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O herói indie Lê Almeida está nas alturas. Liderando sua nova banda, o trio Oruã, o dono da Transfusão Noise Records comemora os 15 anos de seu selo em grande estilo e acaba de voltar de uma turnê pelos Estados Unidos tocando junto com o guitar hero Doug Martsch, o líder do Built to Spill. “Esta nova fase está sendo linda, muito pelo fato de nós estarmos fazendo o que gostamos em proporções maiores do que já faziamos”, ele me explica por email, “viajar pra tocar em algum momento virou nossa ambição já que no nosso nível social não permite ter a minima condição de uma viagem turística”. O trio lança em primeira mão no Trabalho Sujo o clipe da faixa “Cruz das Almas BA”, feito com imagens da turnê em que passaram pelas cidades de Boise, Seattle, Portland, Tacoma e Walla Walla, no mês passado.

A conexão com Martsch foi essencialmente musica. “O Doug ouviu umas faixas minhas, curtiu e começou um contato. Quando ele esteve no Rio conheceu minha família, meus amigos, passamos a tocar junto e hoje pra mim é como se ele fosse parte da nossa galera 100%”.

Ele continua lembrando a turnê: “A primeira coisa que fizemos foi tocar na Radio Boise, da cidade do Doug e dias depois tocamos duas vezes num festival de cinco dias. Desde o começo sentíamos que o respeito de todos era enorme, eles adoram música brasileira. No festival fomos muito bem recebidos e já no nosso primeiro show fomos convidados pra gravar na KEXP pela Cheryl Waters, que estava na platéia. Depois fizemos uma tour de van passando por Seattle, Portland, Tacoma e Walla Walla onde todos os shows estavam com ingressos esgotados”. A viagem ainda proporcionou encontros históricos para o indie brasileiro. “Em Tacoma conhecemos o Calvin Johnson, máximo respeito e admiração”, Lê comenta sobre o encontro com o senhor Beat Happening. “Ele foi muito gente boa com a gente, só aumentou tudo que já sentiamos.”

O trio está às vésperas de repetir a dose, só que agora na Europa. “Vamos passar por muitos lugares, são um pouco mais que 30 shows, eu ainda não memorizei tudo aqui mas vamos no final de abril e voltamos no começo de junho. Estamos muito animados. Antes de viajar vamos lançar um EP chamado Tudo Posso, que vai sair em vinil 7″ nos Estados Unidos pela IFB Records e pela Transfusão. Esse video que estamos lançando é de uma das quatro faixas desse EP, que conta com alguns membros adicionais na formação do conjunto, Karin, Dani e David nos corais e Pedro e Russo nos saxofones.”

As turnês fazem parte da comemoração de seu selo, instituição que sobrevive heroicamente há 15 anos no Rio de Janeiro. “Nossas comemorações foram no início do ano quando fizemos quatro bailes contando com um show do Built to Spill em Madureira e em agosto vamos fazer alguns bailes comemorativos de seis anos do Escritório quando estaremos mais suave no Brasil. Depois da Europa temos mais algumas tours nos Estados Unidos com o Built to Spill que vão ate novembro”.

“Os primeiros shows que a gente fez com o Built to Spill foram no Escritório, num domingo chuvoso com uma fila grande na rua, foi um momento muito emocionante pra mim e pros meus amigos”, lembra, reforçando a importância de sua casa de shows para o próprio selo. “A partir dessa primeira tour passamos a dividir mais as funções entre nós. Agora o Joab e o Raoni tão tomando conta junto com a Karin e a Maria enquanto viajamos. Eles andam montando a programação e levando adiante, o importante é não parar.”

