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Vermes do Limbo no Centro da Terra

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Sexta-feira 13 no Centro da Terra não poderia ter menos que isso, quando os Vermes do Limbo lançam seu novo disco, O Sol Mais Escuro, tocando ao lado do Negro Leo, da Carla e da Paula do Rakta, da Taciana Barros e do Edgar Scandurra num encontro que promete causar geral. É a primeira noite de sexta da minha curadoria no pequeno grande palco do Sumaré e a noite não poderia ser menos atordoante que isso. Mais informações sobre a apresentação aqui.

Lux Aeterna: Parallax

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A sessão de terça-feira do Centro da Terra desconecta-se um pouco da temporada de Luedji Luna (donas das terças de abril, que volta nas próximas terças, 17 e 24 deste mês), para abrir espaço para uma única apresentação solo de mais um projeto do líder e fundador do Violeta de Outono, Fábio Golfetti. Neste dia 10 ele apresenta o projeto Lux Aeterna, em que toca guitarra ao lado do filho Gabriel, que assume sintetizadores e teclados. Inspirados pela cena progressiva e psicodélico dos anos 70 de nomes como Ash Ra Tempel, Tangerine Dream, Hawkwind e Amon Düul II, que deu origem ao trance moderno, quanto pela música erudita do compositor húngaro-austríaco György Ligeti (de onde tiraram seu nome) e por trilhas sonoras de videogame, os dois sobem ao palco juntos pela primeira vez para mostrar a obra Parallax, comemorando ainda o aniversário do próprio Fabio (mais informações sobre o espetáculo aqui). Conversei com o Fabio sobre este novo projeto e como ele se relaciona com sua obra psicodélica.

Como surgiu o Lux Aeterna?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/lux-aeterna-2018-como-surgiu-o-lux-aeterna

Fale um pouco da sua relação musical com seu filho Gabriel.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/lux-aeterna-2018-fale-um-pouco-da-sua-relacao-musical-com-seu-filho-gabriel

Como vocês decidiram fazer um grupo juntos?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/lux-aeterna-2018-como-voces-decidiram-fazer-um-grupo-juntos

O que ele acrescentou ao trabalho que você não conhecia?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/lux-aeterna-2018-o-que-ele-acrescentou-ao-trabalho-que-voce-nao-conhecia

Quais são as principais influências deste trabalho e como ele conversa com o Violeta de Outono e seus outros projetos?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/lux-aeterna-2018-quais-as-influencias-deste-trabalho-e-como-ele-conversa-com-seus-outros-projetos

Há intenção de lançar algum material registrado?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/lux-aeterna-2018-ha-intencao-de-lancar-algum-material-registrado

Luedji Luna: Bom Mesmo é Estar Debaixo D’Água

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A cantora e compositora baiana Luedji Luna é a dona das terças-feiras de abril no Centro da Terra, sessão ainda sem nome que abre a possibilidade para artistas expandirem obras em temporadas curtas. Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água é o nome de sua temporada, em que experimenta, ao lado de um baixista, músicas de seu novo repertório, para além do disco Um Corpo no Mundo, lançado no ano passado. A temporada é batizada com o título de uma dessas novas canções (que ainda incluem faixas chamadas de “Chororô”, “Khadja”, “Bença”, “Tudo que brilha”, “Eu sou um Árvore Bonita” e “Seta”, entre outras), todas mostradas pela primeira vez no pequeno grande palco do bairro do Sumaré, em São Paulo. São canções compostas ao lado do músico François Muleka, que participará de uma das apresentações, e o repertório deve variar de um show para o outro. As apresentações acontecem em todas as terças de abril, à exceção do dia 10 (mais informações aqui). Mas ela nem sabe se as novas músicas darão origem a um novo disco: “Nesse momento eu quero somente compor mais canções…”, como ela me conta na entrevista a seguir.

Como é começar a pensar em músicas novas no momento em que seu álbum está decolando?
Eu não pensei, essas canções simplesmente vieram! Tenho refletido muito sobre afetividade de mulheres negras, tenho pensado muito sobre meus próprios afetos e experiências amorosas, que acabaram virando letras, boa parte delas musicadas por François Muleka, que será convidado a cantar comigo em uma das terças. Nesse momento eu quero somente compor mais canções…

As canções têm algum ponto em comum? Elas estão em qual estágio?
Sim, eu sou letrista na maioria das canções e o François musicou boa parte delas, todas trazem como elemento comum a temática do amor ou a ausência dele. O formato será voz e baixo. Elas podem estar no estágio inicial ou final, não quero gerar expectativas.

