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“Fazer amor com você vai ser show” x “Take a Toke”

O lado bom dessa versão tosca de “Take a Toke” estar começando a virar hype é que ela joga luz na original, um clássico do romantismo canábico pala. Já fechei muita GB com essa música, seis da manhã…

Olha o revival dos 90 que vocês tanto queriam aí…

CORAL MAIDEN

E o Gabriel mandou esses moleques aqui, demais.

The King of Limbs em menos de 24 horas

Materinha que escrevi no Link de hoje, sobre a banda Robotanists, que regravou o King of Limbs em menos de um dia após seu lançamento.


Foi o tanto de milésimos de segundos que a banda Robotanists levou para tirar de ouvido e gravar sua versão para o 8º disco do Radiohead, lançado na semana passada. Ao mesmo tempo, Thom Yorke virava um meme

Começou há duas semanas. Quase quatro anos sem lançar nada, o grupo inglês Radiohead anunciou que tinha gravado o novo disco e que o lançaria em menos de uma semana. A estratégia foi parecida com a do lançamento do disco anterior, mas com algumas novidades. Em vez de perguntar ao público quanto valeria o disco, estabeleceu preço para o download. Chamou o disco de “newspaper album” (álbum-jornal) sem explicar o que seria isso. E anunciou o título do disco: The King of Limbs. Era uma segunda-feira. O novo disco estaria disponível para download no sábado.

Antes mesmo de seu lançamento o disco já causava burburinho entre os fãs da banda – e junto da expectativa, especulações que cruzavam músicas tocadas ao vivo que não haviam entrado em discos com artistas que o Radiohead havia elogiado em entrevistas. Mas, nos Estados Unidos, um grupo de amigos aguardava o novo álbum e transformou a espera num desafio. Juntos, os cinco formam a banda Robotanists, que se propôs à tarefa de tirar todas as músicas do disco e regravá-las em menos de 24 horas após seu lançamento.

“Quando o Radiohead anunciou que lançaria um novo disco, queríamos voltar ao estúdio e ao mesmo tempo pensamos que isso poderia ser uma oportunidade única de nos propor um desafio musical”, me explica a vocalista da banda, Sarah Ellquist. “Seria um exercício interessante tentar gravar um disco que nunca havíamos ouvido num curto período de tempo. Fizemos isso apenas para nos desafiarmos, somos grandes fãs do Radiohead, por isso tentamos manter a integridade original das canções, forma e harmonia, dentro das condições em que trabalhamos.”

A banda começou a trabalhar um dia antes, já que o Radiohead antecipou o lançamento, que aconteceria no sábado, para a sexta anterior. E começou por onde todos os fãs da banda começaram: “Lotus Flower”. Faixa de trabalho do disco, ela chegou à internet antes mesmo do resto do álbum em um inusitado clipe que trazia o vocalista do Radiohead, Thom Yorke, dançando sozinho quase aleatoriamente, num meio-termo entre a cara de pau e a dança moderna.

A dancinha virou hit – e na própria sexta gente do mundo inteiro começou a superpor as cenas do Yorke dançarino a todo tipo de música. No Brasil, duas em especial pegaram na veia – em uma versão, o vocalista do Radiohead dançava Claudinho e Buchecha, em outra, sambava feito a Globeleza. Enquanto isso, os Robotanists fritavam para tirar o disco nota por nota.

“O mais difícil foi descobrir a métrica e a forma das músicas”, continua Sarah. “São canções complexas que vão por caminhos incomuns, então tínhamos de pensar nelas como compositores. ‘Little by Little’ foi a mais difícil, de longe. Ela tem uma métrica padrão, mas passa uma sensação de ritmo atravessado, por isso penamos para escolher a batida e acertar os vocais”.

Além do fato dos vocais das músicas serem interpretados por uma mulher, uma das melhores coisas de Robotanists Does Radiohead The King of Limbs in 24 Hours é perceber que, apesar das texturas e beats que lembram música eletrônica, o disco é todo tocado por músicos de verdade, como o próprio álbum original.

