Blubell escolheu a música “Cosmos”, de seu Confissões de Camarim, lançado no ano passado, para pedir para seus fãs caminhar ao lado dela. Ela pediu para que os fãs postassem imagens com a hashtag #andandocomblubell e a partir da coleção de fotos que obteve, montou um novo clipe, que ela mostra em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “Eu gosto dessa proximidade com as pessoas que curtem o meu trabalho, então essa foi mais uma maneira de manter essa relação, de incluí-los no meu processo criativo”, ela me explica por email, contando que foi essa proximidade que a fez assumir a própria edição do clipe. “Amei receber tantas imagens lindas de lugares tão distintos. Eles emprestaram as imagens e eu fiz questão de emprestar o meu olhar. Também foi um prazer editar porque aprendi a editar com ritmo, eu já sabia, mas agora estou craque no Final Cut”, brinca.
Para 2017, ela segue com fazendo shows do disco do ano passado, além do espetáculo Blubell canta a Madonna, que também apresenta há um tempo. “Também comecei um projeto filantrópico com Webster Santos, guitarrista que já tem um projeto chamado Música que Cura e Jesus Sanchez, do Los Piratas, e a produtora Amanda Souza, vamos começar quinta-feira que vem a cantar nos asilos, com um repertório de hits das antigas e tá todo mundo amarradão”, conta.
Um dos carros-chefe do novo disco do músico sudanense Sinkane – o recém-lançado Life & Livin’ It – é a sinuosa “Telephone”, que ele havia apresentado num clipe escorregadio no mês passado. G-funk pesado com ecos de guitarra high-life.
E agora que o disco foi lançado, ele começa a abrir para os remixes – e “Telephone” é uma das primeiras a passar por esse processo, caindo num groove houseiro clássico pelas mãos do produtor alemão Roosevelt.
Ficou fino.
“Chained to the Rhythm”, o single novo da Katy Perry, é o hino à passividade da cultura pop atual que precisávamos ouvir, servida mastigada para reforçar o consumismo, a apatia e o conformismo. “Estamos malucos? Vivendo nossas vidas através de lentes, presos em nossas cercas brancas como ornamentos, confortáveis vivendo em uma bolha, confortáveis em não ver o problema. Você não se sente só aí em cima na utopia, onde nada será suficiente?”, ela canta sobre uma base dance ironicamente genérica, para reforçar, no refrão, “aumente o volume, é sua música favorita! Dance, dance, dance ao som da distorção. Vamos, aumenta, deixa repetir, se sacudindo como um gasto morto-vivo. É, achamos que estamos livres, beba, essa é por minha conta. Estamos todos acorrentados ao ritmo.”
Qual ritmo? O da pista de dança? O da política? O do Facebook? O do shopping center? O da televisão? O do trânsito? Abrindo a geladeira mesmo sem ter fome, como se só precisássemos saber que tudo continua exatamente do mesmo jeito. E tanto o lyric vídeo com seus hamsters vendo hamsters e suas comidinhas de brinquedo ao fato do single ter sido lançado junto com o momento “Katy Perry ficou loira” reforçam o protesto. Sem contar sua apresentação minimalista no Grammy deste ano, em que ela parte do conceito dos cercados individuais que comenta na letra para uma crítica contra o muro de Trump – e contra o muro político que é Trump.
Já é um dos grandes acontecimentos de 2017.
Grimes segue colhendo os frutos de seu excelente Art Angels, lançado no final de 2015. Ela se reúne novamente com Janelle Monáe para transformar a deliciosa “Venus Fly” das duas em um curta – dirigido por ela mesma – que mistura cultura oriental, estética de ficção científica e movimentos de filmes de ação às já características sensibilidade plástica e psicodelia fashion de nossa querida heroína canadense. Mas o delírio mesmo deste novo clipe é a versão em baixa velocidade da mesma música, escondida na cena de créditos, que começa em quase cinco minutos do vídeo – que filé!
O lançamento do clipe também foi motivo para que ela falasse sobre fazer arte em tempos pesados como os atuais, em um post no Instagram:
“Às vezes parece fútil fazer arte neste clima político cruel e extremo, mas alguns dos momentos mais iluminados dos últimos meses para mim e para muito de vocês, suspeito, veio de ver a incrível e positiva visão que Janelle Monáe tem do futuro, especialmente quando estamos sendo apresentados a tantas possibilidades de futuros distópicos. Obrigado por dar tanto tempo, energia e criatividade para este projeto. Como diretora, editora e diretora criativa, eu também acho que seja meu trabalho mais forte, e não vejo a hora de compartilhar com vocês.”
Ela também publicou a playlist Grimes’ Deep Vibes no Tidal, que alguma boa alma subiu também no YouTube, e que reúne Smashing Pumpkins, Lana Del Rey, Harry Nilsson, Rihanna, Fifth Harmony, Deftones, entre outros:
“I’m not Rihanna, I’m not Madonna I’m not Mariah or Ariana / I’ve been around in this world causing drama”, canta a cingalesa M.I.A. em seu recém-lançado single “P.O.W.A.”, que veio junto com um clipe de coreografia à Chemical Brothers.
