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O Quebra-Cabeças do Bixiga 70

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O quarto disco da big band paulistana Bixiga 70 está prestes a ser lançado e Quebra-Cabeças, o primeiro disco do grupo que não tem o título numerado e o primeiro que deve ocupar o espaço de um vinil duplo, é o melhor da carreira da banda, por uma série de fatores: com a presença de Gustavo Lenza na produção, o som ganhou o peso e o ataque no estúdio que a banda já apresenta ao vivo, e o clima instrumental é mais pesado e tenso que o clima astral dos discos anteriores, refletindo o teor político do país atualmente e mostrando que até música instrumental pode ser de protesto. A única música do disco que foi lançada pelo grupo, a incisiva “Primeiramente“, dá o tom do que vem por aí.

O grupo já marcou show de lançamento para a próxima semana, nos dias 19, 20 e 21 de julho na choperia do Sesc Pompéia (mais informações aqui).

17 de 2017: 16) Bicho de 4 Cabeças

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O encontro da quatro principais bandas independentes de São Paulo foi sem dúvida meu salto mais ousado na curadoria do CCSP este ano. E quando Hurtmold, Bixiga 70, Rakta e Metá Metá estavam todos juntos tocando ao mesmo tempo eu tive a certeza de que tudo é possível. Melhor show nacional que vi este ano – o ano que mais vi shows na vida.

Tudo Tanto #35: PicNik em Brasília

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Minha coluna Tudo Tanto na edição de agosto deste ano da revista Caros Amigos foi sobre o festival candango PicNik.

Crescer pra quê?
O festival brasiliense PicNik aposta no médio porte para se tornar autossustentável e agradável ao mesmo tempo

No horizonte, impávida, a Torre de TV de Brasília parece ainda maior pela ausência de construções ao seu redor e por estar constantemente avistando os frequentadores do festival PicNik abaixo. Circulando ao redor do espelho d’água em frente a ela, o evento que começou a partir de uma inquietação e sem muitas expectativas reunia dezenas de expositores e vendedores agora era um enorme de pequenos produtores que trabalham com comida, moda, artesanato, decoração, saúde, bem estar e recebia milhares de pessoas durante os dois dias em que aconteceu no final de junho na capital federal.

Ao fundo, no final dos corredores e tendas de lojas e barracas de alimentação, camas para massagem, fumódromos de narguilê e até uma máquina que cortava discos de vinis de shows gravados na hora, uma tenda de circo cobria um pequeno palco em que a banda FireFriend apresentava-se. Liderada pelo casal Yuri Hermuche (guitarra e vocais) e Julia Grassetti (baixo, vocais e teclados) ao lado do baterista Pablo Oruê, o trio indie paulista funcionava perfeitamente naquele ambiente, a tarde fria e ensolarada de um sábado de outono reunia uma quantidade boa de gente para ver o grupo tocar. Não estava cheio mas não estava vazio e muitos dos que paravam para assistir ao show tinham ido apenas para fazer compras – ou apenas passear, já que o festival é gratuito.

Embora adequado para a proporção do FireFriend, aquele palco parecia pequeno para receber os artistas que ainda tocariam naquela edição do evento, como o trio O Terno, a cantora Ava Rocha e os dez integrantes do grupo Bixiga 70. Não o tamanho do palco em si, mas sua distância em relação à audiência, a altura e ausência de fosso entre artista e público. Mas o que a princípio parecia discrepante, na verdade é estratégico. Porque o PicNik quer crescer, mas não crescer demais.

“Nós não temos interesse em tornar o evento maior do que já é, e sim de entender como criar filtros para manter dentro do evento um público saudável e interessante, que interaja positivamente com nossa ferramenta, seja comprando dos expositores, vendo uma palestra, curtindo um show, fazendo aula de ioga, trabalhando como voluntário”, me explica Miguel Rodrigues Galvão, que idealizou o evento ao lado da publicitária Julia Hormann. “Algumas pessoas que estiveram nos primeiros anos não frequentam mais o PicniK e estamos vendo uma nova geração abraçando uma proposta: o desafio agora é contextualizar essa galera de que existem princípios e motivos para o projeto acontecer, que não somos apenas uma grande farra aberta.”

