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Carlos Lacerda dissecado

, por Alexandre Matias

Depois do monumental Marighella – O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo (2012), o jornalista Mário Magalhães move-se para o outro extremo ideológico brasileiro do meio do século passado para dissecar uma das figuras mais nefastas da política brasileira daquele período (e olha que a concorrência era pesada). Em Lacerda: Coração de tempestade, Magalhães, que acaba de ter seu lançamento anunciado para agosto, o jornalista e orador que foi instrumental para a ascensão da direita raivosa na segunda metade do século, primeiro ao tensionar o país (que sempre foi dividido e polarizado, não se iluda) ao limite de provocar o suicídio de Getúlio Vargas e depois por ajudar a pavimentar o caminho (inflamando a opinião público com bravatas liberalóides) para o golpe militar dez anos depois. A primeira parte desta biografia o acompanha até 1955, quando, depois de derrubar (morto) Getúlio, ameaça a eleição e a posse de Juscelino Kubitschek. Chamar Lacerda de “controverso” é diminuir sua (má) influência na política daquelas décadas, sendo que ele foi uma espécie de Ciro Gomes que resolveu bancar o golpismo bolsonarista de seu tempo – e pagar por isso com a própria vida, como a segunda metade desta biografia deve revelar. O livro já está em pré-venda.

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