Conrado Corsalette (1978-2026)

Nunca trabalhei diretamente com o Conrado, embora o tenha conhecido por causa do trabalho: éramos contemporâneos de redação no Estadão, quando ele tocava o barco na política e eu militava nas trincheiras da tecnologia digital no recém-abatido Link. Mas logo que saímos daquela redação, ele tentou me trazer para seu novo Nexo, onde liderou uma ousada iniciativa de jornalismo em tempos de internet, mais de uma vez, mas sempre declinei por motivos diferentes. Essa aproximação profissional no entanto descambou para uma amizade que, como fui percebendo em seu estilo, misturava problemas pessoais com sonhos particulares, ambições natas e outras adquiridas, longos papos em que uma desavença na semana anterior alongava-se em diferentes cenários para futuros possíveis do Brasil e descambava numa discussão sobre qual era a melhor música dos Mutantes. Ao conhecê-lo fora das redacoes pude ter contato com um coração imenso e intenso e uma cabeça a 200 por hora sem estar imerso nas tensões da labuta e da rotina — sempre que nos encontrávamos ele aproveitava justamente para desopilar tais pesos, em bebedeiras sociais que por vezes extrapolavam madrugada afora. A notícia de sua morte me veio como mais um alerta sobre a necessidade de sr conviver com quem se gosta e valorizar esses momentos. Fazíamos muito isso, mas há mais de um ano não falava com ele, a última vez foi quando visitou um show no Centro da Terra. Passei a quinta pensando nele e em todos esses pensamentos que vêm junto com esse tipo de notícia e só consigo agradecer sua insistência em querer me contratar. Assim perdi um chefe para ganhar um amigo. Que faz falta. Obrigado, bicho. ❤️
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