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Vida Fodona #504: Espiral de trabalho

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Tarda mas não falha.

Neil Young + Promise of the Real – “If I Don’t Know”
Tame Impala – “The Less I Know”
Letuce – “Lugar para Dois”
Silva + Lulu Santos + Don L – “Noite”
Unknown Mortal Orchestra – “Ur Life One Night”
Jamie Xx + Romy Madley-Croft – “Loud Places”
Mark Ronson – “I Can’t Lose (Lindstrøm Remix)”
Jungle – “Julia (Soulwax Remix)”
Todd Terje – “Inspector Norse (Pepe Bradock Remix)”
Cidadão Instigado – “Escolher Pra Quê?”
Emicida – “Boa Esperança”
Toro y Moi – “Lilly”
O Terno + Boogarins – “Saídas e Bandeiras No. 2”

Vem aqui.

Tudo Tanto #010: “Agora está tudo mudando, eu tenho um plano”

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Escrevi sobre o show de lançamento de Fortaleza, do Cidadão Instigado, na minha coluna Tudo Tanto da edição do mês passado da revista Caros Amigos. Lá embaixo tem os vídeos que fiz do mesmo show.

A maturidade do Cidadão Instigado
No lançamento do quarto ábum da banda cearense, Fortaleza, o público sabia cantar músicas que uma semana antes não conheciam

“Até que enfim
Eu cansei de me esquivar
Quanto tempo eu pensei em parar
Olho para o lado
Quanta gente diferente
E o que vou fazer?
Se não consigo te esquecer
Vou seguir…vou seguir”

Assim Fernando Catatau, líder do grupo cearense Cidadão Instigado, começa o quarto álbum de sua banda, batizado de Fortaleza, e seu show de lançamento deste que aconteceu no Sesc Pompeia, em São Paulo, no início do mês passado. Ele não está cantando apenas sobre o sentido da vida, sobre um relacionamento ou sobre sua cidade-natal, mas sobre seu próprio conjunto, que levou mais de meia década para finalmente lançar seu novo disco .

Formado por Catatau na guitarra, composições e vocais, Régis Damasceno na segunda guitarra, Dustan Gallás nos teclados e efeitos, Rian Batista no baixo, o técnico de som Yuri Kalil e Clayton Martin na bateria, o Cidadão surgiu no final dos anos 90, com quase esta mesma formação, à exceção do paulistano Clayton, que juntou-se à banda quando ela já havia se mudado para São Paulo, na década passada. No século anterior, só um registro sobreviveu, um CD demo com cinco faixas batizado apenas de EP que hoje é tratado como raridade. A discografia oficial do grupo – O Ciclo da De:Cadência (2002), O Método Túfo de Experiências (2005) e Uhuuu! (2009) – é toda deste século.

Nestes discos, o grupo veio aprimorando uma sonoridade de rock clássico com um sabor especificamente brasileiro, a começar pelo carregado sotaque de seu vocalista e principal compositor. Catatau, guitar hero, conduz a banda para a virada dos anos 60 para os 70, quando os Beatles começavam a se desintegrar e o Pink Floyd e o Led Zeppelin a encontrarem seus rumos. Canções que se descortinam em dinâmicas elétricas que refletem tanto o momento em que o rock psicodélico começa a ficar mais pesado (Jimi Hendrix, Deep Purple, Black Sabbath) quanto como esta sonoridade se refletiu na música brasileira e particularmente nordestina (de Raul Seixas a Tutti Frutti, passando por Zé Ramalho, Fagner e Alceu Valença).

“Até que Enfim” não é a primeira música do disco Fortaleza à toa. A gestação do disco começou ainda em 2012, quando a banda se isolou em uma casa em Icaraizinho de Amontada, no litoral cearense, próximo a Jericoacoara. De lá pra cá foram três anos de amadurecimento musical que, pra começar, exigiu que a banda saísse de sua zona de conforto. Rian, Dustan e Regis trocaram de instrumentos: o baixista agora toca teclados, violão e fez os arranjos vocais, o segundo guitarrista assumiu o baixo e o tecladista pegou a segunda guitarra. Essa nova formatação mexeu com os brios da banda, que começou a pesar mais seu som, deixando as canções ensolaradas do disco de 2009 no passado. O disco continuou sendo gravado nos estúdios caseiros dos integrantes da banda até que, no início de 2015, o disco finalmente foi finalizado: vocais gravados, masterização em Los Angeles e lançamento pra download gratuito em seu próprio site, www.cidadaoinstigado.com.br

