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Curadoria

E vamos encerrar mais um ano de Inferninho Trabalho Sujo nessa quinta-feira, quando retorno ao bom e velho Picles para receber duas bandas queridas que teriam se apresentado no mês passado caso a prefeitura de São Paulo não estivesse disposta a sabotar a própria população. Em um dos dias de blecaute que a cidade viveu recentemente, Bufo Borealis e Pelados se apresentariam no intenso sobrado no coração de Pinheiros no que seria a primeira edição do Viçafest, pois ambos grupos contam com Vicente Tassara na formação, que aproveitava a ocasião para coemmorar seu aniversário. Mas mesmo que a prefeitura e a Enel tenham lutado contra o Viçafest acontece nesta quinta-feira, dentro do Inferninho Trabalho Sujo e o melhor é que se você chegar antes das 22h não paga para entrar (só tem que retirar seu ingresso online antes neste link). O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde e depois dos dois shows assumo a pista com a minha cúmplice caótica Bamboloki para nos despedirmos de 2024 em grande estilo. Vamos?

No cartaz estava escrito que era um encontro de três artistas: Crizin da ZO, Deaf Kids e MNTH. Mas o que o público que foi ao Centro da Terra nesta última terça-feira da programação de música do ano do teatro assistiu não foi um encontro, foi o nascimento de um grupo. A química entre o vocal e a percussão de Cris Onofre e do baixo e dos efeitos de Marcelo Fiedler (que puxou um samba na guitarra uma hora), ambos do Crizin da ZO; de Douglas Leal (guitarra e percussão) e Marian Sarine (bateria, percussão e efeitos), do Death Kids; e das programações, beats e efeitos de MNTH caminhou para longe de um improviso coletivo e parecia a formação de um novo conjunto, que pode ser batizado com o título que os cinco deram para a noite: Colapso Programado. Usando as músicas do Crizin da ZO como eixo lírico e forjando células de ruído a partir do ritmo, os cinco cruzaram punk, funk e jazz numa fritação contínua, que só teve uma única pausa para fôlego e agradecimentos em quase uma hora incessante de texturas elétricas agressivas e camadas de groove compactadas entre timbres sintéticos e o couro da percussão. O encontro ainda estava sendo processado na mesa por Pedro Silva e pelo chiaschuro intenso da luz de Georgia Tolaini, o que deu um outro andar de pesadelo ao acontecimento. Encerramos o ano em grande estilo e antevendo que 2025 vai ser ainda melhor. Vamos!

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E encerramos 2024 com o abismo no fim do túnel, ao apresentar o Colapso Programado surgido com a junção do funk apocalíptico carioca do Crizin da ZO ao noise extremo paulista dos Deafkids e o experimentalismo climático do projeto de Guarulhos MNTH, quando punk, rap, samba e drum ‘n’ bass se encontram num ponto de tensão eletrônico. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Bela estreia

Bem bonita a estreia autoral de Lara Castagnolli nesta segunda-feira no Centro da Terra, quando apresentou pela primeira vez o show inteiro com repertório próprio com o título que batiza seu disco de estreia, Araribá, acompanhada por uma banda formada por Tommy Coelho (violão e bateria), Pedro Abujamra (teclado e piano), Bento Sarto (guitarra e violão), Theo Ribeiro (contrabaixo) e Maria Violeta (vocais de apoio), além de contar com as participações de Mestrinho (vocais e acordeão), Morgana Moreno (flauta), Laura Santos (clarinete) e Tayná Ibanêz (vocais). Além das músicas próprias (grande parte fazendo alusões ao reino vegetal, área de formação da cantora, que estuda engenharia florestal), Lara ainda passeou por standards da música brasileira, como “Travessia” e “Força Estranha”, e fez o público cantar suas músicas ainda inéditas.

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2024 está quase no fim no Centro da Terra e a penúltima apresentação musical do ano é a estreia do trabalho solo da promissora cantora Lara Castagnolli, que, depois de apresentações intimistas ao lado do músico Mestrinho e de um espetáculo dedicado à Gal Costa, prepara-se para lançar seu primeiro trabalho solo, que batiza essa apresentação de fim de ano. No espetáculo imersivo Araribá, ela reúne aos músicos Tommy Coelho, Pedro Abujamra, Bento Sarto e Theo Ribeiro para mostrar suas primeiras composições, numa noite que também terá a participação do próprio Mestrinho e de Morgana Moreno. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Puro esplendor

Uma noite esplendorosa nesta terça-feira no Centro da Terra quando o público lotou o teatro para ver o reencontro dos amigos Léa Freire, Filó Machado e Alaíde Costa. Os dois primeiros começaram a noite entre números instrumentais e composições de Filó Machado (como “Carmens e Consuelos” e “Terras de Minas”), com Léa na flauta transversal, atuando como anfitriã da noite, enquanto seu compadre dividia-se entre o violão e os vocais, que por vezes acompanhava as canções que tocavam juntos, por outros fantasiava-se de bateria ou contrabaixo em vocalizes cheios de groove. A noite ficou ainda mais grandiosa com a entrada da diva Alaíde Costa, que começou cantando “Segundo Andar”, eternizada por Dalva de Oliveira, que comentou que acabara de gravar com os próprios Léa e Filó. Depois o trio passeou por canções guiadas pelo canto magnífico da deusa da voz, como “Diariamente” (de Paulo César Girão), duas de Fátima Guedes pinçadas de seu Muito Prazer (“Absinto” e “Eu Te Odeio”) e um clássico do argentino Piero De Benedictis (“Pedro Nadie”) para encerrar com a maravilhosa “Céu e Mar”, de Johnny Alf, numa noite histórica para o teatro. Quem foi sabe.

