
Universos colidem nesta quinta-feira em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles. A banda da vez é o trio Xepa Sounds, liderado por Thiago França e ancorado pela percussão de Pimpa e Samba Sam em uma noite de delírio pop que vai da dance music à pagodeira, só no beat e sax – e como essa edição vai pegar fogo, melhor garantir seu ingresso antes da hora pra não correr o risco de ficar de fora. Depois assumo a discotecagem até o fim da madrugada e quem me acompanha é esta que você já deve ter sonhado com ela sem saber de seu nome: Bamboloki, que traz o puro suco dos anos 2000 para a pista de dança. O Picles fica no coração de Pinheiros – enquanto ele ainda tem um – no número 1838 da Cardeal Arcoverde e se deixar o Thiago começa a tocar na hora que abre, às oito da noite. Vem!

Bubu, Ricardo, Benjão e Marcelo já haviam se reencontrado uns com os outros depois do período tenso da pandemia, Um tá morando em Portugal, outro veio pra São Paulo e dois seguiram no Rio, distância que acabou causando um fato inédito na história do quarteto Do Amor – pela primeira vez eles compuseram um disco separados, sem tocar aquelas músicas juntos. Problemão, disco que encerra a trilogia bad vibe iniciada com Fodido Demais (2017) e seguido por Zona Morta (2019), foi vivido ao vivo pelos quatro pela primeira vez nesta terça-feira, no Centro da Terra, quando, depois de três dias matando a saudade de tocar juntos no estúdio que Bubu montou em casa, eles finalmente se reencontraram no palco. A casa cheia ouviu o grupo passar por todo o disco lançado este ano mas também por diferentes fases de sua discografia, além de versões para músicas dos Beatles (“Eight Days a Week”, cantada pelo baterista) e João Donato (reverenciado em sua “Naturalmente”). Mas o mais impressionante é ver como a dinâmica musical destes velhos camaradas, uma new wave meio torta, entortada justamente pela música brasileira, parente dos Talking Heads, do Ween e dos Picassos Falsos, segue intacta, cada vez mais envolvente, seja pelo calor da música ou pelo humor infame. Showzaço!
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Maior prazer em realizar a reunião do grupo carioca Do Amor nesta terça-feira, no Centro da Terra. Sem se encontrar pessoalmente desde antes da pandemia, o clássico grupo independente formado por Gabriel “Bubu” Mayall (guitarra e voz), Gustavo Benjão (guitarra e voz), Ricardo Dias Gomes (baixo e voz) e Marcelo Callado (bateria e voz) sobem juntos no palco pela primeira vez desde 2019, quando mostram tanto músicas de seu recém-lançado disco quanto canções de seus mais de 15 anos de carreira. O espetáculo Problemão Do Amor começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link

Mais uma noite no Centro da Terra dentro da temperada Linha do Tempo Contínuo que Sandra Coutinho está conduzindo às segundas de agosto lá no teatro – e desta vez ela puxou dois extremos de sua carreira. Na primeira parte, juntou-se a Paula Rebellato (teclados, efeitos e voz) e Mari Crestani (guitarra e sax) para meia hora de improviso livre, uma de suas viagens atuais. Depois foi a vez de recriar o manifesto pós-punk new wave new age AKT, supergrupo liderado por Sandra no início dos anos 90, cujo repertório foi recriado por Bibiana Graeff (teclados, acordeão e vocais), Silvia Tape (guitarra e vocais) e Rodrigo Saldanha (bateria), num exercício pouco nostálgico cuja química da nova formação pede por novas composições. E na segunda que vem Sandra encerra a temporada puxando o lado B das Mercenárias! Imperdível!
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A cantora Anná traz sua mistura de sagrado e mundano para o Centro da Terra nesta terça-feira, com o espetáculo Deusa Diaba da Terra do Sol, em que mistura sambas de raiz, forró e experimentações dance digitais, como o funk e o piseiro, em uma apresentação que é acompanhada de Allan Gaia Pio, Wanessa Dourado e Raquel Tobias. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Mais uma segunda-feira com Sandra Coutinho no Centro da Terra e na segunda visita à Linha do Tempo Contínuo, ela expandiu seus parâmetros musicais mais uma vez, primeiro dividindo o palco com a dupla Espelho (Bernardo Pacheco grunhindo ecos e ruídos elétricos, Mariana Taques jogando seu corpo no mundo) enquanto marcava o tempo e cantava melodias com seu baixo pós-punk para, em seguida, embarcar numa viagem tribal krautrock ao lado de Rafael Crespo e Guilherme Pacola, variando novas versões de temas musicais que havia composto quando morou em Berlim. Intenso!
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Quem diria que uma camerata à paulistana iria cair tão bem numa pistinha? Na edição dessa sexta do Inferninho Trabalho Sujo a Filarmônica da Pasárgada subiu ao palco do Picles com fagote, acordeão, clarinete, percussão e laptop para seguir a risca de uma tradição criada no Lira Paulistana, citando inclusive Rumo, Itamar, Arrigo e companhia para celebrar a cultura da cidade. E depois, ah depois, eu e a Fran seguimos incendiando a pista enfileirando escolhas improváveis e certeiras, de Jonnata Doll a Olivia Rodrigo, passando por Rosalía e Snoop Dogg. E a pista só acaba porque chega uma hora o Picles acende a luz. Daqui a duas semanas tem mais…
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Mais uma noite acesa pelo fogo da música, desta vez numa sexta! Toco fogo em mais um Inferninho Trabalho Sujo ali no Picles, que começa com a apresentação da banda Filarmônica da Pasárgada, que toca por volta das 22h, seguida da minha discotecagem ao lado da comadre Francesa Ribeiro, aquecendo corações e quadris até a hora que acendem a luz! O Picles fica no número 1838 da Cardeal, no coração do maltratado bairro de Pinheiros e quem chegar antes das 21h não paga para entrar! Vamos!

O encontro de Kiko Dinucci e Lucio Maia no Centro da Terra nesta terça-feira mostrou como duas escolas musicais completamente diferentes podem se encontrar, se estranhar e se complementar numa noite de improviso que contrastou os efeitos psicodélicos e paisagens ambient desenhadas pelo guitarrista pernambucano com o violão punk e percussivo do músico de Guarulhos. Enquanto Lucio pilotava sua pedaleira que incluiu até uma inusitada talkbox, Kiko espetava seu violão rústico com pregadores de roupa, pedaços de papel e gravetos, além de cantar – seja em português ou iorubá – canções sobre bases apenas ruidosas. E ao mesmo tempo que pareciam terem vindo de planetas diferentes, se encontravam em complexas camadas de harmonia atonal e melodias esparsas. Bem foda.
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Nesta terça-feira, o palco do Centro da Terra recebe o primeiro encontro de duas lendas-vivas da guitarra elétrica brasileira, quando Lucio Maia e Kiko Dinucci se encontram no espetáculo Arquitetura do Caos. Só os dois e seus instrumentos abrem caminhos para explorar possibilidades musicais inéditas cruzando a linhagem do samba punk noise do jovem mestre de Guarulhos às acrobacias psicodélicas do mestre pernambucanno. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente aqui.