
Temos que dar um jeito nesse frio polar que só entristece a vida das pessoas – e esse jeito chama-se Inferninho Trabalho Sujo, que acendemos em mais uma sexta-feira no Picles, a última antes do mês de junho e uma fogueira de boas vibrações. A começar pelos shows, que materializam não só um, mas dois lançamentos quentinhos que acabaram de sair do forno. Quem abre a noite é o produtor Lauiz, mostrando pela primeira vez ao vivo seu recém-lançado Perigo Imediato, que vem acompanhado do grande Tagore, este lançando seu belo Barra de Jangada. E depois dos shows assumo a pista ao lado da minha intrépida parceira de alucinações musicais coletivas Bamboloki, ambos disposotos a esquentar por dentro os corpos que se entregarem à nossa discotecagem. O Picles fica no número 1838 da rua Cardeal Arcoverde e a noite começa a esquentar a partir das dez. Venham!

Maio não terminou mas a queda na temperatura já anuncia a chegada de junho – e assim podemos anunciar a programação de música no Centro da Terra, que começa já na semana que vem. Quem toma conta das segundas-feiras é a dupla de noise extremo Test, que em cada uma das quatro noites, convida diferentes músicos para releituras ainda mais experimentais das faixas de seu álbum mais recente, Disco Normal, numa temporada que estão chamando de Curadoria do Medo. Nas duas primeiras terças-feiras do mês, dias 4 e 11, Juçara Marçal retoma as apresentações que tínhamos começado a fazer no infame março de 2020, quando ela iria fazer apresentações tocando seu primeiro disco solo, Encarnado, em versão completamente acústico, cuja única eletricidade da apresentação seriam as luzes – acompanhada de Kiko Dinucci (violão), Rodrigo Campos (cavaquinho) e Thomas Rohrer (rabeca), ela percorre o disco que agora completa 10 anos sem microfones nem amplificadores. Na terceira terça do mês, dia 18, é a vez do brasiliense Paulo Ohana fazer a transição entre seu disco mais recente e o que está prestes a lançar num espetáculo que mistura os dois títulos, O Que Aprendi Com a Língua dos Homens na Minha Orelha, ao lado dos músicos Fernando Sagawa (saxofone e flauta), Ivan Gomes (baixo), Ivan Santarém (guitarra), Bianca Godoi (bateria) e Gabriel Milliet. O mês termina na terça 25 com a apresentação conjunta do casal mineiro Clara Castro e Nathan Itaborahy que mostram seus respectivos trabalhos solo na apresentação dupla Prefixo Quase. Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.
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As atrações de música no mês de maio no Centro da Terra encerraram nesta terça-feira, quando o duo (I)miscível, formado por Guilherme Marques e Amilcar Rodrigues, recebeu o contrabaixista Marcelo Cabral para explorar novas fronteiras musicais a partir de uma sessão de improviso livre que, como é característica do trabalho do duo, busca novas sonoridades a partir das já estabelecidas por seus instrumetos. Enquanto Amílcar reveza-se entre o trompete, o trompete piccolo e o bombardino, Guilherme buscava detalhes e nuances de uma bateria desconstruída enquanto Cabral ia para além das quatro cordas de seu instrumento, usando tanto o corpo, quanto arco e pedais para deformar seus timbres característico, numa apresentação que ia da quietude à expansão, com direito ao público assistindo a tudo no próprio palco.
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E nesta terça-feira encerramos a programação de música no Centro da Terra deste mês de maio com a apresentação do duo (I)miscível, formado pelo baterista Guilherme Marques e pelo trompetista Amilcar Rodrigues, que recebe o contrabaixista Marcelo Cabral para uma noite de improviso livre batizada de Música para um Futuro Presente. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.
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O encerramento da temporada Cosmofonias de Romulo Alexis nesta segunda-feira no Centro da Terra foi apoteótico, quando chamou seu compadre Wagner Ramos, que, com Romulo, forma o duo Rádio Diáspora, para uma versão intensa dessa formação, chamada de Ensemble Cachaça!, que contou ainda com o trombone de Allan Abbadia, o contrabaixo de Clara Bastos, a voz e o berimbau de Paola Ribeiro e o sax de Stefani Souza. O sexteto partiu de momentos soturnos e silenciosos para picos de estridência e dissonância, quando timbres graves e agudos se encontravam canalizados pelo trompete e bateria do duo proponente do encontro, com direito a instrumntos de sopro desmontados para buscar novas sonoridades e um berimbau tocado com arco, além da voz livre e espacial de Paola. A última de quatro intensas noites de improviso e exploração musical foi um encerramento desnorteador.
