Mais um clipe do novo disco do Radiohead dirigido por Paul Thomas Anderson, a apaixonada “Present Tense” recebe um tratamento bem mais cru (e, aparentemente, sem tantos significados cifrados) ao flagrar Thom Yorke e Jonny Greenwood tocando a canção ao pé de uma fogueira acompanhados apenas uma bateria eletrônica Roland CR-78.
Demais.
Sensacional essa justaposição de “Eventually”, do Tame Impala, sobre o clássico da ficção científica de Kubrick, 2001 – Uma Odisseia no Espaço, que dá novos contornos à canção.
A indefectível voz feminina que compõe o universo musical de Marcelo Jeneci começa a alçar seu voo solo. Laura Lavieri trabalha pouco a pouco sua estreia musical e antecipa a primeira faixa desta fase de sua carreira aqui pro Trabalho Sujo, mostrando em primeira mão o clipe de “Quando Alguém Vai Embora”, a seguir:
A faixa, bucólica e retrô ao mesmo tempo, está cheia das impressões digitais de seu parceiro nesta nova etapa: o jovem prodígio carioca Diogo Strausz, que fortalece sua reputação de produtor, arranjador e músico ao mesmo tempo em que segue pondo em prática seu lado maestro. “O disco segue a linha desta primeira música porque sou eu no front, e Diogo ao lado”, ela me explicou em uma conversa online. “Depois de oito anos conhecendo tanta gente, circulando por tantos cantos musicais, bebendo de tanta fonte, tenho vários desejos pra dar voz”, continua. “Teremos diversos personagens e cenários nesse álbum, tudo que uma intérprete pode dar conta.”
A parceria começou em março do ano passado (“foi sintonia musical à primeira vista”, diz Laura) e se aprofundou quando a cantora mudou-se para o Rio de Janeiro para completar seu projeto individual: “Começamos gravando a faixa, e seguimos aprofundando a amizade e as afinidades musicais; fizemos alguns shows juntos, pra desenvolver arranjos e repertórios e a parceria foi o incentivo que faltava pra eu me mudar para o Rio.”
O trabalho, que deve ficar para o ano que vem, no entanto não é uma incursão solitária da dupla no estúdio. “Tenho muita sorte com isso, sempre bem acompanhada, tenho a colaboração de músicos fantásticos – a base, e que segue pra vida toda é do Jeneci, e com ele, vem toda a família que é aquela banda – Regis Damasceno!”, festeja. “Diogo foi a fagulha e é a nova chama. João Erbetta é outro amigo que conheci com Jeneci, e há alguns anos se tornou fiel escudeiro. Hoje toca na minha banda, e trocamos em absolutamente tudo que pode envolver o processo criativo musical.” Entre os outros colaboradores ela lista uma turma de peso, que mostra que seu pêndulo musical está cada vez mais carioca: Rafaela Prestes, Kassin, Stéphane San Juan, Alberto Continentino, Ricardo Dias Gomes, Bruno DiLullo e Domenico Lancellotti. Ela diz que antes do fim do ano lança outro single (“de ondas mais revoltas”) e mais um terceiro antes do lançamento do disco (“mais dançante e extrovertido”).
Primeiro foi “Dreams” no ano passado e agora a fria “Wow”, um gangsta rap auto-ajuda de base enxuta, ganha seu próprio clipe, mostrando que Beck pode estar voltando para o território esquizopop de onde saiu. O novo disco sai no mês que vem, mas ainda não tem título
Que boa nova.
A mineira Sara Não Tem Nome vem comendo pelas beiradas e deixa seu belo manifesto introspectivo Ômega III, um dos melhores discos do ano passado, repercutir em câmera lenta por 2016, e vem para São Paulo usando o clipe de “Ajude-Me” como novo cartão de visitas. Ela passa por aqui no fim de semana, quando toca no Submundo 177 no sábado (mais informações aqui), e no domingo no festival sorocabano Febre (mais informações aqui). O clipe nasceu de uma série de imagens que o diretor Fernando Sanches fez em 2012 nas famosas lojas de casamento da Rebouças, que funcionaram perfeitamente com o clima hostil e antissocial da música. “Eu gostei bastante, criava um sentido, uma imagem da música que eu nunca tinha pensado”, me conta Sara. “Quando assisti até tive a sensação de que a música falasse sobre os manequins, por conta de várias partes da letra. Gostei também da estética, cores bem vivas mas ao mesmo tempo um clima meio mórbido e plastificado, a sensação de sufocamento e tristeza que dá ao ver os manequins presos dentro das vitrines.”
E se você ainda não ouviu Ômega III faça-se esse favor. Dá pra baixar no site dela.
E o disco de estreia do quarteto neozelandês Yumi Zouma, chamado Yoncalla, continua girando macio por aqui – e o clipe de “Keep It Close To Me” ajuda o frio a dissipar.
Nossa querida Beyonça aproveita a data de seu aniversário para lançar mais um clipe de seu incrível Lemonade, a furiosa “Hold Up”.
E aos poucos seu disco vai atingindo um público maior.
Primeiro single do novo disco de Nick Cave com os Bad Seeds, “Jesus Alone”, com o velho Nick ao piano, cercado por cordas, drones e percussão mínima, dá o tom sombrio e pesado de seu álbum-filme: o documentário One More Time with Feeling será lançado na quinta, um dia antes da chegada do disco Skeleton Key, que estava sendo gravado quando seu filho adolescente morreu ao cair de um abismo, no ano passado.
Tenso.
Angel Olsen deixa o folk de lado e põe as garras pra fora em seu disco My Woman, que será lançado na semana que vem – dá uma sacada nos apertivos que ela já liberou, em especial minha faixa favorita, “Shut Up Kiss Me”:
“Intern”
“Sister”
“Shut Up Kiss Me”
Forte candidato a um dos discos de 2016.
Kill For Love foi lançado em 2012 e desde o ano passado Johnny Jewell vem enrolando o novo disco dos Chromatics, Dear Tommy – e agora ele aparece com a faixa-título. Será que o disco tá vindo aí?
Porque se vier…









