Neste sábado, às 19h, o rapper Síntese comemora uma década de atividade do coletivo Matrero de São José dos Campos, que o colocou no mapa ao lado de outros grandes nomes daquela cena, como os MCs Inglês, Nego Max, Moita e o DJ Willião, no Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui).
Lenda viva do rap underground paulistano, Kamau comemora dez anos de seu disco de estreia, Non Ducor Duco, neste domingo, a partir das 18h, no Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui).
Começamos hoje as festividades do aniversário de São Paulo com uma trinca de shows de rap até domingo (mais informações aqui) e quem abre os trabalhos é o vovô Rodrigo Ogi, que lança seu ótimo Pé no Chão nesta quinta-feira, na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui).
O mítico grupo punk paulistano divide o palco do Centro Cultural São Paulo com a banda Futuro neste domingo, às 18h, dentro do evento Concreto, que terá um fanzine de mesmo nome distribuído na entrada do show. No zine, além de fotos clássicas de apresentações do grupo do CCSP no passado, ainda há um texto meu de apresentação sobre este formato, batizado de Concreto, e outro do guitarrista do Futuro, Pedro Carvalho, sobre a importância do Cólera, ambos reproduzidos abaixo. Mais informações sobre o show aqui.
Legado pétreo
Como o punk paulistano inaugurou uma nova fase da cultura brasileira que persiste até hoje
Alexandre Matias *
Quando o punk rock chegou em São Paulo, encontrou terreno fértil para germinar. Um dos movimentos culturais mais importantes do século passado nasceu em uma Nova York inóspita e chegou a Londres quando o estado inglês começou a ser desmantelado pelo incipiente neoliberalismo para aportar na metrópole brasileira que assistia à metamorfose de uma ditadura militar em uma democracia de araque, de eleições indiretas e poucos agentes políticos. Em comum, a ausência de esperança no horizonte, ecoando o lema “sem futuro” eternizado pelos Sex Pistols. Em comum, hordas de jovens querendo pegar as rédeas da própria vida e produzir sua própria cultura.
Os tons de cinza da cidade eram a paisagem perfeita para que aquelas sementes florescessem e ganhassem um sotaque próprio. O punk paulistano mudou a cara da cidade em poucos anos, mas, principalmente, espalhou uma nova estética – crua e dura – na cultura de São Paulo – e do Brasil -, que perdura até hoje.
A noite Concreto, idealizada pelo Centro Cultural São Paulo, vem celebrar este legado, confrontando a história desta música urbana com seu espólio, reforçando o patrimônio erguido pelo movimento punk que perdura até hoje. Para isso, confrontamos o mítico grupo Cólera, um dos pilares do gênero, com o novíssimo Futuro, pedindo para o guitarrista desta banda, Pedro Carvalho, apresentar a primeira – e explicar porque estas duas bandas tocando juntas são parte de um mesmo processo, que ocorre décadas longe dos holofotes da mídia ou das luzes da cidade.
* Alexandre Matias é curador de música do Centro Cultural São Paulo
Punk nasce torto, nunca endireita
Cólera, uma banda coerente no bom combate: o choque de ideias, a positividade e o faça-você-mesmo
Pedro Carvalho *
Das primeiras bandas punks de São Paulo, que começaram a tocar ainda no final da década de 70, o Cólera foi a única que sobreviveu durante a década seguinte. E das que batalharam durante os 80, foram a única que nunca acabou ou desistiu – com ou sem razão – do punk.
Afinal, a continuidade entre as primeiras bandas punks brasileiras e todo o rock divergente local que veio depois é óbvia. Infinitas possibilidades foram abertas por um punhado de jovens que, como no resto do mundo, começaram a expressar suas frustrações através do rock primitivo sem se importar com a indústria ou com as noções burguesas de bom gosto.
Claro que o punk brasileiro teve lá seus problemas, mas para o Cólera o foco sempre esteve na produção, no faça-você-mesmo. E a agenda era pautada exclusivamente pela própria banda.
Quando os únicos dois caminhos pareciam ser renegar o movimento ou acusar quem fazia isso de traição, o Cólera escolhia uma terceira via: se focava no próprio caminho e pregava através do exemplo. Enquanto muitos se pautavam pelo sectarismo, eles procuravam a inclusão. Se o foco de era o conflito corporal, eles escolhiam o choque de ideias.
