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Noites Trabalho Sujo apresenta Camilo Rocha

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Domingo agora completo mais um verão ao redor do sol e pra exorcizar o fim do inferno astral, convidei o chapa e mestre Camilo Rocha pra experiência coletiva transcendental que é a Noite Trabalho Sujo – e se você sabe da importância de Camilo para a pista de dança brasileira, pode recolher seu queixo do chão. No repertório, clássicos instantâneos e o obscuros, pérolas impensáveis e hits óbvios de todas as épocas – a trilha sonora perfeita para se acabar de dançar numa noite fria dum verão paulistano. Para chegar lá, basta seguir as dicas que estão tanto no site do Alberta e quanto na página do evento no Facebook – e os nomes para a lista de desconto podem ser enviados para o email noitestrabalhosujo@gmail.com até às 20h. Chega mais pra me dar os parabéns!

Impressão Digital #131: Saindo do Link Estadão


A última encarnação do Link que comandei (em sentido horário a partir da esquerda): eu, Camilo, Thiago, Murilo, Vinícius, Carol, Filipe e Tati. sdds glr :~

Minha coluna de despedida da edição do Link. A coluna segue no caderno, toda segunda, mas desde a sexta-feira passada eu não frequento mais os corredores do sexto andar do prédio ocre perto da ponte do Limão na Marginal Tietê. Foi foda – saio com dorzinha no peito por perder determinadas convivências diárias, mas com a sensação de dever cumprido. Depois eu escrevo mais sobre isso…

Jornalismo, tecnologia, web e o que eu tenho a ver com isso
Sou feliz de trabalhar com quem trabalhei

Foi num jornal diário que comecei minha carreira e tomei gosto pelo jornalismo. A redação em que diferentes egos e perspectivas conversam e se chocam é um ambiente fantástico, circo-hospício seríssimo. Os assuntos mais pedestres trombam com as Grandes Questões da Humanidade, tudo correndo contra o relógio do fechamento, segundos contados para terminar o texto, chegar a foto, tratar a imagem, exportar a arte, pensar na página.

A primeira redação em que trabalhei tinha acabado de aposentar as máquinas de escrever e as trocado por PCs, mas não havia e-mail nem internet. Filmes eram revelados. Fumava-se na redação. Parece Mad Men, mas era 1994.

Lembro do primeiro PC com acesso à internet na redação, abandonado na sala de produção, ao lado dos computadores com matérias das agências de notícias, faxes e até uma máquina de telex. Eu era o único jornalista que me dedicava mais do que meia hora online, fuçando sites, listas de discussão e e-zines, antes de ter acesso à web em casa. Não à toa instiguei o próprio jornal a ter sua própria página na rede, ainda em 1996.

Mudei para a redação do jornal concorrente e tornei-me editor do caderno de cultura no mesmo ano em que o Napster popularizou o MP3. Foi quando percebi que internet não era só tecnologia – era cultura. Que baixar MP3 era o primeiro indício da transformação que o meio digital trazia. Não era só uma forma nova de “consumir cultura”, mas uma nova camada de experiência que atravessaria nosso cotidiano em breve.

E aconteceu: vieram os blogs, o Google cresceu, depois o YouTube, as redes sociais e o celular passou a acessar a internet. Passei por outras redações e cheguei a esta do Estadão no mesmo ano em que Steve Jobs mostrou seu iPhone. Novamente num jornal diário, mas o digital se impunha: fatos podiam ser checados online, fontes e personagens podiam ser descobertos em redes sociais, repórteres mandavam informações por celulares, todo mundo tinha e-mail, uma parte (pequena) da redação tinha blog. Ainda havia a máquina de fax e não era possível fumar no computador, mas ainda havia o fumódromo.

Quando comecei no Link, ainda editor-assistente, era relativamente fácil separar quem cobria que área no caderno. Mas os assuntos se misturaram e, ao ser promovido a editor em 2009, implodimos essas barreiras. Como passamos a escrever tanto para um caderno semanal quanto para um site diário – em vez de separar quem é do impresso com quem é do online. A mesma equipe também assumia o caderno em outras plataformas, que experimentou com as redes sociais antes do próprio jornal ter suas contas. Falamos do Twitter, do Marco Civil, do Facebook, da pirataria política e de impressão 3D antes de esses assuntos entrarem na pauta brasileira.