O festival começou como um bazar coletivo criado de uma hora pra outra, sem planejamento, aproveitando o momento. “Em 2012, uma amiga que trabalhava na administração de Brasília – uma espécie de prefeitura local -, me procurou para pensar uma ocupação diurna ao Calçadão da Asa Norte, espaço recém-inaugurado mas que era desprezado pela vizinhança e já se via tomado por marginais”, continua Miguel. “Na mesma época, morava com uma menina, a Dani, que estava muito envolvida com a vibe de brechós e percebi que tinha uma onda muito legal envolvida nessa movimentação. Juntamos as pontas e pensamos: se a gente trazer um público legal para esses expositores, será que eles nos ajudam a pagar a conta de nosso encontro? Daí, olhamos para uma data que parecia ideal para lançar a proposta: o aniversário de Brasília, que à tempos não tinha uma celebração que envolvesse a galera alternativa da cidade.”

Miguel conta que a ideia do evento já estava em sua cabeça há mais tempo, mas ele não via como viabilizá-la. “Estava muito desiludido com esse meio da cultura noturna alternativa – em que atuava ativamente – e vislumbrava a criação de uma plataforma de vibração de dia, onde as pessoas interessantes e diferentes da cidade poderiam se encontrar para interagir sem as ‘máscaras’ da noite, que propusesse um break, mesmo que momentâneo, dessa intensidade virtual a que somos submetidos, valorizando a realidade presencial acima de tudo”, explica. O nome veio a partir da sensação de que ele queria passar para o evento – algo leve, diurno, pra cima e para todas idades.

Esta preocupação também estava refletida na escalação das bandas. Nada muito pesado, agressivo ou barulhento – a curadoria musical do festival PicNik caminha em direção à psicodelia, ao indie rock e à música brasileira, buscando artistas que ocupem as interseções entre estes estilos. Além de FireFriend, Bixiga 70, O Terno e Ava Rocha, o festival ainda contou com a banda califoniana Blank Tapes, o pernambucano Tagore, os paraibanos Glue Trip, os gaúchos dos Mustaches e os Apaches, os mineiros do Congo Congo e Teach Me Tiger e os brasilienses Transquarto, Brancunians, Supervibe, Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro e Cassino Supernova – estes últimos homenageando o jovem recém-falecido baixista Pedro Souto.

Outra peculiaridade bem-vinda do festival: deixar as atrações mais disputadas para o meio da programação – e não para o final. Assim, quando a última banda estava tocando, grande parte do público já tinha ido embora e o encerramento do evento não fica naquela suspensão de eletricidade coletiva característica dos shows para multidões, terminando naturalmente. Ponto para o grupo.

Atønito e Sambanzo de graça no CCSP

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Acontece nessa sexta-feira mais uma colisão de projetos paralelos das bandas do Bicho de Quatro Cabeças – e o encontro dos projetos Atønito, de um dos saxofonistas do Bixiga 70, Cuca Ferreira, Sambanzo, do saxofonista do Metá Metá, Thiago França, promete ser épico – mesmo porque o Thiago reuniu vários percurssionistas do Bicho de Quatro Cabeças: Rômulo Nardes, Bruno Prado e Décio 7 (do Bixiga 70), Rogerio Maisum e M.Takara (do Hurtmold) e seus velhos comparsas Sam Samba, Sthefanie Araujo e Bruno Prado. Começa às 19h, é de graça e tem mais informações aqui.

