Depois de passar o início do mês resetando sua máquina de mídias sociais com códigos morses e vídeos sem rosto, Jason Pierce anuncia o laçamento de And Nothing Hurt, o oitavo disco de sua catedral musical Spiritualized, e, segundo o próprio, a despedida de seu grupo de space noise gospel. Ele publicou um texto explicando o novo trabalho no site da gravadora Fat Possum:
“Fazer este disco sozinho me deixou mais doido do que qualquer outra coisa que eu já tinha feito antes. Estávamos tocando nestes grandes shows e eu realmente queria capturar o som que estávamos fazendo, mas sem os recursos para fazê-lo, eu tive que achar uma forma de trabalhar dentro das minhas restrições do dinheiro que eu tinha. Então comprei um laptop e fiz tudo num quarto pequeno em casa…
O principal para mim era tentar fazer soar como se fosse uma sessão de estúdio. Há trechos em que fui para um estúdio gravar – principalmente bateria e percussão. Quer dizer, não dá pra subir um tambor tímpano pelas escadas da minha casa. Quando tive que aceitar a forma que iria fazer o disco, assumi que iria fazê-lo soar como Lee Perry – voando por diferentes ângulos, tudo extraordinário e sem alta tecnologia na construção. Mas eu era novo em relação àquilo tudo, eu tinha todo o tipo de atalho que as pessoas têm quando fazem discos – eu apenas sentei ali por semanas… Meses… Mexendo com todas as camadas para cima pouco a pouco, tentando fazer tudo soar bem…
Com um tanto de tentativa e erro, encontrei formas de fazer algo que era muito simples, se você tem os recursos. Eu passei duas semanas ouvindo discos de música clássica e tocando o acorde que eu queria em minha guitarra. Quando eu encontrava algo que se encaixava no que eu queria, eu sampleava aquele trecho e ia para o próximo acorde para encaixar aquele outro. Foram semanas tentando juntar algo e empilhar sons de cordas convincentes. Mas, para ser honesto, tudo que eu queria era alguém que viesse tocar a sua parte e trazer sua própria pequena contribuição para o disco.”
Ele confirmou o que já vinha dizendo em entrevistas anteriores, que seu próximo disco seria o último do Spiritualized:
“Eu fui bem sincero sobre isso e ainda acho que seja o caso. É muito trabalho pesado. Eu ficava completamente louco por muito tempo. Não é que não vá voltar, é que estou bem agora… É tão difícil fazer um trabalho desses por sua própria conta. É como se eu estivesse me forçando ao limite da loucura, não vai dar certo. Acho que o grande objetivo é fazer algo que valha a pena todo aquele tempo e esforço. E quando mais tempo e esforço, mais o objetivo aumentava. E o que era incrivelmente positivo em relação ao disco é que iremos tocá-lo ao vivo. É sempre a coisa mais feliz; esta coisa incrível que parece te fazer atravessar o teto.”
A capa do disco (que abre o post) e a ordem das faixas (no final) foram anunciadas junto com duas novas músicas: a belíssima “Perfect Miracle” e a singela “I’m Your Man”, que também ganhou clipe:
O disco será lançado em setembro e já está em pré-venda.
“A Perfect Miracle”
“I’m Your Man”
“Here It Comes (The Road) Let’s Go”
“Let’s Dance”
“On the Sunshine”
“Damaged”
“The Morning After”
“The Prize”
“Sail on Through”
O vocalista dos Mustache e os Apaches, o gaúcho Pedro Pastoriz, apresenta seu primeiro disco solo, Projeções, nesta quinta-feira no CCSP, às 21h (mais informações aqui), quando também aproveita a oportunidade para lançar o clipe da ótima “Restaurante Lótus”, que abre o disco.
E o grupo Unknown Mortal Orchestra chama o animador Greg Sharp para mais um clipe, desta vez da faixa “Hunnybee”, presente no novo disco do Unknown Mortal Orchestra, Sex & Food, que melhora a cada nova audição.
Dê a devida atenção, por favor:
Depois de um disco melancólico e repleto de participações especiais (Humanz, um dos grandes discos do ano passado), o grupo Gorillaz volta a anunciar mais um novo disco, The Now Now, programado para chegar aos nossos ouvidos oficialmente no fim deste mês. O líder do Blur e cocriador do grupo Damon Albarn anunciou que o disco terá menos convidados e um clima de verão, avesso ao disco anterior, e deu início lançando as faixas “Humility” e “Lake Zurich”, sendo que apenas uma, a primeira, conta com uma participação, do guitarrista George Benson.
Os únicos outros convidados do disco são Snoop Dogg e Jamie Principle, que cantam na conhecida “Hollywood”, que o grupo vem apresentado ao vivo.
Bem astral, hein. A capa de The Now Now é esta abaixo (seguida da lista de suas faixas) e já está em pré-venda.
