Crime Caqui e um diário sensorial de 2020

A jovem banda paulistana Crime Caqui planejava lançar seu primeiro disco de estreia em 2020, mas foi inevitavelmente abalroada pelos imprevistos desse ano, que forçou as quatro instrumentistas a tocar seus trabalhos em outro ritmo. “Obviamente, tínhamos alguns planos e ideias pra essa música que acabaram mudando drasticamente quando estourou a pandemia”, explica a vocalista e baixista Yolanda Oliveira. A guitarrista Larissa Lobo completa: “Por conta do distanciamento físico, esse ano não conseguimos iniciar a gravação do nosso primeiro disco, mas tivemos esse tempo para definir melhor o projeto.” Nesse meio-tempo, lançaram algumas músicas, alguns clipes e agora encerram seu 2020 com a gravação de sua música mais épica, a intensa “Naufragar”, que ganha um improvável clipe caseiro e artesanal, que estreia em primeira mão no Trabalho Sujo.

“Sentimos a necessidade de registrar o nosso estado de espírito através de gravações feitas por nós mesmas de cenas do nosso cotidiano no decorrer dos dias”, prossegue Yolanda, “decidimos que o clipe seguiria nessa linha, achamos que poderia surgir uma conexão interessante já que a canção não tem nada a ver com esse assunto. As imagens foram gravadas no decorrer desse ano – desde junho até uns dias atrás, quando fizemos as últimas captações pra compor a montagem – enquanto isso a música ia sendo finalizada. Se tornou uma espécie de diário sensorial que relata a nossa percepção do ano de 2020. Também, assim como o ano está se encerrando, esse single é o último da leva e encerra um ciclo para nós.”

A guitarrista May Manão continua. “Idealizamos o clipe já pensando na situação atual de pandemia pois era e ainda é nossa realidade durante a pós-produção da música. Filmamos a nós mesmas trazendo uma interpretação individual da música e relacionando com nossas vivências no confinamento e a nova percepção dos espaços das nossas casas.”

“Esse ano aconteceu num ritmo diferente né, nossos planos e encontros foram interrompidos e o que era pra ter sido começado, foi adiado”, conclui Larissa. “Mas foi importante também porque conseguimos fazer e criar outras coisas e além de amadurecer algumas ideias. Em outubro a gente se reuniu brevemente e gravamos um material novo, com músicas inéditas, que deve ser apresentado no início do ano. Vai ser bem chique! Também tivemos esse tempo para definir melhor o projeto e é praticamente certo que faremos algo no esquema de financiamento coletivo. Então aguardem a nossa chamada!”

Vida Fodona #649: Arqueologia recente

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Previously, on Trabalho Sujo

PJ Harvey – “Sheela-Na-Gig (Demo)”
Burt Bacharach + Daniel Tashian – “Bells of St. Augustine”
Crime Caqui – “Your Forehead”
Sharon Van Etten + Josh Homme – “(What’s So Funny Bout) Peace, Love and Understanding”
Michael Stipe + Big Red Machine – “No Time For Love Like Now”
Jarv Is – “Save the Whale”
Àiyé – “Pulmão”
Jair Naves – “Irrompe (é quase um milagre que você exista)”
Gang of Four – “Forever Starts Now”
Flaming Lips – “Flowers of Neptune 6”
Tika + Kika + João Leão + Igor Caracas – “Astronauta”
Zé Manoel – “História Antiga”
Cat Power – “Toop Toop (A Tribute to Zdar)”
Mano Mago – “Estrelas Mortas”
Angel Olsen – “New Love Cassette (Mark Ronson Remix)”
Chromeo – “6 Feet Away”
Poolside -“Around The Sun (Body Music Remix)”
Kassin – “Relax (DJ Memê Remix)”
Guilherme Held + Letieres Leite – “Sorongo”
Hatchie + The Pains of Being Pure at Heart – “Sometimes Always”
Elvis Costello – “No Flag”
Bob Mould – “American Crisis”
Black Pantera – “I Can’t Breathe”
Stooges – “T.V. Eye (Radio Edit)”

Mais uma das Crime Caqui

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A Crime Caqui, uma das minhas bandas novas favoritas lança mais um single, a delicada e grudenta “Your Forehead”, preparando terreno para o disco de estreia…

Crime Caqui demais

Foto: Jeff @caodenado (Divulgação)

Foto: Jeff @caodenado (Divulgação)

Uma das minhas bandas novas favoritas, o quarteto paulistano Crime Caqui estava planejando terminar seu disco de estreia neste primeiro semestre, mas foi abalroado, como todos nós, pela pandemia e pela quarentena. Mas como já tinham alguns singles na gaveta, resolveram começar por estes – e o primeiro da lista, cujo clipe está sendo lançado em primeira mão aqui no Trabalho Sujo, é a segunda versão de um single que elas já haviam lançado anteriormente, “Somos Demais”.

