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Sophia Chablau: Guerra

A primeira temporada de 2026 no Centro da Terra não poderia ser mais certeira, afinal Sophia Chablau, que vai tomar conta de todas as (cinco!) segundas-feiras deste mês de março no teatro, batizou sua residência no teatro com o título de Guerra no exato momento em que o mundo parece colapsar em mais um conflito bélico mundial. “Palavra temida que escancara o conflito, repetida na canção, metonímia ou metáfora de conflitos externos a nós, conflitos internos ou conflitos românticos”, explica a cantora paulistana. “Em último caso a vida sendo uma guerra contra a morte, o monumento fazendo guerra ao tempo, a canção fazendo guerra a desordem do universo. As grandes guerras, as pequenas guerras, as guerras. – Pra variar estamos em guerra. Não é um eixo temático, é uma provocação, é um anúncio – é preciso declarar guerra.” E para essa declaração ela reúne sessões que prometem ser históricas. A primeira acontece nesta primeira segunda (dia 2) quando recebe sua banda Enorme Perda de Tempo para mostrar novidades que eles vêm trabalhando. Nas segundas seguintes ela mantém o baterista Theo Ceccato e chama o baixista Marcelo Cabral para acompanhá-la na guitarra quando recebe duplas de peso. Na segunda (dia 9), ela chama Kiko Dinucci e Jonnata Doll. Na outra (dia 16) é a vez de receber Dora Morelenbaum e Juçara Marçal. Na quarta segunda do mês (dia 23) ela convida o casal Ava Rocha e Negro Leo e encerra sua temporada de ouro na última segunda do mês (dia 30) com as presenças de Vítor Araújo e Zé Ibarra. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra – mas corre que eles estão acabando!

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Um outro teste

A primeira vez que Pedro Pastoriz apresentou-se no Centro da Terra, em agosto de 2019, inventou uma investida ao palco chamada Esse Show é um Teste para experimentar o que poderia ser a versão ao vivo do disco que havia acabado de gravar e que seria lançado apenas no ano seguinte, o infame 2020, quando o título Pingue-Pongue com o Abismo se fez mais apocalíptico do que qualquer um poderia prever. Quase sete anos depois, Pedro volta a usar o palco como laboratório para um novo momento de sua carreira – isso depois da paternidade e de um hiato profissional, encerrado há pouco -, experimentando novas canções ao mesmo tempo em que descobria, no próprio time de músicos que reuniu para essa apresentação, novos parceiros. Conexões antigas ou novíssimas que se encontraram no palco do teatro nesta terça-feira, quando Pedro mostrou várias músicas inéditas e aproveitou para mostrar os novos comparsas – e suas próprias composições – para o público. E depois de abrir a apresentação com a faixa que batizava a noite – “Bafinho Quente” – e seus três novos parceiros ao lado, foi passando por momentos diferentes do repertório quase sempre com algum deles como dupla: primeiro a tecladista Antônia Midena o acompanhou por cinco canções (inclusive uma dela e o hit paulistano do gaúcho, “Restaurante Lótus”), depois foi a vez de Bia Rezi passar por duas faixas (fechando sua participação com uma visita ao Dylan via Caetano de “Negro Amor”) e finalizando com o guitarrista Vitor Wutzki por outras três (entre elas uma versão para a valsinha proparoxítona de Alvarenga e Ranchinho, “O Drama de Angélica”). Os quatro voltaram ao palco juntos ao final para reviver “Faroeste Dançante” que Pedro compôs com Fausto Fawcett, encerrando com a faixa-título que, mais do que batizar a noite, parecia arregimentar as expectativas de quatro carreiras solo que se encontraram num espetáculo conjunto. Avante!