“Humility”
“Tranz”
“Hollywood”
“Kansas”
“Sorcererz”
“Idaho”
“Lake Zurich”
“Magic City”
“Fire Flies”
“One Percent”
“Souk Eye”
Os caras podem nos surpreender. De novo.
“Roll (Burbank Funk)” saiu já tem quase um mês, mas só consegui chegar nela neste fim de semana – e ela confirma o grupo The Internet como o artista mais promissor a sair do coletivo Odd Future ao lado de Frank Ocean. Ela conecta-se com o funk da Califórnia dos anos 70 e seu filhote hip hop angeleno dos anos 90, o groove house discreto da Paris da virada do século e o minimalismo de parte do rap atual, repetindo um groove irresistível, candidata a uma das melhores músicas do ano.
E é claro que já tem remix – e de ninguém menos que Kaytranada.
A cantora francesa Laure Briard encontrou porto seguro no Brasil e acaba de gravar o EP Coração Louco no estúdio Mestre Felino, em Mogi das Cruzes, ao lado dos locais Hierofante Púrpura, com produção do guitarrista dos Boogarins Benke Ferraz. Este foi instrumental ao reunir seus companheiros de banda – o guitarrista Dinho e o baterista Ynaiã Benthroldo – para participar da gravação, que, entre outras, gerou a bossa novinha lo-fi “Cravado”, lançada em primeira mão no Trabalho Sujo.
“Essa talvez seja a música mais pop do EP”, conta Benke. “É um sambinha bem simples, mas bem carismático, por isso, já que não somos sambistas, optamos por um arranjo mais lo-fi captando Dinho e Ynaiã tocando ao vivo juntos na sala, violão e bateria respectivamente. A roupagem mais crua da canção junto do sotaque de Laure cantando as letras em português soaram especiais de cara”. A cantora lembra da primeira vez que ouviu a música e como se apaixonou à primeira audição. “Escutei Dinho tocar a música na guitarra e na mesma hora me apaixonei. E ele simplesmente disse que poderia me dar para gravar. A letra fala muito o que estava sentindo no momento”, lembra, se referindo à música composta pela irmã de Dinho, Flávia Carolina. Além de Ynaiã, Dinho e Laure, a faixa também conta com Benke tocando baixo. É o segundo single que ela mostra deste próximo disco, o primeiro foi “Janela”, composição dela mesma:
Coração Louco será lançado em junho pela gravadora francesa Midnight Special Records.
E aos poucos o disco novo de Melody Prochet, nossa querida musa psicodélica que lidera o Melody’s Echo Chamber, vai ficando mais claro – e mais estranho. Depois de mostrar algumas músicas do disco no ano passado antes de sofrer um acidente, ela retomou o projeto do zero e lançou “Cross My Heart” para mostrar que tinha voltado à ativa. O novo álbum, agora batizado de Bon Voyage, teve sua pré-venda anunciada para o dia 15 do próximo mês e agora ela lança mais uma nova faixa, a estranhíssima “Desert Horse”, que mistura sua voz adocicada com guitarras invertidas e uma dose de psicodelia bad vibe que remete tanto ao Unknown Mortal Orchestra quanto ao disco mais recente dos Boogarins.
Imagina como será o disco…
Depois de anunciar seu novo disco com dois singles, a cantora e compositora sueca Lykke Li mostra mais uma faceta do novo álbum, So Sad So Sexy, que parece ser mais introspectivo que os anteriores. A nova faixa – “Utopia”, que ela descreve como “utopia é tudo que minha mãe quis pra mim e tudo que eu quero para meu filho” – reforça ainda mais essa sensação e foi apresentada em um vídeo que reúne cenas da jovem Li com sua mãe e dela hoje com seu filho pequeno, em comemoração ao recém passado dia das mães.
O disco será lançado no dia 8 de junho.
O clipe que Rincon Sapiência fez para a ótima “Crime Bárbaro”, a faixa que rasga a abertura de seu excelente Galanga Livre com um sample de Tom Zé, resume alguns séculos de história do Brasil:
O sensacional Donald Glover – também conhecido por seu nome de palco Childish Gambino – começa a desvendar seu próximo álbum e mostra que não está pra brincadeira ao lançar o clipe de “This is America”, uma impressionante e arrebatadora provocação sobre violência, racismo, mídia e o controle de armas no Estados Unidos.
Enquanto o país pega fogo, Gambino dança tranquilamente, como se nada estivesse acontecendo (evocando passos do estereótipo racista Jim Crow), mostrando que a mídia disfarça o caos norte-americano com entretenimento alienante inspirado na cultura negra. “Isso é a América”, repete insistentemente no vídeo, “sim, eu vou falar disso”. Não é difícil prever que seu próximo álbum – que ainda não tem nome – definitivamente o colocará em outro patamar.