“A nova versão ganhou uma profundidade maior por conta das camadas de som e realce de timbres”, explica a baixista e vocalista Yolanda Oliveira. “A produção da Desirée Marantes – em conjunto com a mixagem da Flávia Fontolan – se fez mais presente nessa versão, incorporando com maestria camadas de cordas, vozes, elementos eletrônicos e alguns efeitos inusitados, criando nuances e uma ambiência diferente para a canção.” O clipe foi feito antes da quarentena, continua a baterista Fernanda Fontolan: “‘Absorver’, ‘represar’, ‘espelho’, ‘saliva’ são palavras da música que se relacionam com água e formas de retê-la. Escolhemos o copo com água como símbolo forte desse sentimento e palavras, a ideia foi abordar aquilo que transborda ou pode transbordar, como quando absorvemos além do que precisamos ou, num prisma aguçado e inevitavelmente feminino, deixamos abundar tamanha densidade”. A banda cita os clipes do grupo Minor Victories (“Give Up the Ghost” ou “A Hundred Ropes”) e o da banda Stray Dogg (“Time”) como referências.

Sobre lançar uma segunda versão de uma música já conhecida em vez de um novo single, Fernanda e Yolanda explicam juntas: “Havíamos planejado fazer uma nova versão da ‘Somos Demais’ para o lançamento do clipe contando com a produção da Desi Marantes. A ideia era lançar um pouco depois do primeiro lançamento porém os prazos foram totalmente extrapolados. Ainda assim, escolhemos manter essa linearidade, pois o processo todo, ainda que atravancado estava em andamento e o material estava amadurecendo de uma forma muito bonita com a produção e a nova mixagem da Flavia Fontolan. Concluímos que, mesmo que fosse a versão de uma música já lançada ainda assim seria interessante. Curiosamente, o lançamento culminou na pandemia, o que nos fez refletir sobre a demora do processo de criação e produção das nossas músicas e demais materiais – algo que também acontece com muitos artistas, principalmente aqueles que produzem de forma independente como nós – num panorama de fluxo excessivo de conteúdo ao qual nos expomos e a ansiedade que isso gera em contraste com o momento mundial em que tudo e todos tiveram que brecar os processos cotidianos de trabalho, produção, relacionamento, etc. Uma reflexão que aceitamos e foi muito bem-vinda.”

“A ideia é continuar a produção de material novo pra este ano porém estamos nesse processo, junto com todo o mundo, de entender os tempos que estamos passando e encontrar maneiras de produzir mesmo a distância e em isolamento”, continua a baixista. “As gravações e formatos como havíamos planejado não vão acontecer e isso derruba as nossas expectativas de prazo mas as possibilidades ainda são muitas. É interessante lidar com essa nova lógica, como você mesmo disse no seu diário, ‘como se fosse durar pra sempre’, e pensando dessa forma o caminho é continuar produzindo, ainda que não do mesmo jeito ou com a sonoridade que era esperada.”

A guitarrista Larissa Lobo, nova integrante que faz dupla com a outra guitarrista, May Manão, fala sobre esta redefinição de planos: “Antes da quarentena tínhamos planos de celebrar os próximos singles com alguns shows. Pensávamos até em fazer uma festinha em Sorocaba para um dos lançamentos. Em abril começaríamos as gravações do nosso primeiro disco. Agora os planos foram adaptados. Os singles, que já estão prontos, seguirão a agenda e no mais estamos aprendendo a viver essa intensidade virtual e tentando usufruir disso também. Além das lives, temos interagido muito mais pelo nosso perfil do instagram e também pensado em novas maneiras de juntar as quatro – já que cada uma está em um canto – em forma de vídeo. A ideia é que saia um vídeo clipe produzido a partir de registros dessa temporada.”

Sexta Trabalho Sujo #004: Crime Caqui

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Que prazer receber as queridas Crime Caqui em mais uma Sexta Trabalho Sujo no Estúdio Bixiga, nesta sexta-feira, dia 22, às 21h, entrelaçando acordes elétricos com doces melodias (mais informações aqui).

Sexta Trabalho Sujo: Novembro de 2019

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Tenho o prazer de anunciar, como parte das comemorações dos 24 anos do Trabalho Sujo, que acontecem neste mês de novembro, que a curadoria das sexta-feiras no Estúdio Bixiga está sob os meus cuidados. A Sexta Trabalho Sujo trará sempre shows de artistas consagrados ou em ascensão para o palco da casa que fica em frente à praça do Bixiga, sempre às sextas, a partir das 21h30. E os nomes que começarão este primeiro mês são cinco: Kiko Dinucci, dia primeiro, mostrando sozinho novidades que deverão resultar em seu próximo disco (mais informações aqui); Luiz Chagas, que recebe Suzana Salles e outros convidados no dia 8; dia 15 é a vez da rapper mineira de ascendência chilena Brisa Flow; depois temos a ótima banda nova Crime Caqui para finalmente fechar o mês com os queridos Garotas Suecas, dia 29. Mais um ciclo que começa, vamos lá! O Estúdio Bixiga fica na rua Treze de Maio, 825, e os ingressos custam R$ 30 (R$ 15 antecipado aqui).

Vida Fodona #607: Ensolarada pelo menos

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Sai fora, frio.

Toro y Moi – “Ordinary Pleasure”
Broken Bells – “Good Luck”
Def – “Casa (Paulo)”
Wilco – “Before Us”
Angel Olsen – “Spring”
Lana Del Rey – “Venice Bitch”
O Terno – “Nada / Tudo”
Blur – “Death of a Party”
King Crimson – “Red”
Beatles – “You Never Give Me Your Money (Take 36)”
David Bowie – “Kingdom Come”
Crime Caqui – “Gostosinha”
La Leuca – “Saliva Salina”
Velvet Underground – “Some Kinda Love”