Mas a melhor coisa nestes cinco anos e meio de Link, que terminam nesta edição (estou deixando o Estadão esta semana) foi estar junto a pessoas ótimas, amigos dispostos a encarar desafios e a aprender, sempre de bom humor. Pessoalmente é a principal dívida que tenho com o jornal: ter trabalhado com pessoas tão fodas que vocês conhecem pelo nome e sobrenome, mas que me refiro como amigos – Filipe, Tati, Camilo, Murilo, Carol, Vinícius, Thiago, Helô, Carla, Rafa, Fernando, Ana, Fred, Rodrigo, Bruno, Ju, Lucas, Gustavo, Marcus. Juntos, transformamos não apenas o suplemento de tecnologia em um caderno central para o jornal como aceleramos a mudança na cobertura de tecnologia no Brasil. Além de termos aprendido e nos divertido muito, neste processo.

Quis o destino que meu último Link viesse na mesma semana em que o primeiro jornal que trabalhei acabou; o Diário do Povo, de Campinas, parou de circular no primeiro domingo deste mês. Mas isso não significa que o impresso irá acabar – estamos começando a ver uma transformação bem interessante no que diz respeito ao jornalismo, à tecnologia e, claro, à cultura humana. Vamos ver o que virá.

Saio da redação, mas sigo nestas páginas. A Impressão Digital segue aqui, toda segunda. Foi muito bom, aprendi muito. E não se esqueçam: só melhora.

Titãs: “Desejo, necessidade, vontade”

Já até toquei esse edit num Vida Fodona outro dia desses, mas vale chamar atenção para o trato que o catarinense Binho CA deu para um dos grandes hits dos Titãs. O groove de “Comida”, primeiro single do inacreditável Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas, é posto em um loop interminável (baixo slap e bateria seca, aquele groove bem Prince) que tem suas guitarras Talking Heads postas em primeiro plano, até o ataque do teclado fantasma. Binho acerta lindamente ao retirar o vocal e deixar a melodia presa àquela frase rítmica daquela flauta peruana sintetizada. Quando o vocal de Arnaldo Antunes finalmente surge – quase um eco – a música já incendiou a pista.

É de se pensar quantas músicas dos Titãs nos anos 80 mereceriam um tratamento minimal. Dica fodaça do Camilo.

Uma terça-feira, dois eventos online, duas cidades e OEsquema

OEsquema em dose dupla nessa terça-feira. No Rio, eu e o Bruno estaremos nos bastidores do Prêmio Multishow desse ano que ajudamos a redesenhar – os shows começam às 21h45 pela emissora fechada, mas nós iremos acompanhar de perto a discussão do Super Júri (formado por André “Cardoso” Czarnobai, André Forastieri, André Midani, Katia Lessa, Marcelo Castello Branco, Miranda, Pablo Miyazawa, Pedro Seiller, Ricardo Alexandre, Roberta Martinelli e Sarah Oliveira), que será transmitida integralmente pela internet.

Já em São Paulo, o bom e velho Camilo Rocha representa OEsquema na inauguração de mais um novo blog da casa – o Pense Livre, uma rede de discussão sobre a política em relação às drogas estréia seu canal de contato com o grande público a partir de um evento que acontece agora à noite, no Itaú Cultural, em São Paulo. Camilo já fazia parte do grupo antes mesmo de entrar para OEsquema, no ano passado, e foi ele quem fez a ponto entre nosso site a rede em si, cujo blog trará novidades do mundo todo sobre como diferentes países tratam a questão da legislação em relação às drogas. O evento também será transmitido online a partir das 19h30 pelo próprio site do Pense Livre nOEsquema.

Aparentemente, os dois eventos não têm muita relação – como se o parentesco com OEsquema fosse apenas genético pois alguns integrantes publicam no site. Mas, juntos, começamos a mostrar que, mais do que falar de programas de TV, modinhas de internet, bandas semidesconhecidas e links legais, estamos, todos (blogueiros e leitores, vocês também têm sua parcela de culpa) ampliando o horizonte do público brasileiro, trazendo novos assuntos, temas e pontos de vista e subindo o nível da discussão numa hora crucial para o país.