
Chegando ao final de agosto, é hora de anunciarmos as atrações musicais que subirão ao palco do Centro da Terra nas segundas e terças-feiras de setembro. A temporada do mês fica por conta do saxofonista e arranjador João Barisbe, que aproveita as quatro primeiras segundas-feiras do mês para desenhar uma mesma obra dividida em quatro versões. Turismo Inventado terá diferentes convidados a cada primeiro dia da semana. Na primeira terça do mês (dia 2), o baixista Valentim Frateschi comemora seu aniversário no palco do teatro, antecipando o lançamento de seu primeiro disco solo, Estreito, numa apresentação com vários convidados. Na semana seguinte (dia 9), é a vez do baterista Theo Ceccato mostrar uma versão de câmara de seu projeto impetuoso chamado Pah!, em que divide a noite com o xará Téo Serson num espetáculo batizado de Competição De Cuspe A Distância. Na terceira terça do mês (dia 16), é a vez do homem violeta de outono Fabio Golfetti mostrar todo seu ar ambient e progressivo em uma apresentação solo chamada de Música Planante. Na quarta terça-feira do mês (dia 23), a artesã sonora Lea Taragona apresenta a nova fase de seu projeto Dibuk no espetáculo Uivo. Encerrando o mês, na última segunda de setembro (dia 29), a dupla Luli Mello e Leo Bergamini mostram o trabalho que vêm desenvolvendo a dois no espetáculo Planeta Antiguinho e o mês termina na última terça (dia 30), quando o quarteto catarinense Tutu Naná antecipa mais um disco que lançam esse ano, chamado de Masculine Assemblage. Os espetáculos começam pontualmente sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
#centrodaterra2025

Sem explicações ou palavras, Lorena Hollander e o Novíssimo Edgar conduziram a audiência do Centro da Terra nesta terça-feira a um transe de matizes indianas ao descortinar seu Hotel Shiva pela primeira vez em uma apresentação pública, para além de seus círculos internos. Enquanto o artista de Guarulhos mostrava seu lado músico disparando bases e tocando flautas, um trompete de madeira e kalimba, a multiinstrumentista paulistana exibia seu domínio do kotô – uma gigantesca e tradicional cítara japonesa – sobre bases eletrônicas que às vezes desfaziam-se em texturas e noutras marcavam beats, quase sempre distorcendo o timbre ancestral com seus pedais de efeito. Edgar desafiou-se a passar toda a apresentação sem soltar sua conhecida voz, deixando-a soar apenas como um vocalise no último movimento da peça contínua que os dois mostraram por uma hora, como Lorena já vinha cantando sem palavras no decorrer da noite. Ornando a apresentação, vídeos traziam trechos de filmes indianos que ajudavam-nos a entrar pela recepção deste Hotel, que deve virar disco em breve.
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O encontro do Novíssimo Edgar com Lorena Hollander parece musicalmente improvável, uma vez que os experimentos de canto falado do poeta de Guarulhos parece ter poucas intersecções com o trabalho que a multiinstrumentista toca em seu projeto pessoal Ushan, mas os dois se encontraram ao cantar sobre música como cura e juntos apresentam o espetáculo Hotel Shiva, que definem como um portal que se abre para um espaço-tempo que faz forças arquetípicas e tecnologias intuitivas se encontrarem usando instrumentos eletrônicos e ancestrais como o koto (harpa tradicional japonesa) e a kalimba, além de guitarras, sintetizadores e percussão e conduz seu transe hipnótico nesta terça-feira, no Centro da Terra. O espetáculo começa sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
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Alinhamento perfeito no encontro entre Papisa e Arquétipo Rafa proporcionado como mais um capítulo da temporada que a primeira está fazendo no Centro da Terra. Ao reduzir as canções dos repertórios de ambos a poucos instrumentos (Rita entre guitarra, piano e synths e Rafa entre a bateria e o baixo synth) inevitavelmente deixaram seus arranjos mais minimalistas e isso fez com que pudessem se aprofundar bem nas próprias músicas, nas versões alheias que fizeram (passaram por “Na Hora do Almoço” de Belchior, “Esperar Pra Ver” de Evinha e “Wicked Game” de Chris Isaak, que fechou a noite) e até uma inédita, que compuseram para a ocasião. No meio do show, os dois convidaram a cantora Luna França, que passou por uma tragédia pessoal que, felizmente, conseguiu contornar e voltar aos palcos, para participar de uma música nova de Rafa chamada “Pode Vir”, quando o baterista foi para o piano, Rita para a guitarra, deixando a convidada soltar sua voz num momento tocante. Foi bem bonito.
