A arrebatadora e deslumbrante “Todos Querem Amar”, que encerra o senhor disco que o Letuce lançou ano passado, Estilhaça, nasceu sozinha. “Ela música nasceu de total improviso da banda, no estúdio 12 dólares em dezembro de 2013”, me conta Letícia Novaes, vocalista e norte da banda. “Os meninos lá levando um som, eu abri meu caderninho de tralhas/emocões e desatei a cantar e falar algo que tinha escrito. Quando fomos gravar o disco em 2015, fevereiro, o Lucas (Vasconcellos, guitarrista e outra metade do casal que originou a banda) comentou ‘vocês têm que ouvir um momento que temos de 2013, lá no estúdio e tal’. Quando a gente ouviu, pirou. A gente já não lembrava exatamente e foi tão impactante que resolvemos colocar do jeito que estava, até a voz é a guia.”
A música virou clipe, que estreia com exclusividade aqui no Trabalho Sujo. O clipe foi dirigido por Clara Sønder, que filmou o casal à noite em Copacabana, e conta com imagens enviadas por fãs. “Pedi aos fãs que mandassem vídeos no ônibus da vida. Pedi cautela, afinal: muitos assaltos”, lembra Letícia, antes de rir, “recebemos vários, desde bebês, até dança contemporânea, gente se beijando, e umas meninas hilárias que criaram um ônibus – até botei duas ceninhas com elas”.
“Essa música fala sobre tentativas, creio. E como isso nos mantém sãos”, ela continua. “As pessoas vão e vem, contramão ou não, mas tentam. E há uma certa vergonha em tentar. Hoje em dia existe uma vergonha em amar, há quem tem tenha vergonha da frase ‘mais amor, por favor’. o amor não é mais um lugar comum a todos, há quem ame, há quem odeie, é curioso. E – ah! – também é uma música sobre sonhos, e como eles são utilizados de maneira boba. quando alguém diz ‘sonhei com você’, cria-se uma distância subconsciente, e há a ‘vergonha’ – olha ela aí de novo – de se dizer ‘eu pensei em você à noite inteira’, o que pra mim seria bem mais forte de ouvir do que ‘sonhei com você'”, ela ri de novo.
A música e o vídeo funcionam como um antídoto pra essa fase deprê que estamos atravessando no Brasil.
Agora é oficial: além de uma segunda música (depois de “Burn the Witch“), o Radiohead lança mais um clipe de seu novo disco (“Daydreaming”, dirigido por ninguém menos que Paul Thomas Anderson) e anunciou o lançamento de seu novo disco para este domingo, batizando o dia de RHDay nos links de promoção, repare: http://smarturl.it/RHday. O vídeo começa com Thom Yorke passeando por aí até que seu caminho começa a mudar lentamente e as ruas e corredores viram montanhas.
O vídeo termina no escuro, com Thom deitado próximo a uma fogueira enquanto algumas frases são ditas de trás pra frente (já já alguém descobre o que está sendo dito), o que parece ter relação tanto com o blecaute digital que se autoimpuseram no início da semana (de volta à idade das cavernas?) quanto com o fogo do single anterior.
Aí tem.
Às vésperas do dia das mães, Emicida lança o clipe da faixa que abre seu segundo disco. Batizada apenas como “Mãe”, ela narra a história de dona Jacira vista pelos olhos de seu filho como se ele estivesse num sonho.
E o clipe tem uma atmosfera tão parecida com o clipe novo do Radiohead que o inconsciente coletivo parece sublinhar o fato de que estamos nos sentindo perdidos num sonho. Será que é isso mesmo?
O cantor e compositor paulistano Pélico comemora a nova fase inaugurada com seu ótimo disco Euforia, lançado no ano passado, com a inclusão da versão que fez para “Não Há Cabeça”, de Ângela Ro Rô, na trilha sonora da novela Velho Chico. A música foi gravada para o tributo à cantora lançado há três anos e ressurge agora o aproximando de um público ainda maior e para aproveitar a oportunidade produziu um clipe para a música, lançado com exclusividade aqui no Trabalho Sujo. Conversei com ele sobre esse momento de sua carreira.
