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Curadoria

Segundamente

Rafael Castro, Saulo Duarte, Rita Oliva, Maurício Takara e Alessandra Leão estarão no segundo semestre no Centro da Terra, cuja sessão de segunda-feira passa a ser chamada oficialmente de Segundamente, como contei ao Pedro Antunes nesta entrevista para o Caderno 2 do Estadão.

cordas-dedilhadas

O mês de agosto do Centro Cultural São Paulo é dedicado a derrubar barreiras entre música erudita e popular – e a Mostra de Cordas Dedilhadas, cuja décima sexta edição ocupa diversos espaços do CCSP, é o carro-chefe desta transformação, apresentando obras que vão de recitais e concertos clássicos a apresentações que flertam com o teatro e a música flamenca, além do cinema. A mostra traz apresentações de nomes nacionais e internacionais, como Angela Muner, Rémy Reber, Esdras Maddalon, Flávio Apro, Andrea Roberto, Fabio Moraes e um sarau em homenagem a Ronoel Simões, um dos maiores colecionadores de gravações de violões do mundo, cujo acervo foi adquirido recentemente pelo próprio Centro Cultural. Até os Concertos de Discos deste mês, que anuncio em breve, vão para esta vertente. Abaixo, o texto de apresentação que escrevi para o catálogo da mostra, que está sendo distribuido gratuitamente em todas as apresentações. A programação completa você vê no site do CCSP.

Uma só música
A Mostra de Cordas Dedilhadas deixa clara que a divisão entre música popular e erudita é artificial

Em algum momento na virada do século dezenove para o século vinte, a música virou duas. Novas invenções passaram a permitir a gravação e reprodução de músicas sem que fosse preciso a presença de um músico, mas aquela novidade tecnológica vinha com uma desvantagem – havia uma limitação de tempo de registro e nos poucos minutos que a gravação podia ser realizada, não cabiam obras e peças inteiras que foram compostas nas décadas e
séculos anteriores.

A partir desta inovação, o foco da história da música deixa de ser estético e passa a ser comercial, fazendo que os novos empreendedores do incipiente mercado fonográfico deixassem conservatórios e salas de concerto em segundo plano em busca de músicos que tocassem na rua, em bailes, festas e saraus. Estes novos músicos, que cantavam e tocavam melodias que não exigiam partitura e muitas vezes abriam espaço para o improviso, a informalidade e até o duplo sentido, aos poucos foram sendo os criadores da canção, este novo formato musical que tornou-se padrão naquela nova forma de se comercializar música.

Assim aconteceu a separação entre a música popular e a música erudita – e enquanto a primeira foi se tornando cada vez mais abrangente e passou a ditar as regras do jogo, a segunda encolheu-se, vestiu fraque e passou a tocar em locais cada vez mais restritos e isolados.

Com a Mostra de Cordas Dedilhadas, a curadoria de música do Centro Cultural São Paulo quer abolir esta barreira, mostrando que estas duas facções na verdade fazem parte de uma mesma essência, pura e indivisível – a música em si. Ela pode ser acessível a ouvidos cultos e incultos, seja composta e executada por virtuoses ou diletantes. A divisão da música em duas categorias reforça uma separação social e econômica mais do que cultural e tanto artistas quanto públicos eruditos e populares não apenas podem como devem se misturar e conhecer uns aos outros.

A arte e a cultura devem aproximar e não afastar. Agregar e não elitizar. Uma só arte, uma só cultura. Uma só música.

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O rockstar cearense Jonnata Doll encerra a programação do Centro do Rock no Centro Cultural São Paulo lançando a versão em vinil de seu disco de estreia ao lado dos Garotos Solventes neste domingo, às 18h (mais informações aqui). Ele também acaba de lançar clipe novo, da música “Swing de Fogo”:

labirinto

A banda paulistana de metal instrumental Labirinto lança o vinil de seu álbum Gehenna neste sábado no CCSP – mais informações aqui.