Você mostrará músicas do seu disco atual?
Não, eu quero me experimentar cantando essas novas canções e ver a reação do público. Apesar de entender que quero trazer essa mesma temática no novo disco, não necessariamente essas serão as canções que estarão no próximo trabalho. Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água é uma experiência!

Rico Dalasam: Elefantes, Mantras e Trava-Línguas

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Em abril, as datas do Segundamente – temporada mensal que acontece às segundas-feiras no Centro da Terra com minha curadoria musical – são do rapper Rico Dalasam, que está finalizando o ciclo do EP Balanga Raba, lançado no meio do ano passado, e sai em busca de novas sonoridades. Assim ele embarca na temporada Elefantes, Tramas e Trava-Línguas (mais informações aqui), quando, acompanhado apenas dos músicos Moisés Guimarães (guitarra) e Dinho Souza (teclados), apresentando músicas novas e recriando antigas, buscando espaços musicais que possam levar suas canções para além da pista de dança. Influenciado pela moderna música africana e por artistas tão diferentes quanto Nicolas Jaar e Bon Iver, ele começa a mexer em seu repertório sem intenção de transformar o trabalho em um disco. “A palavra experimental é a que mais reverbera em minha cabeça”, explica o rapper. “Abrir as músicas e entregar mantras a partir de suas melodias e trava-línguas das rimas. É o único desejo dentro desse projeto.” Conversei com ele sobre esta etapa de sua carreira e como ele pensa em repensar sua carreira a partir deste experimento.

Qual o conceito por trás desta temporada no Centro da Terra?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rico-dalasam-2018-qual-o-conceito-por-tras-desta-temporada-no-centro-da-terra

Descreva como serão as apresentações – qual será a formação dos shows?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rico-dalasam-2018-descreva-como-serao-as-apresentacoes

Você ficará apenas músicas novas ou novas versões das antigas?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rico-dalasam-2018-voce-ficara-apenas-musicas-novas-ou-novas-versoes-das-antigas

Quais são suas principais influências para esta temporada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rico-dalasam-2018-quais-sao-suas-principais-influencias-para-esta-temporada

Como os shows mudarão entre si?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rico-dalasam-2018-como-os-shows-mudarao-entre-si

A temporada é um ensaio para o novo disco ou algo que funciona por si só?
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MdM Duo no Centro da Terra: Terça Fera

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Depois que o primeiro ano de curadoria de música no Centro da Terra restabeleceu as segundas-feiras como dia de shows em São Paulo, é a vez de invadirmos as terças-feiras. Ao contrário do Segundamente, que propõe quatro shows diferentes para um artista em um mesmo mês, a terça, ainda sem nome, é mais livre e, ao mesmo tempo, mais tradicional. São temporadas que ficam ao gosto do artista, que usa aquelas terças para experimentar um novo show, mexer com canções novas ou consolidar um formato em experimentação, sem necessariamente dividir as apresentações em quatro momentos diferentes. A princípio as temporadas são de quatro terças-feiras, mas nem isso está rigidamente definido. Para começar as terças-feiras no Centro da Terra, chamei os irmãos Cappi – Marinho e Fernando, guitarristas do Hurtmold -, que estão às vésperas de lançar seu primeiro álbum – e usam a temporada para burilar sobre este projeto, focado em canções. Na primeira terça, dia 6, eles convidam o produtor Ricardo Pereira. Na segunda terça, dia 13, eles chamam seus compadres de banda Marcos Gerez e Maurício Takara. No dia 20, o convidado é o grande rabequeiro suíço Thomas Rohrer, e a temporada se encerra dia 27, com a participação da querida Juliana Perdigão. Os quatro shows lidam com o mesmo repertório, que vai sendo retrabalhado a cada nova semana. Conversei com os dois sobre esta temporada, que eles batizaram de Terça-Fera.

