Descascaralho
Em dez segundos.
Em dez segundos.
Pois aparentemente é isso que o povo que foi contratado pra trabalhar no Bob’s tá fazendo, segundo o Extra:
Durante os três primeiros dias do Rock in Rio o público sofreu para comer nas lanchonetes da Cidade do Rock. As filas duravam mais de uma hora e muitas pessoas reclamaram da desorganização e do mau atendimento. No Bob’s, lanchonete oficial do evento, questões como a má remuneração e a falta de preparo da equipe podem ter motivado o problema.
De acordo com uma funcionária temporária, que preferiu não se identificar, os trabalhadores recebem uma diária de R$ 20 e muitas vezes extrapolam a jornada de oito horas de serviço.
— Eu estaria mentindo se dissesse que estou aqui pelo dinheiro. Só vim porque quero muito ver o show da Shakira e espero poder sair a tempo nesse dia — contou a jovem, que nunca trabalhou em lanchonete antes e teve apenas um rápido treinamento: — Durante três dias explicaram para a gente como fazer as coisas. Já que a gente reveza nas funções, todo mundo teve que aprender tudo.
Outros empregados revelaram que a equipe do festival é quase toda formada por funcionários temporários. Para cada cem, apenas 15 são contratados do Bob’s. Além disso, muitos novatos aparecem apenas para pegar a credencial do Rock in Rio e depois somem.
Atenção: vinte reais por uma jornada de trabalho.
A regra do jogo: “Eis um marshmellow, é seu. Mas se você não tiver comido quando eu voltar, te dou outro”.
Falando nisso: nham.

Foto: Parque da Água Branca, do meu largado Flickr
O declínio da civilização ocidental frente ao politicamente correto, capítulo 2914. Helô conta como a prefeitura do Kassab está, aos poucos, acabando com os vendedores de comida de rua, e na marra:
Atenção, muita atenção, caros leitores: um dos principais patrimônios paulistanos está sendo perseguido. Perseguido literalmente. Pela polícia.
Estou falando do milho cozido, da pipoca, do café da manhã de carrinho, com bolo de nada e pingado de garrafa térmica, do vendedor de fatia de abacaxi docinho, do coco caramelizado, do tapioqueiro. Meu Deus, o tapioqueiro…
De uns dias para cá, todo taxista me fala disso. Da Guarda Civil Metropolitana perseguindo os ambulantes de comida. “Eles pegam a comida e colocam tudo num saco e jogam fora”, me disse o Márcio, taxista amigo e grande conhecedor de comida de rua. (É claro que isso vem na esteira de outras reclamações sobre o Kassab. Quanto tempo falta para acabar esse pesadelo mesmo?)
O Aristenes, taxista “mineiro de nome grego, vê-se-pode?”, chorou de verdade, chorou de fungar e diminuir a velocidade para enxugar o rosto, ao contar a história de um casal de aposentados que vendia milho cozido, pamonha e curau no Bom Retiro. A Guarda Civil levou tudo embora, carrinho, milho e curau. E os dois ficaram ali, sem rumo. Segundo o Nenê, apelido do Aristenes, “a polícia depois vende tudo, os carrinhos, e aí depois vão lá e tomam de novo e vendem de novo”.
(…)
Blindada ou sensível, nossa pança não pode ser alijada do carinho que vem do carrinho.
O Rodrigo Oliveira, do Mocotó, disse, em palestra no evento Paladar Cozinha do Brasil (em que ele apresentou um café da manhã sertanejo de fazer núvem-de-lágrimas-sobre-meus-olhos de tanta delícia):
“O Alex Atala fala que a boa cozinha coloca o ingrediente no seu melhor momento. O cara do carrinho de tapioca, que faz tapioca todos os dias há 20 anos, coloca a tapioca em seu melhor momento. Ele deve ter alguma coisa para ensinar pra gente. É esse cara que eu quero ouvir”.
Pois é, a Guarda Civil Metropolitana nem ouve, já vem tirando a tapioca do tapioqueiro e, de lambuja, tirando de nós o direito ao lanche rueiro.
Claro que a prefeitura tem de cuidar para que regras sejam cumpridas, para que seja limpo, para que não contamine. Mas eliminar a comida de rua não pode ser a solução. Quer dizer, poder pode, mas é a solução mais burra.
E se você acha que isso não tem nada a ver com você, então não venha dizer que o cachorro-quente de Nova York é incrível. Não poste no Instagram sua foto comendo salsicha incrível nas ruas de Berlim. Nem me venha falar que o crepe da esquina da rue tal com a rue tal em Paris é incrível.
Porque, sim, eles são de fato incríveis. O cachorro-quente é patrimônio de NY. O crepe é a cara de Paris. E a salsicha alemã é a alma berlinense. Assim como o chincharrón e o taco mexicano, o choripán argentino, as sardinhas portuguesas e quantos tantos outros exemplos maravilhosos (me ajudem a lembrar, deu branco).
Esse papo todo me deu vontade de comer um pastel. Já volto.

(Chamamos de “picanha de peixe”, mas essa peça acima é filé de filhote – o melhor peixe amazônico, acreditem – no espeto, com bacon e purê de batatas com jambu. Inacredifuckingbelieviable.)
Ainda tou rascunhando um comentário mais longo sobre a curta e intensa passagem por Belém, no fim de semana passado. Além de rever grandes e velhos queridos e conhecer pessoalmente compadres e comadres que só habitavam a esfera digital, ainda rolou a tradicional trip gastronômica (ah, os sabores de Belém…) e doses cavalares de novidades em diferentes níveis. Mas nada superou a descoberta da Gang do Eletro, que já havia roubado a cena na segunda edição do espetáculo Terruá Pará e parece ser, finalmente, a primeira cria do tecnobrega a sair da fase beta. Coisa fina.
Não pude ir no Terruá Pará desse ano pois coincidiu bem com a minha viagem pra gringa. Mas cobri a primeira edição do evento pra revista Simples: dá pra ler tudo aqui.
Creiam:
É um hambúrguer de 350 quilos, que, óbvio, entrou pro livro dos recordes (afinal, foi feito pra isso). Rolou em julho, claro, nos EUA. As fotos vieram daqui.