Fortaleza é um disco pesado no sentido musical, mas com momentos líricos e contemplativos (como a bela “Perto de Mim”, “Os Viajantes” e “Dudu Vivi Dada”) até um reggae (“Land of Light”). O peso dos anos 70 está nos timbres elétricos, mas eles estão longe de ser retrô. E o recado dado no decorrer do disco tem diferentes endereços, embora a principal referência seja a cidade-natal da banda que batiza o disco. Fortaleza pode ser ouvido como uma declaração de amor ao mesmo tempo que uma cobrança à capital cearense: “Minha Fortaleza ‘réia’ o que fizeram com você?”, pergunta o líder da banda no repente elétrico da faixa-título. Marca a maturidade do Cidadão Instigado em relação à busca da própria sonoridade.

Disponibilizado online na primeira semana de abril, o disco foi apresentado ao vivo uma semana depois de ter sido liberado na internet. E o show no Sesc Pompeia coroou este lançamento quando a banda ousou tocar praticamente o novo disco – e com as músicas quase em ordem idêntica – na íntegra, deixando o bis para tocar duas músicas de dois outros discos anteriores: “Lá Fora Tem” e a homenagem ao canadense Neil Young “Homem Velho”. E mesmo tocando pela primeira vez um disco que havia lançado há apenas uma semana, o Cidadão Instigado ainda contou com o coro da plateia em várias canções. Um momento especial para um disco de tal calibre.

Vida Fodona #500: Outros 500

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Vira o disco: Outros 500.

John Cale – “Keep a Close Watch”
Secos & Molhados – “Fala”
Spice Girls – “2 Become 1”
Radiohead – “Jigsaw Falling Into Place”
Nação Zumbi – “Novas Auroras”
Cidadão Instigado – “Land of Light”
Alabama Shakes – “Sound & Color”
Unknown Mortal Orchestra – “Ur Life One Night”
Of Montreal – Wraith Pinned to the Mist
Tulipa Ruiz – “Físico”
Marcos Valle – “Estelar”
Gilberto Gil – “Palco”
A Cor do Som – “Magia Tropical”
Daryl Hall & John Oates – “Kiss on My List”
Joe Jackson – “Steppin’ Out”
Journey – “Don’t Stop Believin'”
Jamie Xx + Young Thug + Popcaan – “I Know There’s Gonna Be (Good Times)”

Aqui.

O que instiga o Cidadão

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A baixa produção do minidocumentário Instigando na Multidão, de Daniel Mattos e Heitor Sena, que trata sobre a passagem do grupo cearense Cidadão Instigado durante a Virada Cultural de Jundiaí, em 2010, não tira a importância do registro, principalmente agora, à luz do lançamento do ótimo Fortaleza:

Vida Fodona #499: Às vésperas de virar o disco

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Grandes mudanças estão vindo aí…

Daisy Chainsaw – “Love Your Money”
Courtney Barnett – “Close Watch”
Secos & Molhados – “Fala”
Cidadão Instigado – “Dudu Vivi Dada”
Unknown Mortal Orchestra – “Ur Life One Night”
Kendrick Lamar – “King Kunta”
Giorgio Moroder + Britney Spears – “Tom’s Diner”
Jaga Jazzist – “Oba (Todd Terje Remix)”
Hot Chip – “Love is the Future”
Bixiga 70 – “Martelo”
Tulipa Ruiz + Felipe Cordeiro – “Virou”
Spoon – “Inside Out (Fabrizio Moretti Remix)”
Sinkane – “Young Trouble”

Vem aqui.

Vida Fodona #497: Sempre é bom dar uma desopilada de cidade

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Um Vida Fodona mais de leve…

Johnny Jewel – “Birds of Prey”
Chromatics – “In Films”
Ratatat – “Cream on Chrome”
Cidadão Instigado – “Green Card”
FFS – Johnny Delusional
Mac McCaughan- “Box Batteries (Single Version)”
Bleachers + Grimes – “Entropy”
Caxabaxa – “Agito Desanimado (Pesadelo Gostoso)”
Alabama Shakes – “Future People”
Led Zeppelin – “Everybody Makes It Through (In the Light)”
Tame Impala – “‘Cause I’m a Man”
Drake – “Energy”
Saint Pepsi – “Strawberry Lemonade”
Sinkane – “Yacha”
People Under the Stairs – “Dewrit!”
Sants – “Chavoso”
Taylor Swift – “Style”

Cola aqui.

