e participação da saxofonista Suka Figueiredo) que aos poucos darão a forma de um álbum, que ainda está em processo de composição, concebido em parceria com o Rafael Acerbi, que também toca com ela e faz a direção musical desta apresentação. Mesclando músicas próprias com versões de outros artistas, ela mistura samba, samba rock e música pop com referências da música contemporânea brasileira e chama a diva Izzy Gordon para fazer uma participação neste show. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados com antecedência neste link.

Dentro do espelho

As duplas Antiprisma e Retrato provocaram uma imersão no Centro da Terra com seu espetáculo Reflexvs, quando contraporam suas duas características musicais a um conceito criado para mostrar a natureza dual do encontro dos dois grupos, que tocam como uma mesma banda mas mudam de cara quando assumem suas respectivas personalidades. Este conceito foi descrito pelo poeta Rodrigo Qohen, que narrou a primeira parte da apresentação com uma máquina de escrever enquanto cada uma das duplas apresentava-se sentada no chão do palco, apresentando suas características específicas Elisa Moreira e Victor José, do Antiprisma, puxaram para o folk e para o rock psicodélico, enquanto Ana Zumpano e Beeau Gomez, o Retrato, optaram pelo noise misturado com eletrônica. Na segunda parte da noite, Ana assumiu a bateria e Beeau foi para o baixo, formando a base do Antiprisma, que mostrou suas novíssimas canções pela primeira vez no palco – por vezes com instrumentos acústicos e em outras elétricos. Depois José assume o baixo e Beeau volta para a guitarra, enquanto Elisa segue na guitarra, mas deixa de cantar, deixando os vocais com o guitarrista e a baterista, mostrando as músicas do primeiro disco do Retrato. Uma apresentação conjunta que serviu para os dois grupos entenderem suas semelhanças e diferenças enquanto faziam isso na frente de todo mundo, contando com participações de outros músicos, como os sintetizadores de John Di Lallo, o contrabaixo acústico de Zé Mazzei e o violão e voz de Benti.

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Começamos o segundo semestre no Centro da Terra reunindo no mesmo palco duas bandas que já têm uma conexão univitelina, mesmo que nasceram em épocas diferentes. A Antiprisma já está na estrada há tempos e temos a inglória lembrança de termos desmarcado um show às vésperas da trágica pandemia que abateu-se sobre nós em 2020. Já o Retrato é novíssimo e está começando a lançar seus primeiros fonogramas no mundo. A conexão entre as duas bandas é que o casal Elisa Moreira e Victor José, que forma o Antiprisma, acompanha a dupla Ana Zumpano e Beeau Gomez, que forma o Retrato, como integrantes de sua banda e vice-versa. Foi a partir desta costura que os dois grupos inventaram o espetáculo Reflexvs, que mostram nesta segunda-feira no Centro da Terra, quando aproveitam a misturar suas formações com outras disciplinas, ao reunir Raquel Diógenes nas projeções, Debbie Hell com performances que incluem tinta e papel e o poeta Rodrigo Qohen, que narra os atos na dois, além da presença de John Di Lallo, que toca sintetizadores com os dois grupos e mostra seu próprio trabalho solo, e outras possíveis surpresas. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados através deste link.