Bicho de Quatro Cabeças capturado

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A sensação de arrebatamento sônico presenciada por quem esteve no encontro das bandas Rakta, Bixiga 70, Metá Metá e Hurtmold na quinta-feira passada no Centro Cultural São Paulo é impossível de ser registrada. A energia e a intensidade da comunhão musical dos vinte e quatro integrantes que se reuniram em quatro etapas (cada uma regida por uma banda) é algo que ficará apenas nas memórias das centenas de pessoas que circularam pela Sala Adoniran Barbosa naquela já histórica noite de lua cheia. No entanto, é inevitável que surjam os registros deste Bicho de Quatro Cabeças, como os vídeos e fotos que já começaram a aparecer nas redes sociais, e embora eles não capturem o intenso ritual musical daquela noite, dão uma amostra do que ocorreu quando uma vocalista, três disparadores de efeitos, um tecladista, três percussionistas, três bateristas, três baixistas, cinco guitarristas e cinco metais se encontraram naquele momento. E o primeiro destes registros – embora não-oficial – acaba de aparecer, quando o pirateiro Olvécio Estava Lá lançou o que conseguiu capturar dessa noite. Boa viagem.

MetáMetá + Hurtmold + Bixiga70 + Rakta juntos no CCSP

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Hoje começa o Bicho de Quatro Cabeças, projeto do Centro Cultural São Paulo dentro da programação do Mês da Cultura Independente que reúne quatro das principais bandas independentes da cidade para um encontro épico. Nesta quinta, as quatro bandas apresentam-se simultaneamente numa apresentação com quatro entradas: às 19h entra o Rakta, às 20h o Metá Metá, às 21h o Hurtmold e às 22h o Bixiga 70. Em cada uma das apresentações, as bandas receberão músicos das outras bandas para uma grande sessão de improviso coletivo. Os ingressos começam a ser distribuídos a partir das 17h e cada pessoa só tem direito a pegar dois ingressos (e escolher a entrada de qual banda quer ver). A ideia é fazer o público circular e ver as apresentações de diferentes ângulos, além de permitir que mais pessoas assistam a essa noite épica. Abaixo, o texto de apresentação que escrevi para o evento e os quatro cartazes feitos pelas próprias bandas (vamos ter cópias impressas destes, mas são poucas, quem chegar cedo leva). Não dê mole, que vai ser histórico!

Que bicho?

Um dos principais formatos musicais do século passado, a banda de rock vem aos poucos perdendo popularidade à medida em que o tempo individualista que vivemos reduz atrações e aglomeramentos culturais a carreiras solo. Há cada vez mais artistas procurando expressar-se individualmente que coletivamente e a formação reduzida em que poucos músicos gerem carreiras inteiras ao redor de um único grupamento parece estar em queda.

No entanto, este é o formato mais ágil e hábil para a autogestão. Dividir tarefas artísticas e profissionais num punhado de pessoas torna a carreira musical mais fácil de ser administrada bem como a estética que parte da troca como pressuposto criativo mais fluida. Este formato é a base deste mercado que chamamos de independente, que existe alheio às grandes gravadoras, às emissoras de rádio ou canais de TV. Ao mesmo tempo em que movimenta-se em um submundo midiático, cria seu universo musical que é tão fácil de ser controlado quanto desafiado. Uma banda é um único animal através do qual várias cabeças conseguem se manifestar de forma coletiva, uma utopia social em forma de projeto artístico.

Reunindo quatro das principais bandas independentes de São Paulo num mesmo projeto, Bicho de Quatro Cabeças é o evento de abertura do Mês da Cultura Independente, realizado pela Secretaria Municipal de Cultural, e mostra que a natureza colaborativa deste formato vai para muito além da estética. Metá Metá, Bixiga 70, Rakta e Hurtmold partem de pressupostos artísticos diversos, de sonoridades completamente distante em alguns casos, mas que fazem sentido mesmo quando contrapostas.