Convidado a criar uma obra ao vivo que durasse as quatro segundas-feiras de agosto para o palco do Centro da Terra, o músico M. Takara optou por transformar a jornada intraterrena do espaço em uma espiral existencial sonora a partir de improvisos com dois músicos diferentes a cada encontro. Depois da primeira noite, Takara passa, nos shows seguintes, a incorporar registros musicais das segundas anteriores com improvisos instrumentais, criando níveis de compreensão musical que voltam ao ponto de partida na última noite, quando os mesmos músicos que tocaram na primeira noite retornam ao palco acompanhado das gravações de músicos que estiveram nas outras apresentações, incluindo a de si mesmos, além de projeções de imagens e sons pré produzidos. Acompanhando Maurício, que toca percussão, instrumentos de sopro e cordas e eletrônicos, estão ases da música improvisada brasileiro deste século, como o guitarrista André Bordinhon, o baixista Marcelo Cabral, o pianista Philip Somervell, o vibrafonista Victor Vieira Branco, o rabequeiro e saxofonista Thomas Rohrer e o MC Rodrigo Brandão. Conversei com o Maurício sobre este projeto.

O que é a Música Resiliente?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mauricio-takara-o-que-e-a-musica-resiliente

Como foram suas experiências anteriores com este trabalho?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mauricio-takara-como-foram-suas-experiencias-anteriores-com-este-trabalho

Qual vai ser a dinâmica destas apresentações?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mauricio-takara-qual-vai-ser-a-dinamica-destas-apresentacoes

Como você a adaptou para o Centro da Terra?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mauricio-takara-como-voce-a-adaptou-para-o-centro-da-terra

Quem são os músicos que te acompanharão durante o mês?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mauricio-takara-quem-sao-os-musicos-que-te-acompanharao-durante-o-mes

As apresentações viram um produto final ou vale a experiência?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mauricio-takara-as-apresentacoes-viram-um-produto-final-ou-vale-a-experiencia

M. Takara: Música Resiliente em Camadas Lentas
Local: Centro da Terra (rua Piracuama, 19, Sumaré)
Horário: 20h
Capacidade: 100 pessoas
Preço: R$ 30 Inteira
R$ 15 Meia
http://www.centrodaterra.com.br/

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O Centro do Rock continua nesta quinta com duas apresentações pesadas: a dupla Vermes do Limbo se une ao guitarrista Bernardo Pacheco para um encontro de pura improvisação elétrica, seguido pela força do grupo paulistano Deaf Kids. O show começa às 21h e você vê mais informações sobre o show aqui.

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Invasão goiana no CCSP: o MQN de Fabrício Nobre volta à atividade fazendo os primeiros shows desde 2011 e abre a noite para os Boogarins, que lançam o ousado terceiro disco Lá Vem a Morte, tocando-o pela primeira vez ao vivo. Os ingressos já estão esgotados faz tempo, mas vai que rola (mais informações aqui)… Os shows começam às 18h.

meureino

O projeto de anarcogospel do Negro Leo é a principal atração do showcase que o selo carioca Quintavant faz no CCSP neste sábado dentro da programação do Centro do Rock, que ainda tem shows do Thiago Nassif (que apresenta o disco Três, que gravou com Arto Lindsay) e do Lucas Pires (que apresenta o espetáculo Hot On N’Aldeia Global). Mais informações sobre os shows, que começam às 19h, aqui.

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Seguindo a programação do Centro do Rock do Centro Cultural São Paulo, hoje é dia de receber os sergipanos The Baggios na Adoniran Barbosa – e eles tocam ao lado de ninguém menos que o mestre Siba, além de prometer algumas surpresas. O show começa às 21h e há mais informações sobre a apresentação aqui.

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E a primeira semana do Centro do Rock no Centro Cultural São Paulo termina com uma noite que promete ser memorável: o encontro das bandas Ventre e E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante tocando juntas no palco da Adoniran Barbosa, uma apresentação que só aconteceu uma única vez. Os ingressos estão terminando (mais informações aqui), não dê mole!