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E o orgulho de promover um encontro que não acontecia há meio século. Parceiros de longa data, Léa Freire tocou pela última vez com Filó Machado e Alaíde Costa ao mesmo tempo há 50 anos, embora os três sempre estiveram próximos nestas décadas de amizade. E assim 50 Anos Juntos acontece nesta terça-feira no palco do Centro da Terra quando Léa convida seus dois amigos para visitar seu repertório e encerrar o ótimo ano que teve a partir do documentário A Música Natureza de Léa Freire, de Lucas Weglinski, que a fez rodar pelo Brasil em apresentações em quase todas as regiões do país. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Em nome de Dylan

Marcelo Rubens Paiva trouxe sua trupe musical Lost in Translation para o palco do Centro da Terra na primeira apresentação de dezembro no teatro para celebrar a importância de Bob Dylan na música pop ao misturá-la com poesia, pinçando alguns dos grandes discípulos do autor em versões próprias, por vezes traduzidas e declamadas, em uma noite batizada de Pedras no Caminho. Acompanhado de Fábio França, Rick Villas-Boas, Arthur França, Luli Villares e Luiza Villa, Marcelo recitou algumas traduções próprias e tocou gaita enquanto liderava seu grupo por canções de Dylan (“Blowing in the Wind”, “It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding)”, “Hurricane”, “Like a Rolling Stone” e “It’s All Over Now Baby Blue”, que também veio via Caetano, em sua versão “Negro Amor”, que batizou o espetáculo), Lou Reed (“Perfect Day”, “Walk on the Wild Side”), Neil Young (“Harvest Moon”), Patti Smith (“Dancing Barefoot”), Nick Drake (quando Luiza e Arthur fizeram dupla tocando duas do maravilhoso Bryter Layter num mesmo fôlego, “Introduction” e “Hazey Jane I”), Johnny Cash (“The Man Comes Around”) e Leonard Cohen (“Dance Me to the End of Love”). Um dos pontos altos da noite foi a versão para “Master of War”, conduzida de forma bilíngue por Marcelo e Luiza, numa segunda-feira que lotou o teatro e terminou com a emblemática “All Along the Watchtower”, imortalizada por Jimi Hendrix.

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É com imensa satisfação que começamos o último mês de 2024 no Centro da Terra trazendo a faceta musical do escritor Marcelo Rubens Paiva com sua banda Lost in Translation, em que aventuram-se por traduções e versões de canções internacionais. No espetáculo Pedras no Caminho Paiva traça o percurso aberto por Bob Dylan ao fundir canção pop com poesia, com músicas do próprio autor norte-americano e gênios que foram influenciados por ele, como Patti Smith, os Rolling Stones, Lou Reed, Doors e Caetano Veloso, entre outros. O escritor e músico é acompanhado por Fábio França, Rick Villas-Boas, Arthur França, Luli Villares e Luiza Villa. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Na primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, tivemos uma overdose de rock moderno a partir de duas vertentes diferentes da atual cena paulistana, encarnadas nos grupos Applegate e Naimaculada. O primeiro começou a noite mostrando seu recém-lançado segundo álbum Mesmo Lugar na íntegra e chamando convidados para esta jornada, entre eles dois integrantes da segunda banda da noite, o saxofonista Gabriel Gadelha e o guitarrista Samuel Xavier, além da novata Maria Clara Melchioretto, que dividiu o vocal em algumas músicas da banda, que está endiabrada, com o vocalista Gil Mosolino dividindo-se entre solos lisérgicos de guitarra e pirações freestyle no synth, acompanhado de perto do baixista Rafael Penna, que tocava synthbass e baixo elétrico, do guitarrista Vinícius Gouveia e do baterista Luca Acquaviva, numa apresentação intensa.

Depois foi a vez do Naimaculada encerrar as atrações no palco. Seus timbres de rock pesado pairam sobre as estruturas melódicas de suas canções, entre a soul music, o blues e o funk, e abrem espaço para improvisos jazzísticos, deixando cada um dos músicos aparecer de forma isolada, todos eles trabalhando para a construção das músicas coletivamente. Por isso, por mais que o vocalista Ricardo Paes acabe naturalmente se destacando (seu vocal rasgado e falado, sua presença de palco e seu carisma o tornam um showman inevitável), a guitarra de Samuel Xavier, o baixo de Luiz Viegas, a bateria de Pietro Benedan e os sopros (sax e flauta transversal) de Gabriel Gadelha, conspiram em uma única vibe, urbana e sofrida ao mesmo tempo que é catártica e coletiva, fazendo o público cantar juntos em vários momentos. Às vésperas de lançar seu primeiro disco (A Cor Mais Próxima do Cinza) no início do próximo ano, o Naimaculada é um dos novos grupos mais promissores da atual cena de São Paulo.

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