São bandas cujos integrantes passeiam por musicalidades que vão além dos universos de suas bandas, em projetos paralelos que existem principalmente para instigar estas pesquisas sonoras. Do punk rock à música eletrônica, do samba ao free jazz, da poesia a colagens sonoras, do passando por diferentes níveis de improviso e experimentação, por abordagens distintas do formato canção e formações convencionais e inusitadas, o universo destes quase trinta indivíduos se funde primeiro em uma grande sessão de improviso que leva o nome do evento no dia 5 de outubro para depois assistir a apresentações das próprias bandas e de seus projetos paralelos por toda a duração do mês.

Mais informações aqui.

Arte: Mario Cappi (Hurtmold)

Arte: Mario Cappi (Hurtmold)

Arte: Kiko Dinucci (Metá Metá)

Arte: Kiko Dinucci (Metá Metá)

Arte: Rakta

Arte: Rakta

Arte: MZK (Bixiga 70)

Arte: MZK (Bixiga 70)

Bicho de Quatro Cabeças

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O Mês da Cultura Independente realizado pela Secretaria Municipal de Cultura acontece no mês de agosto e o Centro Cultural São Paulo abre as portas para o encontro de quatro das principais bandas independentes da cidade. O evento Bicho de Quatro Cabeças reúne Rakta, Hurtmold, Bixiga 70 e Metá Metá durante o mês no CCSP, trazendo apresentações dos quatro grupos, de seus projetos paralelos e um grande evento que reunirá os quatro simultaneamente. Eu falei com a Roberta Martinelli sobre este experimento, cuja descrição e programação seguem abaixo e nas redes do Centro Cultural São Paulo.

Bicho de Quatro Cabeças

Quatro das principais bandas independentes de São Paulo, Rakta, Bixiga 70, Metá Metá e Hurtmold em atividade têm vários pontos em comum que tornam suas carreiras semelhantes, embora cada uma delas busque uma sonoridade completamente diversa umas das outras. Em comum, elas têm o fato de que, além de prezarem pela própria sonoridade em detrimento de qualquer aspiração comercial, também gerenciarem as próprias carreiras, terem projetos paralelos, transitarem entre diferentes públicos e artistas e serem autossusentáveis.

Bicho de Quatro Cabeças é o encontro entre estas quatro bandas e seus públicos no Centro Cultural São Paulo e acontece durante todo o Mês da Cultura Independente, em outubro de 2017. O evento começa com uma grande apresentação em quatro entradas em que integrantes das quatro bandas realizam uma sessão de improviso inédita, trocando de formações e cada hora indo para uma direção musical. Serão quatro entradas que permitem a troca de públicos durante estas entradas – e quem ficar de fora pode acompanhar as outras entradas através de um telão afixado na área externa da Sala Adoniran Barbosa.

O evento também conta com shows das bandas separadamente, além de apresentações que reúnem diferentes projetos paralelos dos quatro coletivos, permitindo inclusive novas colaborações entre integrantes dos diferentes projetos definidos durante o percurso. O evento terá também quatro pôsteres produzidos pelas próprias bandas, que também são responsáveis pela comunicação visual dos próprios trabalhos.

Todas as atrações são gratuitas.

5.10 – Bicho de Quatro Cabeças
6.10 – Acavernus / Carla Borega
8.10 – Rakta
13.10 – A Espetacular Charanga do França
14.10 – Metá Metá
15.10 – Anganga / MdM Duo
19.10 – Décio & Held / Sambas do Absurdo
20.10 – Atonito / Sambanzo
22.10 – Kiko Dinucci / Plim
26.10 – Naxxtro / Bode Holofonico
27.10 – Corte / M. Takara
28.10 – Hurtmold
29.10 – Bixiga 70

Rumo ao PicNik

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Chego em Brasília neste fim de semana para conferir a edição anual do festival PicNik, uma festa que cresceu, virou mercado, já se espalhou por outras cidades e agora faz um dos festivais mais legais da minha terrinha. A edição deste fim de semana tem Mustache e os Apaches, Bixiga 70, O Terno, Tagore, Ava Rocha, Firefriend, Blank Tapes, Glue Trip e outros tantos. De graça, na Torre de TV, sábado e domingo – mais informações aqui.