
Nossa querida Chanzinha acaba de revisitar um dos discos mais importantes de sua carreira como Cat Power ao lançar o EP Redux, espécie de posfácio ao seu fabuloso The Greatest, de 2006, quando estabeleceu-se como a Lana Del Rey de seu tempo ao gravar um disco intenso e confessional, além de ser seu primeiro álbum sem versões para músicas alheias. Mas isso não quer dizer que ela não estivesse influenciada por alguns de seus mestres — e esse novo adendo ao disco de 20 anos atrás traz duas joias dessas: sua versão para “Try Me”, de James Brown, e uma releitura arrebatadora de “Nothing Compares 2 U”, escrita pelo Prince e eternizada por Sinéad O’Connor. Se a do James Brown levanta defunto, essa do Prince é puro encantamento. Prepare seu lenço…

Começou de brincadeira, mas agora é sério: as Sleater-Kinney oficializaram seu tributo aos Ramones ao lado do comediante Fred Armisen depois de alguns shows no ano passado tocando com o nome de “Moans”. O grupo adotou um novo nome – Return Of Jackie And Judy, tirado da faixa de mesmo título do disco do quarteto nova-iorquino produzido por Phil Spector em 1980, End of the Century -, já criou uma conta no Instagram e marcou shows esse ano em alguns festivais (quando tocam em maio no Bottlerock na Califórnia e no Mooswood Meltdown em Oakland, ambos nos EUA). O tributo era meio inevitável pela relação que as Sleater-Kinney têm com o mitológico grupo punk – seu primeiro hit underground, em 1996, chamava-se “I Wanna Be Your Joey Ramone” e o grupo sempre toca músicas dos nova-iorquinos em seus shows e a conexão com Armisen, que fazia dupla com a guitarrista e vocalista Carrie Brownstein na clássica série Portlândia e vive tocando com bandas indie de seus amigos (como fez recentemente no Hanukkah do Yo La Tengo), também parece meio óbvia pela proximidade dos envolvidos. Tomara que descubram o tamanho dos Ramones na América do Sul e se arrisquem fazer shows por aqui, imagina….

No mesmo Artists for Aid em que Clairo se apresentou Chappell Roan e Lucy Dacus fizeram um dueto em que interpretaram juntas “The Book of Love” do Magnetic Fields. Bonito…

E o David Byrne, que não é bobo nem nada, aproveitou o aniversário do primeiro hit de Olivia Rodrigo para lançar sua versão de “Drivers License”. Assim o talking head sela em disco sua parceria com a jovem geninha do pop, que começou com o dueto dos dois no show dela no festival Governors Ball, do ano passado, quando dividiram os vocais da clássica “Burning Down the House”.

Dona de um dos melhores discos de 2025, a vocalista do grupo The Marias, María Zardoya, estreou seu projeto solo Not for Radio nos palcos pela primeira vez nesta segunda-feira, quando deu início à divulgação ao vivo de seu ótimo Melt no teatro Fox, em Oakland, nos EUA. Além de tocar todas as músicas de seu disco, ainda tocou três inéditas, o hit “No One Noticed” de sua banda e uma versão deslumbrante para “Nude”, do Radiohead. Sente o drama abaixo..

Vamos começar o ano com os Mutantes tocando “A Day in the Life”? Desenterraram essa joia da segunda edição do programa Jovem Urgente, produzido pela TV Cultura em 1969, com o clássico grupo paulistano relendo a magnus opus dos Beatles ao vivo em frente às câmeras, com direito a Arnaldo e Sérgio dividindo os vocais de John e Paul, respectivamente, enquanto Rita solta o ad lib da flauta doce. E é muito bom quando o Arnaldo se empolga no teclado no interlúdio de McCartney cantado pelo irmão. Cortesia do @beatnick_95. Feliz 2026!

E essa versão de “Place to Be” do Nick Drake cantada pelo Cameron Winter do Geese? O vídeo é de 2022, quando a banda ainda contava com o guitarrista Foster Hudson (que acompanha o vocalista nesta gravação) em sua formação, e foi gravado pra ONG de prevenção ao suicídio Sounds of Saving.

St. Vincent foi chamada pelo Stephen Colbert para inaugurar uma nova sessão no programa Late Show que ele apresenta, chamada Under the Covers e dedicada a versões alheias – e ela tirou da cartola um das canções mais difíceis do David Bowie de se cantar, a irresistível “Young Americans”. E tirou onda…