E não havia choque maior para fãs iniciantes de punk rock como eu do que a descoberta de álbuns com títulos como Pela Paz em Todo o Mundo e Tente Mudar o Amanhã. Não que desligar a mente e quebrar tudo também não fosse atraente. Mas Redson, Val e Pierre davam pistas valiosas sobre os motivos por trás da destruição e o que fazer a seguir.
Para além das posições políticas e sociais da banda, me lembro de ficar particularmente impressionado com as histórias sobre a turnê deles na Europa em 1987. O Brasil era isolado culturalmente e viagens internacionais eram raridade.
A idéia de passar meses do outro lado do mundo tocando em ocupações e centros culturais alternativos era melhor do que qualquer coisa que qualquer pessoa que eu conhecia já havia feito na vida. Era o que eu também queria fazer da vida, estava decidido.
O universo de todo mundo que eu conhecia, dentro e fora do punk, era pequeno. O importante era a turma, o bairro, a família. O Cólera pensava globalmente. O mundo era o palco deles e o objetivo era salvá-lo da guerra, da fome e do apocalipse ecológico. Eles perguntavam “qual é a causa deste efeito”? A resposta continua a mesma.
Como tantas outras pessoas, moldei minha vida a partir deste embrião, diretamente influenciado pelo Cólera. Todas as bandas que tive seguiram este moledo iniciado por eles. De todas elas, o Futuro em particular talvez tenha sido a mais ortodoxa neste sentido. O Redson nos ensinou que o punk deve ser seguido à risca. Mas quem define e expande os limites do punk somos nós mesmos e mais ninguém. De uma maneira ou de outra, a ideia sempre será mudar o amanhã, começando aqui e agora.
* Pedro Carvalho é guitarrista da banda Futuro.
A cantora Mariana Aydar venera uma de suas principais influências musicais no show Veia Nordestina, quando celebra autores como Dominguinhos, Amelinha, BaianaSystem e Timbalada, entre outros, neste sábado, na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo a partir das 19h (mais informações aqui).
O grupo baiano Maglore lança seu excelente Todas as Bandeiras em dois shows no Centro Cultural São Paulo neste sábado (às 19h) e domingo (às 18h). Mais informações aqui.
A cantora paulistana que mora em Salvador Talita Avelino lança seu segundo disco, Azul Bahia, nesta quinta-feira, na Sala Adoniran Barbosa, do Centro Cultural São Paulo, às 21h (mais informações aqui).
A primeira atividade da curadoria de música do Centro Cultural São Paulo em 2018 é uma homenagem a um ícone da música brasileira. A série de homenagens Viva celebra a importância de Walter Franco em dois shows neste sábado e domingo. O primeiro, dia 6, às 19h, Ou Não e Além, recria seu clássico disco de estreia Ou Não, de 1973, além de trazer músicas de outras fases de sua carreira. No domingo, dia 7, às 18h, Walter e banda voltam ao mítico Revolver, de 1975. Os dois shows serão precedidos pelos Concertos de Discos sobre os respectivos álbuns, que desta vez acontecem na Sala Adoniran Barbosa com a presença do próprio Walter, conduzidos pelo jornalista Thales de Menezes, que está escrevendo a biografia do músico (mais informações aqui). Abaixo, a introdução que escrevi no folder de apresentação do projeto, que será distribuído durante o evento e conta com textos do Thales sobre os dois discos revisitados.
O passo, o precipício
Um mergulho na obra de um dos artistas mais ousados da música brasileira
Walter Franco é um dos principais ícones da música brasileira moderna. Faz a ponte entre a canção popular e a academia, a vanguarda estética e a música pop. Seu período áureo, entre o Tropicalismo e o pop dos anos 80, é a espinha dorsal do projeto Viva Walter Franco, mais uma iniciativa da curadoria de música do Centro Cultural São Paulo que joga luz em biografias importantes de nossa cultura. Seus principais discos, Ou Não (de 1973) e Revolver (de 1975) serão contemplados em um fim de semana de shows e bate-papos – estes conduzidos pelo jornalista Thales de Menezes, que está escrevendo a biografia do músico. O evento festeja os 45 anos de carreira deste artista que nasceu em 1945 e que completa 73 anos exatamente no mesmo dia em que celebra seu primeiro disco, lançado em 1973. Coincidências não são novidades na vida deste artista complexo, ousado e instigante, que segue inspirando as novas gerações da música popular e erudita do país.
PROGRAMAÇÃO
dia 6/1 – sábado
16h
Concerto de Discos: Ou Não? (1973)
Walter Franco e Thales de Menezes conversam sobre o álbum de estreia.
