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A reconstrução da Associação Cecília e a volta do Rakta aos palcos!

Um dos principais palcos alternativos da cidade, a Associação Cultural Cecília, fechou suas portas no início do semestre passado depois que roubaram tudo do espaço, tornando-o inviável. A casa na rua Vitorino Carmilo, na Santa Cecília, teve que ser entregue e o prejuízo com a saída do espaço, o roubo e dívida com os fornecedores fizeram suas atividades serem suspensas, em mais um golpe na vida cultural de São Paulo – eles explicam melhor em sua conta no Instagram. Mas não é motivo para desistir e acabou de ser anunciado o festival Cecília Viva, que acontecerá no dia 23 de fevereiro do ano que vem no Cine Joia como uma forma de arrecadar fundos para a retomada das atividades e a primeira atração confirmada é a volta do Rakta aos palcos, quando Carla Boregas, Paula Rebellato e Mauricio Takara se reúnem pela primeira vez em anos para realizar uma apresentação única, o que não significa propriamente que o Rakta voltou, como explicaram para a Billboard Brasil: “Voltar ao palco no Cecília Viva é mais do que uma apresentação, é um chamado para celebrar a potência da música e do encontro”. Os ingressos já estão à venda neste link e abaixo a apresentação mais recente do grupo, quando, em 2021, gravaram meia hora de música no estúdio El Rocha para a sessão Patch Notes da revista inglesa Fact:  

Amyl and The Sniffers no Cine Joia!

Esse eu realmente não acreditei que ia acontecer, quando a 30e anunciou o festival itinerante encabeçado pelo Offspring para o ano que vem (ao lado de outras bandas como Sublime, Rise Against,The Damned, The Warning e Amyl and The Sniffers, passando por Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, cada praça com um diferente time de bandas abrindo para a atração principal), a única banda que eu realmente queria ver ao vivo era a Amyl and The Sniffers, mas achava muito pouco provável que rolasse fora do festival. E não é que o Cine Joia conseguiu essa proeza e traz os melhores punks do mundo hoje para um show próprio no dia 6 de março do ano que vem. Nada mal, hein? Os ingressos já estão à venda neste link.

O estreia de Bacuri, o novo disco dos Boogarins, ao vivo

Há duas semanas, os Boogarins oficializaram que seu disco novo estava pronto e que seria chamado de Bacuri, ameaçando soltá-lo a qualquer momento – e até agora nada. Enquanto não sabemos a data de lançamento do próximo álbum, os heróis da psicodelia do cerrado acabaram de anunciar que o show de lançamento de seu próximo álbum acontecerá no Cine Joia, no dia 6 de dezembro – e os ingressos já estão à venda neste link. Alguma dúvida que vai ser apoteótico?

Lianne La Havas no Brasil de novo!

E quando você acha que o próximo mês de novembro não consegue melhorar em termos de show, eis que Lianne La Havas marca mais uma passagem pelo Brasil. A diva soul faz mais dois shows por aqui, tocando no dia 21 no Rio de Janeiro (no Circo Voador, ingressos à venda aqui) e no dia 24 em São Paulo (no Cine Joia, ingressos aqui). E quem foi no show que ela fez no início do ano passado no mesmo Cine Joia (tocando sozinha com sua guitarra e dois únicos convidados, Mestrinho e Pretinho da Serrinha) sabe do estrago emocional que essa mulher causa. Mas se você não foi, confira abaixo:  

Gosto de sonho

“São Paulo tem a melhor plateia da turnê”, disse Colin Caulfield, baixista do Diiv, que apresentou-se neste domingo no Cine Joia. Entre camadas pesadas e oníricas de microfonia e sussurros adocicados, a banda nova-iorquino apresentou-se pela segunda vez no país desfilando as músicas de seu disco mais recente, o excelente Frog in Boiling Water. Liderada pelo guitarrista e vocalista Zachary Cole Smith, a banda ainda conta com o segundo guitarrista Andrew Bailey e o baterista Ben Newman na formação, todos trabalhando nessa mistura de ruído com gosto de sonho que caracteriza o som do grupo, que localiza-se entre o noise, o shoegaze e o dream pop, com altas doses de guitarras pós-punk que ecoam do Cure ao Sonic Youth. Sem trocar muitas palavras com o público, a banda preferiu colocar imagens no telão, que misturavam infomerciais com sites com teoria da conspiração, trechos de telejornais e registros de redes sociais, marcas e logotipos, além de textos que explicavam, de forma irônica, o que a banda estava fazendo. O som do Joia, que normalmente pena quando recebe este tipo de artista, estava jogando bem a favor e, mesmo não estando muito alto (talvez exatamente por isso), deixava tanto a banda se ouvir quanto o público identificar cada instrumento e as contribuições de cada músico para o a carga sonora do grupo. Ao final da apresentação, pouco antes de anunciar a última música, o grupo engatou “Blankenship” e fez a plateia jogar-se numa imensa roda de pogo, a maior que já vi no Cine Joia – além de puxar um coro “olê olê olê Diivêêêêê Diivêêêêê”, o que encantou a banda a ponto do baixista fazer o comentário do início do texto. Noitaça!