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Entre uma peça musical e um show encenado, Sofia Botelho e Ernani Sanchez entraram no imaginário de (e sobre) Marina Lima no espetáculo Eu, Marina que fizeram nesta terça-feira no Centro da Terra. Não era só o desfile de seus grandes sucessos, impregnados em nosso subconsciente, mas também um mergulho nesta personagem-autora que tanto encantou e confundiu o pop do fim do século passado. Transitando entre a MPB, a música pop e o R&B, Marina também abriu uma caixa de Pandora de sensações que vieram junto com as transformações comportamentais do Brasil que saía de uma ditadura militar, explorando tabus e fronteiras de forma difusa e discreta e assim atingiu diferentes ambientes musicais, todos explorados pela dupla de atores transformados em músicos – seja o programa de auditório, o karaokê ou o luau na beira da praia, passando pela poesia musicada e o canto falado e pela sempre presente sugestão sexual de um pop ambíguo. Ao explorar estes universos paralelos – usando recursos cênicos como figurino, iluminação, atuação e a quebra da quarta parede -, Eu, Marina reforça a importância de homenagear uma artista única em nossa cultura. A questão é que como Sofia está grávida – e prestes a parir – uma próxima sessão desta celebração vai ficar fora do ar por alguns meses…
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Maior prazer receber os atores Sofia Botelho e Ernani Sanchez para um desafio musical chamado Eu, Marina, em que os dois viajam pelo repertório e pelo legado de Marina Lima para compor uma apresentação musical que mistura canções, crônicas sobre a história da cantora e dos autores com poemas de Eduardo Galeano, Ana Cristina César e Angélica Freitas para explorar este universo musical. O espetáculo acontece nesta terça-feira, começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados na bilheteria e no site do Centro da Terra.
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A terceira apresentação da temporada Cosmofonias que Romulo Alexis está realizando no Centro da Terra foi feita em parceria com o núcleo Leviatã e aconteceu nesta segunda-feira, quando o trompetista reuniu-se ao lado de Edbras Brasil, Inès Terra, Thayná Oliveira e Sarine para uma sessão de improviso intensa, que começou com momentos solo de cada um dos instrumentistas – Thayná abrindo a noite entre os sussuros e seu violoncelo, entregando para os synths e percussões de Sarine, passando para o tamborim e canto de terreiro de Edbras e as texturas improváveis da voz de Inês, além do próprio trompete do anfitrião -, culminando em uma celebração conjunta, quando timbres e tempos se encontravam e se entrelaçavam em uma cama musical ao mesmo tempo experimental e familiar.
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Ava Rocha incendiou o Inferninho Trabalho Sujo nessa sexta-feira ao subir sozinha no palco do Picles em quase duas horas de apresentação. Ela começou só com a voz, puxando pessoas para o palco para participar de seu ritual enquanto emulava percussão e pedia palmas do público e logo foi cercada por outras pessoas – amigos, conhecidos ou não – que transformaram a apresentação solitária numa celebração coletiva, que por vezes virava puro delírio (como quando o baixista Klaus Sena subiu na batera e puxou “Joana Dark”) por outras tornava-se introspecção pura (como quando ela pegou a guitarra e fez todos cantarem seus hits como “Você Não Vai Passar” e “Transeunte Coração”). Perto do fim, ela chamou seu tecladista Vini Furquim para passar algumas músicas de seu disco mais recente Néktar, fechando uma noite histórica. E depois eu e Fran encerramos o inferno astral desta última com a discotecagem mais bizarra que fizemos nos últimos tempos. Tudo estranho, mas deu tudo certo.
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Vamos a mais uma sexta infernal, ateando chamas nos corações e mentes que abandonarem todas as expectativas ao adentrar no portal chamado Picles. E neste dia 17 vai ter ritual de descarrego, quando recebemos ninguém menos que Ava Rocha para uma celebração quente no palco do Inferninho Trabalho Sujo, logo depois de mais uma apresentação pegando fogo das queridas Boca de Leoa. E como após os shows a temperatura auemnta ainda mais, chegamos eu e a Fran despejando gasolina para transformar a pista em nossa panela de pressão alto astral. Venha e não se arrependerás – o Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, e a primeira banda começa às 22h. Queima!