“Tenho visto e ouvido coisas emergentes na música e no cenário onde a praticamos. Novos grupos revelando novos caminhos. Outras atitudes. Outros ângulos sonoros. A música em si será como sempre foi; feia ou bonita dependendo de quem a ouve. Mas a maneira de ser dessa tribo que está ocupando espaços, traz um ar novo, animador e importante: conteúdo com a qualidade alguns pontos acima” – quem descreve este cenário é Renato Teixeira, ícone vivo da música de raiz brasileira, que acaba de encontrar-se com a banda de rua Mustache e os Apaches para um encontro ao redor de uma de suas canções, “Rio Abaixo”.
A conexão entre as duas gerações foi feita pela filha de Renato, Antônia, amiga pessoal do grupo. “‘Rio Abaixo’ é uma das músicas do Renato que a gente mais gosta”, explica o vocalista da banda, Pedro Pastoriz. “E chegamos nela em uma conversa muito rápida. A princípio é uma música que o Renato não toca muito nos shows, é de um repertório antigo e a composição é de Geraldo Roca e Paulo Simões.”
Renato continua: “A música por ser invisível e inodora, repousa na gravidade da terra eternamente. As clássicas, por exemplo, continuam soando mais belas a cada dia enquanto gerações inteiras vão passando por ela. Reinventar, renovar-se, ampliar horizontes, qualificar a vida dos humanos, são missões musicais. Ouvir música, qualquer uma, é praticar auto ajuda. Os tempos mudam o comportamento conforme a humanidade evolui e é dentro dessa lógica que a arte se orienta para também avançar. Sem ter que ser obrigatoriamente um caleidoscópio de possibilidades nunca vistas de sonoridades inimagináveis, a arte musical jamais se comprometeu com qualquer tendência para ser eficiente. Basta ser do agrado de todos e o assunto estará resolvido. Uma banda como Mustache e os Apaches, a canção do Roca e do Simões, aquele arranjo certeiro que o Sergio Mineiro criou lá nos porões dos anos oitenta mais a vivencia que as canções adquirem com o passar dos anos, tudo isso somado, possibilitou que descontraidamente a gente revisitasse a canção numa manha sol na serra da Cantareira e nos divertíssemos muito com ela.”
“‘Rio Abaixo’ tem lá uma certa ironia, como quase tudo que passa pelo Roca. Tem também um que de deboche que o Simões gosta de camuflar nos seus dizeres. Quando ouvi pela primeira vez, achei que Elis iria gostar; marquei uma visita do Roca na casa dela. Elis ouviu mas não se ligou; então eu gravei no meu disco Garapa. Ficou lindo. Espero que esse numero musical venha agora trazer uma gostosa reflexão filosófica sobre a vida vivida nesse pais tropical onde ‘Rio Abaixo’ é o nome de uma determinada afinação da viola e serve também de dizer popular, quando a gente vê a viola em cacos e nao pode mais deter a evolução dos fatos”, empolga-se o velho compositor.
“Renato é uma figura engraçada, cheio de histórias”, continua Pastoriz. “Ele tava muito curioso pra saber como funcionava essa coisa nossa de tocar na rua, enfim, passamos um dia muito gostoso entre amigos. No final do dia gravamos a música num por do sol incrível com todas aquelas araras, micos e tucanos da Cantareira. Espero que a gente toque juntos algum dia ao vivo, seria legal no futuro gravar mais algumas coisas, veremos!” O próprio Renato vai além e já traça planos: “Pensei inclusive em regravar um dos meus primeiros discos, o “Paisagem” com os Mustaches.”
O grande Lee Ranaldo, o cientista louco do Sonic Youth, segue desbravando o território da canção e acaba de anunciar mais um disco solo. Electric Trim, que só será lançado no meio de setembro, foi gravado com a mesma banda com quem gravou seu disco mais recente, Last Night on Earth de 2013, os mesmos The Dust (formados pelo ex-baterista do Sonic Youth Steve Shelley, o guitarrista Alan Licht e o baixista Tim Luntzel), mas ainda conta com participações especiais de Neils Cline, do Wilco, e Sharon Van Etten, que faz vocais em seis canções. “Eu estou bem animado com esse disco, representa novos caminhos e direções para mim e não vejo a hora de voltar para a estrada e tocar essas músicas ao vivo”, ele disse em um post no Facebook. O velho Lirra abre os trabalhos do disco revelando a capa (feita pelo mesmo Richard Prince que fez a capa do disco Sonic Nurse, do Sonic Youth) e a ordem das músicas, além do primeiro single (“Circular (Right As Rain)”), todos abaixo:
“Moroccan Mountains”
“Uncle Skeleton”
“Let’s Start Again”
“Last Looks (feat. Sharon Van Etten)”
“Circular (Right As Rain)”
“Electric Trim”
“Purloined”
“Thrown Over the Wall”
“New Thing”
O disco já está em pré-venda, pela gravadora Mute.
“Creature Comfort” é mais uma música do novo disco do Arcade Fire (que já está em pré-venda aqui) e a primeira música boa de fato das que já apareceram até agora.