Assista abaixo:  

Fazendo jus ao pós-rock

Noite histórica com o Tortoise nesta quinta-feira, quando o sexteto de Chicago subiu no palco do Cine Joia para tocar a íntegra de seu clássico disco TNT. Só o anúncio deste evento já foi o suficiente para mobilizar toda uma safra de fãs do grupo que entupiu a casa de shows da Liberdade com a maior concentração de indies do século passado vista reunida num evento pós-pandemia (e justamente na semana em que outra concentração histórica dessa comunidade, o famoso show dos Pixies em Curitiba, , completa 20 anos). Como aconteceu com boa parte das bandas indie daquele período, o Tortoise melhorou ainda mais com o tempo e vê-los executando com detalhismo e sutileza todas as nuances de seu clássico de um quarto de século foi uma viagem musical, artística e, claro, sentimental. E mesmo começando pesado – com duas bateras frente a frente no primeiro plano do palco -, mostraram que as coisas estavam sérias de verdade no primeiro momento sem este instrumento, quando hipnotizaram o público com o andamento contínuo de “Ten-Day Interval”, logo no início do show. Vê-los trocando de instrumentos constantemente – do xilofone pra guitarra pro teclado pra bateria pro baixo pro synth pra pedal-steel – e ouvindo-os fluir do jazz atonal ao krautrock, passando pelo dub profundo, eletrônica purinha, indie rock clássico (com direito a sopros e cello) e trocas de andamentos até no meio do improviso reforça a ideia original de pós-rock – um grupo originalmente de rock que não respeita barreiras musicais e explora todas as possibilidades que surgem no caminho -, embora os seis torçam o nariz para o rótulo. Findo o disco na íntegra (numa execução impecável), o grupo ainda voltou ao palco no bis para tocar “Along the Banks of Rivers” (do primeiro disco da banda, Millions of Now Living Will Never Die) e “Crest” (do disco que lançaram há vinte anos, It’s All Around You), encerrando uma das apresentações mais intensas – e quentes! – que eu vi do grupo. Mágico.

Assista abaixo:  

E se o Tom Zé tocasse com o Tortoise 25 anos depois?

Já garantiu seu ingresso pro show de 25 anos do TNT que o Tortoise irá fazer nesta quinta-feira no Cine Joia? Se não, deu mole: os ingressos estão esgotados! Resta saber se o grupo de Chicago convidará para a apresentação o velho mestre com quem dividiu palcos há um quarto de século, quando apresentou-se, primeiro nos EUA e depois no Brasil ao lado de Tom Zé. O velho tropicalista vivia o ápice de sua popularidade após ser redescoberto por David Byrne no início dos anos 90 quando foi apresentado ao Tortoise por um amigo do grupo, o professor Christopher Dunn, da Universidade de Louisiana, nos EUA, que na época escrevia um livro sobre música brasileira. Levou o baiano, que na época estava lançando o disco Com Defeito de Fabricação, para os EUA e uma das apresentações está na íntegra no canal do YouTube do próprio Dunn (assista abaixo). Depois da passagem pelos EUA, o grupo de Chicago veio para a América Latina e além de shows por Buenos Aires e Santiago, também passou por Belo Horizonte e São Paulo, quando dividiu o palco com Tom Zé. Pude assistir às duas apresentações realizadas em dezembro de 1999 no teatro do Sesc Pompéia e foram momentos únicos para quem gosta de música, independente de rótulos, uma vez que o grupo de jazz rock experimental norte-americano entrosou-se bem com o mestre de Irará, que tocou um esmeril usando capacete e óculos de seguraça enquanto as faíscas espalhavam-se pelo palco. Bem que o Tom Zé podia subir no palco do Cine Joia por apenas uma música, celebrando aquele primeiro encontro.

Assista à íntegra do show em Chicago abaixo:  

Otto entregue

Otto lavou a alma – a própria e a de centenas de pessoas – neste sábado no Cine Joia quando revisitou o intenso Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, seu quarto álbum, que está completando quinze (!) anos. À frente de uma banda pesada e concisa (Guri Assis Brasil e Junior Boca nas guitarras, Meno Del Picchia no baixo, Ilhan Ersahin no sax, Beto Gibbs na batera, Yuri Queiroga nos teclados e o eterno comparsa Malê na percussão), ele entregou-se à emoção do disco, principalmente por ter levado dois amores ao palco, sua namorada Lavínia Alves cantou as partes que no disco que eram de Julieta Venegas e a filha Bettina, que chamou para dividir os vocais da triste “Naquela Mesa”. Bettina é filha de Otto com Alessandra Negrini, que foi a motivação para o disco, quando terminou seu relacionamento com o cantor pernambucano – e ela esteve presente no sábado, segundo relatos. Lirinha foi outro que marcou presença repetindo sua participação no disco em “Meu Mundo Dança” O disco inteiro foi cantado a plenos pulmões não só por seu autor, mas pelo público, que sabia todas as letras de cor. Álbum de duração enxuta, o disco foi seguido de uma sequência de hits de Otto que, por mais que tenham animado o público presente, não teve a intensidade do disco de quinze anos atrás ao vivo. E corre à boca pequena que ele fará mais shows voltando a esse álbum – ou seja, se você perdeu essa noite histórica, é só ficar atento que em breve deve ter mais.

Assista abaixo:  

Tortoise tocando o TNT na íntegra no Brasil!

É oficial: depois de deixar o teaser espalhado pelo show do King Krule no sábado, a Balaclava acaba de confirmar a vinda do grupo Tortoise para o Brasil para celebrar os 25 anos do clássico disco TNT, marco do pós-rock do final dos anos 90 – poucos dias após o anúncio do show do grupo no Chile. O grupo de Chicago apresenta-se no dia 9 de maio do Cine Joia com sua formação consolidada a partir deste disco, que marca a saída do baixista David Pajo para a entrada de Jeff Parker e fecha o quinteto clássico que mantém-se até hoje, incluindo Dan Bitney, Doug McCombs, Jeff Parker, John Herndon e, claro, seu fundador John McEntire. Como no Chile, o grupo contará com cordas e metais tocados por músicos locais e os ingressos já estão à venda neste link. A dúvida que fica no ar diz respeito ao mestre Tom Zé…