Como surgiu o MdM Duo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mdm-duo-terca-fera-como-surgiu-o-mdm-duo

Como a temporada Terça Fera funcionará em relação ao disco de estreia?
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Como serão as quatro noites e quem são os convidados?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mdm-duo-terca-fera-como-serao-as-quatro-noites-e-quem-sao-os-convidados

Vocês vão mexer muito no repertório de cada noite?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mdm-duo-terca-fera-voces-vao-mexer-muito-no-repertorio-de-cada-noite

Vocês vão mostrar material inédito?
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Bárbara Eugenia: Dez Anos Por Aí

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“Parece que passou muito rápido mas ao mesmo tempo parece que foi há muito tempo, porque muita coisa aconteceu!” Bárbara Eugenia resume não apenas o sentimento de seus dez anos de carreira, mas de toda uma década que abalou a todos. No mesmo período em que se firmou como cantora e compositora houve uma mudança cultural e social violenta que, de uma forma ou de outra, está refletida em seu trabalho. É esta transformação que ela coloca em prática na primeira temporada do Segundamente deste ano, quando, nas quatro segundas-feiras de março, ela visita momentos diferentes da sua carreira, priorizando as parcerias. No dia 5, ela abre o mês ao lado de Tatá Aeroplano, mostrando o Vida Ventureira que gestaram na primeira temporada do Centro da Terra do ano passado, quando eles mostraram o disco em primeira mão na celebração dos quinze anos de carreira do músico paulista – que desta vez vem ao palco com a banda completa, com Dustan Gallas, Júnior Boca e Bruno Buarque. No dia 12 é a vez de ela voltar a se reunir com Fernando “Chankas” Cappi, guitarrista do Hurtmold, com quem ela compôs o disco Aurora, fortemente influenciado pela canção beatle. No dia 19 ela se reúne a Pedro Pastoriz para reeditar mais uma versão de seu projeto de intérprete Lovely Hula, recriando clássicos pop em versões luau. E a temporada termina no dia 26 com uma retrospectiva de seus quatro discos individuais, incluindo um que ainda não viu a luz do dia. Conversei com a Bárbara sobre este momento de sua carreira e como ele se reflete neste março no Centro da Terra.

Qual balanço que você faz sobre essa primeira década?
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Quando você pensou na temporada já sabia que queria?
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O que ficou de fora e poderia ter entrado?
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Qual a expectativa de fazer esses shows no Centro da Terra?
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E sobre o último show, do disco novo, o que dá pra adiantar?
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O primeiro semestre de 2018 no Centro da Terra

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É com imensa satisfação que anuncio os donos das temporadas no Centro da Terra neste primeiro semestre de 2018: em março temos a querida Bárbara Eugenia às segundas e o grande MdM Duo dos irmãos Fernando e Mario Cappi, guitarristas do Hurtmold; em abril às segundas temos o sagaz Rico Dalasam e às terças e a forte Luedji Luna; em maio as segundas são do mestre Edgar Scandurra e as terças do voraz Guizado; em junho as segundas são da deusa Cida Moreira e as terças dos ótimos Garotas Suecas e julho tem o sensacional Vitor Araújo nas segundas e o CORTE de Alzira Espindola nas terças. O Pedro Antunes conta mais em seu blog no Estadão.

Papisa: Tempo Espaço Ritual 2018

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Conversei com a Rita Oliva sobre como vai ser a segunda edição do espetáculo Tempo Espaço Ritual, criado por sua persona Papisa, quando ela toca acompanhada pelas musas Larissa Conforto, Silvia Tape, Laura Wrona e Luna França em mais uma edição do ritual sagrado feminino que ela concebeu para o Centro da Terra em 2017 e agora repete-se nesta segunda (mais informações aqui). O espetáculo faz parte da criação e concepção do primeiro álbum de estreia da cantora e compositora.

O que aconteceu com a Papisa entre o primeiro e este novo ritual?
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Há muitas mudanças entre os dois eventos?
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Como realizar o primeiro espetáculo no Centro da Terra guiou sua carreira?
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Como está o processo de criação e composição do novo álbum?
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Há previsões para a realização de novos rituais?
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Negro Leo: Action Lekking no Centro da Terra

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Action Lekking, um dos aclamados discos de 2017, foi experimentado ao vivo antes de ser lançado na temporada que Negro Leo fez no Centro da Terra em abril do ano passado. É natural que ele volte para um dos locais onde foi gestado em versão completa – e intensa. Ao lado do baterista Serginho Machado, do baixista Fabinho Sá e do técnico de som Bernardo Pacheco, Leo aprofunda-se no atordoo musical proposto no disco em duas apresentações febris de seu disco duas terças de fevereiro no Centro da Terra. A ordem do caos político e social brasileiro será dissecada em duas sessões complementares em que o disco é revisitado sob a ótica do início do novo ano (mais informações aqui e aqui). Conversei com Leo sobre assuntos correlatos ao tema do disco.

