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E a Billie Eilish reverenciando a Peggy Lee ao lado da Debbie Harry?

Não tinha visto essa: no dia 27 de julho de 2022, a Billie Eilish foi convidada para participar de um show tributo a Frank Sinatra e Peggy Lee que aconteceu no Hollywood Bowl e, acompanhada pela Count Basie Orthestra, ela cantou uma versão fodona para a clássica “Fever” emendando uma versão para “Is That All There Is” com ninguém menos que Debbie Harry. Sente o drama:  

E essa versão pra “Stockholm Syndrome” do Yo La Tengo?

“Stockholm Syndrome” é um dos pontos focais do mágico I Can Hear The Heart Beating As One, disco de 1997 do Yo La Tengo que é certamente o disco mais consensual do trio de Nova York – e sua beleza e simplicidade (temperada pelo solo noise de Ira Kaplan) estica o disco para o polo mais indie-pop e menos experimental do disco clássico. Não por acaso foi a escolha de Jessica Dobson, líder da veterana banda de Seattle Deep Sea Diver, para ser incluída na coletânea Every Possible Way, que o selo 3Sirens, de Nashville, nos EUA, organizou para levantar fundos para o Everytown For Gun Safety Support Fund, que tenta resolver o problemaço que os Estados Unidos têm com a facilidade de acesso a armas de fogo. A compilação reúne artistas revivendo sucessos dos anos 90 (como o White Denim tocando “Connection” do Elastica, Coco tocando “Holiday” do Weezer e os Grahams tocando “Waitin’ For A Superman” dos Flaming Lips) e lançará semanalmente cada uma das dez canções, até disponibilizar a íntegra do disco em dezembro. E a versão deste primeiro single ficou tão certinha quanto inquieta, como o original (mantendo inclusive o solo barulhento). Saca só:  

E esse medley de versões feitas pelo Khruangbin?

Adoro bandas tocando músicas dos outros, bandas instrumentais fazendo versões para músicas que têm vocal e bandas que fazem versões para clássicos do rap sem precisar citar os vocais, além de medleys que misturam diferentes pedaços de música. Se você também gosta disso tudo, dá uma sacada esse trecho do show que o ótimo Khruangbin fez há dois anos no BBC6 Music Festival, misturando músicas do David Bowie, MF Doom, Ol’ Dirty Bastard, Elton John, A Tribe Called Quest, Spandau Ballet, Chris Isaak, Ice Cube, Brick, Notorious B.I.G., Warren G e Dr. Dre – veja se você reconhece todas.

Assista o show completo abaixo, o medley fica entre os minutos 27 e 35:  

De repente, DO NADA, Paul McCartney

E por falar em aparição surpresa, quem deu as caras sem avisar antes num show nessa terça-feira foi Sir Paul McCartney, que subiu no palco da casa de shows Stephen Talkhouse numa praia na região de Nova York onde o produtor Andrew Watt fazia uma festa com o baterista do Red Hot Chili Peppers, Chad Smith. Paul subiu no palco e cantou duas músicas, “I Saw Her Standing There” – música que abre o primeiro disco dos Beatles – e “Rockin’ in the Free World”, de Neil Young, que ele cantou ao lado da namorada de Watt, Charlotte Lawrence. Só imagina…

Assista abaixo:  

Clairo ♥ Lana Del Rey

A Clairo lançou mais um disco bonitinho esse ano e vem surfando na onda deste seu Charm fazendo movimentos como este single que gravou com exclusividade para o Spotify, revisitando sem mexer um tico na ótima “Brooklyn Baby” do excelente Ultraviolence de Lana Del Rey que está completando dez anos este ano. Uma boa deixa para voltarmos a ouvir este que é meu disco favorito da Laninha…

Ouça abaixo:  

Girl in Red ♥ Billie Eilish

E a norueguesa Marie Ulven Ringheim, mais conhecida como Girl in Red, passou semana passada pela rádio australiana Triple J e escolheu a melhor música do disco novo da Billie Eilish para fazer uma versão no clássico quadro Like a Version, em que a emissora sempre pilha artistas para revisitar suas músicas favoritas. E fez bonito: com uma banda completa ao seu redor, ela tirou “Lunch” dos timbres eletrônicos que marcam o terceiro disco da Billie, transformando-a em um rock como só uma garota pode cantar. Bem foda.