Mas não deixa de comentar sobre o estado da cena independente brasileira. “Falta respeito sem base em números. Eu sempre fui da minoria, mesmo viajando pra fora com o Built to Spill, eu ainda sou o mesmo cara que come o prato feito de dez reais da Tiradentes e toco a mesma guitarra Giannini.
Hoje nós conseguimos investir em nós mesmos, isso é lindo, nossos discos são caprichados, fazemos nossas gravações de um jeito que ninguém faz igual, mas no fundo só queremos fazer o nosso, conheçer pessoas nas viagens, fazer vinculos, trocar discos. Sou muito grato pela base de amigos que formamos nesses 15 anos, tive a sorte ter uma família próxima que sempre deu corda para minhas ondas artísticas, fizemos amizades por causa do som que eu sei que vai ser pra vida toda, isso é o mais importante.”

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O grupo inglês Hot Chip nunca decepciona – e ao anunciar seu sétimo álbum, A Bath Full of Ecstasy, o fazem com uma ótima música, “Hungry Child”, que vem acompanhada de um clipe engraçadinho estrelado por Martin Starr e Milana Vayntrub, abaixo:

O disco marca a primeira vez que o grupo trabalha com produtores de fora, quando reuniu o francês Philippe Zdar (que já produziu Phoenix e Cassius) com o escocês Rodaidh McDonald (que já trabalhou com The XX e David Byrne), e será lançado no mês de junho. Abaixo, a capa feiosa e a relação das faixas do álbum.

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“Melody of Love”
“Spell”
“Bath Full of Ecstasy”
“Echo”
“Hungry Child”
“Positive”
“Why Does My Mind”
“Clear Blue Skies”
“No God”

O disco já está em pré-venda

Foto: Thany Sanches

Foto: Thany Sanches

Depois do ótimo Melhor do Que Parece e do pensativo Recomeçar de Tim Bernardes, o trio paulistano O Terno anuncia o lançamento de seu quarto disco, < Atrás / Além > ao mostrar o primeiro single, “Nada/Tudo”, que expande as fronteiras da banda para além do rock e consolida seu amadurecimento musical.

O disco terá participações do norte-americano Devendra Banhart e do japonês Shintaro Sakamoto (na faixa “Volta e Meia”, que será lançada no próximo dia 16) e será lançado em vinil duplo, além de já estar em pré-venda. A capa é esta abaixo:

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O capo da YB Maurício Tagliari está azeitando a cria e em breve lança seu disco solo, ainda sem título, cheio de participações especiais. O primeiro aperitivo é o single “Bando à Parte”, parceria com o artista plástico Clima, cujo clipe estreia em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

“No processo de gestação do disco mandei um tema para o Clima, que devolveu uma letra pela qual me apaixonei. Ele sacou muito da ideia do disco e dos meus gostos cinematográficos”, explica o guitarrista, por email. “Essa faixa foi gravada inicialmente com um duo de bateristas que eu amo: Mariá Portugal e Thomas Harres. Eu estava ao violão, foi uma sessão bem solta, uma jam. Depois me veio a ideia de criar climas – sem trocadilho – cinematográficos com um arranjo de sopros. Chamei o Luca Raele para escrever e os amigos Jorge Ceruto, Maria Beraldo e Antonio Loureiro para executar. A ideia do filme veio de uma conversa entre Clima e meu filho, ambos apaixonados pelo cinema de Godard.”

Não é o primeiro trabalho solo – ele acaba de fazer a trilha do filme Mundo Cão e de lançar o álbum instrumental jazz acústico Utopia Retro, além de ser o mentor da The Universal Mauricio Orchestra -, mas é seu primeiro álbum solo. O disco ainda não tem título, deve ser lançado em maio e conta com as participações de Luedji Luna, Ava Rocha, Pélico, Laya, Negro Leo, Assucena, emtre outros.

Além do disco, Tagliari prevê um ano difícil para a cultura – justamente quando seu selo YB completa 20 anos de existência. “2018 foi uma ano difícil para a cultura. 2019 não será melhor. Na YB estivemos produzindo e resistindo e tem muita coisa boa a ser lançada – Siba, Clima, Felipe Cordeiro, Kafé, Luedji Luna, Alan Abadia, Ava, Héloa, Lulina, Abacaxepa”, lista. E destaca um ápice: “o disco Tudo que Move é Sagrado, de Samuca e a Selva, com convidados em homenagem a Ronaldo Bastos foi um marco para a gente em 2018. Uma reunião linda e de altíssimo nível. Essa deve ser nossa luz guia para os próximos meses.”