A diferença básica é que se no Radiohead é difícil perceber o que é humano e o que é eletrônico, isso não acontece com os americanos. Tachado de “difícil”, The King of Limbs caiu nas graças dos Robotanists instantaneamente: “Quando você passa tanto tempo fazendo uma coisa só, você acaba descobrindo suas falhas, mas ficamos surpresos e animados a cada nova música com a sutileza geral do disco. O Radiohead segue expandindo o vocabulário musical de seus fãs. Se você não gostou do disco à primeira audição, passe mais tempo com ele, pois este tipo de complexidade é cada vez mais rara na música popular atual”, conclui Sarah. O disco pode ser baixado no site da banda, Robotanics.com. De graça.

Cidadão Instigado + Legião Urbana


Cidadão Instigado + Dado Villa Lobos – “Tempo Perdido”

Dado Villa-Lobos deu uma palhinha num show do Cidadão Instigado no Rio no fim de semana e a banda aproveitou pra emendar duas do Legião. O Ricardo tava lá e escreveu sobre o show (os vídeos são da Jô):

Ontem, fui assistir ao Cidadão Instigado no Rival e confesso que minha expectativa era ainda maior. Penso que é a melhor banda em atividade no Brasil e ainda não havia os visto ao vivo. Fui com meu amigo Cadu e não nos decepcionamos, um showzaço. Lembro que desde a abertura, com ‘Doido’, comentei que nenhuma banda ‘normal’ abriria daquela forma e o show prosseguiu com interpretações magistrais de pérolas como ‘Deus é uma viagem’ e ‘Como as Luzes’, até Catatau chamar uma participação especial: Dado Villa-Lobos. Ficamos agradavelmente surpresos, até porque não estava no roteiro. Gostei ainda mais que ele tocou ‘Homem Velho’, das minhas preferidas do último álbum da banda, uma tocante homenagem a Deus, quer dizer, Neil Young. Mas nem podíamos imaginar o que vinha depois…

Já tinha visto o Dado tocar em shows de outras bandas e é sempre legal, mas dessa vez foi diferente. Ele entrou no palco com a simplicidade de sempre, parecendo congelado no tempo, vestindo uma camiseta do Blur e após a bonita interpretação de ‘Homem Velho’, a banda emendou inacreditavelmente com uma das melhores canções da Legião Urbana, ‘Andrea Doria’, em versão fiel à original. Foi especial porque bateu tudo muito forte ali, assistir aquela canção ao vivo, com o guitarrista da banda que mais ouvi na minha adolescência junto com a banda que mais admiro atualmente. E o fato de ver o Catatau cantando era como se cada um de nós cantasse ali no palco, por ele representar o oposto do comportamento messiânico de Renato Russo. Ainda tocaram ‘Tempo Perdido’, “um dos momentos mais lindamente melancólicos da história da música pop”, como definiu Hermano Vianna, e a música da Legião que meu pai mais gosta.

Tudo é questão de feeling, o lugar certo, na hora certa, e naquele momento foi como se um filme da vida passasse em minha mente. Foi significante ver o Cidadão Instigado tocando Legião com o Dado, o encontro de referências importantes para mim, situados em espaços tão distintos de tempo. Pelo inesperado, pela nostalgia, foi daqueles momentos inesquecíveis. E, significativamente, a próxima música que a banda tocou foi ‘O Tempo’ e versos como “olha pra mim, eu já não sou mais o menino que você deixou” ou “o tempo é um amigo precioso” fizeram ainda mais sentido.

Poderia falar do quanto a banda ainda é mais criativa no palco do que no estúdio; que Catatau só confirmou o que eu já sabia, que é o melhor guitarrista de sua geração; que Dado ainda voltou para tocar com muita empolgação mais músicas do Cidadão… Mas prefiro deixar essa última imagem, a torrente de sentimentos que me invadiu naquele momento: Cidadão Instigado, Legião Urbana, ‘Andrea Doria’, ‘O Tempo’, o tempo…


Cidadão Instigado + Dado Villa Lobos – “Andrea Doria”

Realmente, essa versão de “Andrea Doria” (que música!) ficou demais.