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Pedro Pastoriz: Bafinho Quente

Encerrando a programação de música de fevereiro no Centro da Terra nesta terça-feira, o cantor e compositor gaúcho Pedro Pastoriz retorna ao palco do teatro trazendo suas novidades, que incluem parcerias com os músicos que ele convidou para participar deste espetáculo, batizado de Bafinho Quente. Nele, Pedro toca suas próprias composições e dos compositores que chamou para subir ao palco com ele – Antônia Midena, Bia Rezi e Vitor Wutzki -, além de tocar versões de músicas de outros autores. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Uma aluna aplicada

Fernanda Ouro mirou alto e fez o gol – e que golaço. Ao explicar que queria cantar o repertório consagrado por Clara Nunes como uma forma de mergulhar na história da cantora, a jovem intérprete paulistana encarou sua musa de frente e com peito aberto, sorriso contagiante e voz implacável – lições claramente aprendidas com a mestra – passeou pela história fonográfica da sambista mineira em ordem cronológica, começando pelo primeiro sucesso “Você Passa Eu Acho Graça” (improvável parceria entre Ataulfo Alves e Carlos Imperial) e passando por pérolas de Candeia (“O Mar Serenou”), Dorival (“É Doce Morrer No Mar”), João Bosco e Aldir Blanc (“Nação”), Adoniran Barbosa (“Iracema”), Nelson Cavaquinho (“Juízo Final”), Totonho Nascimento (“Conto de Areia” e “Deusa dos Orixás”), Chico Buarque (“Morena de Angola”) e, claro, de seu parceiro da vida Paulo César Pinheiro (“Canto das Três Raças”, “Portela na Avenida” e “Minha Missão”), além de seus estandartes como “Ê Baiana”, “Tristeza Pé No Chão” e “Feira de Mangaio”. Fernanda ainda esteve muitíssimo bem ancorada por uma banda que misturava instrumentos de roda de samba (como o violão de Gabriel dos Santos e o cavaquinho de Gago ao lado da explosiva percussão de Bruno Tonini e Jorge Bento) com uma formação elétrica, com baixo (do impressionante Lucas Vieira), guitarra (do maestro e aniversariante Johnny Accetta) e bateria (com o versátil Leo de Braga), dando às canções novos arranjos que mesmo bem próximos dos originais, brincavam com aquelas novas possibilidades. Showzaço.

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Fernanda Ouro: A Deusa dos Orixás

Quase no final de fevereiro, a intérprete paulistana Fernanda Ouro mostra pela primeira vez um espetáculo que vem trabalhando nos últimos meses quando visita o repertório de Clara Nunes. Batizado de A Deusa dos Orixás, a apresentação traz músicas mais conhecidas eternizadas por Clara em novos arranjos ao lado de oito bambas que dividem-se entre cavaco, violão, guitarra, baixo, bateria e percussões. Fernanda formou-se em canto popular no ano passado, mas já se apresenta há tempos na noite paulistana, com seu espetáculo autoral Roda a Saia. Para o Centro da Terra, ele escolheu valorizar seu lado intérprete e celebrar uma das maiores vozes da música brasileira. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Centro da Terra: Março de 2026

Passou o Carnaval e agora não tem desculpa: 2026 começou de vez. E para deixar isso bem claro, eis a programação de música do Centro da Terra de março, que começa com a primeira temporada do ano, quando Sophia Chablau se apossa de todas as cinco segundas do mês para mostrar músicas com diferentes parceiros em uma temporada que batizou de Guerra. Na primeira segunda, dia 2, ela reúne seu grupo Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo para mostrar músicas que estarão no terceiro álbum da banda. A partir da semana seguinte, ela reúne duplas de feras sempre acompanhadas por ela na guitarra, Marcelo Cabral no baixo e Theo Ceccato na bateria. No dia 9 ela recebe Kiko Dinucci e Jonnata Doll, no dia 16 vem com Juçara Marçal e Dora Morelenbaum, dia 23 traz o casal Ava Rocha e Negro Leo e encerra esta Guerra ao lado de Vítor Araújo e Zé Ibarra. Na primeira terça do mês Paulo Padilho e seu filho Kim Cortada apresentam o espetáculo inédito Filho de Peixe, quando dividem o palco apenas com vozes, violão e percussão. Na terça seguinte, dia 10, Juliano Abramovay volta mais uma vez ao teatro, tocando seu violão de 7 cordas e alaúde ao lado da violoncelista holandesa Chieko e da cantora palestina Oula Al Saghir em uma noite batizada de Cartografias da Escuta. Depois, dia 17, é a vez do trio paulistano Saravá mostrar as músicas de seu disco de estreia no espetáculo Última Parada, quando receberão vários convidados. Dia 24 é a vez do produtor e multiinstrumentista L_cio mostrar a apresentação Vértice: Ato Único ao lado do percussionista e trombonista Bica e da cantora Nayra Costa. A programação encerra-se no último dia do mês, 31, quando o produtor e instrumentista Victor Kroner mostra pela primeira vez suas próprias canções no espetáculo Entrepulso. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