Assista abaixo:  

Kraftwerk celebra Ryuichi Sakamoto em sua passagem pelo Japão

“A próxima composição é para meu amigo, Ryuichi Sakamoto”, disse Ralf Hütter durante a apresentação do Kraftwerk no Fuji Rock Festival, que aconteceu no país de origem do músico homenageado, falecido em 2023. “Somos amigos para sempre. Desde nosso primeiro concerto do Kraftwerk em Tóquio, em 1981. Quando tocamos no No Nukes Festival em 2012, Sakamoto escreveu uma nova letra em japonês para ‘Radioactivity’, que tocamos naquele show”, concluiu, antes de apresentar uma rara versão de música alheia em um show da banda alemã, quando tocaram uma versão maravilhosa para “Merry Christmas, Mr Lawrence”, a primeira trilha sonora escrita por Sakamoto, arte em que ele tornaria-se um mestre. A música tem o mesmo título do filme que Nagisa Ōshima dirigiu em 1983 e que ainda conta com a participação de David Bowie. A mesma música que lentamente foi transformando-se em “Radioactivity”. Lindo demais… Assista abaixo:  

Beck reverencia Bob Dylan no festival de Newport

O tradicional festival folk norte-americano de Newport começou nessa sexta-feira e Beck fez uma aparição surpresa quando fez questão de reverenciar o cânone musical que construiu a reputação do evento, em especial a importância do mestre Bob Dylan, de quem ele cantou a clássica “Maggie’s Farm” logo na abertura. No resto da apresentação, ele ainda saudou Fred Neil (cantando “The Other Side of This Life”), Jimmie Rodgers (com “Waiting for a Train”) e Blind Willie Johnson (com “God Moves on the Water”), além de canções de seu próprio repertório que passeiam por esta seara – como “John Hardy”, “Stagger Lee”, “The Golden Age”, “Lost Cause” e “One Foot in the Grave”, para encerrar a noite com uma versão country de sua clássica “Loser”. Mandou bem!

Assista abaixo:  

E a versão que a Mitski fez pra “Bella Ciao”?

“Tentei fazer uma versão em inglês para essa canção italiana tão importante chamada ‘Bella Ciao'”, escreveu a cantora norte-americana Mitski em sua conta no Instagram. “Claro que não falo nada de italiano então usei o tradutor do Google sem constrangimento e também me inspirei na versão em inglês que Tom Waits e Marc Ribot fizeram para essa música. Mas aí que está: mesmo que você fale italiano, diferente de mim, eu tenho certeza que pode escrever uma tradução melhor que a minha. E se você for um destes, faça isso! Ou ao menos tente! E grave, filme, compartilhe. Eu quero ver”. Veja a versão dela abaixo:  

Quando os Killers encarnaram o Erasure

Quando os Killers lançaram o single “Boy”, no ano passado, receberam críticas pelo fato da música parecer um pouco demais com “A Little Respect”, clássico dance dos ingleses Erasure. A música, embora não tenha entrado em seu disco mais recente, Pressure Machine (de 2021), foi uma das primeiras composições que deram origem à nova fase da banda que culminou nesse álbum e Brandon Flowers absorveu as acusações de plágio ao incluir uma versão para o hit dance dos anos 80 em seu repertório, misturando-a com a parte final da canção de 2023. A homenagem subiu um degrau ainda maior quando, nesta sexta-feira, em Londres, o grupo de Las Vegas recebeu ninguém menos que o vocalista do Erasure, Andy Bell, para cantar justamente “A Little Respect” na O2 Arena, além de dividir os vocais com Flowers na excelente “Human”, do clássico e subestmado álbum de tecnopop de arena que é o terceiro disco da banda norte-americana, Day & Age, de 2008.

Assista abaixo: