O músico e intérprete João Leão, que já tocou com Saulo Duarte, Céu, Bárbara Eugenia e Juliano Gauche, lança seu primeiro disco solo, Bílis Negra, nesta quinta-feira, às 21h, no Centro Cultural São Paulo em apresentação gratuita (mais informações aqui). O disco, como explicita seu título, é uma obra melancólica e delicada em que João passeia por canções de amigos, como Lirinha, Tika e o próprio Saulo, autor da faixa que ele escolheu para começar a divulgar o disco, “Canção do Silêncio”, cujo clipe ele lança em primeira mão no Trabalho Sujo.
Mister Kassin, um dos grandes produtores do Brasil, invade a galáxia de Lincoln Olivetti no clipe da faixa-título de seu excelente Relax.
Um dos nomes mais ativos da cena carioca, o baterista Marcelo Callado – integrante do grupo Do Amor e ex-baterista de Caetano Veloso – lançou seu segundo disco solo no fim do ano passado, coletando canções de diferentes épocas de sua carreira num ousado álbum duplo. Musical Porém, lançado fisicamente apenas em vinil (além de estar nas plataformas digitais), é uma viagem por diferentes gêneros musicais e formatos de composição em que o músico mostra toda sua amplitude musical. O disco começa a ser mostrado visualmente com o clipe de “Fica”, que ele mostra em primeira mão no Trabalho Sujo:
Aproveitei para bater um papo com o Marcelo sobre este novo disco e saber o que mais ele anda aprontando.
Como Musical Porém começou?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-como-musical-porem-comecou
O disco sempre foi pensado como tendo diferentes facetas musicais?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-o-disco-sempre-foi-pensado-como-tendo-diferentes-facetas-musicais
O fato do disco em vinil ser duplo divide o álbum em quatro capítulos específicos.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-o-fato-do-disco-em-vinil-ser-duplo-divide-o-album-em-quatro-capitulos-especificos
Como aconteceram as participações especiais?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-como-aconteceram-as-participacoes-especiais
Como você relaciona esse disco com seus trabalhos anteriores?
Marcelo Callado: Como você relaciona esse disco com seus trabalhos anteriores?
É um disco influenciado por outros discos?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-e-um-disco-influenciado-por-outros-discos
Por que lançar em vinil em vez de CD?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-por-que-lancar-em-vinil-em-vez-de-cd
Como é esse disco ao vivo? Quem mais toca contigo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-como-e-esse-disco-ao-vivo-quem-mais-toca-contigo
E o que mais você anda fazendo, além deste seu disco solo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-e-o-que-mais-voce-anda-fazendo-alem-deste-seu-disco-solo
Musical Porém: Faixa a faixa
Aproveitei a conversa com Callado para que ele dissecasse o disco faixa a faixa:
Acompanho o trabalho de paranaense Rosanne Machado desde quando ela surgiu com seu Rosie & Me no meio pro fim da década passada, resvalando nos saudosos blogs de MP3 e emplacando alguns minihits das paradas de sucesso do Hype Machine e do Last.fm (quem viveu lembra). De lá pra cá, trouxe-a para São Paulo quando fui curador do Prata da Casa do Sesc Pompeia em 2012 e ela seguiu com a banda de forma bissexta, até que passou a compor e gravar sons por conta própria, deixando o antigo grupo em estado de hibernação para focar em uma nova persona, Rosie Mankato, há uns três anos. E quando soube que ela finalmente lançaria um disco com seu novo trabalho, marquei um papo em que ela terminava falando que “sempre vai ser uma honra participar do Trabalho Sujo. Você, sem saber, foi a primeira pessoa a lançar Rosie Mankato quando tocou um cover bizarrissimo que eu fiz de ‘You’re Laughing at Me‘ na rádio Eldorado, mil anos atrás”. É, realmente eu não sabia disso. Vai ver por isso que ela liberou o clipe de “Don’t be Mad”, faixa de trabalho do EP Palomino, em primeira mão para o Trabalho Sujo.
Aproveitei para conversar com ela sobre toda a transformação de vida que resultou nessa nova personalidade musical (e ela ainda descolou um cover que fez de Ru Paul lá no final do post).
Como aconteceu a transição Rosie & Me para Rosie Mankato?
Comecei a experimentar com gravações lo-fi quando tinha 11 anos de idade. Meu pai sempre foi um cara da tecnologia e, como o pai dele proibiu ele de qualquer envolvimento com música, ele sempre me apoiou a seguir essa carreira como podia. Sempre foi uma característica minha ser mais reclusa e brincar com música. O Rosie and Me me pegou de surpresa porque naquela época, 2006 e 2007, a internet era muito mais aberta, livre de algoritmos do mal – haha! – e as bandas tinham muito mais chance de viralizar. Foi o que aconteceu com a gente num ponto importante do meu desenvolvimento como produtora musical e acabei me prendendo demais à banda nesse processo e tudo que ele envolvia: shows, agentes, ouvintes, ensaios, drama… Claro que a banda foi extremamente importante pra mim, e sempre me emociono em pensar nas coisas incríveis que a gente viveu, mas eventualmente todo aquele profissionalismo frio começou a limitar minha criatividade e isso só não me servia mais.
O EP Palomino representa exatamente essa transição. Nesses últimos anos, aceitei minhas fragilidades e pontos fortes pra fazer música com minha “verdade” e, principalmente, me divertir com isso, com leveza. Não queria voltar a tocar e produzir sem antes concluir essas tracks que ficaram esquecidas – e só consegui quando parei de levar isso tão a sério.
O que muda em termos de sonoridade?
Tudo, principalmente minha voz. Quando comecei a cantar em público, algumas pessoas próximas comentavam que eu tinha uma voz muito estranha e que “parecia um homem cantando”. Isso me fez desenvolver uma pira errada de cantar agudo demais pro meu tom natural pra evitar ouvir coisas do tipo – erro terrível da minha parte que só me atrasou na vida. Demorei pra entender que aquilo não era uma crítica produtiva, e sim uma galera nada a ver que só queria me ver mal. Quando a gente cresce um pouco – e assiste todas as temporadas de RuPaul’s Drag Race -, é normal desenvolver uma surdez seletiva pra comentários negativos e o resultado disso é muito mais produtivo. A sonoridade sempre vai ter um toque de estranheza, com um fundinho de country, dreampop e futurepop.
Há uma personalidade Rosie Mankato?
Tô num ponto da vida que só quero voltar a ter a criatividade que tinha quando era criança. Faz sentido? Só posso esperar que minha personalidade transpareça nas minhas atitudes e nas coisas que faço. Todo mundo tem alguma característica especial e eu acho demais quando conseguem aplicar isso no mundo real.
Como o disco Palomino surgiu? Por que demorou para ser lançado?
Ele surgiu em 2012, pra me lançar como “solo”. Não sabia que ia virar uma jornada de desenvolvimento pessoal no caminho. O que mais pesava era a constante insatisfação com a qualidade. E é claro, o EP envolve áudios super antigos gravados de forma aleatória e fora dos padrões. Tive que fazer as pazes com isso e fazer o melhor com o que tinha disponível. Hoje moro num casarão/estúdio que é beeem mais adequado pra captar e experimentar num nível mais elevado e não vejo a hora de compartilhar o que tá saindo disso tudo – mas aí já é assunto pro próximo álbum.
Fale sobre o clipe de “Don’t Be Mad”.
O clipe é bem pessoal e foi gravado nos arredores do estúdio – que fica numa área rural no meio do nada. São lugares que visito sempre e significam muito pra mim. Como artista independente, não disponho de muitos recursos pra esse tipo de material, então quis fazer o melhor possível com o que tinha. A Raysa Fontana – fotógrafa de moda – é quem cuida de todas as minhas imagens e vídeos. “Don’t be Mad” é sobre um dia de inverno, em que ela me pediu pra ser modelo e entrar num lago pra uma foto mas eu não tive coragem – meu, tava 2 graus! A música era pra ser uma piada com essa história e acabou se tornando uma das minhas preferidas. Ela criou esse conceito de monstro que, quando a cabeça gira, os olhinhos dele ficam bravo/triste/bravo/triste e a gente quis se divertir com isso, filmar e envolver a família na construção da máscara e das fantasias. No fim, eu pulei na água e congelei meus cambitos.
Você irá apresentar-se ao vivo? Qual a formação?
Sim! Já tenho alguns músicos envolvidos pra shows futuros e sempre quero tocar com pessoas diferentes. Ainda toco com os meninos do Rosie and Me, pra quem tem saudade da banda. Sempre vou ter interesse em tocar com pessoas diferentes que gostem do som. Vão ter dois shows de lançamento do Palomino no Teatro Paiol, em Curitiba, dias 25 e 26 de maio. Quem vai tocar comigo nessa formação são os músicos: Gabriel Eubank na bateria, Felix Cecílio na guitarra e Fabrício Rossini no baixo.
Rodolfo Krieger, baixista da banda gaúcha Cachorro Grande, está começando a trabalhar em sua carreira solo ao anunciar o lançamento de um EP no segundo semestre com a faixa “Louvado Seja Deus”. De inspiração psicodélica – bebendo tanto na fonte inglesa clássica dos anos 60 quanto em sua versão dance que aconteceu duas décadas depois -, o single, cujo clipe é apresentado em primeira mão no Trabalho Sujo, é a semente de uma conexão com um dos maiores nomes de nossa psicodelia – e do rock brasileiro -, o mutante Arnaldo Baptista, que é sampleado na frase que batiza a canção, extraída do disco Let it Bed, de 2004.
“Eu ainda estava morando em São Paulo, desfrutando das noites frenéticas da Rua Augusta, e entrei em uma fase Arnaldo Baptista, daquelas que vem de tempos em tempos”, me explica Rodolfo por email. “As audições eram diárias e constantes, em uma dessas viagens em meu apartamento, decidi escrever uma carta à mão para ele. Na carta escrevi sobre discos voadores, equipamentos valvulados e também contei um pouco sobre as canções que eu estava compondo, inclusive algumas muito influenciadas por ele, devido às exaustivas sessões do ex-mutante no meu toca-discos. O tempo passou e um dia, quando estava voltando de um show da Cachorro Grande, o porteiro do meu prédio me entregou um pacote com o nome da Lucinha – esposa do Arnaldo – como remetente. Quando eu abri me deparei com uma camiseta pintada a mão por ele, uma carta e um pequeno quadro que ele pintou com a seguinte frase ‘creia em seus sonhos’ aí foi o start para dar inicio às minhas gravações e começarmos a trocar alguns manuscritos e presentes!”
Sarau o Benedito?
A conexão já gerou frutos para além do single, quando o cachorro grande participa de uma homenagem feita ao mutante no dia 20 de maio, quando ele dirige um show-tributo a Arnaldo com a presença do próprio e de outros convidados como China, Karina Buhr, Hélio Flanders e Lulina na Caixa Cultural, em São Paulo. A homenagem encerra o ciclo Sarau o Benedito? que também terá apresentações solo do mutante nos três dias anteriores. “Quando surgiu o convite para fazer a homenagem, pensei logo de cara que tinha que fazer algo diferente. Como um bom fã do Arnaldo, sempre vou em homenagens que vez ou outra acontecem e a maioria dos repertórios dão ênfase ao Loki?! e aos discos dos Mutantes. Então, montei o repertório baseado apenas nos álbuns Elo Perdido, Singin’ Alone e Let it Bed. E confesso que esse é um show que eu sempre quis fazer, aquelas musicas do Elo Perdido são uma paulada!”
Ele antecipa algumas pérolas desta noite ao instigar um pouco sobre quem toca o quê: “Posso te adiantar que o Helio Flanders vai aparecer com um trompete em ‘I Fell in Love One Day’ e a Karina Buhr, aniversariante do dia, vai cantar a musica ‘Oh Trem’ numa versão explosiva tipo ‘Yer Blues’, do White Album, do Beatles.”
“Venho da geração da fita K7, quando na zona sul de Porto Alegre tinha um grupo de amigos que sempre pirateavam algumas fitas e em uma das milhares dessas fitas, encontrei algumas dos Mutantes”, Krieger lembra de como conheceu o grupo. “Mas foi no final dos anos noventa que adquiri a discografia em CD. Nessa época já fazia alguns covers com os conjuntos locais e sempre acabava rolando músicas deles nas rodas de violão. Hoje tenho tudo em vinil e que não sai da minha vitrola, assim como os Beatles, David Bowie e todos aqueles clássicos que a gente é fã desde moleque. Já o trabalho solo do Arnaldo só tive acesso quando pisei em São Paulo pela primeira vez, em 2005. Meu sonho era conhecer a galeria do rock e no dia que entrei lá enlouqueci, o primeiro álbum que eu comprei foi o Lóki. Foi amor à primeira vista e agora estamos aqui, nós dois juntos reunidos em uma música só!”
Ele não esconde a vontade de colaborar com o mestre: “Estou deixando o universo conspirar. Eu não vou negar que adoraria fazer alguma coisa com ele, tanto no palco, quanto no estúdio. Foi dada a largada e existe muita energia na nossa relação, algo que eu acredito que possa jogar a favor. Mas só de ele ter liberado o sample e topado participar do clipe já é um sonho realizado.”
“Os Mutantes são o nosso maior patrimônio musical, sem dúvida nenhuma”, empolga-se. “Aquela frase que o Rogério Duprat fala no documentário Lóki é muito certeira: ‘o Arnaldo Baptista é o responsável por quase tudo que aconteceu no Brasil de 67 para frente’.
A dupla Chromeo vem soltando seu próximo álbum no conta-gotas: anunciou o lançamento no fim de 2017 com o single “Juice“, depois entrou em 2018 com a sinuosa “Bedroom Calling” e agora marca a data do novo álbum, Head Over Heels, para o dia 15 de junho – e aproveitam para soltar mais uma música, “Must’ve Been”, esta gravada com o vocalista Dram.
No clipe, vemos Dave 1 e P-Thugg em diferentes fases de sua vida, encerrando com uma versão hilária dos dois ainda crianças.
E o som, sempre smooth.
Depois de muito adiar seu novo disco (e de um súbito acidente que a deixou de molho no ano passado), Melody Prochet volta a acionar seu projeto Melody’s Echo Chamber com o single “Breathe In, Breathe Out”, que conecta as duas pontas de seu trabalho até aqui – a psicodelia guitarreira noise açucarada que a estabeleceu em seu disco de estreia e os experimentos seguintes com folk e música pop que começou a fazer após o lançamento do disco.
A música é o primeiro single do segundo disco da cantora francesa, batizado de Bon Voyage, que foi gravado na Suécia e conta com as participações das bandas Pond e Dungen. Essa é a capa do disco, que já está em pré-venda, seguida das nomes das faixas:
“Cross My Heart”
“Breathe In, Breathe Out”
“Desert Horse”
“Var Har Du Vart”
“Quand Les Larmes D’un Ange Font Danser La Neige”
“Visions Of Someone Special, On A Wall Of Reflections”
“Shirim”
O acidente que lhe tirou de circulação no ano passado também fez que ela cancelasse sua primeira vinda ao Brasil. Será que dessa vez ela vem?
Um dos nomes mais ativos da cena faça-você-mesmo brasileira, o guitarrista Rafael Crespo vive a doce contradição de ser mais lembrado por seu trabalho mais comercial (ter fundado o Planet Hemp nos anos 90) do que por seus inúmeros projetos e bandas independentes com os quais atravessou a virada do século transformando a cara da cena paulista. Integrou e fundou bandas como Polara, Aspen, Elroy, Deluxe Trio e várias outras, além de também tocar a clássica gravadora Spicy Recs, que lançou pedras fundamentais do rock independente brasileiro recente como Againe, Garage Fuzz e Pin Ups. Sua nova encarnação é o trio Herzegovina, que fundou ao lado de Mario Mamede, ex-baterista do Moptop, e Marcello Fernandes. Lançados com a fita cassete 5AM no ano passado, agora o trio estreia o clipe de “Ego Arcade” em primeira mão no Trabalho Sujo. “A letra fala sobre como as redes sociais viraram jogos de ego, onde um tenta ‘lacrar’ mais do que o outro”, me explica Rafa em entrevista por email. “Usamos como linguagem videogames dos anos 70 e 80, que eram, na época, a expressão máxima da sofisticação e tecnologia do entretenimento, uma analogia para o uso atual das redes sociais, e como elas serão vistas daqui a alguns anos – algo ultrapassado, datado e tosco, assim espero.” Conversei com ele sobre a nova banda e sobre como ele encara a cena que ajudou a construir.
Conte a história do Herzegovina.
Tudo começou quando eu voltei a morar no Rio no final de 2015. Conheci o Mario, que tocava bateria, e conversando descobrimos que estávamos escutando e querendo fazer o mesmo estilo de música. O Mario conhecia o Marcello e chamou ele pra tocar baixo com a gente, e em março de 2016 começamos a ensaiar e compor. Pensamos em um nome, algo que soasse estranho e familiar ao mesmo tempo e que tivesse a ver com a proposta da música, chegamos em Herzegovina. Pra quem está familiarizado com o nome, sabe que é um país com uma longa história de guerras e conflitos, algo que tentamos refletir em nossa música. Não necessariamente conflitos armados, mas todos os tipos de conflitos existentes, e cada vez mais ampliados pelas redes sociais: políticos, existenciais, sentimentais, de ego, de opiniões, etc. Pra quem não está familiarizado com o nome, pode soar como coisa meio “Proust” como Vovó Herzegovina.
Você já atua há muito tempo na cena independente brasileira. Como vê a evolução do rock independente atual?
Não sei, eu vejo, infelizmente, a música independente seguindo os mesmos caminhos e repetindo os mesmos erros da industria musical. Eu vim de uma escola essencialmente punk, não só musicalmente mas em termos de idéias e concepções. Sempre acreditei que era possível criar e se expressar artisticamente livre dos padrões e moldes comerciais impostos pela indústria. Mas era preciso criar e fortalecer esse “espaço” pra que fosse um lugar livre para todos.
O que eu vi, ao longo desses anos, foi muita gente se aproveitando dessas idéias pra se promover, falta um espirito de comunidade. No meu modo de ver, música alternativa, indie, etc, acabou virando uma caricatura, no fundo parece que todo mundo quer fazer parte da indústria e que esses rótulos só servem pra tentar gourmetizar e diferenciar o trabalho do artista. Respondendo sua pergunta, música independente, alternativa, etc, deveria ser algo inovador, desafiador, subversivo e ousado, mas musicalmente, vejo tudo muito chato, igual e repetitivo, embora existam as exceções.
Dá para traçar um paralelo entre as cenas de rock independente de São Paulo e do Rio de Janeiro, já que você conhece bem ambas?
Acho que eu não saberia dizer. Apesar de ser do Rio, 90 por cento da minhas relações e interações são em São Paulo. Sei que tem muita gente no Rio ralando duro e tentando criar um espaço e fomentar uma cena de música independente e eu admiro e respeito muito essas pessoas. Mas existe uma cultura carioca que precisa ser revista e transformada pelo bem da cultura e da cidade. Quando me mudei para lá, lembro que minha primeira impressão foi “como falta uma postura e uma atitude mais punk na cidade”. Explicando melhor o que eu quero dizer com “atitude e postura punk”, não estou falando sobre estilo musical, mas sobre se organizar, ser mais pró ativo, participar mais, apoiar mais os artistas e os lugares. Acho que tem muita gente talentosa e criativa no Rio, mas como a cidade não é tão grande como SP, falta as pessoas se unirem e se aproximarem mais.
Nossa querida australiana continua preparando o território para seu novo álbum Tell Me How You Really Feel e lança mais uma música, desta vez com direito a clipe no espaço. “I Need a Little Time” segue o tom irônico de suas composições, cantando sobre coisas tristes com melodias felizes.
Seu segundo álbum sai em maio e já está em pré-venda.
O som sossegado e a vibe ensolarada dão a tônica do novo single do produtor pernambucano Paes, que está prestes a lançar seu segundo disco solo, que antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo com o single “Mais Além”, com clipe dirigido pelo artista gráfico Raul Luna. “Quando musiquei este poema (da atriz, poeta e fotógrafa Camila van der Linden), construí com bandas distintas, arranjos bem diferentes. O primeiro – ainda com Barro, Rapha B e Rafael Gadelha na banda – era uma espécie de brega modernoso. O segundo momento – já com Cassio Sales nas baquetas – se tornou um pop rock tribal, por conta dos tambores da bateria marcantes. Testamos ela em shows. Quando comecei a gravar meu novo disco com Arthur Dossa e Cássio, desenvolvemos um arranjo mais minimalista, preciso e direto, como segue todo o mood do álbum.” O disco completo sai ainda este mês