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Mais um Inferninho Trabalho Sujo no Porão da Casa de Francisca e aos poucos vamos engatilhando a festa nesse icônico palco da cidade, cuja localização subterrânea e as frondosas cortinas vermelhas sempre premiam a noite com aquela atmosfera lyncheana. Dessa vez reuni Mundo Vídeo e Dadá Joãozinho na mesma noite, inaugurando a parceria desses dois artistas que logo lançarão um material conjunto que foi apresentado pela primeira vez nessa sexta-feira. A noite começou com a apresentação enxuta e direta do Mundo Vídeo, Gael Sonkin e Vítor Terra digladiando guitarras como se jogassem videogame, disparando bases eletrônica – por vezes frenéticas, outras mais relax – para cantar sobre dramas emocionais do dia a dia. O público foi enchendo o porão e curtindo o primeiro show e aos poucos se preparava para a segunda parte da noite…
Depois foi a vez de Dadá Joãozinho fazer sua apresentação para antecipar o encontro dos dois artistas, que aconteceria no final da noite. Mas como Vítor Terra já está na formação da banda de Dadá – ao lado de Bruno Mamede (sopros), Éverton Santos (baixo), Filipe Castro (percussão) e João Viegas (teclados) -, Gael Sonkin subiu junto com essa banda desde a primeira música e o encontro de Dadá com Mundo Vídeo começou a partir do show do primeiro. O rapper carioca começou o show com sangue nos olhos, provocando o público para dançar e bater cabeça de uma forma insistente, enquanto apresentava músicas de seus dois discos e uma versão para “Nunca Vi Você Tão Triste” de Zeca Pagodinho, além de convidar Popoto, vocalista da banda Raça, para subir no palco e dividir os vocais de “Olha Pra Mim”, single que lançou no fim do ano passado. O show cresceu ainda mais quando, em sua parte final, os dois artistas mostraram as primeiras composições inéditas pela primeira vez ao vivo, fazendo todo mundo entrar em suas frequências. Onda boa.
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Em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Porão da Casa de Francisca, reúno dois novos nomes da atual cena musical brasileira que estão começando um trabalho conjunto. O artista Dadá Joãozinho, de Niterói, transcende estilos e passeia por gêneros musicais distintos como rock, samba, pop, jazz, hip-hop, soul e MPB trazendo a cada faixa um retrato de múltiplas temporalidades, cruzando passado, presente e futuro, misturando repertórios de seus discos Tds Bem Global (este também lançado pelo selo californiano Innovative Leisure) e 1997. Já a dupla carioca Mundo Vídeo mistura informações desconexas – que vão do rock à trilha sonora de videogame, passando por música brasileira, rock clássico, reggae, hyperpop, pós-punk e funk – de forma frenética, transformando seu show num ataque aos sentidos, que deu origem ao disco Noite da Lua Torta, lançado pelo selo Balaclava no ano passado. Os dois artistas estão prestes a lançar um EP conjunto e nesta apresentação farão seu primeiro show experimentando um novo repertório, tocando juntos além de fazer seus dois shows isolados, antecipando a parceria. Antes e depois dos shows, eu mesmo discoteco abrindo e fechando a noite. Os ingressos estão à venda neste link.

Ao revelar parte de seu próximo álbum num Ensaio Aberto conceitual que organizou nessa terça-feira no Centro da Terra, Sessa compartilhou outros segredos com o público que encheu o teatro na noite gelada. Dois destes foram contados logo ao início da apresentação quando, depois de tocar duas inéditas ao lado de Marcelo Cabral, Biel Basile e Ina, ele convidou para o palco a multiinstrumentista Lê Veras, que assumiu o piano da noite, abrindo uma nova camada na sonoridade em seu trabalho, que, outra revelação da noite, se chamará Pequena Vertigem de Amor. Ao lado dos quatro, mostrou algumas das novas músicas e como o casamento de seu violão com a bateria de Biel e o baixo elétrico de Cabral, com as teclas de Lê e da sempre belíssima voz de Ina deu uma nova sutileza, tornando ainda mais leve sua musicalidade. A segunda parte do show contou com músicas de seus dois primeiros discos, dentro dessa nova faixa de sensibilidade (fora o piano, que não esteve nessa metade), e Sessa encerrou a noite com a mais bela versão para sua “Gata Mágica”, com Cabral tocando seu instrumento com um arco de cello.
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Nesta terça-feira recebemos Sessa mais uma vez no palco do Centro da Terra, quando faz um Ensaio Aberto do que será seu terceiro disco solo, programado para ser lançado em novembro deste ano. Ele vem acompanhado de Marcelo Cabral (baixo), Biel Basile (bateria) e Ina (vocal) e mostra como as novas músicas funcionarão no palco mesmo antes do público conhecê-las. O espetáculo começa sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
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“Quanto mais escura a noite, mais claro fica o que tem por dentro.” Rita Oliva atravessou a metade de sua temporada Em Brisas nesta segunda-feira no Centro da Terra, quando pela primeira vez deixou sua persona Papisa ser levada para o território do texto falado, entregando-se à poesia guiada pelo poeta Bobby Baq, único convidado desta noite. Além do texto – que incluía com poemas de Marina Colasanti, Clarice Lispector, Yoko Ono e obras dos dois -, Papisa ainda tocou guitarra, teclados e disparou samples, citando Lulu Santos, Sidney Magal e Radiohead e suas próprias canções, entre inéditas e desenterradas, dividindo a apresentação, que usava a água como fio condutor, em quatro partes e conversando com o público entre essas partes – abrindo, inclusive uma roda de sonho em pleno teatro. Foi sua noite mais experimental, em que o encontro da música com a poesia abriu portas para o ocultismo e a psicanálise.
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A força vital de Marcela Lucatelli é o motor do espetáculo Necromancy, que ela apresentou ao lado dos comparsas escandinavos Lars Bech Pilgaard e Ole Mofjell, convidando Marcelo Cabral para integrar-se ao grupo na sessão de improviso no Centro da Terra a partir de temas pré–estabelecidos pelo trio em registros anteriores. Mas por mais que o instrumental acompanhe a avalanche ruidosa que a vocalista transforma em presença física, eles não chegam aos limites explorados por Marcela e trabalham dentro de gêneros bem definidos, em vez de demolir tais barreiras instrumentais. Cabe à vocalista buscar as fronteiras da noite, expandindo sua voz para os limites do corpo, tanto ao testar seu timbre de forma extrema quanto na performance de se atirar no palco – e do palco – por vezes literalmente. Arrasa quarteirão.
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