Essa versão que o Tame Impala fez para “Confide Me” é dessas que justifica artistas regravarem obras dos outros sem cair naquele nível de comparação que sempre conclui que o original é melhor. Kevin Parker escolheu um hit esquecido de Kylie Minogue cuja profundidade soul dance conversa diretamente com o momento em que vive a bordo de sua banda e de seu bissexto Currents – e revela nuances no original que provavelmente fugiu da maioria dos ouvintes à época. A banda mexe pouco no original, mas sobreposta à atual sonoridade do grupo e às texturas instrumentais características desta fase – tanto o entrelaçamento de teclados e guitarras, o vocal cantado apenas sobre a bateria e os agudos no refrão -, a versão é de chorar.
Lembra do original?
O cover foi feito para o programa australiano Like a Version, onde o grupo já havia regravado aquela música do Outkast.
Os músicos Vitória Lima (violino), Letícia Teixeira (violoncelo), Breno Freire (contrabaixo) e César Martini (viola) fazem uma versão acústica de arrepiar para “Oyá”, do Metá Metá.
A dupla inglesa Akase deu um trato em uma das melhores músicas do ano passado – “Under the Pressure”, do War on Drugs – adequando-a para a pista de dança – mas não espere nenhum remix maximalista ou batida dance sob os timbres psicodélicos de guitarra do original. O que Harry Agius (que também atende pelo nome de Midland) e Robbie Redway propõem é a reconstrução do épico com poucos elementos, crescendo com beats da mesma forma que o War on Drugs faz com as guitarras. O resultado é excelente (e pode ser baixado de graça aqui).
Em seu novo show, dirigido por Edgar Scandurra, a cantora Fafá de Belém resolveu encarar um repertório rock – e assim ela encarou um hit de Marina (“Fullgás”), uma desconhecida do Legião (“L’Avventura”), uma da Pitty, outra da Plebe Rude, Polnareff e Taiguara. Mas nenhum momento é tão arrebatador quanto a versão dela para o clássico prog “Hocus Pocus”, do grupo alemãoholandês Focus.
Além de Scandurra, a banda ainda conta com a cozinha dos irmãos Busic (Andria no baixo e Ivan na bateria), a mesma do Dr. Sin. Abaixo, mais versões do show que aconteceu no Teatro de Câmara da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, na terça passada:
Os Chromatics seguem enrolando o lançamento de seu segundo disco – Dear Tommy, que originalmente sairia no meio do ano – e vão ganhando tempo lançando uma música aqui, um clipe acolá e agora vêm com um EP com SETE versões para o clássico “Girls Just Wanna Have Fun” da Cyndi Lauper. Que nem ficaram tãããão legais assim, veja uma delas.
Depois de cancelar a perna de sua turnê que passaria pela América do Sul, o grupo inglês Foals volta à BBC com mais uma versão inusitada de uma música alheia. Mas se ao tocar o hit de Mark Ronson e Kevin Parker eles seguiram o original quase à risca, nesta versão para “What Kind of Man”, do grupo Florence + The Machine, eles trazem o hit para o início dos anos 80 e a transformam em uma pérola pós-punk.
Dono de um dos melhores discos de 2015, o baladeiro norte-americano vem cedendo ao pop na nova formação de seus shows e com sua nova banda de apoio – os Duk – vem tocando versões de hits modernos, como “Forever” do Haim…
…”Can’t Feel My Face” do Weeknd…
…”Untitled” do D’Angelo…
…e “Somewhere Only We Know” do Keane.
As quatro versões foram registradas no show que ele fez sábado passado, em Washington, nos EUA.
Jack White chamou Courtney Barnett para participar da série de singles Blue Series da sua gravadora Third Man (que já lançou compactos de nomes como Beck, First Aid Kit, Tom Jones, Laura Marling, entre outros) e juntos escolheram lançar a faixa que encerra o ótimo disco de estreia de nossa querida prodígio indie australiana, “Boxing Day Blues“. E ela armou uma senhora surpresa ao incluir no lado B deste single uma versão super pessoal para o hino “Shivers”, a música mais conhecida da primeira encarnação do Birthday Party, a primeira banda de Nick Cave, quando ela ainda se chamava Boys Next Door. Ela traça uma conexão direta com um improvável cânone indie australiano, já que tanto ela quanto o Birthday Party são lá de down under. Olha que versão foda….
“Shivers” foi composta por Rowland S. Howard, o guitarrista que apresentou a microfonia à banda australiana no final dos anos 70, e encerra o único disco do Boys Next Door, Door Door, lançado em 1979. A música fazia parte do repertório da banda anterior de Howard, Young Charlatans, e foi o único single lançado pelo Boys Next Door. Escrita por seu autor quando ele tinha 16 anos, a faixa é um comentário irônico sobre a insegurança na adolescência.
O problema é que “Shivers” começa com a frase “Eu tenho contemplado o suicídio” e, mesmo que ela brinque com isso no verso seguinte (“mas não combina comigo”), estigmatizou a canção de tal forma que ela foi censurada na Austrália. A forma pesada que Nick Cave interpretava a faixa certamente ajudou a aumentar tal controvérsia:
A música seguiu como um dos principais marcos da carreira de Howard, sendo uma das músicas mais pedidas pelos fãs em sua carreira solo até sua morte em 2009:
Recentemente, a faixa também foi gravada pelo Divine Fits, o ótimo supergrupo indie liderado pelo Daniel Britt, do Spoon:
Que música foda. Mais um ponto pra Courtney, uma das principais artistas deste 2015.
E por falar em Patti Smith, quem também resolveu aproveitar os quarenta anos da obra-prima que inaugurou o punk como o conhecemos foi o Melbourne Festival, que reuniu um supergrupo de músicos australianos para tocar a íntegra do disco de estréia da senhora Smith ao vivo. A querida Courtney Barnett encabeça um quarteto que ainda conta com a cantora Jen Cloher, Adalita do Magic Dirty e o vocalista dos Drones Gareth Liddiard. O show acontece no próximo dia 18 e a procura foi tanta que eles abriram uma nova sessão, mais cedo, para quem quiser garantir o evento. Os ingressos estão à venda no site do festival, se alguém estiver por aquelas bandas nessa época.