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De volta ao Jesus & Mary Chain

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A cantora australiana de dreampop Hatchie se uniu aos recém-terminados norte-americanos The Pains of Being Pure at Heart – que voltaram a tocar juntos para esta versão – para revisitar “Sometimes Always”, o doce single que o Jesus & Mary Chain lançou em 1994 com a vocalista do Mazzy Star, Hope Sandoval, divindindo os vocais.

Ficou bonitinho.

Sharon Van Etten + Josh Homme ♥ Elvis Costello

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Quando Sharon Van Etten juntou-se a Josh Homme para regravar uma versão lindíssima para “(What’s So Funny ‘Bout) Peace, Love and Understanding?”, do Elvis Costello, este lado do planeta ainda não estava cogitando entrar em quarentena e o isolamento social não era nem um futuro próximo. Mas como tudo mudou em poucos meses, os dois viram-se forçados a lançar a colaboração com um clipe gravado à distância, filmado com celulares, flagrando cada um em sua casa, ao redor dos filhos, dando uma conotação completamente diferente à canção original.

A colaboração também foi uma forma que Sharon achou para divulgar a live que fará nesta sexta-feira, tocando seu primeiro álbum, Because I Was in Love, só com seu violão. A transmissão será paga e realizada pelo site Seated e a arrecadação do evento irá para a banda e a equipe técnica da cantora, além de ajudar à National Independent Venue Association (como o nome diz, uma associação norte-americana de casas de shows independentes). Boa, Sharon!

25 anos de Electr-O-Pura

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Electr-O-Pura não é o clássico do Yo La Tengo que os fãs respondem imediatamente quando perguntados qual o melhor disco da banda nova-iorquina – normalmente a resposta varia entre o disco que a banda lançou antes (o Painful, de 1993) ou o que lançou depois (I Can Hear the Heart Beating as One, de 1997) -, mas é o meu disco favorito do trio. Pode ser por motivos sentimentais (foi o primeiro disco do grupo que escutei) e emotivos (“Blue Line Swinger”, a faixa de nove minutos que encerra o disco, é uma das minhas músicas favoritas – e não só entre as deles), mas é bom vê-lo ganhando o verniz histórico necessário quando a gravadora Matador o incluiu como o novo item de sua série Revisionist History.

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A nova edição, que já está em pré-venda e sai apenas em setembro, no entanto, não traz nenhum extra, apenas prensa o disco em vinil duplo, como deveria ter sido anteriormente, com capa gatefold (a versão original do vinil deste disco era simples e a capa não abria), garantindo melhor qualidade sonora para as músicas. Como parte das comemorações do lançamento – o disco fez aniversário no último dia 2 -, a gravadora convidou uma de suas novas artistas, Lucy Dacus, para gravar uma versão para “Tom Courtenay”, ela que também o considera seu disco favorito.

Como se não bastasse, ela nasceu no mesmo dia em que o disco foi lançado e aproveitou para escrever sobre ele, num texto que foi traduzido pelo Marcelo, no Scream & Yell. Um trecho da tradução:

O que me fez voltar ao Yo La Tengo foi a compreensão deles sobre o humor. Ouvi bandas que exprimiam raiva, bandas que exprimiam tristeza, mas não conhecia outras bandas que pudessem expressar uma gama completa de sentimentos da maneira como o Yo La Tengo pode. De música para música, ela podia ser ansiosa, celebratória, triste, contente, confusa, etc. E mesmo quando ficavam barulhentas ou dissonantes, nunca pareciam hostis. Os sons podiam ser severos, até feios, mas eram alegres. Algumas músicas poderiam me fazer chorar, mas eram divertidas e não agressivas. Eu estava assimilando o gosto de outra pessoa e, no processo, descobrindo o meu.

“Tom Courtenay” foi a primeira música do Yo La Tengo que aprendi na guitarra. Eu não sabia o que significava, mas sabia quem Julie Christie era e amava os versos: “As the music swells somehow stronger from adversity / our hero finds his inner peace.” Não sabia o significado, mas não conseguia parar de pensar nisso. Era como qualquer bom poema, deixando um espaço para mim, entre imagens. Agora, acho que a música pode ser sobre obsessão com a mídia, equiparando aos filmes e estrelas de cinema à dependência de drogas. Bom, quem sabe, essa é apenas a minha opinião.