Eis a capa do novo disco do War on Drugs, A Deeper Understanding, que deve ser lançado no final do mês de agosto. O grupo voltou a dar notícias no Record Store Day, quando lançou o excelente single “Thinking of a Place” e mantém o mesmo clima vintage em mais uma nova canção, “Holding On”, que chega junto com um belo clipe sobre encontros e reencontros pela vida.
A Deeper Understanding já está em pré-venda e esta é a ordem das músicas no disco que, em vinil, é duplo:
“Up All Night”
“Pain”
“Holding On”
“Strangest Thing”
“Knocked Down”
“Nothing To Find”
“Thinking of a Place”
“In Chains”
“Clean Living”
“You Don’t Have To Go”
Lá vem o Toro y Moi de novo. Chaz Bundick resolveu sua crise de identidade (que o fez lançar discos com diferentes nomes e dentro de categorias específicas) rebatizando-se de Chaz Bear e começando esta nova fase com um novo disco, chamado singelamente de Boo-Boo. Ele explicou essa fase em um texto publicado junto à pré-venda do álbum, que deve ser lançado no início de julho:
“Depois de sete anos fazendo shows e gravado, me vi me tornando autoconsciente sobre minha postura na vida como uma pessoa ‘famosa’ ou pelo menos na minha versão do que quer que isso seja. Meus sonhos se tornaram minha realidade, ainda que eu ainda não conseguisse aceitar este novo ambiente. Eu não pude fazer outra coisa a não ser cair em algo que pode ser descrito como uma crise de identidade. Um ciclo repetitivo de pensamentos temerários me deixavam confuso. Eu me sentia como se eu não mais soubesse o que é que eu realmente queria ou precisava da vida e algumas vezes tinha dificuldades em dizer o que era realidade.
Durante este período de turbulência pessoa, usei a música como uma forma de terapia e ela me ajudou a lidar com a dor que eu sentia. Ouvia a mesma canção ambiente várias vezes seguidas, tentando me isolar da realidade. Me apaixonei com o espaço novamente.
Na hora em que vi que estava pronto para gravar um novo disco, sabia que esta ideia de espaço dentro da música poderia ser algo que impulsionasse meu novo trabalho adiante. Os artistas que influenciaram o que eu estava fazendo incluía todo mundo, de Travis Scott ao Daft Punk, Frank Ocean ao Oneohtrix Point Never, Kashif ou Gigi Masin. Decidi que queria fazer um disco Pop com estas ideias em mente. Esta ideia de um disco finalmente se transformou em Boo Boo.”
E o som – a começar pela ótima “Girl Like You” – é o bom e velho soul de quarto que conhecemos desde os tempos em que ele era apenas um jovem aspirante de um certo gênero chamado chillwave…
O produtor japonês Cornelius lança mais um clipe de seu próximo álbum, Mellow Waves, o primeiro de inéditas em mais de uma década. E “『いつか / どこか』” / “Sometime / Someplace” segue a linha do single anterior, “If You’re Here”, explorando espaços entre beats e bases, mas com dois instrumentos bem pronunciados – um violão quase brasileiro e um solo de guitarra psicodélico. Sonzeira:
Depois do par de canções (“A Dog Called Money” e “I’ll Be Waiting”) que lançou para reforçar sua turnê pelos Estados Unidos, PJ Harvey segue lançando novas músicas como uma extensão natural de seu The Hope Six Demolition Project, lançado no ano passado. Cada vez mais preocupada com as questões políticas globais, ela vem aos poucos transformando seus discos em uma versão musicada de um jornalismo cada vez mais ausente, jogando luz sobre temas que não são tão discutidos quanto deveriam. É o caso do recém-lançado single “The Camp”, feito em parceria com o músico egípcio Ramy Essam e o colaborador de longa data John Parish sobre a crise dos refugiados no oriente médio, especificamente no Líbano. O clipe é composto por imagens feitas pelo fotógrafo inglês Giles Duley e não tem meios termos em relação ao tema abordado.
E não custa lembrar que o Lucio acaba de confirmar a presença de PJ Harvey em seu Popload Festival, dia 15 de novembro (com Phoenix, Daughter, Neon Indian e Carne Doce).
E esse disco novo do Phoenix, todo italiano retrô… O clipe do single “Goodbye Soleil” só reforça essa vibe…
Soulwax, o grupo belga dos irmãos 2ManyDJs, lança o clipe de uma das melhores músicas de From Dewee, seu álbum lançado no início deste ano, “Do You Want to Get Into Trouble?”
Bárbara Eugenia está nos finalmentes dos trabalhos de seu ótimo Frou Frou, lançado em 2015, e começa a despedir-se lentamente do disco – o último show do álbum em São Paulo aconteceu durante a Virada Cultural e ela tem passagens agendadas para Brasília, Porto Alegre e Florianópolis nos próximos meses – e depois dedicar-se ao disco Vida Ventureira, gravado ao lado de Tatá Aeroplano, que deve chegar às plataformas digitais no início de junho. E para marcar o fim desta fase, ela lança o clipe de “Só Quero Seu Amor”, dirigido por sua amiga Yera Dahora, que estreia com exclusividade aqui no Trabalho Sujo.