E arremata: “O mercado independente inexiste. O que existe é a resistência da música independente. Somos chatos e cutucamos a casquinha da pele da música mainstream. Sem a gente não há evolução nenhuma.”

Foto: Filipa Aurélia

Foto: Filipa Aurélia

“É pura experimentação pra mim, pela primeira vez escrevi músicas a partir de batidas, escrevi sobre minha cor, a iminência da guerra de todo dia escancarada na nossa porta, deixei a porta aberta pra receber direções que não daria, músicas que não ouvia, tentando mudar de verdade, arrumando meu quarto, mais cuidadoso”, Giovani Cidreira se escancara ao falar de sua nova fase, que começa a ser apresentada agora, com seu primeiro single, “Pode Me Odiar”, lançado aqui no Trabalho Sujo. Depois de sair de Salvador com seu disco de estreia Japanese Food debaixo do braço, ele mudou completamente sua abordagem musical ao viver na correria dos festivais independentes pelo Brasil e o corre-corre diário de São Paulo, onde está morando. A faixa é o prenúncio do novo disco, Nebulosa Baby, que está programado para sair no meio do ano e será precedido pela Mixtape/Mistake, complementar ao álbum, que será lançada ainda em março.

Uma balada R&B em câmera lenta, seu ar contemplativo contrasta com a poluição digital sugerida por seu “lírico-vídeo”, feito por Gabriel Rolim, que superpõe o ambiente visual do Whatsapp com suas trocas de mensagens, áudios, vídeos e selfies. “Rolim trouxe o visual no meio pro fim do processo – isso foi louco. Você vai ouvir a mix e vai ver o visual, parece que foram feito juntos”, conta. Citados no vídeo, alguns dos cúmplices da nova faceta do cantor e compositor baiano, como o guitarrista dos Boogarins Benke Ferraz (produtor do novo disco), o diretor do vídeo, a cantora sergipana Marcelle Equivocada, a multinstrumentista baiana Jadsa Castro, a cantora e compositora baiana Josyara e Rafaela Piccin, uma das donas da Casa Vulva. Não são os únicos: “A mixtape tem seis componentes: Jadsa Castro que canta em ‘Mano Sereia’ e ‘Oceano Franco’, parceria com Caio Araujo – feat com o melhor Frank deste século -; Benke, que fez toda a parte musical comigo; Letícia Brito e Gabriel Rolim sao os outros dois componentes dessa banda. Letícia foi quem olhou esse caminho até antes da gente e juntou todas as ideias, as cartas na mesa, pistola sem trava, aquela coisa.” O disco, gravado no início deste ano, ainda conta com participações de nomes como Ava Rocha, Luiza Lian, Fernando Catatau, Luê, Lucas Martins (baixista que toca com a Céu e com Curumin), Dinho Almeida e Ynaiã Benthroldo (dos Boogarins), Obirin Trio e integrantes da banda Maglore.

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“Tudo começa ao mesmo tempo: as mudanças internas refletem na nossa roupa, no jeito de falar. O caminho mais difícil é o do espelho. Deixei rolar bem mais, Benke e eu trocamos algumas ideias e ele foi lá em casa, a gente não sabia de nada, fomos fazendo na doida, tendo ideias e jogando elas pro ar, eu, ele e Jadsa que participou desde o primeiro encontro e é figura essencial nessa compilação. Algumas músicas foram gravadas em casa ou na rua, por áudio de Whatsapp. Coisas que gravei na Casa Vulva de reuniões que fazíamos lá, tem uma faixa que Benke misturou parte desses áudios que gravei em casa com gravação em estúdio que fizemos na Red Bull. A mixtape tem isso de apresentar retalhos de coisas que vão surgir na segunda parte dela que virá em forma de disco ou clipe ou sei lá”, divaga o baiano sobre esta nova fase.