Quatro ótimos discos brasileiros pra você baixar agora

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Se você acompanha o Trabalho Sujo já conhece os quatro, mas indiquei Cidadão Instigado, Bixiga 70, Ava Rocha e Cícero lá no meu blog do UOL http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/11/quatro-novos-discos-brasileiros-pra-voce-ouvir-agora/.

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Duas reclamações são constantes sobre música no século 21. Uma, repetida à exaustão por gente sem paciência, é que não há música boa sendo produzida atualmente – uma bobagem sem tamanho. A outra reclamação é decorrente desta generalização grosseira, mas é bem mais plausível: é difícil encontrar artistas ou discos legais hoje em dia – e isso é decorrente do excesso de produção de nossos dias. Resolvi separar quatro discos brasileiros recém-lançados que podem ser baixados gratuitamente nos sites oficiais de seus autores. Tem pra todos os gostos: guitarras, experimentalismo, groove e canções.

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Cidadão Instigado – Fortaleza
Não deixe se enganar pela capa heavy metal ou pelo sotaque carregado de Fernando Catatau, vocalista, líder e guitar hero da banda cearense Cidadão Instigado. Fortaleza, quinto disco da banda, não é nem um disco adolescente nem de música nordestina, mas o momento mais mais sólido do grupo, que equilibra as diferentes influências da banda – de clássicos do rock como Pink Floyd, Beatles, Led Zepppelin, Thin Lizzy e Black Sabbath a diferentes ícones do rock nacional como Raul Seixas, Legião Urbana e Tutti-Frutti. O resultado é um disco pesado, de riffs memoráveis, timbres setentistas, arranjos vocais e solos de cortar o coração. Mas que também tem seus momentos de lirismo, melancolia e contemplação, como a delicada “Perto de Mim”, o reggae “Land of Light” e a bucólica “Dudu Vivi Dada”.
Para quem gosta de: Pink Floyd, rock psicodélico e Raul Seixas.
Onde baixar: www.cidadaoinstigado.com.br

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Ava Rocha – Ava Rocha
Não deixe se levar apenas pelas credenciais genéticas: a filha do cineasta Glauber Rocha é mais parte de uma cena de música pop moderna do Rio de Janeiro – de artistas como Tono, Letuce, Baleia, Alice Caymmi, Do Amor, Diogo Strausz, Séculos Apaixonados – do que da filmografia do pai baiano. Depois de liderar uma banda batizada com seu próprio nome, ela lança um primeiro disco solo libertador, sob os auspícios do produtor Jonas Sá, que reuniu diferentes músicos e compositores (entre eles o marido da cantora, o também promissor Negro Leo) para um disco de forte alma feminina, intenso e doce, que passa por cantigas singelas, canções desafiadoras e espasmos instrumentais, revelando uma personalidade enigmática e ao mesmo tempo apaixonante.
Para quem gosta de: Gal Costa, free jazz e PJ Harvey.
Onde baixar: avarocha.com

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Bixiga 70 – Bixiga 70 III
A big band instrumental com dez integrantes começou seus trabalhos no número 70 da rua 13 de Maio, no baixo do Bixiga, em São Paulo, de onde veio a inspiração para o nome. Seus membros têm diferentes influências de instrumental, vindo de praias tão diferentes quanto o jazz, a música eletrônica, o funk e a música africana. Eles misturam suas origens a um caldo musical que ainda inclui músicas nordestina, latina e árabe, além de experimentações em estúdio. Em seu terceiro disco, gravado após a terceira turnê pela Europa, o grupo compõe, arranja e produz todo o álbum, que conta com forte reverência à música do Marrocos, país pelo qual a banda passou pouco antes de começar a gravar o novo disco, no meio do ano passado.
Para quem gosta de: Antibalas, afrobeat e Budos Band.
Onde baixar: www.bixiga70.com.br