Action Lekking conversa com a Tropicália, 50 anos depois?
Outro dia um jornalista estrangeiro deu que eu fazia faixas e não canções. Pô, esse cara é um idiota da objetividade, eu sou lá o Tom Jobim ou Chico Buarque ou o Noel Rosa?
Essas coisas me irritam, saca, num tom super arrogante, desqualificando o lance, dizendo que eu supunha que o grande barato da Tropicália fosse a abordagem sonora e não as canções. Quer dizer, essa aproximação com a Tropicália é legítima – houve o salto, quem pegou, pegou, eu aprendi ouvindo – mas é tremendamente redutora se você pegar a visão de como venho afirmando meu repertório, conectado com perspectivas que sequer tomaram conhecimento do tropicalismo, gente do Brasil. O tropicalismo me interessa na medida em que é a modulação mais radical e controvertida da crítica de esquerda ainda hoje por causa do alto investimento primitivo (realista) no lance. A distensão do mundo é provocada pela colisao do eu com seu duplo engajado e não pela luta e esperança, que seria dissoluçao do eu no seu duplo engajado. Dessa colisão resta a percepção do gozo como horizonte desejável e a valorização da brutalidade urgente no gesto. O tropicalismo é complexo no debate cultural brasileiro porque revelou o mecanismo do desejo cultural: o que falta é o que transforma, ou seja, a lacuna tem q servir pra expiar e transcender. Por isso estamos muito avançados em relaçao aos europeus.
Essa coisa de deslocar o elemento cultural, produzindo um sentido vertiginoso, Lula e FHC, Che e Coca-Cola, sempre me interessou também. Quem criou a responsabilidade foi a esquerda ortodoxa. A única esquerda possível percebe o elemento cultural do ponto de vista palpável, sou Lula 2018, é o gesto mais mecânico, automático, utilitário, solidário, instintivo que se poderia tomar em política, qualquer outro passa por demandas psicológicas, questões mal resolvidas, foro íntimo, divã. Então pô, esse estrangeiro leu minhas letras? Sei lá, acho tudo muito simplificador.

Fala mais sobre essa questão política neste tenso 2018.
Eu confesso que me dá um prazerzinho sádico quando a grande imprensa me telefona e eu digo ao jornalista que se ele não for honesto o suficiente pra publicar que o jornal pro qual ele trabalha é anti lek, que seja honesto para não publicar nada. Outro dia foi com um cara do Globo.
Eu que sou muito idiota ou esse pessoal que acha q Lula ‘perdeu uma oportunidade historica’? Pessoal acha que política é sonho, isso é coisa de hippie e psicanalista. Política é aquele verso do Sergio Sampaio: suje os pés na lama e venha conversar comigo.
Cês viram a campanha #aprendizlegal do governo federal na TV aberta? Um aprendiz ganha entre 1/3 e 2/3 do salario mínimo que varia de acordo com as horas semanais trabalhadas. Tão encorajando empregadores a contratar aprendiz para não custear empregado.

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Como 2013 conversa com 2018?
Quando 2013 estourou com as jornadas eu percebi que a única mobilização honesta e salutar naquele contexto provinha dos anarquistas, pros quais o estado tem que acabar mesmo. Mas logo fui percebendo que aquilo seria engolido tanto pelo governo federal, pra quem aquilo era uma demanda irrealizavel de esquerda, como serviria posteriormente à linha acessória do golpe via captura discursiva da mídia, que deu no antipetismo.
Acho que Bernardo Oliveira me aplicou Jesse de Souza na rede. Revisão histórica potencialmente destruidora de nossa sociabilidade escravista. Ate a esquerda radical, q eu prefiro chamar de naif ou ingenua, teve que reconhecer o balanço, embora lamentasse o engajamento de Jesse na defesa de Lula e Dilma.
A partir daí o Lek começou a ganhar forma na minha cabeça. Daí foi misturar um pouco as expectativas das classes populares em ‘Meus Filhos, Meu Tesouro’ de Jorge Ben, com a tranformaçao do elemento cultural nos contextos empobrecidos. Enquanto o liberalismo estimula uma espécie de diferença que tende a se anular no contexto consumidor – o mercado -, a ecologia estimula uma super diferença na relaçao natureza x mercado – a sociedade. Isso vai ter que ser equilibrado em algum momento por um governo de esquerda.

