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Como se fosse feito pra hoje

, por Alexandre Matias

Corre pro estádio do Palmeiras que o Jamiroquai voltou pro Brasil depois de quinze anos sem pisar por aqui – e como nunca tinha visto um show dos caras, lá estava debaixo da chuva vê-los puxar um bailão daqueles que, mesmo com o mesmíssimo repertório de todos os shows (incluindo apenas “High Times”, que não tocavam desde 2018), não deixou ninguém parado. A empolgação da banda segue precisa, com músicos esmerilhando seus instrumentos (em especial o tecladista Matt Johnson e o baixista Paul Turner, todos da segunda fase da banda, além do percussionista brasileiro Fabio de Oliveira, que entrou no ano passado e teve seu momento “terrinha” por sugestão dos companheiros de grupo) e esticando cada música vários minutos além da duração original, mas o holofote obviamente cai sobre o vocalista Jay Kay que conta com os mesmos pique, disposição e elasticidade do início de carreira – além da voz intacta, trocas de figurino e dancinhas que contagiavam o público, ele ainda autografou várias capas de discos entregue pelos fãs (inclusive enquanto cantava!). O foco da banda ficou em seu disco de 1996 (Traveling Without Moving), passando por números dos discos de 2001 (A Funk Odyssey) e 2005 (Dynamite), além de passagens por músicas únicas do disco Synkronized e The Return of the Space Cowboy. Antes de encerrar o show – sem bis – com um versão mais sossegada de “Virtual Insanity”, o vocalista aproveitou o momento para falar sobre a crise política que o mundo atravessa hoje, comentando sobre como a canção parece ser mais sobre os dias atuais do que sobre a época em que foi escrita, no meio dos anos 90. Mas o mesmo pode ser dito sobre a própria banda, que fez todo mundo se esbaldar de dançar e, mesmo que o estádio estivesse longe de estar cheio, a empolgação era a regra.

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