
Na quinta, dia 21, o Picles vai fritar com uma edição eletrônica do @inferninhotrabalhosujo, quando reunimos duas duplas que se apresentam pela primeira vez na festa. A noite começa com o duo Pão de Ló, experimento de fritação synth formado por dois lokis da Tubo de Ensaio, Lorenzo Zelada e Lorena Wolthers, que mergulham nos sons sintéticos pra todo mundo viajar bonito. Depois é a vez de outro experimento elétrico, mas formato por beats, efeitos e guitarra, quando o guitar hero Lello Bezerra une forças com o produtor Charles Tixier, que fazem todos dançar com seu recém-formado Canaflash FX, em que grooves latinos sintéticos misturam-se com riffs em loop e não deixam ninguém parado! E depois dos dois é a vez de eu e a Fran seguirmos com a pista de dança até altas madrugadas. Lembrando que quem pegar o ingresso online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar! Vamos?

Verséculos não é apenas o nome do reencontro de André Abujamra e Chicão – que já haviam trabalhado juntos no espetáculo Omindá, do primeiro e sempre se esbarraram pelos bastidores da vida -, mas batiza uma “banda” encarnada pela dupla, que fez sua primeira apresentação nesta terça-feira, no Centro da Terra. Com Chicão ao piano e André entre a guitarra, o atabaque e uma “flauta chinesa da China”, os dois passearam por um repertório majoritariamente composto por músicas de Abujamra – incluindo dois “lados B”, um do Karnak (“Ninguepomaquyde”), que abriu o show, e outro do Mulheres Negras (“Guembô”), exigência de Chicão, fã do grupo desde antes de imaginar que poderia tocar com o então futuro parceiro, nos anos 90. O resto da noite foi tomado por versões delicadas de músicas do Karnak (“Universo Umbigo”, “Estamos Adorando Tóquio”, “Juvenar” e “O Mundo”, que encerrou a apresentação), outras da carreira solo de André (como “O Mar”, a linda “Espelho do Tempo” e “Imaginação”, que ele sempre aproveita para tirar onda com o público) e uma versão em russo fajuto para “Tiro ao Álvaro”, de Adoniran Barbosa. Chicão não trouxe suas próprias composições, mas tirou dois ases da manga: um recital ao piano de uma certa Clarice Leite (que, revelou ao final da música, era a mãe dos irmãos mutantes Arnaldo Baptista e Sérgio Dias) e uma versão brasileira de “River Man”, de Nick Drake, que ousadamente tornou-se “Ri Vermei” e mudou o tom da música, indo da introspecção fatalista para a contemplação universal. Uma noite e tanto – que vivam os Verséculos!
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Maior satisfação receber nesta terça-feira o encontro de duas almas iluminadas pela música no palco do Centro da Terra, quando André Abujamra e Chicão fundem suas trajetórias no espetáculo Verséculos, em que remontam uma lenda pessoal antiga que, em vidas passados, os dois foram gêmeos siameses, que se reencontram como reflexos idênticos para uma missão ousada – eternizar o amor pelo som, sempre completando trechos musicais que cada um deles inicia no que chamam de Música da Eternidade. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
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Entre me levantar da poltrona em que vejo a apresentação até cumprimentar os artistas em seguida (algo que leva entre cinco e dez segundos), ouvi três vezes comentários que usavam a palavra “camadas” – sempre no plural – logo após a terceira noite da temporada Acontecimento que o trio Crizin da Z.O. vem fazendo no Centro da Terra, em que receberam o produtor de Guarulhos MNTH e o conterrâneo carioca Lcuas Pires. Só a configuração de palco já foi radicalmente diferente das noites anteriores, em que seus respectivos convidados (Kiko Dinucci e Deafkids) trouxeram guitarras e incitavam a percussão. Esta última até esteve presente na noite, embora tocada com apenas um atabaque e disparadores mecânicos de beats. Em sua terceira segunda-feira, a temporada Acontecimento mergulhou na eletrônica, distorcendo timbres, letras, sequências e até transmissões de rádio para criar justamente as tais camadas mencionadas em voz alta por vários dos presentes após a noite, criando uma trama ambient de noise que abriu uma outra dimensão na textura sonora do grupo. Hipnose de fim de mundo.
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Sexta-feira surpreendente na Porta Maldita, quando tivemos três estreias na edição desta semana do Inferninho Trabalho Sujo. A noite começou doce e delicada com o folk da dupla Nalu & Annina, grata surpresa acústica e com sensibilidade musical para unir universos musicais distintos como Adrianne Lenker (“Not a Lot, Just Forever”), Simon & Garfunkel (“Kathy’s Song”), Beto Guedes (“Amor de Índio”), Neil Young (“Harvest Moon”), Lô Borges (“Como o Machado”) e Milton Nascimento (“Mistérios”) que soavam gêmeos a partir de sua conjunção vocal e leveza de vozes. Acompanhadas pela quieta e habilidosa Lorena Braco ao violão, as duas ainda mostraram músicas próprias que, apesar de pertencer ao universo que descortinaram com as canções alheias, têm personalidade distinta o suficiente para referendar um trabalho autoral em construção. No final do show ainda convidaram a amiga Lígia de Castro e o duo vocal virou trio para uma versão maravilhosa para “These Days” que Jackson Browne compôs com 16 anos e que ficou eternizada pela Nico, além de um bis em cima de outra joia, “Desenredo”, de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro. Fizeram bonito e estão prontas.