90min – livre – Sala Adoniran Barbosa (622 lugares)
grátis – sem necessidade de retirada de ingressos
19h
Show: Ou Não e Além
Walter Franco toca músicas de seu primeiro disco e outras do decorrer de sua carreira.
90min – livre – Sala Adoniran Barbosa (622 lugares)
R$25,00 – a venda estará disponível na bilheteria em seu horário de funcionamento (terça a sábado, das 13h às 21h30, e domingos, das 13h às 20h30), e no site Ingresso Rápido
dia 7/1 – domingo
15h
Concerto de Discos: Revolver (1975)
Walter Franco e Thales de Menezes conversam sobre o segundo álbum.
grátis – sem necessidade de retirada de ingressos
18h
Show: Revolver Tudo
Walter Franco toca seu disco de 1975 na íntegra.
90min – livre – Sala Adoniran Barbosa (622 lugares)
R$25,00 – a venda estará disponível na bilheteria em seu horário de funcionamento (terça a sábado, das 13h às 21h30, e domingos, das 13h às 20h30), e no site Ingresso Rápido
2017 foi um ano de auto-análise, de autoconhecimento, de olhar para dentro para saber o que queremos do lado de fora. Enquanto 2016 foi uma porrada inesperada (entre outras coisas engrossei a estatística dos divórcios daquele ano), 2017 foi um ano de cultivo, de introspecção e de escolhas. E o fato de ter me tornado curador de música de duas instituições distintas ajudaram bastante nesse processo. Já havia sido curador de músicas em três situações diferentes (do Prata da Casa do Sesc Pompeia em 2012, do Festival da Cultura Inglesa em 2012 e 2013 e do Circuito Cultural Paulista em 2015), mas nos três casos entrei em projetos já existentes e obedeci a regras pré-estabelecidas. O que um amigo meu das artes plásticas dizia que pouco tinha a ver com curadoria: “isso é programação, curador é o cara que criou o Prata da Casa e disse que todo ano alguém iria escolher os artistas daquela vez”, me provocava. E foi com essa provocação que atravessei 2016, bolando qual seria a forma de transformar a programação musical do Centro da Terra, curadoria que aceitei no decorrer do ano passado, de forma que o local não simplesmente recebesse shows já existentes. E quando o Cadão me chamou para ser curador do Centro Cultural São Paulo, no início de 2017, aquela provocação já havia cristalizado e eu sabia que deveria fazer mais que simplesmente escolher ou definir artistas e shows para aquele lugar mágico – cuja magia me fez aceitar instantaneamente o convite. Elencar shows que não existiam e provocar artistas a bolar apresentações inéditas fizeram parte deste processo de auto-análise que me ajudou a atravessar 2017 com a cabeça erguida. A etimologia da palavra “curadoria” é a mesma do verbo “cuidar” e esse cuidado em relação à produção musical brasileira atual me ajudou a entender meu próprio espaço nesse contexto – e a vislumbrar um futuro bem mais interessante que o que havia projetado para mim mesmo até agora. 2017 foi ano dos meus 42 verões, aquele número que Douglas Adams disse que era a resposta para a pergunta sobre o sentido da vida. E foi crucial aceitar esse novo sentido para minha jornada neste planeta.
O primeiro projeto que bolei no Centro Cultural São Paulo foi o fim de semana Cultura do Vinil, que criei ao lado dos comparsas da Patuá Discos, Paulão, Peba e Ramiro, três dos principais conhecedores desta cultura, ambos velhos companheiros de outros carnavais. Cultura do Vinil reuniu bambas de diferentes eras para tratar deste suporte mágico que felizmente voltou a circular para a maioria das pessoas. A sociedade secreta do disco preto reunia nomes como o mítico Seu Osvaldo (o primeiro DJ do Brasil) e o ás Erick Jay (então vencedor mundial do campeonato DMC e DJ do programa Manos e Minas), passando pelo mestre Arthur Joly, o fera Rodrigo Gorky, o grande Edson Carvalho (da Batuque Discos), DJ Nuts (que dispensa apresentações), o coletivo Vinil é Arte, MZK e Marcio Cecci homenageando o querido Don KB (que havia falecido no início do ano), entre outros. Foi o primeiro projeto que assinei no Centro Cultural São Paulo e que me ajudou a entender que música naquele espaço era muito mais que simplesmente pautar shows ou pensar em sucessos comerciais.