Conta a história de como você gravou essa música: você já conhecia a obra da Angela Ro Rô ou foi conhecer por causa do tributo?
Em 2013 o Zé Pedro e o Marcus Preto me convidaram pra participar do Coitadinha Bem Feito, um disco em homenagem à Ro Rô. Eles me deram uma lista de cinco ou seis músicas dela, aí eu escolhi a “Não Há Cabeça”. Lembro que o Preto me sugeriu a “Não Há Cabeça”, disse que ela tinha muito a ver com o meu trabalho, e isso me deu mais certeza com a escolha da música. Eu conhecia bem o Angela Ro Rô de 79 e o Escândalo de 81. Mas, a partir do tributo, eu mergulhei mais fundo na obra dela. Adoro participar de tributos por conta disso também, você acaba mergulhando no universo do artista.
Como a música foi parar na novela? Alguma música sua já teve esse nível de exposição? Como está sendo a reação dos seus fãs e do novo público?
Sinceramente, eu ainda não sei. Eu acredito que foi uma escolha do diretor da novela, Luiz Fernando Carvalho, sei que ele é bem conectado com a “nova geração” da música brasileira. Minha produtora e eu estamos tentando entrar com contato com ele, em breve termos essa resposta. É a primeira vez que tenho essa exposição. É impressionante, toda vez que a música toca na novela, o WhatsApp e as mensagens no Facebook bombam. A reação dos fãs tá rolando muito bem. Agora, se já existe um novo público por conta da música na novela, acho que vamos sentir essa diferença um pouco mais pra frente.
Você acha que a “nova geração da MPB” – que já tem uns dez anos de estrada – finalmente está rompendo a barreira do grande público?
Caramba, é verdade, essa “nova geração” já tem uns 10 anos. Assustei! Então, eu acredito que aos poucos e mesmo sem investimentos milionários a gente tá chegando. Mas sei que ainda falta muito pra gente dividir espaço nas rádios e programas de TV mais populares com artistas do sertanejo, do forró… Onde há muito investimento, grana pesada, saca?
Também acho que não é só grana, entre outras coisas, é uma questão de postura artística também. Um artista que não faz um trabalho muito popular não precisa ter medo ou desconfiança de ser ouvido e consumido pelo grande público.
E como chegar no rádio? É a grande barreira?
Já temos espaço em muitas rádios em todo o Brasil, mas o pulo do gato é a gente conseguir, sem ter que pagar aquela graninha, entrar na programação das rádios mais populares. Eu tenho duas músicas gravadas – uma pelo Toni Ferreira e outra pelo Filipe Catto – que tocam muito nas rádios, e vi de perto a importância, principalmente fora das grandes capitais, de se ter uma música tocando diariamente nessas rádios. Muitas pessoas vão aos meus shows por conta disso, pra ouvir essas músicas, olha que nem são cantadas por mim. Ou seja, as rádios populares ainda são uma grande barreira e precisamos chegar nelas com dignidade.
Você já está trabalhando em um novo disco ou vai seguir 2016 com o trabalho do ano passado?
Esse ano continuo trabalhando o Euforia, acabei de estrear o Dos Nós, um novo show, com repertório dos meus três discos e mais releituras, num formato mais intimista – guitarra, violão, sanfona e piano elétrico. E ando compondo pra outros artistas, um trabalho que amo fazer.