E qual o papel do Carnaval nessa história toda?
Eu vejo pessoas problematizando o Carnaval na rede. Pô, isso é coisa de gente mesquinha, né? Gente amargurada. Não gosta de Carnaval, fica calado. O Carnaval também é dos tolos, é da direita e da esquerda, é o momento mais delicado da nossa sociabilidade brasileira. É a festa popular. O Carnaval nos ensina, de maneira inequívoca, nas palavras de Flavio de Carvalho, que o mais baixo na hierarquia social é quem dita a moda. O Carnaval nos mostra claramente o paraíso artificial da política. Talvez seja a única força anárquica autêntica em potencial do brasileiro. Algo capaz de derrubar o estado. Pense no simbolismo do prefeito entragando a chave da cidade ao Momo. Quando o carnaval passa é difícil entender como as pessoas conseguem retomar sua vida ‘normal’. Eu sempre me fodia na administraçao psíquica do lance. Nao é facil castrar toda liberdade já na quinta depois das cinzas.

Como Action Lekking se encaixa neste contexto?
Eu quero exaltar o brilhantismo e inventidade de Sergio Machado e Fabio Sá. A presença deles é a maior força do disco. Sergio ja vinha com a ideia de processar sua bateria com mics ligados a um synth, o que eu fiz foi levar essa ideia a todos os instrumentos na mistura. Pepe e Renato Godoy montaram uma nave digital/analógica q nao deve nada a Abbey Road e depois Manso juntou-se a nós e deu grandes ideias, como o vari-fi onde deveria haver um solo em “Lek Lover”. O mais incrivel na historia do actionlekking é a maneira absolutamente fortuita como as coisas se deram. Ava (Rocha, esposa de Leo) recebeu um telefonema de Funai (Rodrigo “Funai” Costa, técnico responsável pelo som da Red Bull Station), depois de quatro artistas que haviam cancelado gravação no Red Bull Station. Como ela também estava gravando o disco dela lá, ele supos que ela quisesse gravar alguma coisa no buraco ocioso do estúdio. Mas ela também não podia e me indicou. Liguei pra Fabio e Sergio e fiz o convite, pra minha sorte eles podiam e toparam. Gravamos o disco em três dias. Depois mixamos em uma semana no estudio do Pepê no rio (que aliás recomendo fortemente pela estrutura e pelo astral).

E como você trouxe o disco para o palco?
Fizemos o primeiro show oficial do Aktion no festival Fora da Casinha. Bernardo Pacheco fez o som do nosso palco, eu apenas disse a ele que queria que a master do PA fosse manipulada impiedosamente com efeitos, algo que Estevao Case fazia nos shows do Água Batizada, mas ali apenas a voz era processada. Eu tinha imaginado um disco muito processado, quando saiu, lembro de Alejandra Luciani, engenheira de gravação do disco, comentar que tinha ficado aquém da imaginação. Ela tava certa, mas eu nao podia perder as canções e arriscar um ano de ostracismo por ter lançado um disco ‘muito louco’. Quando pintou esse arremedo de crítica na beatbrazil, do tal gringo que mencionei acima, vi q podia ter realmente feito algo ainda mais insano. Esse ano vou gravar mais um disco com Sergio e Fabio, dessa vez com Kiko Dinucci no violão e Vítor Araújo escrevendo os arranjos pra orquestra. Pensei também em alguns solistas, quero reabilitar o solo, o indie matou o solo. Vai ser tão quente, tão quente que vai carbonizar cérebros e corações desavisados.

Isabel Lenza: Ouro Aberto

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Invertendo completamente a lógica de produção artística, Isabel Lenza faz o primeiro show de sua vida no Centro da Terra, abrindo as atividades do espaço em que sou curador de música neste 2018. Depois de começar a carreira trabalhando nos bastidores para depois compor (é coautora de parte das canções do segundo disco de seu ex-companheiro, Marcelo Jeneci), ela gravou sua estreia Ouro sem nunca ter subido num palco, o que faz em uma minitemporada de duas segundas-feiras, dias 5 e 19, num processo que está chamando de Ouro Aberto (mais informações aqui). Conversei com ela sobre esta fase de sua novíssima carreira.

Como Ouro começou?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/isabel-lenza-2018-como-ouro-comecou

Quando o disco começou a se materializar?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/isabel-lenza-2018-quando-o-disco-comecou-a-se-materializar

É a primeira vez que você apresenta-se ao vivo, fale sobre este processo.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/isabel-lenza-2018-e-a-primeira-vez-que-voce-apresenta-se-ao-vivo-fale-sobre-este-processo

Depois destes primeiros shows quais serão os próximos passos?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/isabel-lenza-2018-depois-destes-primeiros-shows-quais-serao-os-proximos-passos