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Cícero – A Praia
A voz frágil e o violão quase calado são marcas do carioca Cícero, que despontou na sombra do grupo Los Hermanos mas aos poucos vem criando sua própria identidade musical, entre a melancolia e a timidez. Seu terceiro disco, batizado de A Praia, marca sua mudança do Rio para São Paulo e amplia a sonoridade do disco anterior – o quase recluso Sábado – para incluir novos instrumentos, com arranjos singelos e tocantes.
Para quem gosta de: Los Hermanos, bossa nova e Vanguart.
Onde baixar: cicero.net.br

Vida Fodona #496: Esse começo de abril trouxe uma série de novos discos

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O mês tá bom…

Marcos Valle – “Funga Funga”
Cidadão Instigado – “Dudu Vivi Dada”
Ava Rocha – “O Jardim”
Bárbara Eugênia – “O Peso Dos Erros”
Marcelo Camelo – “Pazpazpazpazpazpaz”
Warpaint – “No Way Out”
Toro y Moi – “Buffalo”
Tame Impala – “‘Cause I’m a Man”
Carly Rae Jepsen – “All That”
Jamie Xx + Romy Madley Croft – “Loud Places”
Jamie Lidell – “Believe in Me”
Grimes – “REALiTi”
John Talabot – “Machine (John Talabot’s Synthedit)”
8:58 + Robert Smith + Lianne Hall – “Please”
Tove Lo – “Not on Drugs (The Knocks Remix)”

Vem.

Eis que surge Fortaleza, o novo disco do Cidadão Instigado

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E como eles haviam prometido, eis o disco novo do Cidadão Instigado, Fortaleza, que pode ser ouvido e baixado via Bandcamp, em que você sugere o preço que quer pagar pelo disco. Dá pra baixar o disco gratuitamente colocando o número 0 no valor desejado.

E pra quem não viu a matéria que fiz com a banda pra Folha, dá pra ler aqui.

Cidadão Instigado 2015: “Minha Fortaleza ‘réia’ o que fizeram com você?”

Eis a matéria que fiz pra Ilustrada com o Cidadão Instigado sobre seu novo disco, Fortaleza, que sai em breve…

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Cidadão Instigado aposta em rock pesado
‘Fortaleza’, novo disco da banda, bebe na fonte dos anos 70 e traz influências de grupos como Led Zeppelin e Pink Floyd

“Nossas raízes são essas”, explica Fernando Catatau sobre o acento setentista impregnado no quinto disco de sua banda, o Cidadão Instigado. “É o som que a gente sempre quis”. A espera pelo disco, que só para sair, é compensada na afirmação mais pesada do grupo: o épico Fortaleza, que chega à internet e aos palcos neste início de abril. A banda disponibiliza o disco para download gratuito ainda esta semana em sua página do Facebook (/bandacidadaoinstigado) e apresenta-se no palco do Sesc Pompeia na quinta (9/4) e sexta-feira (10/4) da semana que vem.

Fortaleza é o álbum mais ambicioso do Cidadão Instigado, cheio de riffs memoráveis, grooves de rock e coros de platéia. Saem os teclados do ensolarado Uhuuu! (2009) para a entrada de vocais e violões contemplativos. E, embora pesado em sua extensão, ele também traz momentos tranquilos e líricos.

O disco é o resultado final de um processo que começou em janeiro de 2012, quando a banda passou doze dias enfurnada em uma casa de praia de Icaraizinho de Amontada, próxima a Jericoacoara, no Ceará, arranjando as canções de Catatau.

Um ano depois se reencontraram no estúdio paulistano El Rocha onde gravaram as bases. “Continuamos laboratoreando”, emenda Catatau sobre as gravações que se seguiram entre os estúdios caseiros da banda até o início deste ano, quando foram gravados os vocais logo após o carnaval.

“Foi um processo parecido com a mudança entre o Ciclo da De:Cadência (de 2002) e o Método Túfo de Experiências (de 2005), de reinventar tudo”, conta o guitarrista, lembrado pelos outros integrantes sobre a época em que pensou até em mudar o nome da banda.

Mudanças
A mudança desta vez foi na formação: o guitarrista Régis Damasceno foi para o baixo, o baixista Rian Batista assumiu violões e teclados e o tecladista Dustan Gallas tomou conta da segunda guitarra.

Só Catatau, o técnico Kalil Alaia e o baterista Clayton Martin permaneceram nos mesmos lugares. A mudança traz novos e notáveis ares ao grupo.