Eventualmente, quando a Matador me convidou para entrar no selo, o fato do Yo La Tengo estar na lista deles foi um componente importante da minha decisão. Eles lançam ótimos álbuns a cada dois anos há mais de três décadas, experimentando e explorando o que parece ser uma criatividade despretensiosa. Vale a pena comemorar, especialmente agora, quando qualquer oportunidade de celebração é uma bênção. Feliz aniversário de 25 anos para o “Electr-o-pura” e obrigado pela música, Yo La Tengo.

Eu também agradeço.

Rodrigo y Gabriela viajando com Pink Floyd

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Vem de longe o prazer da dupla mexicana Rodrigo y Gabriela de incorporar clássicos do rock em seu repertório, ressaltando as qualidades instrumentais de sua parceria acústica. E desde o ano passado, Rodrigo Sanchez e Gabriela Quintero passaram a tocar uma versão de tirar o fôlego de “Echoes”, o soberbo épico que domina todo o lado B do fabuloso Meddle, de 1971, lançando-a inclusive como número de encerramento de seu disco mais recente, Mettavolution. A versão abaixo faz parte da playlist Lumbini Sessions, sessões diárias que vêm fazendo em seu estúdio Lumbini, na Cidade do México.

Nick Cave celebra Marc Bolan

cave

Nick Cave abriu os trabalhos. Sua deslumbrante versão para “Cosmic Dancer” é o primeiro single single do tributo a Marc Bolan e seu T-Rex AngelHeaded Hipster, que vinha sendo idealizado há anos pelo produtor Hal Willner, que trabalhava no programa Saturday Night Live e que morreu no início deste mês, vítima do coronavírus. Willner, que produziu discos de nomes como Marianne Faithfull, Lou Reed, Lucinda Williams e Laurie Anderson, entre outros. Para o disco, que sai em setembro e já está em pré-venda, reúne nomes tão distintos quanto Joan Jett, Beth Orton, Devendra Banhart, Father John Misty, U2, Todd Rundgren, Sean Lennon, Perry Farrell, Marc Almond, entre outros.

A capa e a lista de quem toca quaç música vêm a seguir.

Angelheaded

Kesha – “Children Of The Revolution”
Nick Cave – “Cosmic Dancer”
Joan Jett – “Jeepster”
Devendra Banhart – “Scenescof”
Lucinda Williams – “Life’s A Gas”
Peaches – “Solid Gold, Easy Action”
BØRNS – “Dawn Storm”
Beth Orton – “Hippy Gumbo”
King Khan – “I Love To Boogie”
Gaby Moreno – “Beltane Walk”
U2 – “Bang A Gong (Get It On)” (Feat. Elton John)
John Cameron Mitchell – “Diamond Meadows”
Emily Haines – “Ballrooms Of Mars”
Father John Misty – “Main Man”
Perry Farrell – “Rock On”
Elysian Fields – “The Street And Babe Shadow”
Gavin Friday – “The Leopards”
Nena – “Metal Guru”
Marc Almond – “Teenage Dream”
Helga Davis – “Organ Blues”
Todd Rundgren – “Planet Queen”
Jessie Harris – “Great Horse”
Sean Lennon & Charlotte Kemp Muhl – “Mambo Son”
Victoria Willians & Julian Lennon – “Pilgrim’s Tail”
David Johansen – “Bang A Gong (Get It On) – Reprise”
Maria McKee – “She Was Born To Be My Unicorn / Ride A White Swan”

“E os meus olhos ficam sorrindo…”

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Céu revisita o clássico “Carinhoso”, de Pixinguinha, transformando-o em um simpático reggae – o desenho da capa do single é um autorretrato da própria cantora.

A música é uma das doze versões que a canção terá dentro de uma nova série do Netflix da Globo, Todas as Mulheres do Mundo, que ainda terá interpretações feitas por Elza Soares, Marisa Monte, Alcione, Ana Cañas, Elis Regina, Maria Bethânia, Nara Leão e mais.

Já imaginou o Iggy Pop cantando “Family Affair”, do Sly?

iggypop

Iggy Pop resolveu dar o presente pros fãs ao completar 73 anos nesta terça-feira, ressuscitando uma versão que nunca tinha lançado para a clássica “Family Affair”, do Sly & The Family Stone, gravada em 1985 – e que contou com ninguém menos que Bootsy Collins no baixo e Bill Laswell na produção. Muito fino.