Ainda no rio de lágrimas

Quando Paola Lappicy disse estar envolvendo suas canções com música eletrônica ao fazer seu próximo álbum com o produtor Vortex Beat, imaginei que ela pudesse levar suas baladas quase sempre compostas ao piano para um universo menos melódico e mais rítmico, mas qual surpresa ao ver que não só seu produtor também toca teclado – e em algumas canções nesta terça-feira dividiu o piano com ela -, como ela puxou os timbres sintéticos para seu rio de lágrimas, levando suas baladas para o território do trip hop e, em alguns momentos, até para o piseiro eletrônico, mas sem perder a melancolia que caracteriza suas composições. No espetáculo Coisas que Eu Quis Te Dizer Antes de Tudo Acabar, que também batiza o disco que ela lança no mês que vem, ela dividiu-se entre o piano e os sintetizadores, quase sempre acompanhada por Vortex, que ia dos synths para os beats e efeitos até um acordeão (!), e por Nyron Higor, que além de percussões também tocou baixo. Na metade da noite, no entanto, ficou sozinha ao piano e além de puxar a clássica “Espumas ao Vento” (pedindo para o público cantar o refrão), passeou por músicas de seu primeiro álbum, Choro Fácil. Sem ter preparado nada específico para o bis, voltou à única música do novo disco já lançada, “Me Leve para Outro Lugar”, que contou com a presença da outra de suas autoras, Mirella Façanha, além do trompete de Felipe Aires – e improvisou sua homenagem ao badalado Bad Bunny ao puxar sua “DtMF” num clima introspectivo. Bem bonito.

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Paola Lappicy: Coisas que Eu Quis Te Dizer Antes de Tudo Acabar

A cantora e compositora Paola Lappicy volta ao palco do Centro da Terra nesta terça-feira para antecipar mais um álbum, com atmosfera radicalmente diferente do anterior, Choro Fácil, de 2023. Em Coisas que Eu Quis Te Dizer Antes de Tudo Acabar, ela abraça a eletrônica para falar sobre diferentes fins – o fim de mundo e o fim de um relacionamento -, acompanhada do coprodutor Vortex Beat, que atravessou essa fronteira entre a canção e a música eletrônica entre pianos, sintetizadores e programações. A apresentação ainda conta com luz da Olívia Munhoz. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Tudo em família

Começamos o ano tranquilos no Centro da Terra tocados com o belo espetáculo familiar que os irmãos Ná e Marco Ozzetti puderam nos proporcionar nesta primeira segunda-feira de fevereiro. Antecipando Música na Poesia, disco que lançarão no final deste mês que partiu da intenção de Marco em musicar a poesia da baiana Simone Bacelar que foi abraçada pela irmã Ná. Foi ela que montou a banda formada pela sobrinha Thata Ozzetti, filha de outro irmão, Dante, que também estava na plateia, na percussão e pelo baixista Xantilee Jesus, que a própria Ná se referiu como família devido ao tempo que trabalham juntos – citando o contrabaixo de “Nós”, segunda música de seu primeiro disco solo, lançado em 1988. Juntos passearam por um repertório em que a voz de Ná e o violão de Marco ecovam a musicalidade brasileira de um século atrás, quando nossa música começou a se movimentar pelas ondas do rádio. A apresentação ainda contou com mais familiares no percurso, quando a cantora Mariana Furquim e a percussionista Luana Ozzetti, que tocou lindamente cuíca em uma música, as duas filhas de Marco, deixando o clima desta primeira apresentação do ano ainda mais confortável e aconchegante.

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Ná Ozzetti + Marco Ozzetti: Música na Poesia

Nesta primeira segunda de fevereiro damos início ao oitavo ano da curadoria de música no Centro da Terra e Ná Ozzetti foi a convidada para abrir essa nova série de apresentações, quando vem ao lado de seu irmão Marco Ozzetti celebrar a poesia de Simone Bacelar em canções que estarão no primeiro disco que lançarão juntos, ainda este ano, chamado de Música na Poesia. O espetáculo ainda conta com as participações de Thata Ozzetti na percussão e Xantilee no contrabaixo ,mantendo a mesma formação que registrou o futuro disco. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados pelo site do Centro da Terra.

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