Atualização: A banda acaba de lançar música nova com direito a clipe em stop motion, dirigido por Chris Hopewell:
Eis a letra (logo a seguir, uma tradução que fiz):
Stay in the shadows
Cheer at the gallows
This is a round upThis is a low flying panic attack
Sing a song on the jukebox that goesBurn the witch
Burn the witch
We know where you liveRed crosses on wooden doors
And if you float you burn
Loose talk around tables
Abandon all reason
Avoid all eye contact
Do not react
Shoot the messengersThis is a low flying panic attack
Sing the song of sixpence that goesBurn the witch
Burn the witch
We know where you live
We know where you live
E a tradução:
Fique nas sombras
Comemore a forca
Arredondando pra cimaIsso é um ataque de pânico
Cante uma música com a jukebox que passaQueime a bruxa
Queime a bruxa
Sabemos onde você viveCruzes vermelhas em portas de madeira
E se você flutuar vai queimar
Conversa solta pelas mesas
Abandone toda razão
Evite todo contato com os olhos
Não reaja
Atire nos mensageirosIsso é um ataque de pânico voando baixo
Cante uma música de seis centavos que passaQueime a bruxa
Queime a bruxa
Sabemos onde você vive
Sabemos onde você vive
Forca, portas pintadas de vermelho, referências ao clássico Homem de Palha (o original inglês), críticas à música escapista (o “sixpence” que traduzi como “seis centavos” pode ser uma referência à banda descartável Sixpence None the Richer), mulheres que eram queimadas caso não afundassem nos rios… O clima bonitinho do clipe contrasta com o teor pesado da música e da letra, antecipando que o clima do nono disco do Radiohead pode ser bem grave.
Seguimos à espera.
(O post original vem a seguir):
De repente, deu branco no Radiohead:
A banda inglesa deletou todo o histórico de suas redes sociais neste fim de semana, logo depois de mandar alguns teaser por correspondência para alguns fãs.
Umm, I just got this in the post from Radiohead. Is the new album called Burn The Witch? pic.twitter.com/zv5QKnDeGh
— Niall Doherty (@NiallMDoherty) April 30, 2016
E no início do dia eles começam a postar vídeos tipo os do Wallace & Gromit em sua conta no Instagram:
O site deles já voltou a funcionar esta manhã e exibe o segundo post do Insta como um teaser… Em comum, “Burn the witch” – “queimem a bruxa” – a internet? As redes sociais? Afinal – “sabemos onde você mora”. Ou é um comentário sobre a ascensão do novo fascismo? E lá vamos nós de novo…
O clipe de “My Toy”, do segundo disco do Breakbot, inverte o ponto de vista do clássico da sessão da tarde Mulher Nota 1000, para recriar os anos 80 como pede a música original.
O maior grupo de rap do Brasil chama o papa do funk ostentação para lançar o primeiro clipe do disco Cores e Valores
Dois dos maiores fenômenos de popularidade da periferia brasileira se encontram pela primeira vez em um clipe que é apenas o início de uma parceria. “Preto Zica” é o primeiro clipe que os Racionais MCs lançam para o disco Cores e Valores, lançado no final de 2014, e é dirigido por ninguém menos que Kondzilla, o diretor de clipes que transformou o funk ostentação em um fenômeno nacional. Com apenas dois minutos, o clipe é um curta metragem sobre o clima tenso da realidade retratada pelo grupo e deve dar a tônica dos próximos trabalhos que o grupo irá seguir fazendo com o diretor, uma trilogia de vídeos que continuará com “Somos o Que Somos” e “Eu Compro”, também do disco mais recente do grupo.
E não se assuste se essa parceria chegar até os cinemas…
Os alemães Jens “Jence” Moelle e İsmail “Isi” Tüfekçi reativaram o Digitalism depois de cinco anos sem lançar nada novo e para abrir caminho para o novo disco – Mirage, previsto para o meio de maio -, apresentam o clipe de “Utopia”, explorando um universo ainda mais eletrônico do que suas raízes maximalistas.
O produtor inglês lança mais um disco – A Mineral Love – e você sabe como as coisas ficam quando ele chega… O clipe de Light Up The Sky dá a medida.
Wayne Coyne e companhia registram seu tributo à passagem do mestre inglês no início do ano regravando uma versão quase idêntica à original de “Space Oddity” num vídeo psicodélico gravado em uma igreja cheia de balões na plateia.