E não custa lembrar que ele acabou de anunciar o lançamento de uma caixa de sete CDs que cobre o período que gravou dois discos clássicos na Alemanha (The Idiot e Lust for Life) sob a tutela de David Bowie.

Angel Olsen experimenta na quarentena

angelolsen

Como a maioria dos músicos durante esta quarentena, Angel Olsen resolveu experimentar – e usou seu canal no IGTV do Instagram para iniciar uma série de versões de algumas de suas músicas favoritas. Tudo gravado com o celular, um filtro com cara de filme velho e ela cantando clássicos da Tori Amos e do Roxy Music – só a versão para “More Than This”, que abriu a nova fase, já valeu o projeto todo. Olha que deslumbrante:

Ela também gravou uma versão para o standard italiano “Il Cielo in una Stanza”:

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Il cielo in una stanza The sky in a room When you're here with me Quando sei qui con me This room has no more walls Questa stanza non ha più pareti But trees Ma alberi Infinite trees Alberi infiniti When you're here near me Quando tu sei qui vicino a me This purple ceiling Questo soffitto viola No, it no longer exists No, non esiste più I see the sky above us Io vedo il cielo sopra noi That we stay here Che restiamo qui Abandoned Abbandonati As if it were gone Come se non ci fosse più Nothing, nothing in the world anymore Niente, più niente al mondo He plays a harmonica Suona un'armonica It looks like an organ Mi sembra un organo That vibrates for you and me Che vibra per te e per me Up in the immensity of the sky Su nell'immensità del cielo He plays a harmonica Suona un'armonica It looks like an organ Mi sembra un organo That vibrates for you and me Che vibra per te e per me Grazie Mille, viva brocioli

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E seguiu para o piano, onde gravou “Winter”, da Tori Amos.

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Took several tries to get this one down, who knew ? I’m 15 again. I’m gonna continue to post these covers and short videos, mainly to stay limber and experiment-but I’ve decided to do a legit livestream for the band and crew and other musicians in need. I hope you’ll join me, it’ll be a mix of old and new and a few never played before..I’ll probably play about an hour or more. Thankyou all for your support during this surreal moment in time, I’ll do my best to throw some surprises in. Any requests? Still At Home: An Evening of Songs on Piano and Guitar. A ticketed livestream full set – this Saturday April 11 at 3pm PT / 6pm ET / 10pm GMT. Tickets are $12 in advance and $15 day of show with proceeds going to the MusiCares COVID-19 Relief Effort and directly to my touring band and crew who, like so many artists and musicians, have been affected. Ticket Link in bio. Anyone who purchases a ticket has 24 hours to view the set from when it initially airs. Buy tickets and view livestream at: angelolsen.veeps.com and at link in bio

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Ao lançar esta última, escreveu que, ao gravar esta versão voltou a ter 15 anos. E aproveitou para dizer que continuaria publicando estas versões, mas que faria uma live fechada para levantar fundos para sua banda e equipe neste sábado (mais informações aqui). Ela ainda acrescentou que aceita sugestões do público. Que artista!

Nick Cave via Kurt Vile

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Encerrando a divulgação do projeto Songs for Australia, que visa arrecadar fundos para as vítimas no incêndio que dizimou parte da vida selvagem do país-continente, eis que surge a versão que o bardo norte-americano Kurt Vile fez para “Stranger Than Kindness” do bardo australiano Nick Cave, tirando todos os elementos oitentistas (a bateria muda, o ruído da guitarra, aquele solo esquisito do fim) e mantendo o clima solene enquanto a traz para o campo, em uma tarde outonal – mas igualmente estranha.

O disco, recém-lançado, conta com versões para músicas do Midnight Oil, INXS e Sia, todos artistas australianos.

Damien Rice e um “Chandelier” deslumbrante

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Em mais uma versão para o projeto Songs for Australia, que está arrecadando fundos para ajudar às vítimas das queimadas que incendiaram o país no começo do ano, o cantor e compositor irlandês Damien Rice relê ao piano o hit “Chandelier”, da australiana Sia – e conseguiu extrair a essência da canção em uma versão deslumbrante.

A coletânea será lançada na próxima sexta e sua organizadora, a cantora e compositora local Julia Stone, já mostrou sua versão para “Beds are Burning” do Midnight Oil bem como a versão que o National fez para “Never Tear Us Apart”, do INXS,.Julia Stone já mostrou sua versão para “Beds are Burning” do Midnight Oil bem como a versão que o National fez para “Never Tear Us Apart”, do INXS