Depois de Nalu & Annina a festa seguiu com um dos pés em Minas Gerais, mas sai a delicadeza folk para entrar o peso jazz rock da banda Caruma, liderada pelos compositores Tom dos Reis (vocais e baixo) e Pedro Caldeira (vocais e guitarra), que já começou o show, ainda que na brincadeira, usando “Don’t Let Me Down” pra mostrar a dupla formada à frente do grupo, que ainda conta com sopros de Ma Vettore (flauta), Vinícius França (sax) e Daniel Gerecht (sax e flauta) e a bateria absurda de Tommy Coelho. Mas a canção dos Beatles acidental foi só pra esquentar os instrumentos e começar a tocar sério. E põe seriedade nisso porque quando entram no território que estão mapeando como seu (e só tocaram músicas autorais), criam um universo sonoro particular a ponto de incluir todo o jazz mineiro descendente do Clube da Esquina (dá pra ouvir de Toninho Horta a Novelli, passando por Beto Guedes, Tavito e Flávio Venturini) mas misturando com linhagens de rock progressivo que passam pelas vertentes brasileiras (Mutantes fase Sérgio, Som Imaginário, Moto Perpétuo e Terreno Baldio) e estrangeiras (e de todo tipo, indo de Rush a King Crimson, passando por Geneis e Yes). E além da verve instrumental de todos os integrantes, destaca-se o entrosamento dos dois compositores, tanto em termos vocais quanto instrumental, e o baixo inacreditável de Tom, que é puro carisma tanto quanto canta quanto quando toca. A banda tá prontinha, só decolar!
E a noite de sexta fechou com Pra Sempre Pepito, projeto autoral do guitarrista Pedro Amaro, o próprio Pepito, que também é baterista da banda Florextra (que inclusive já tocou no Inferninho). Lançando seu EP A Vida é Muito Vibes, ele equilibra-se entre a seriedade e a ironia com o mesmo senso lúdico e bem humorado que desafia um meio-termo entre o indie rock e o jazz pop, com o auxílio luxuoso de uma banda formada por Pedro Abujamra (teclados), Toti Villares (sax), Ma Vettore (que estava tocando flauta no Caruma e agora assumiu o baixo) e Luigi Delphino (bateria). Tocando inéditas e uma (ótima) música instrumental, encerrou a noite colocando o astral lá em cima, numa sexta-feira muito, como ele mesmo diz, ~ vibes ~.
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A próxima edição do Inferninho Trabalho Sujo acontece nesta sexta-feira, dia 15, quando reunimos na Porta Maldita as bandas Caruma, Pra Sempre Pepito e a dupla Nalu & Annina, todos fazendo suas primeiras apresentações na festa. A Porta Maldita fica no número 400 da rua Luiz Murat, em frente ao cemitério de Pinheiros, abre a partir das 20h e os ingressos já estão à venda. Vamos?

Gibaa surpreendeu nesta terça-feira ao apresentar não apenas músicas de seu próximo álbum, Fagogo, que não irá para as plataformas de áudio e só poderá ser ouvido no próprio player digital revelado durante a apresentação que tem o mesmo nome do disco. A surpresa veio ao por revisitar não apenas suas próprias canções antigas e outras de outros autores que lhe influenciaram num novo formato, mas justamente pelo próprio formato escolhido para a apresentação. Chamou o baixista Antonio Andrade e o pianista Enrico Machado para, apenas à guitarra, cantar canções sem instrumento rítmico: nada de percussões nem bateria seja acústica ou eletrônica, o que ressaltava a beleza de suas canções, acamadas na microfonia shoegaze de seu instrumento e na doçura do vocal, por horas frágil de propósito (batendo na vertente Daniel Johnston do indie rock), por outras com a força e precisão exata. E além de músicas próprias (incluindo de projetos antigos, como a banda This Man e os Sem Cuecas, e futuros, como os Minikids), cantou canções de Manu Julian, da Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo e do Lauiz, que inclusive fez uma das participações da noite, que ainda contou com o baixo de Helena Cruz em uma canção e os integrantes do Minikids no final. Vai Gibaa!