Nesse processo surgiu o título do disco, que deu o rumo pesado da produção. A banda cita Led Zeppelin, Black Sabbath, Raul Seixas e Thin Lizzy como influências. Além, claro, do Pink Floyd, pois as gravações ocorreram ao mesmo tempo em que a banda fazia apresentações tocando a íntegra do clássico Dark Side of the Moon (1973).

“Começamos a reparar no desenho das músicas, como uma se encaixava na outra e como iam do estúdio para o palco”, explica Régis.

Clayton também fala sobre como mapa de palco do grupo inglês – que toca alinhado horizontalmente – ajudou o Cidadão a se reinventar ao vivo. O Pink Floyd também foi crucial para uma das assinaturas do novo disco, os arranjos vocais quase sempre naquele falsete de soft rock dos anos 70, que ficaram a cargo de Rian.

Declaração de amor
O nome da capital cearense inevitavelmente levou à composição da faixa-título, uma declaração de amor à cidade natal da banda, que ao mesmo tempo questiona os valores da sociedade atual (“Cidade marginal!”, canta dúbio Catatau).

“Não é uma música só sobre Fortaleza, fala do que aconteceu com o mundo todo, essa cara de banheiro de shopping de Miami. Eu sou o único paulistano da banda e vi isso acontecer no meu bairro, a Moóca”, reforça o baterista Clayton sobre a música que ainda conta com a participação do guitarrista Dado Villa-Lobos, do Legião Urbana, nos violões.

A referência à capital cearense quase trouxe o arcano hotel Iracema Plaza, para a capa do disco. Mas, como explica Regis, “o título não é um nome próprio, é um substantivo” e a banda optou pela capa preta com o nome da banda escrito em letras pontiagudas para enfatizar sua raiz rock e exigir o trono do gênero no Brasil. As credenciais estão à mostra.

FORTALEZA
Artista | Cidadão Instigado
Gravadora | independente
Quanto | grátis (www.facebook.com/bandacidadaoinstigado)
Shows | 9 e 10/4, às 21h30, Sesc Pompeia, r. Clélia, 93; tel. (11) 3871-7700; de R$ 9 a R$ 30.

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Fortaleza dissecada

“Até que Enfim”
Baixo e bateria recebem o ouvinte com um galope à Saucerful of Secrets que ganha ares de velho oeste à entrada da guitarra e ao violão.

“Dizem que Sou Louco por Você”
Uma canção de amor que abre com um riff mortal e fecha com outro pesadaço.

“Os Viajantes”
Uma balada psicodélica com um solo cortante e vocais de Doobie Brothers.

“Perto de Mim”
“Ah se fosse assim eternamente eu só chorava…” Uma triste canção ao violão, que ganha ares de space rock graças às entradas das guitarras, teclados e vocais.

“Ficção Científica”
A paranoia de Catatau com os avanços tecnológicos traduz-se em uma faixa com várias facetas – pesada, dançante, lírica e alucinógena.

“Fortaleza”
“Minha Fortaleza ‘réia’ o que fizeram com você?”, pergunta o épico repente elétrico, apontando dedos para “os governantes” e “a elite” que desfiguraram a capital cearense.

“Besouros e Borboletas”
O “lado B” do disco abre com uma avalanche de groove lisérgico, que torna-se uma pacata canção para tocar na rádio AM, com todos os “u-uhs” e “a-ahs” que tem direito.

“Dudu Vivi Dada”
A bela balada melancólica – que também tem suas doses de riffs e arranjos vocais – é um dos melhores momentos do disco.

“Land of Light”
Um reggaeinho aparentemente inofensivo, é uma das gratas surpresas do disco – e ainda puxa a levada do samba-reggae em seu último minuto.

“Green Card”
Refrão para ser cantado em uníssono, riff de metal que conversa com timbres eletrônicos e guitarras que solam à distância, a faixa ironiza a fila para conseguir cidadania norte-americana.

“Quando a Máscara Cai”
Outra faixa bem pesada, é a segunda parte da faixa “Zé Doidim” do disco O Ciclo da Dê:Cadência, de 2002.

“Lá Lá, Lá Lá Lá Lá…”
O disco termina como se os Beatles fizessem uma faixa vocal sem letras para cantar o por – ou o nascer – do sol.