O grupo baiano BaianaSystem aproveita o dia de Iemanjá para soltar uma faixa que poderia estar em seu Duas Cidades, com vocais do BNegão e de Russo Passapusso. “Invisível” fala sobre o contraste entre duas camadas da sociedade brasileira – a que se acha protagonista e a que se vê como coadjuvante.
E eu falei que eles vão tocar em São Paulo fim de semana que vem, né? Melhor show do ano passado fácil!
A MC brasiliense Flora Matos abre o ano com “Quando Você Vem” uma balada introspectiva produzida por ela mesma – numa música praticamente sem beats.
Ela foi pra uma praia sonora parecida com a que a Mahmundi está faz tempo, não acham?
Fiel escudeiro e copiloto das viagens de Lulina, o pernambucano Léo Monstro prepara-se para o voo solo e lança o primeiro clipe de seu disco de estreia Solar (capa acima) em primeira mão no Trabalho Sujo. “Solar é meu primeiro álbum solo, é a primeira vez que lanço um trabalho com meu nome”, ele me explica por email. “Comecei a trabalhar nas músicas que viriam compor o disco no segundo semestre de 2013, após umas aulas de canto que fiz, juntamente com Lulina, pra ela se preparar para as gravações do Pantim (disco mais recente de Lulina). Como, até então só tinha composto músicas (para voz, no caso) com ela e cantava sempre a acompanhando, com as temáticas que ela propunha, nunca tinha explorado minha voz muito além. Durante essas aulas eu fui descobrindo novas possibilidades de cantar, novos registros, e isso me instigou a começar as composições, num celular – devo essa descoberta – e serei eternamente grato – a Sandra Ximenez. A partir daí as músicas foram aparecendo e fui percebendo que tinha um trabalho novo em mãos, dessa vez composto por mim pra eu mesmo cantar. Em 2014 a idéia se transformou em vontade e decidi que iria lançar meu primeiro álbum como Monstro. Como já era conhecido por esse nome, foi natural.”
“A partir da decisão de lançar o álbum fui focando mais e mais nas composições pra minha voz e, em no começo de 2015, tinha as músicas prontas – a última da leva foi ‘Analog Days’ (a música do primeiro clipe). Daí procurei o Pedro Penna com as bases do álbum já pré-produzidas e fomos ouvindo tudo, pensando em como incrementar aquilo. Este processo demorou quase um ano e meio, foi longo, mas permitiu que a gente trabalhasse bem cada música individualmente. No final de 2016 – finalmente! -, tava com tudo em mãos e pronto pra lançar. Aí foi só esperar aquele ano pesado terminar pra começar este ano com novas energias.”
“Durante todo este longo processo de 3 anos, fui registrando, com o mesmo celular que usei pra compor e pré-produzir o álbum, todos os lugares por onde passei, aleatoriamente”, ele explica o clipe da música que apresenta o disco. “Em nenhum momento, enquanto estava gravando, pensei em usar essas imagens, afinal eram imagens de viagens, amigos, festas – coisas que a gente faz hoje em dia sem nem perceber. Até que um dia peguei resolvi usar algumas dessas imagens – as mais abstratas e solares, a princípio – pra fazer um teaser pro lançamento do álbum. As imagens foram ganhando novo sentido conforme fui editando e, quando percebi, tinha virado clipe. Um clipe que funcionou como meu álbum de memórias, com lugares, amigos e situações pelas quais passei durante a concepção e gestação do Solar.”
Postei um vídeo no meu blog no UOL que recria o clássico e hilário clipe de “Dancing in the Streets” com David Bowie e Mick Jagger em Lego.
A música “Dancing in the Streets“, escrita por Marvin Gaye e imortalizada por Martha and the Vandellas nos anos 60, também é histórica por registrar em uma canção a relação entre dois dos maiores nomes da música pop, David Bowie e Mick Jagger. A relação dos dois é bem anterior ao 1985 em que gravaram esta versão e tem como momento central uma das grandes passagens da história do rock, quando, durante os anos 70, Angela Bowie pegou seu marido e o vocalista dos Rolling Stones juntos na cama.
A colaboração musical entre os dois foi lançada pouco antes do megaevento de caridade Live Aid e a intenção era fazer que Jagger e Bowie cantassem o dueto ao vivo, cada um em um dos palcos do evento gigante, um deles em Wembley, no Reino Unido, e o outro no John F. Kennedy Stadium, nos EUA, mas problemas técnicos impediram que o dueto acontecesse pois o menor segundo de atraso entre as duas apresentações poderia colocar tudo a perder. “Dancing in the Streets” não foi tocada ao vivo como planejado, mas gerou um clipe que se tornou um ícone dos anos 80, principalmente devido à coreografia da dupla. Que agora foi homenageado em forma de Lego pelo animador amador William Osbourne. O resultado é hilário:
Não é a primeira vez que o clipe é alvo de paródia. Uma versão que já é um clássico online é o clipe revisto apenas com os sons ambientes, sem a música nem os vocais:
E, claro, a impagável versão brasileira que mistura o clipe com a sensacional “Babydoll de Nylon”, de Robertinho do Recife:
Clássico é clássico.
Fechando o ciclo de seu fabuloso De Baile Solto, um dos melhores discos de 2015, o mestre Siba lança o clipe da pensativa “O Inimigo Dorme”, a curta faixa que conclui a mensagem do álbum, antes da catártica “Meu Balão Vai Voar”.