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Estamos chegando ao final do primeiro semestre do ano e estas são as atrações musicais que estarão em cartaz no Centro da Terra durante este próximo mês de junho. As segundas-feiras ficam com o grande Gustavo Galo, que aproveita o mês de seu aniversário para festejar na temporada Um Bis no Abismo, que começa na segunda segunda do mês porque este junho tem cinco segundas-feiras. No dia 8, ele celebra seu irmão de alma, o saudoso Luiz Chagas, numa noite que ainda em que será acompanhado por Biel Basile, Fábio Sá, Chicão e Gustavo Ruiz, quando cantará músicas de seu eterno chapa. No dia 15, ele traz sua nova banda Tudo a Ver (que conta com Juliana Perdigão, Bruna Lucchesi e Vitor Wutzki) numa noite dedicada à poesia que ainda contará com as presenças de Angélica Freitas, Fabricio Corsaletti, Dimitri Br e Marcelo Ariel.. No dia 22 ao lado de Peri Pane, viaja por suas subversões em português para músicas de Lou Reed, Patti Smith e Leonard Cohen, entre outros, quando também recebe os convidados André Mourão e Péricles Cavalcanti. A última noite da temporada não é numa segunda-feira por motivos de Copa do Mundo, e cai no primeiro dia do mês seguinte, quando chama a banda que já o acompanha há uma década (Pedro Gongon, Otávio Carvalho, Lucas Gonçalves e Tomás Gleiser) para mostrar músicas inéditas e relembrar de outras velhas conhecidas. A primeira segunda de junho (dia 1º) fica com o novíssimo grupo Lumia, formado por Marina Marchi, Júlia Toledo, Laryssa Alves, Miriam Momesso e Amanda Barbosa em uma apresentação chamada Quinteto. No dia seguinte, a primeira terça-feira do mês (dia 2), Leal sobe pela primeira vez no palco do Centro da Terra com um espetáculo intimista chamado Circulando, quando vem acompanhaado de Reyviton Lima, Rafael dos Santos e Fernanda Horvath. Na terça seguinte (dia 9) é a vez de Luna França voltar ao palco do teatro, desta vez em formato solo, e mostrando composições inéditas na apresentação batizada de Junto, quando começa a explorar o que será seu segundo disco ao lado de Arquétipo Rafa, Lê Veras e Melifona, com participações de Malu Magri, Ana Passarinho e Heloá Holanda. No dia 16, a dupla Triste, formada por Rafael Brasil (Far From Alaska) e Brenda Mayer (Call Me Lolla), faz sua estreia no palco em um show delicado e minimalista chamado De Perto. No dia 23, o violonista virtuoso Daniel Murray chega mais uma vez ao palco do Centro da Terra ao começar a desbravar o Universo Musical de Egberto Gismonti, título de seu novo espetáculo, dedicado a esmiuçar a complexidade melódica, harmônica e polirrítmica deste mestre, com quem já pode dividir o palco algumas vezes. E no último dia do mês o gaúcho Irmão Victor estreia no teatro comemorando os dez anos de seu primeiro disco Passos Simples para Transformar Gelatina em um Monstro, que será tocado na íntegra numa noite que ainda terá as presenças de Vicente Barroso, Thales Castanheira, Theo Cecato, Jorge Zahar, Simone Julian, Max Huszar e Manu Julian. Os espetáculos começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

Gibaa antecipa seu segundo álbum nesta terça-feira no Centro da Terra e o conceito de Fagogo vai para além do disco, pois também é um player de música digital. Na ativa desde antes da pandemia, Gibaa lançou seu primeiro disco, Poça Platônica, em 2024 e desde então vem trabalhando no conceito de Fagogo, um disco que não está nas plataformas de áudio e só pode ser ouvido num player de áudio digital open-source que leva o mesmo nome do disco – ou ao vivo, como é o caso desta primeira apresentação que fará no teatro. O espetáculo começa pontualmente a partir das 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
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“Esse sentimento de que o mundo tá indo pro buraco”, a sensação de desesperança transmitida pela segunda apresentação da temporada Acontecimento que o trio Crizin da Z.O. está fazendo no Centro da Terra poderia ser resumido a um questionamento ainda maior, posto logo já no primeiro movimento, quando o próprio Crizin arrematava: “Será que nesse buraco cabe o mundo?”. Recebendo a dupla Deafkids nesta segunda-feira, mais uma vez o grupo de funk apocalíptico transformou o palco do teatro em um alarme estridente sobre o fim do mundo iminente que toma conta do nosso dia-a-dia. Como na primeira apresentação da temporada (quando o grupo apresentou-se ao lado de Kiko Dinucci), esta nova noite viu o casamento das duas guitarras presentes criar uma parede de microfonia grossa que espremia o público contra a parede mental dos próprios cérebros, mas como tanto Douglas Leal quanto Mariano Sarine desdobram-se na percussão (elemento também crucial para o grupo do Rio de Janeiro), esta névoa elétrica sempre vinha aterrada de atabaques e tambores prontos para deixar todos em alerta. Pesado e aterrador como sempre, mas sem perder a seriedade ou o senso de emergência.
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