“Você só percebe que tá entrando num onda quando você está nela”, continua Giovani, falando sobre o processo. “Quando terminei ‘Pode me Odiar’ olhei pra trás, pro caminho que eu estive criando com esse grupo de músicas que vai entrar na mixtape, e vejo como ela sintetiza o que fui e o que sou agora sonoramente, as novas escolhas sem jogar nada fora. Foi um desabafo, mais uma vez fugindo do pensamento de como eu machuco tanto até quem amo tanto. Ano passado encontrei Benke no Recife, entre shows e entrevistas nos gravamos a música no modo bem Benke: primeiro o beat do teclado Casio e os acordes também ao estilo Roberto, depois da voz gravada no celular e Benke foi adicionando efeitos, percussão, vocoder, graves e todo lance que levou a música pra o que ela é agora. E soa leve. Ele é foda, adoro as escolhas dele, admiro sua sagacidade.”

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O pop de Hotel Vülcânia segue dando frutos. O segundo disco da curitibana Betina e uma das boas surpresas do cenário independente brasileiro do ano passado agora aparece em forma de clipe, quando ela materializa a faixa-título, lançado em primeira mão no Trabalho Sujo, numa incursão guiada por um Tatá Aeroplano legendado em um idioma irreconhecível. “Hotel Vülcânia é um lugar fictício, mas que diz muito sobre os bons momentos compartilhados”, explica a cantora e compositora. “Sobre escutar um bom disco – “aquele” do Tatá -, fazer uma boa música e continuar acreditando; persistir na ideia de que arte nos libertará e tornará esses momentos eternos.”

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O grupo escocês Teenage Fanclub dá o primeiro sinal de vida desde a saída de Gerard Love no meio do ano passado com a canção “Everything Is Falling Apart”, que mistura um pessimismo nas entrelinhas em relação ao estado das coisas em 2019 com a insistência de que o pop e o amor vencerão no final. A faixa foi gravada em Hamburgo, na Alemanha, no início do ano com a formação com a qual o grupo está excursionando atualmente: Raymond McGinley nos vocais e guitarra, Norman Blake na guitarra e Francis Macdonald na bateria, além dos novatos David McGowan (que também toca com o Belle & Sebastian) no baixo e Euros Childs (o próprio, do Gorky’s Zygotic Mynci) nos teclados.

A canção anuncia a turnê que o grupo fará pelos EUA neste semestre, mas não há previsão de um novo álbum – por enquanto.

criolo2019

Criolo segue apostando em singles antes de anunciar a vinda de um novo álbum, mas se “Boca de Lobo” (lançada no ano passado) fez muitos acharem que ele estava voltando para o rap, o MC confunde mais uma vez lançando o house “Etérea”, com clipe estrelado por performers LGBTQIA+, mostrando que, por trás do sorvete multicolorido que anunciou o lançamento há duas semanas, também há um questionamento político mais importante que a música lançada em 2018, numa letra que fala que “é necessário quebrar os padrões / É necessário abrir discussões / Alento pra alma, amar sem portões / Amores aceitos sem imposições”.

boogarins-sombrou-duvida

O próximo disco dos Boogarins – Sombrou Dúvida – já tem data de lançamento marcada no dia 10 de maio (a capa é esta acima e o nome das músicas vem logo embaixo) e o grupo acaba de lançar a quase faixa-título (“Sombra ou Dúvida”), uma psicodelia picotada próxima do disco-irmão Lá Vem a Morte, de 2017.

“As Chances”
“Sombra ou Dúvida”
“Invenção”
“Dislexia ou Transe”
“A Tradição”
“Nos”
“Tardança”
“Desandar”
“Te Quero Longe”
“Passeio”

Um Weezer estranho

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Rivers Cuomo chamou a banda do ator Finn Wolfhard, o Mike da série Stranger Things, Calpurnia, para dublar sua versão de “Take on Me” do A-ha no primeiro clipe do álbum retrô que sua banda Weezer lançou há pouco.